Palhaço também conta histórias!
Neste blog você pode saber um pouco mais das nossas histórias vividas nos hospitais.

quarta-feira, 7 de maio de 2014

O palhaço não acontece só no riso

Poema enviado pelo voluntário Fabio (Palhaço Bordô)



Uma senhora sentada numa cadeira
Um palhaço entra em cena
A senhora olha
O palhaço a olha
A senhora continua olhando
O palhaço inerte retribui o olhar
Sempre se espera algo do palhaço
Exceto aquela senhora que espera sem pesar
De olho fixado na senhora
O palhaço pôs-se a falar
“A senhora é a rainha em ajudar
Muita ajuda é o que planta
Colhe amor em troca de olhar”
De olhos embargados
A senhora segurou o seu chorar
O palhaço transformado
Viu no olho da senhora
Um reflexo inesperado
Que o riso não era necessário
Necessário era amar.


Bordô

  

quarta-feira, 30 de abril de 2014

A Especialista


Relato enviado pelo voluntário Pedro (Palhaço Jaime)




Jaime e Xurumi caminhavam pelo corredor e, de repente, uma menina passou por nós realizando um passo muito especial... Era uma espécie de andar saltitante que logo atraiu nossa atenção e começamos a tentar imitar.
  
A menina andava e saltava, Jaime andava e saltava e Xurumi tentava seguir os mesmos movimentos. Tentávamos aprender os detalhes, mas a menina não parava para explicar e continuava andando e saltitando...
  
Após algum tempo, aquela especialista em passos especiais olhou para o Xurumi e disse: “Não é assim, poxa!!! Tem que mexer o cabelo!!!”
  
Xurumi, ouvindo aquilo, tirou sua boina e mostrou para a criança seus poucos fios que ainda resistiam firmemente em sua cabeça. 
  
A menina olhou... refletiu... pensou... e disse: “É! Você não pode fazer!!!”. Virou e saiu saltitando...
  

quarta-feira, 23 de abril de 2014

Lágrimas Perfumadas


Relato enviado pela voluntária Viviane (Palhaça Dália)





Entrei com Dalila e Janja em mais um dentre os muitos quartos do Instituto Emílio Ribas; quem será que encontraríamos ali? A primeira coisa que nos chamou atenção, logo na porta, foi o cheiro daquele local: um frescor delicioso, daqueles que sentimos quando alguém acabou de sair do banho. Entramos mais um pouquinho e avistamos um senhor sentando, sozinho, em sua cama. Ele estava com os cabelos recém lavados, bem penteados e, claro, muito perfumados!
  
Perguntamos seu nome e ele, sem hesitar, respondeu: A.! 
Janja tratou logo de elogiá-lo por estar tão bonito e perguntou, humildemente, se ele tinha se arrumado tanto só para nos ver. Tão rápida quanto a pergunta, foi a enxurrada de lágrimas nos olhos de A. Lágrimas intensas, cheiras de uma emoção instantânea, profunda. Perdi um pouco o chão naquele momento e percebi que minhas parceiras também. Como não sermos tocadas por aquele choro tão sincero?
  
Entretanto, fizemos o possível para não deixar nossa comoção transparecer ao A. e continuamos a nossa conversa dizendo que também tínhamos nos arrumado para vê-lo, mostrando nossas roupas, dançando e nos exibindo. A., já mais calmo, nos examinava, sorria e aprovava a apresentação. 
  
Nos despedimos mandando beijos e abraços, e o A. novamente levou as mãos aos olhos, contendo as lágrimas que insistiam em cair.
  
Não sabemos ao certo o que aconteceu naquele quarto, o que nossa presença causou naquele senhor nem o motivo daquela demonstração de tão imensa gratidão por estarmos ali. Só sei que saí pensativa...
Abençoado seja o nariz vermelho que, com sua graça e simplicidade, toca a alma do ser.
  

quarta-feira, 16 de abril de 2014

O Sorriso dos Olhos


Relato enviado pela voluntária Paloma (Palhaça Lorena)




Lá no Menino Jesus conhecemos um menino chamado C. Ele nunca ri. Nunca. Uma criança que nunca ri é um desafio para palhaços. E esse desafio parecia impossível pra mim, afinal, na minha última visita ao C., eu não tinha conseguido arrancar dele sequer um olhar, quanto mais uma risada, um sorriso.
  
