Palhaço também conta histórias!
Neste blog você pode saber um pouco mais das nossas histórias vividas nos hospitais.

quinta-feira, 25 de outubro de 2012

Festival Musical no GRAACC!


Relato enviado pela voluntária Paloma (Palhaça Lorena)

 

Ricota apareceu com um cavaquinho e só precisou de um empurrãozinho para se sentir seguro e carregar o companheiro pelo hospital!
O empurrãozinho tem nome: Odorica e Lorena. Dançarinas, cantoras, compositoras e parceiras piradas.
 
Fila de espera bombando no 1SS. Encontramos uma mulher alta, linda e sorridente. Não demoramos muito para descobrir sua profissão: cozinheira. Só podia ser, pois ela estava toda familiarizada com a cozinha e conseguiu descolar um lanchinho ótimo. Enquanto isso, seu pai, com o mesmo sorriso nos lábios, encarou o Ricota e pediu que ele tocasse alguma coisa.
  
Perguntamos de que gênero musical o senhor (que apelidamos carinhosamente de Maestro) gostava mais e veio a resposta: pagode.
Ricota fez uma cara um tanto desapontada e passamos a bola para o Maestro novamente: “E que pagode o senhor quer ouvir agora?”.
Maestro abriu um super sorriso e disse: “Conheço um pagode clássico que é incrível!”.
Suspense no ar... Que “pagode clássico” seria aquele? Segundos depois, o Maestro me solta: “Atirei o pau no gato.”.
 
O trio musical ficou pasmo com a escolha, mas rapidamente concordou com a proposta.
Lorena: “Noooossa, esse pagode é dos bons!”.
Odorica: “É o primeiro lugar nas paradas de sucesso!”.
Ricota: “Esse pagode é incrível mesmo!”.
 
A música começou a rolar e a empolgação das dançarinas foi total.
  
♫ Atirei o pau no gato-to
Mas o gato-to
Não morreu-reu-reu ♫
  

Foi o “atirei o pau no gato” mais animado que já ouvi e dancei na vida.
Odorica e eu fizemos a mesma coreografia, sambado loucamente, girando o corpo e rebolando.
Ricota segurou firme no cavaquinho e cantou todo afinado.
Além de dançarinas, Odorica e eu fomos backing vocal, repetindo sílabas em ritmo de pagode.
 
O sorriso largo do Maestro e de sua filha se transformou em gargalhadas que contagiaram todos no local.
 
Esbanjando talento, Ricota ainda atendeu ao pedido de um rapaz que curtiu a nossa apresentação do “atirei o pau no gato”. Dessa vez, a escolha foi samba. Solicitamos o socorro do Maestro, que tentou nos explicar a diferença entre pagode e samba, sem obter sucesso.
Maestro sacou a música “Trem das Onze” da cartola e saímos cantando o sambinha, percebendo, na prática, a diferença.
 

terça-feira, 23 de outubro de 2012

O Sofá Quincasss


Relato enviado pela voluntária Ana Carolina (Palhaça Lola)
 



Recepção lotada, hospital inteiro lotadooo!!!
 
Quincasss e Lola começaram o dia em total sintonia!
Aproveitamos da situação do hospital cheio e Quincasss virou, poltrona, sofá, puff...
 
Ele se sentava e Lola sentava no colo dele como se estivesse sentando num confortável sofá (barriguinha pequena do Quincasss!!!) e a criançada se divertia com a situação rindo do Quincasss que mal respirava!
 
Lola se fazia de desentendida e levantava e sentava por várias vezes como se não entendesse que Quincasss estava ali passando mal com seu peso!
E Quincasss dizia: “Lola, assim você me mata!!”.
 
Entre outras brincadeiras essa foi a que mais rolou e em todos os andares conseguíamos encaixá-la já que estavam cheios e com pouquíssimos lugares para sentar!
 
Na quimioteca foi o ponto alto onde arrancamos diversos sorrisos, inclusive da menina “S” que não curtia muito palhaço e não estava muito bem naquele dia.
 
Foi um dia lindo!!!!
 

quinta-feira, 18 de outubro de 2012

Mais uma Identidade Secreta para Super-Homem!!


Relato enviado pelo voluntário Rodrigo (Palhaço Mixirico)

 



I., um garoto bem debilitado que, com muito esforço, fazia sinais com a cabeça (sim/não). Ele estava com um inalador e nós palhaços estávamos de máscaras (tivemos que colocá-las para entrar no quarto).
  
De imediato, Jamal começou a conversar com o I. através de seu rádio comunicador (a máscara).
Quando Jamal perguntou o nome do garoto, eu (Mixirico) interferi na comunicação, chamando a Sula para a linha cruzada. Eu disse que o garoto era o Super-Homem (ele estava com uma camiseta dele), mas como ele estava todo enrolado debaixo da coberta, disse que ele estava disfarçado, pois todo super-herói tem disfarces. E o do I. era de minhoca peluda! I. fez que sim com a cabeça!
 
Jamal tentava se comunicar com o I., mas eu atravessa a conversa com o intuito de sacanear Jamal. I. comprou a minha ideia e ainda usamos a Sula como cúmplice.
Sendo assim, Jamal perguntava quais eram os poderes do Super-Homem. I. respondia e eu “traduzia” dizendo que com o disfarce de minhoca peluda, I. aplicava picadas em seus inimigos. 
 
Rapidamente Sula se colocou a disposição para tal tarefa e começou a picar Jamal. Cada picada rendia boas risadas de I. e, a cada picada, Jamal ficava desesperado, pulando de dor.
Mas para azar da dupla, Jamal começou e desconfiar até que descobriu o plano. Sula e eu, muito espertos, conseguimos enganar Jamal mais uma vez, e conseguiram fugir do quarto!!!
 
De longe víamos os olhinhos de I. nos olhando com cumplicidade!!!
 
 

terça-feira, 16 de outubro de 2012

Cuidado com o Touro!!


Relato enviado pela voluntária Daniela (Palhaça Janja)

 


Estávamos eu (Janja) e Múrcia passeando pelo Menino Jesus numa manhã de sábado ensolarado. 
Depois da nossa visita habitual aos andares da internação resolvemos dar uma passada na Sala de Observação, que estava bem cheia, pois todos os leitos estavam ocupados.
 
Logo que entramos avistamos dois garotos ao fundo querendo brincar. Os olhos deles brilharam quando nos viram. Um deles que estava com acesso tomando medicação na veia já foi logo falando:
 
Menino: Sabe o que é isso?
Janja e Múrcia: Não!
Menino: É força. Eu estava muito fraco e agora eles estão colocando força em mim. Quando eu tomar tudo, vou ficar muito forte pra combater bandido e touro.
Janja e Múrcia: UAU !!! Temos um super-herói aqui. Que prazer imenso! A gente nunca tinha visto um assim... em carne e osso.
Menino: Pois é! Eu e meu parceiro aqui vamos combater o crime. – Apontou ele para o amiguinho do leito ao lado que estava louco pra brincar conosco também!
Janja e Múrcia: Noooooooooossaaaaaa ... vocês dois devem ser uma dupla dinâmica igual ao Batman e Robin.
 
Nesse momento os dois estavam orgulhosos de ser o que eram: CORAJOSOS!!
 
Menino: E vocês duas precisam tomar muito cuidado!!! Vocês estão de vermelho e touro não gosta de vermelho!! Ele vai pra cima de vocês!! Mas não se preocupem que eu não tenho medo de touro e protejo vocês duas!
 
Janja e Múrcia estavam muito agradecidas pela ajuda do garoto e foram embora se despedindo de todos.
Do lado de fora da sala de observação, elas passavam correndo de um lado para o outro da porta e gritavam: “Socorro, um touro.”
 
Os dois garotos atiravam no “touro” como se fossem o Homem-Aranha. Todos vibravam com a cena! Parecia um verdadeiro filme de ação!! Não ficou devendo nada para o MacGyver, Chuck Norris, entre outros.
 
Passada a turbulência e touro liquidado, Janja e Múrcia entraram novamente na Sala de Observação para agradecer a bravura dos garotos em defendê-las. 
 
Janja e Múrcia: Pessoal, vocês acabaram de presenciar ao vivo um exemplo de coragem e bravura. Uma salva de palmas, por favor!!!
 