Palhaços sentem medo? 
Palhaços se frustram? 
Palhaços desistem?
  
Eu senti medo. Já tinha me frustrado uma vez, mas não desisti. 
Certo dia, Romão e eu paramos junto à porta do quarto do C. e ficamos escondidos atrás da sua cama. Ficamos trocando olhares rápidos com o menino que estava completamente sério. A cada momento, era um de nós que aparecia para o menino, que nos procurava com olhos atentos. 
Ponto para os palhaços! Eu já estava feliz por ter conseguido pelo menos um olhar dele desta vez.
  
Resolvemos entrar no quarto e nos esconder atrás de objetos como camas, mesas e aparelhos. Romão e eu estávamos confiantes de que o C. não conseguiria nos ver, mas aqueles olhinhos tristes insistiam em nos perseguir. Quando não conseguimos mais nos esconder, Romão e eu paramos no meio do quarto, um de costas para o outro, os dois olhando para ele. 
  
Foi aí que o Romão falou: “Lorena, acho que estamos invisíveis. Enquanto nós estivermos encostados um no outro, ele não vai conseguir nos ver.” 
Eu achei aquilo muito estranho e perguntei: “C., você está vendo a gente?” e ele respondeu que sim, balançando positivamente a cabeça. 
Eu falei: “Romão, seu bobão, ele está vendo a gente. Precisamos usar a nossa super magia da invisibilidade!”.
  
Palhaços sabem fazer magia? 
Palhaços ficam invisíveis? 
  
Romão e eu fizemos uma magia, mas não ficamos invisíveis. 
Nossa magia consistia em dar giros, pulinhos, chacoalhar a cabeça freneticamente e fechar os olhos, sempre de mãos dadas. 
Ao final da magia, Romão, ainda de olhos fechados, disse: “Lorena, eu não estou vendo nada. Acho que funcionou. Ficamos invisíveis!”. 
  
Eu, desconfiada que sou, espiei o C., abrindo um dos meus olhos. O menino estava vidrado na gente. Eu perguntei se ele estava nos vendo, mas silenciosamente, me comunicando com o garoto apenas através de gestos. E o menino respondeu que sim, balançando a cabeça novamente. Enquanto isso, o Romão estava todo feliz, de olhos fechados, acreditando na sua invisibilidade.
  
Foi aí que eu resolvi enganar o Romão e disse: “Romão, cadê você? Não estou te vendo... Bom, eu vou ali com o C. e já volto. Você não tem medo de ficar sozinho, né? Vamos, vamos, C. Tchau, Romão.”
Depois dessas frases, eu fiquei completamente em silêncio. E Romão ficou completamente apavorado, acreditando estar sozinho.
Daí pra frente, C. e eu nos unimos para assustar cada vez mais o Romão. A cada ideia nova, eu me comunicava por gestos com o ele e pedia a sua ajuda. O menino sempre olhava pra mim e fazia um “joia” com as mãos, concordando com as minhas maluquices. O C. estava adorando ver o Romão com medo.
Eu comecei a fazer barulho de chuva, trovões e raios, e a falar com uma voz bem grossa: “Romão, eu sou o fantasma da chuva. Vou te levar para um lugar horroroso, com cheiro de ovo podre e cheio de baratas!”
  
Romão ficou morrendo de medo e fugiu do quarto, mantendo os olhos fechados. Eu saí atrás do Romão, mas antes dei um tchau para o C. que me respondeu com seu “joia” e um último olhar, não mais triste, agora alegre.
  
Palhaços sempre fazem rir?
Olhos podem sorrir?
Palhaços ficam felizes quando os olhos de um menino sorriem?
  