CLAP, CLAP, CLAP !!!!
Eram tantas palmas que os garotos ficaram de pé em seus leitos para receber os cumprimentos de todos que estavam naquela sala. Eles curvaram-se ao seu público agradecendo todo aquele prestígio e tiveram seus 15 minutos de fama!
 
Saímos de lá seguras de que tínhamos encontrado ali uma dupla de super-heróis capazes de fundar uma nova liga da justiça! Ou seriam eles mutantes e potenciais alunos do Professor Xavier?
Sei lá... o que sei é que escapei do touro bravo e nunca mais uso vermelho... vai que encontro um touro bravo na Marginal Pinheiros !!!
 
 

quinta-feira, 11 de outubro de 2012

Quarto 407

 
Relato enviado pelo voluntário Marcos (Palhaço Tadeu)
 
 
 


Estávamos no corredor quando veio um médico residente e nos abordou: “Ei!!! Vocês, por favor, passem no quarto 407 a onde tem uma paciente minha muito triste. Ela vive reclamando de dor e esta cheia de manhas... Não sei como ajudá-la nesse sentido. Por favor, passem no quarto dela e tentem animá-la.” 
 
Então, Dalila e eu (Tadeu) fomos à busca da tal paciente para cumprir nossa missão.
Passamos por um quarto e paramos na porta. Logo K. nos viu e soltou um belo sorriso. Tadeu entrou e quando foi chamar Dalila, disse para ela vir com tudo que a K. estava chamando (uma bela mentira necessária para Tadeu conseguir seu objetivo).
Dalila perguntou se era verdade, e Tadeu tentando imitar a voz da garotinha disse: “Sim, vem Dalila.
Dalila escutando a “voz” de K. veio correndo, porém foi surpreendida com a porta fechando em sua cara.
K. começou a rir muito.
  
Nesse momento a mãe de K., passou por nós e disse: “Vixi, a menina até pouco estava emburrada, agora esta toda alegre.” 
 
Dalila perguntou quem tinha fechado a porta e Tadeu respondeu não saber. Dalila perguntou para K. que balançava a cabeça negando a resposta.
Mas Dalila estava esperta e já havia descoberto que tinha sido o Tadeu, então, para descontar, colocou o pé na frente dele, que quase se estatelou no chão.
K. ria muito!
Tadeu levantou de pronto e perguntou a Dalila: “Você viu quem colocou o pé na minha frente??”
Dalila respondeu: “Eu não fui e eu não sei. Você sabe quem foi, K.??”
K., segurando o sorriso com as mãos novamente balançava a cabeça dizendo não. Ficamos nesse jogo por um tempo e saímos correndo um atrás do outro.
 
O mais interessante foi que logo que saímos Dalila olhou para o Tadeu e disse: “Tadeu, vamos logo que a gente tem que achar o quarto 407 que o médico disse para irmos.”
Sem acreditar no que estava escutando, Tadeu respondeu: “Dalila, acabamos de sair desse quarto e a garotinha era a K.!!!” 
 
Foi muito engraçado ver a cara de surpresa de Dalila. Ela disse então: “Tadeu temos que voltar lá! Temos que fazer o que o médico nos pediu, agora sabendo disso.” 
 
Então, voltamos ao quarto e K. nos recebeu com os mesmos dentes à mostra. Dalila iniciou o jogo vendo que K. estava digitando uma mensagem no celular e disse que havia recebido a mensagem, que dizia: “Dalila é linda e Tadeu é muito feio!!!” 
 
Tadeu então disse que também recebeu uma mensagem de K., que segundo ele dizia: “Tadeu é bonitão e Dalila é na verdade Dalinda.”
Mas antes que Dalila ficasse feliz Tadeu complementou: “Dalinda dos infernos!!”
E saiu correndo enquanto Dalila corria logo atrás.
 
Saímos ao som das gargalhadas de K.
- Pronto! Agora sim, fizemos o quarto 407! – disse Dalila.
 
 

terça-feira, 9 de outubro de 2012

Ricota Remoto

 
Relato enviado pela voluntária Alessandra (Palhaça Sula)
 
 
 


Entramos Zélia, Ricota e eu (Sula) no quarto de D., dançando o ritmo da música que tocava na televisão (sertanejo).
 
A mãe de D. se interessou pela nossa dança, enquanto ele ficou dividido entre a televisão e a nossa presença até que a música acabou e nós encerramos nossa apresentação inicial.
 
Pois bem, percebi que D. havia prestado mais atenção em Ricota enquanto dançávamos.
Olhei para o lado, vi o controle remoto da TV e disse: “Olha Zélia! Sabia que esse controle faz o Ricota dançar diferentes ritmos?”
E ela: “Ah é Sula? Vamos ver os ritmos que têm então e aí o D. escolhe o que ele mais gosta! O que você acha D.?”
 
D., já com a atenção voltada pra nós, esqueceu a televisão e aceitou a nossa proposta! Yes!!!
  
Eis que Ricota se encontrou em uma enrascada: a cada clique que eu dava no controle ele inventava o ritmo e fazíamos com que ele dançasse mais rápido pelo quarto todo. Dançou muuuuuito e tirou várias risadas da mãe, de D., da Sula e da Zélia!
 
Canal 1: axé
2: bolero
3: valsa
4: samba
5: tango
E o 6??? D. Pediu Pop!
 
Ao final, D. escolheu o canal preferido (que foi o tango) e Ricota finalizou sua apresentação com Sula e Zélia imitando o som de um clássico do tango argentino!
 
 

quinta-feira, 4 de outubro de 2012

Cadê a Clô?

 
Relato enviado pela voluntária Daniele (Palhaça Clô)
 
 


Subi no lombo do Mixirico e entramos no quarto da R.
 
Mixirico começou a conversar com a menina que parecia que não estava nem aí pra nós.
 
Ao começar a conversar Mixirico se perguntou: - Ué, cadê a Clô?
Ainda no lombo dele, eu respondi: - Tô aqui!
Toda vez ele virava pra ver onde eu estava e, ficando atrás dele, eu falava: - Aqui, Mixirico! Aqui! 
 
R. começou a achar graça e a se atentar muito mais na gente.
Ela se sentou na cama e disse pro Mixirico: - Seu burro! Ela tá atrás de você!!
 
Eu desci do lombo dele, fiquei de frente pra ele e disse: - Mixirico, eu estou atrás de você!!
E voltei a ficar atrás dele... Mas toda vez que ele virava o corpo, eu virava junto, ficando sempre atrás!
 
R. ficou achando graça de tudo aquilo! Ria muito gostoso! 
 
Depois de alguns giros e muita procura, eu disse: - Mixirico, será que eu tô lá fora? Me acha logo!! Tô cansada de não saber onde estou!
 
E foi assim que saímos!
 

terça-feira, 2 de outubro de 2012

Mixirico Advinha Tudo... Quase Tudo...

 
Relato enviado pelo voluntário Rodrigo (Palhaço Mixirico)
 
 

Entramos no quarto e logo fui dizendo bom dia ao garoto:
Mixirico: - Bom dia, L.! Tudo bem?
L.: - Como você sabe meu nome? – perguntou o menino.
Mixirico: - Ora, sou adivinho. Adivinho tudo!
L.: - Ah é? Então adivinha quando nasci!
Mixirico tentou umas trocentas datas até acertar: - 22 de junho de 2002.
L.: - Caraca!
MIxirico: Faz perguntas mais difíceis, eu gosto de adivinhar coisas difíceis!!!
L.: Ok, quando minha mãe nasceu!!!! Ela tem 36 anos.
Mixirico: Ela nasceu em 1976, ela é do dia 16 de março.
A essa altura, o L. já estava confuso com as adivinhações, pois o Mixirico falava tanta coisa ao mesmo tempo, que nem ele já sabia a resposta correta!
Mixirico, se achando o esperto, disse que teria que revelar um segredo de sua mãe.
Mixirico: - Sua mãe não nasceu!!!!
Janja se espanta: - Nããããõoooooooooooooo?????
Mixirico: - Não. 
E perguntou todo dono de si: - Quem veio primeiro, a galinha ou o Ovo?
L., prontamente respondeu: - A galinha!
Alguns segundos de silêncio no ar e Mixirico diz: - Putz... é a galinha mesmo! Que coisa... 
Mixirico ficou se perguntando como L. sabia a resposta...
Mas insistiu: - E quem botou o ovo?
L.: - A galinha, claro!
Mixirico: - Que coisa, mas e o ovo?? Num era antes da galinha?!?!!!????!...
A essa altura, as minhas mui amigas Janja e Clô, choravam de rir da minha cara de tonto!!!!
Eu fui embora indignado, pois o L. era mais inteligente que eu!!
 