Vocês podem me perguntar se o C. deixou de ser sério. E eu respondo que não. Aliás, não ganhamos nenhum sorriso dele. Não com a boca. Em compensação, os olhos dele ficaram o tempo todo grudados na gente, sorrindo que só.
Palhaços nem sempre fazem rir, mas ficam muito felizes quando os olhos de um menino como o C. sorriem.
  

quarta-feira, 9 de abril de 2014

Heitor – O Guia


Relato enviado pelo voluntário Henrique (Palhaço Heitor)
 


 

Quando estamos em um hospital tão cheio de atividades e detalhes como o GRAACC, sempre é bom contar com a experiência e os conselhos de um bom guia para que possamos saber o que fazer, para onde ir, etc...
 
Um dia desses, na recepção, um grande grupo de pessoas se levantou ao mesmo tempo dos sofás. Heitor e Jamal, que estavam por lá, logo perceberam que aquele monte de gente só poderia ser uma excursão! Claro!!
 
Heitor prontamente se apresentou como guia turístico e na companhia de seu amigo Jamal, que apontava e demonstrava tudo o que Heitor dizia, passou a fazer o seu excepcional guiamento:
 
- À sua direita, o elevador, à sua esquerda, aquele corredor.
Ora, vejam! Uma pessoa de bigode! Bigodes são altamente normais no GRAACC, fiquem tranquilos. 

 
O grupo caminhava e se divertia.
 
- Aqui no GRAACC temos muitas cores – Jamal apontava para as cores das camisas de quem passava.
 
Mais risos...
 
- Esta é a recepção! Aqui vemos um típico médico muito bem qualificado. Este elevador é o que chega, está chegando, chegou. Elevadores no GRAACC chagam mesmo, é o que eles fazem. Nele vocês entram, sobem, descem, tanto faz! No GRAACC elevadores sobem e descem!   
 
O grupo inteiro ocupou o elevador que chegou. Dentro do elevador eles riam e agradeciam pelas informações.
 
Heitor concluiu seu guiamento:
- Bom passeio para vocês, boa excursão e divirtam-se!
 

quarta-feira, 2 de abril de 2014

O Porco Azul

 
Relato enviado pelo voluntário Pedro (Palhaço Jaime)

 


Jaime e Xurumi chegaram à brinquedoteca do GRAACC e encontraram algumas crianças sentadas em uma mesa e fazendo recortes. Jaime observou que todas elas estavam recortando corações e pediu um coração para ele.
 
As meninas disseram que não dariam o coração para Jaime e que ele é que devia fazer um com cartolina e tesoura. Jaime disse que não sabia, mas as meninas os incentivaram e lá foi ele começar a recortar...
Recortou, recortou, recortou e no final exibiu com muita felicidade sua obra de arte!!!
 
As crianças olharam... olharam... e, após alguns segundos, uma delas falou: “Mas isso não é um coração...”
Jaime: “E o que é então????”
Uma das meninas: “É um porco azul!!!!!!!”
 
Jaime ficou desolado e as meninas riam... riam e riam...
 
Jaime largou a tesoura, a cartolina e, abraçado com seu porco azul, começou a sair do local...
 
Neste momento uma das crianças chamou o Jaime e entregou para ele um coração que tinha acabado de fazer!!!
 
Jaime pegou o coração, juntou com seu porco azul e saiu de lá feliz da vida!
 

quarta-feira, 26 de março de 2014

O Espelho


Relato enviado pela voluntária Paloma (Palhaça Lorena)

 

 
Espelho, espelho meu,
Eu te trago uma imagem nos meus olhos
E você me diz o que achou?
Eu sei que esse reflexo não é meu,
Mas é da menina bela
Que na própria beleza não acreditou.

Uma adolescente de uns quinze anos estava deitada em uma cama da sala de observação. Ela era linda. Tinha cabelos volumosos e negros, sobrancelhas grossas e olhos grandes e redondos.
 
Dona Borboleta e eu nos aproximamos. A garota sorriu pra gente e ficou ainda mais bonita. Eu falei que ela era bela. Dona Borboleta perguntou se ela tinha feito alguma novela, se ela era artista de televisão. De repente, a cara da menina se encheu de tristeza e ela falou: “Eu não sou mais bonita. Estou feia.”.
 