 

quinta-feira, 27 de setembro de 2012

Ricota, Lourival e a Menina de Trança


Relato enviado pelo voluntário Cristiano (Palhaço Lourival)




Coulrofobia, como toda fobia, talvez possa ser tratada, mas quem somos nós para nos meter nisso? Né, Ricota? Mas curiosidade é talvez outra doença a ser combatida, porque aquela menina de trança, embora não viesse falar conosco, não parava de nos seguir.

Visitamos todos os quartos daquele andar, e ela fugindo, entrando embaixo de camas, atrás de paredes e portas, sempre fugindo, olhando de longe, curiosa, sorridente, mas com medo.

Medo de que? Coulrofobia é o medo de palhaço, coisa comum, mais do que se imagina, sempre se encontra criança que não quer nem olhar para o palhaço, mas naquele dia Ricota e Lourival ajudaram a quebrar um pouquinho disso...

A menina de tranças foi procurada e, mesmo quando encontrada, não era vista, procurávamos sem a ver, pois ela não queria ser encontrada, queria talvez só brincar, aliviar seu medo e esquecer onde estava, voltar a ser criança e não só paciente, livre, solta, correndo pelos corredores, entrando nos leitos de outros pacientes, sorrindo de longe, um pega-pega, um esconde-esconde, não com a gente, mas com seu medo.

Algumas técnicas, por mais que se estude a arte do palhaço, não permitem sequer uma aproximação; para quem tem medo, qualquer coisa, qualquer movimento, é assustador: cair, apanhar, cantar, dançar, nada funciona, então não brincamos e não a achamos, apesar de procurar, chamar e não achar, onde está a menina de trança?

Subimos e descemos, visitamos de tudo em todos os andares, risadas, choros, nenês, adolescentes, mães e pais e, já na saída, em nossos últimos passos, uma enfermeira nos chamou – havia uma menina, no andar de baixo, uma de trança, perguntando por nós... seu medo havia sido levado conosco, será?

terça-feira, 25 de setembro de 2012

A compra de um possante!

Relato enviado pela voluntária Rubia (Palhaço Dalila)
 

Carrinhos de vários modelos, cores e tamanhos enfeitavam a janela de um quarto, no hospital Darcy Vargas. Dalila abriu a porta e perguntou se ali era uma loja de automóveis e que gostaria de comprar um carro. Tadeu rapidamente virou o vendedor da loja e o Bordô se transformou num belo marido (o dono do dinheiro).

No quarto, uma criança muito debilitada, sem condições de falar, por causa dos aparelhos. Mas, os olhos diziam muitos mais que simples palavras. Olhar atento aos nossos movimentos.

Bordô pergunta à sua esposa Dalila que tipo de carro ela gostaria de ganhar. Ela, muito esperta, solta que gostaria de um carro conversível, com um botão que oferecesse chocolate a qualquer momento. O vendedor Tadeu não perdeu tempo e demonstrou as vantagens daquele carro que estava disponível na loja.

Insatisfeita, Dalila solicitou que outro veículo fosse demonstrado. Também não aceitou um carro verde oferecido pelo vendedor, afinal, Dalila é Tricolor! Bordô, rapidamente, exigiu outro carro. Tadeu fez uma exaustiva apresentação de um carro que era ótimo para pegar ladeira, mas apenas na descida (?).

Bordô, surpreendentemente, decidiu comprar o veículo e perguntou quais as formas de pagamento. Tadeu gostaria de receber beijos de Dalila como forma de pagamento. Para piorar a situação, Bordô aceitou a proposta e claro que Tadeu adorou e ficou todo saidinho. Mas, estava bom demais para ser verdade!

O casal pregou uma peça naquele atrapalhado vendedor. Bordô pediu para Tadeu fechar os olhos para realizar o pagamento. Mas, ele acabou beijando uma deliciosa bexiga, que o Bordô tinha no bolso de sua calça.

Está pensando que é fácil desse jeito??? Bordô e Dalila, rindo do vendedor Tadeu, ligaram os motores do possante e foram embora do quarto.

Pelos olhares atentos, o pequeno garoto e a sua mãe desejaram uma boa viagem para Dalila, Bordô e Tadeu!

 

quinta-feira, 20 de setembro de 2012

O Segredo da Levitação

Relato enviado pelo voluntário Marcos (Palhaço Tadeu)
 
 

A vida realmente é cheia de mistérios!!! Eu realmente fico muito feliz quando a gente consegue desvendar algum!
 
Há algumas semanas atrás, Tadeu e Dalila estavam no Hospital Darcy Vargas, quando se depararam com uma garotinha (R.) que estava no corredor caminhando segurando o seu suporte de soro (que possui rodas), porém, em alguns momentos ela usava o suporte de soro como uma espécie de skate e deslizava como se estivesse levitando.
Logo ficamos impressionados com o poder da R. em levitar, e com as bocas abertas dizíamos: “Nossssaaaa!!!! Como você consegue levitar????”.
Foi maravilhoso porque após ter escutado o nosso comentário, R. fechou seus olhos como se estivesse em um tipo de transe, somente para comprovar que realmente tinha um grande poder!
 
Dalila então tentou se comunicar com R. que de início não respondia. Mas, usando seu poder de comunicação telepática, colocou os dedos entre a cabeça e começou a emitir sons... Dalila perguntou novamente: “R., você está aí??”.
Ela também colocou os dedinhos na cabeça, tentando sintonizar Dalila. Tadeu fez o mesmo e logo estavam os três numa grande conferência mental um do lado do outro. 
 
Tadeu perguntou: “R., como você consegue Flutuar??”
Ela fechou a cara e não respondeu, pois somente ela tinha esse poder!
Dalila então disse que tentaria pegar o poder de R., respirou fundo, sentiu uma energia e tocou no Tadeu! Mas isso não deu muito certo!
Tadeu começou a tremer, fechou os olhos, esticou os braços pra frente e começou a flutuar feito um zumbi e dizendo “Eu estou flutuannndo, flutuanndo...”. Tadeu andava meio sem direção e ia de encontro a todas as pessoas que estavam no corredor, que por sua vez fugiam dele às gargalhadas. 
Dalila trouxe Tadeu de volta dando um peteleco na cabeça! Ao mesmo tempo, Dalila tentava entender porque não tinha dado certo, foi quando ela percebeu que na mão da R. tinha um pequeno Jacaré, e logo deduziu: “Ahhhh já sei Tadeu, ela está com o jacaré mágico!!”.

R. saiu de supetão flutuando. Tadeu ficou pensativo e quis perguntar à Dalila se era realmente o Jacaré que fazia com que ela levitasse, mas, antes mesmo dele perguntar, viu a R. voltando flutuando! Mas agora o seu jacaré estava sobre a base do Flutuador, bem destacado, o que comprovava que o jacaré realmente era mágico!!!

O máximo foi saber que quem flutua na verdade possui um jacaré mágico. Será que é esse o segredo do Aladim, Magneto e do Ben 10???
 

terça-feira, 18 de setembro de 2012

Obrigado de Coração!!!

Relato enviado pela voluntária Viviane (Palhaça Dália)
 
 


Há uns dias atrás, no andar da UTI do Hospital Menino Jesus, Quincasss e eu paramos em frente à janela do único quarto que faltava para visitarmos. Um menino entubado, com o rostinho machucado, estava deitado no leito, uma enfermeira estava junto a ele, assim como uma moça usando máscara. Ele parecia realmente mal.
  