Tentamos contornar a situação, dizendo que a menina estava nos humilhando com sua beleza e humildade, mas não deu certo. A menina foi ficando feia de verdade. Ela fez bico de quem quer chorar.
 
Eu estava inconformada com aquela situação. Como uma menina tão bonita podia se achar feia? Olhei bem para a garota e falei: “Eu vou procurar um espelho para te mostrar como você é linda.”.
 
Saí desembestada andando pela sala, entrei no banheiro mais próximo e tinha uma criança lá dentro que chorou de medo ao me ver. “Como vou conseguir um espelho?”, eu pensei. Procurei, procurei e não achei. Dona Borboleta tentou me ajudar na tarefa, mas sem obter sucesso.
 
Eu voltei, olhei para a mocinha e disse: “Eu não consigo trazer o espelho do banheiro. Vamos fazer assim: você me olha, eu levo a sua imagem para o espelho e te conto o que ele achou. Topa?”. A garota topou meio ressabiada.
 
Eu cheguei bem perto da garota e fixei os meus olhos nos dela. Fiquei assim alguns segundos, apenas contemplando a beleza da moça. Tudo mudou. Ela arregalou os olhos, começou a sorrir e fazer umas caras engraçadas. Acho que a garota estava me imitando. Apareceu um brilho enorme nos olhos dela.
 
Eu saí correndo e levei tudo para o espelho. Voltei alguns segundos depois, olhei para a garota e falei: “Sabe o que o espelho me falou?”. A menina sorriu e perguntou, com uma carinha apreensiva: “O que?”. Eu respondi, sorrindo: “Que você é linda de morrer!”.
 
A mocinha sorriu tímida. Ficou tão feliz e bonita. Foi difícil segurar o choro e tirar os olhos dela depois disso.
 

quarta-feira, 19 de março de 2014

A Desenhista


Relato enviado pela voluntária Bárbara (Palhaça Suzete)
 


Na quimioterapia, avistamos uma menininha fazendo desenhos, logo a Valentina e a Suzete começaram a tentar convencê-la de quem ela deveria desenhar:
 
Suzete: - Você tem que ME desenhar, pois eu sou mais bonita e mais charmosa.
Valentina: - Não, você tem que desenhar a mim, afinal, eu estou com uma roupa muito mais legal! Minha saia tem flores!
Suzete: - E daí, que a sua saia tem flores? O meu vestido é cheio de bolinhas, muito mais bonito!
Valentina: - Você é sem originalidade, Suzete... Eu que estou mais bonita, eu combinei a cor da blusa com a saia.
Suzete: - Mas eu combinei o sapato com a roupa. Você não sabe nada de moda!
 
E assim saímos discutindo.

Quando estávamos em outro andar, encontramos com a mãe da paciente e ela disse: - A M.C. fez o desenho de vocês, vocês tem como ir buscar?
 
Fomos correndo afoitas e quando chegamos lá, ganhamos o lindo desenho abaixo!! 

 

Ficamos muito felizes e contentes, agradecemos muito e fomos embora saltitando!!
 
O mais incrível foi ver que ela se apegou aos mínimos detalhes e fez o desenho de acordo com as nossas características mesmo.

 

quarta-feira, 12 de março de 2014

Fotógrafo Francês


Relato enviado pelo voluntário Paulo (Palhaço Arlindo)

 


Entramos no quarto de uma menina que aparentava ter uns 15 anos, logo Tadeu anunciou que lá fora havia uma pessoa ilustre, uma grande atração que vinha diretamente da França especialmente para ver a M.
 
Com toda essa introdução, Tadeu iniciou a apresentação: - Diretamente do norte da França, o incrível, o único, o espetacular... o Melhooooor fotógrafo do mundo. Siiiiiiiiim... ele está aqui pessoal, é ele o Aaaaarliiiindóooooooo!!
 
Logo tive que me transformar no melhor fotógrafo do mundo, mudando meu nome de Arlindo para Arlindóo. 
 
Enquanto entrava no quarto esbanjando glamour, Tadeu começava a contar a minha história: - Ele já passou por inúmeros desfiles, fotografou modelos pelo mundo, viajou por continentes e chega hoje no Darcy Vargas para fotografar a mais bela entre as pacientes desse hospital!!
  
Ahhh... aquilo para mim era um momento de glória, nunca tinha ouvido tantos elogios na minha vida!! Estava tudo perfeito, até que as coisas mudaram e Tadeu começou a me sacanear.
 
Tadeu: - Sim, apesar de toda sua fama, a vida pregou uma grande peça no nosso fotógrafo, num belo dia, ele acordou manco da perna esquerda.
 
Neste momento que tive que começar a mancar, tirava fotos e mancava...
 
Tadeu: - Mesmo assim ele não desistiu da carreira, e novamente a vida lhe pregou uma peça, fazendo com que nosso fotógrafo Francês e Manco ficasse cego de um olho!
 
Comecei a mancar e tirar fotos com um olho só... 
 
Não satisfeito, Tadeu deu sua cartada fatal: - E, por fim, nessa última semana, nosso fotógrafo Francês, Manco e Cego de um olho começou a ter trejeitos femininos... sim, ele fala igual uma mulherzinha e tem jeitos de mulherzinha!
 
Tive aqueles 3 segundos de total tristeza e desapontamento... mas, se vocês pensam que isso me abateu, estão enganados, não é pelo fato de ser Manco, Cego de um Olho e falar igual Mulherzinha que isso me derrubaria!!
Logo comecei a tirar inúmeras fotos da M, mesmo com todas essas dificuldades. 
 
Com todo meu sotaque Francês de menininha, pedi que ela fizesse uma pose de “Macaqui com caimbri” e pedi para que Tadeu traduzisse para ela. Tadeu explicou que era um macaco com câimbra!
 
Tirei algumas fotos, mas não estavam boas na posição “Macaqui com caimbri”, foi quando Tadeu pediu para que a M. fizesse cara de cachorro.
Fiz uma nova sessão de fotos e dessa vez estavam ótimas, todas estavam saindo perfeitas, aquelas sim eram fotos de um o grande Fotógrafo Francês, Manco, Cego de um olho só e que falava como Mulherzinha!
 
Sendo assim, decidimos revelar aquelas fotos com poses de cachorro, não podíamos perder aquela obra de arte. Nesse momento entendi o porquê Tadeu havia pedido poses de cachorro!
No sofá do quarto tinha um cobertor dobrado com uma estampa de cachorro.
Quando tiramos o cobertor e mostramos como a M. havia ficada idêntica a um cachorro, ela não aguentou e começou a gargalhar!
 
As gargalhadas aumentaram ainda mais quando tive que sair do quarto mancando, trombando em todos os lugares pelo fato de não enxergar com o olho esquerdo e rasgando todo meu sotaque francês de mulherzinha.
 

quinta-feira, 6 de março de 2014

Eucaliptomaníacos


Relato enviado pelos voluntários Daniela e Mauro (Palhaços Janja e Malavazzi)
 
 

Apenas um senhor dentro do quarto e uma palhaça na porta.
- Oi, com licença? Posso entrar? – questiona Janja.
- É... sim.
- Qualquer um pode entrar aqui?
- Pode, acho que pode.
- Ah tá, peraí, deixa eu só chamar o meu parceiro.
 
Janja voltou para o corredor e Malavazzi aparece na porta.
- Oi, com licença? Qualquer um pode entrar aqui?
- É... acho melhor perguntar para a enfermeira – disse o paciente, pensando que a nossa pergunta se tratava de questões infecto-contágio-infecciosas contagiantes.
- Veja, meu senhor - disse Malavazzi, já entrando no quarto – é que a minha parceira, a Janja, ela rouba. Sabe? Uma pessoa rouba coisas? É ela. Não sei se é uma boa deixar ela entrar ...
 
Tarde demais, Janja já estava dentro.
 
Bom, com os dois palhaços lá dentro do quarto, Malavazzi foi explicando para o senhor uma proposta dele a respeito da vegetação da cidade: substituir todas as árvores por eucaliptos! Os eucaliptos eram ótimos, eram verdes, eram cheirosos... e... e o senhor tinha parado de prestar atenção no belo discurso eucalíptico e começou a olhar para algo que se passava atrás de Malavazzi. Malavazzi virou-se e, como esperado, lá estava a Janja tentando roubar lençóis do quarto! Lençóis! Que deprimente.
 