Perguntamos à enfermeira se tínhamos a permissão para entrar e ela disse que sim. Descobrimos o nome do menino: S.! Seus olhos estavam fechados e pensamos que ele estava dormindo.
A enfermeira disse que ele estava, na verdade, acordado, e que poderia ouvir tudo o que a gente dissesse! A outra moça, que revelou ser sua tia, conversou um pouco com a gente.
Então, Quincasss me perguntou: “Dália, você sabe cantar alguma música?”; e eu disse que sabia cantar de tudo. Pedi para a tia nos dizer o que S. gostava de ouvir, e ela falou que ele era fã do Luan Santana.
  
Comecei a cantar o refrão de “Meteoro da Paixão”, dedicando para o S.! ♫ Ah! Como é bom poder te amar, S.!
Quincasss ia repetindo os versos depois de mim.
 
De imediato, a enfermeira e a tia apontam para aquela máquina que mostra os batimentos cardíacos do paciente. 
A enfermeira disse: “Olha! O coraçãozinho dele está batendo mais forte!”.
E não é que estava mesmo? Da média dos 90 batimentos por minuto, ele já tinha ido pros 110!
  
Acho que todos no quarto ficamos emocionados naquele momento!
S. não conseguia nos agradecer com os olhos, com um sorriso, ou com gestos, então decidiu nos retribuir com o que há de mais sincero: o coração!
 

quinta-feira, 13 de setembro de 2012

A Saga dos Mudos

Relato enviado pelo voluntário Marcos (Palhaço Tadeu)
 
 



É fantástico saber que mesmo em silêncio consegue-se provocar sons nos outros na forma de risada!!
 
Chegamos à porta do quarto e sem dizer nenhuma palavra, olhamos para dentro, soltamos um belo sorriso e fizemos um sinal com as mãos perguntando se podíamos entrar.
Havia duas crianças com olhares alegres e empolgadas com a nossa presença. Além delas, tinham duas mães sentadas no sofá que ficava no fundo do quarto, que responderam nossa pergunta. Sorridentes, elas fizeram um sinal de joia com o dedão.
 
Dalila estava bem folgada, encostada no batente da porta de forma que o seu sovaco ficasse na altura do nariz do Tadeu, que logo fez uma cara de quem não estava gostando muito do cheiro que saia de lá e empurrou Dalila para dentro do quarto.
Dalila ficou isolada no piso azul. Tadeu então fazia cara de triste e perguntava com a cabeça como chegar até Dalila. Tadeu tentou dar um passo pra frente mais ele girava por completo e voltava no mesmo lugar. 
Dalila pensou coçando a cabeça, parou, estalou os dedos e começou a girar uma manivela imaginária, que imediatamente fez puxar Tadeu em sua direção. Cada, girada que Dalila dava era um movimento para frente de Tadeu. Até que Tadeu enfim chegou ao piso azul e ficou junto com Dalila, porém, quando Dalila foi comemorar, soltou a manivela e Tadeu escapou (emitindo um som com a boca, parecido com rebobinando uma fita VHS – se alguém se lembrar disso é claro) e voltou com tudo para a onde estava antes. Tadeu começou a chorar e ficou muito triste. Atrapalhada Dalila, vendo o que tinha feito, girou a manivela de forma bem rápida e Tadeu voltou ao piso azul.
  
Agora os dois tinham que seguir em frente, a onde havia mais a frente um próximo piso azul. 
Tadeu, pensativo, teve uma ideia. Começou a soprar um balão e entregou nas mãos de Dalila que flutuando conseguiu chegar ao piso azul seguinte. Nesse momento escutamos das crianças e das mães um: “Aeeeee!!!”.

Tadeu olhou para Dalila e fazia movimentos pedindo a ela que jogasse o Balão de volta para ele. Dalila (como sempre atrapalhada) jogou o balão, porém, soltou muito alto e Tadeu não conseguiu pegá-lo e ficou seguindo com os olhos vendo o balão se perder no céu. O sorriso de Tadeu virou imediatamente um misto de tristeza e raiva. Dalila, logo deu um jeito jogando uma corda e puxando Tadeu em sua direção.
Nesse momento o “Aeeeee!!!” vindo das crianças e das mães, foi ainda maior. Os dois se abraçavam felizes.
 
Dalila, então, tirou a sua Flauta Mágica do bolso, fez um volante de carro, deu uma buzinadinha para o Tadeu, (que por sua vez entrou no carro) e os dois saíram felizes. Saíram com mais sons, porém, agora de aplausos.
  
Foi uma delícia!!
 

terça-feira, 11 de setembro de 2012

Missão dada parceiro, missão cumprida!!!

Relato enviado pela voluntária Rubia (Palhaça Dalila)
 
 
Não tivemos tempo de pensar e muito menos de jogar uma proposta. Assim que entramos no quarto de D., ele ordenou a missão daquele quarto, no hospital Darcy Vargas: “Dalila, entre no banheiro mágico!”
 
Uau, como aquele garoto de aproximadamente 8 anos, com cabelo estilo Neymar, sabia o meu nome? Ah, ele se lembrou de mim e também da minha primeira cena no Darcy Vargas!!! Na ocasião, eu e a minha parceira Janja fizemos o jogo do banheiro mágico com ele.
  
Nossa, meus olhos brilharam e o meu coração se encheu de alegria.
 
Eu obviamente aceitei a ordem imposta pelo capitão D. e arremessei o meu parceiro Ricota dentro do banheiro mágico. Ele se transformou em várias coisas, como um balão, uma velha com dor nas costas, etc.
  
Ao fundo, muitas risadas de D., familiares e de outra criança que também estava internada no mesmo quarto. Eu também fui jogada dentro do banheiro mágico, onde me deu um ataque de soluço. Ricota, preocupado, me retirou do quarto com o argumento de que me levaria para tomar água.
  
Para nós missão cumprida, afinal, saímos no auge da cena, no ápice da proposta e seguimos para outros quartos. Quando finalizamos aquele andar passamos novamente em frente ao quarto do capitão D. que, prontamente, nos acenou com a mão. Aquele olhar já me dizia: Tá de sacanagem comigo, duplinha?!
 
Capitão D. nos intima e impõe outra missão que era finalizar a cena do jeito que ele queria e ordena: Vocês precisam se transformar em palhaços.
 
Uau. Ele se lembrou também do final da minha primeira cena. Eu e a Janja finalizamos a proposta se transformando em palhaças.
 
O que me restava fazer naquele momento? Aceitar a missão. Joguei Ricota no banheiro mágico e disfarçadamente disse que ele precisava se transformar em palhaço. Também entrei e deixei me contaminar por essa magia e virei também uma palhaça. 
 
Só sei que nada sei, rapá. Missão dada, missão cumprida!
 

quarta-feira, 5 de setembro de 2012

O Casamento de Dalila e Tadeu

Relato enviado pela voluntária Rubia (Palhaça Dalila)
 


Dalila e Tadeu caminharam com a clássica marcha nupcial tocada pelas cordas vocais de Charles no quarto do pequeno G., no hospital Darcy Vargas. 
 
Charles responsável pela cerimônia estava muito confuso, não sabia nem o nome dos noivos. Na verdade, quem conduziu toda a cerimônia e armou essa confusão foi o próprio garoto G. Ele falava, ao pé do ouvido, para o padre Charles os nomes errados dos pombinhos propositalmente. 
 
Para deixar o casal ainda mais nervoso, o G. disse que tinha uma barata no altar causando histeria e atrasando o casamento. 
 
Depois de muitas confusões e desencontros, o padre Charles decidiu soltar a pergunta mais esperada daquele momento: “Se alguém tem algo contra este casamento que fale agora ou cale-se para sempre!”. Incrivelmente todo mundo concordou até mesmo o casal de padrinhos, formado por G. e sua mãe sorridente. Muitos aplausos!
 
Seguindo a tradição, Dalila jogou o buquê para a alegria da única mulher presente na cerimônia – a madrinha sorridente mãe de G.
 
Depois de seguir todos rituais de um belo casamento, Dalila e Tadeu seguiram para a lua-de-mel. Os recém-casados entraram no carro enfeitado com várias latinhas de alumínio penduradas no para-choque (Charles foi responsável pelo barulho das latas).
 
Para nossa surpresa, o nosso querido padre pediu uma carona e os três seguiram para a lua-de-mel.
 
E quem disse que o problema era o barulho das latinhas, hein!?!?!?