Os dois repreenderam a ladra e Malavazzi voltou a explanar sobre sua proposta inovadora. Eucalipto é genial, a cidade pareceria uma sauna gigante e... e... novamente vira-se e Janja agora tentava roubar uma almofada. O senhor riu, porque a almofada não cabia debaixo do vestido da Janja que novamente foi repreendida.
 
O eucalipto isso, o eucalipto aquilo e... e... agora ela tentava roubar aquele gaveteiro móvel gigante! Que absurdo!
 
- Viu, senhor? Não é todo mundo que você pode deixar entrar aqui. – diz Malavazzi.
- Entendi. Deixo entrar os Eucaliptomaníacos, mas barro os cleptomaníacos.
- Perfeito!
 

quarta-feira, 26 de fevereiro de 2014

Protesto!!!


Relato enviado pelo voluntário Pedro (Palhaço Jaime)
 

 

Jaime e Heitor entraram em um quarto em que havia duas meninas, uma de 09 anos e outra de 17 anos! Ao nos aproximarmos, Heitor percebeu que a menina mais nova estava deitada com a perna inclinada para a direita e notamos que aquilo era um sinal... sinal de que a menina era uma revolucionária de direita!!!
 
Assim, decidimos organizar um protesto. Jaime perguntou para B., a menina de 17 anos, sobre o que deveriam protestar e ela disse: Contra o governo!!! Neste momento, uma enfermeira estava entrando no quarto e afirmou que este seria um nobre motivo!
 
Para começar, definimos que o slogan seria: “Governo, não quero mais vê-lo!!!” “Governo, não quero mais vê-lo!!!”. Assim, começamos a protestar e a enunciar o slogan pelo quarto... Após algum tempo, vimos que a menina agora estava com a perna reta... NOSSO PROTESTO HAVIA SURTIDO EFEITO!!!
 
A menina, vendo que com a perna reta parávamos de protestar, começou a inclinar... Ela inclinava, nos protestávamos... ela esticava... nós parávamos... ela inclinava... esticava...inclinava...estic...... e assim, protestando, saímos do quarto!!! Não era só por R$ 0,20!!!
 

quarta-feira, 19 de fevereiro de 2014

Entrada Permitida Somente para Médicos


Relato enviado pelo voluntário Mauro (Palhaço Malavazzi) 
 
 
Caminhávamos com o pequeno M., de uns 4 anos, pelo corredor do quinto andar, quando o Ascarez entrou em uma pequena salinha com materiais médicos. O menino, bem sabido, avisou prontamente:
- Ei, você não pode entrar aí!
- Por que não?
- Porque você não é médico!
- Ah, claro, claro, me desculpe. – e saiu.
 
Nesse momento, passa pelo corredor um jovem médico, o Dr. R., que poderia nos esclarecer aquela questão.
- Doutor, com licença, podemos fazer um teste com o senhor?
- Sim, sim, façam.
- Venha aqui, entra aqui nessa salinha, pronto. M., está tudo certo agora? Ele pode ficar ali dentro?
- Ele pode, sim.
 
O Dr. R., que não é nada bobo, decidiu complicar a cabeça do menino:
- E se agora eu é que fizesse um teste? Faz assim... palhaço, coloca esse meu avental aqui, pendura o meu estetoscópio... isso, agora entra lá. E aí, M., ele pode ficar lá dentro agora?
 
O M. olhou para mim, que estava todo paramentado, pensou um pouquinho e decidiu:
- Sim, agora ele pode.
  
A Lorena e o Ascarez, que não queriam ficar de fora, colocaram mais uma questão:
- Eeee seeee a gente encostar no Malavazzi e entrar assim, encostado, acoplado? Aí a gente pode entrar?
- Hummmm.... pode.
- E você? Não quer entrar na sala? Você encosta em mim, que estou encostada no Ascarez, que está encostado no Malavazzi.
 
Ele olhou, pensou, refletiu, foi dando pequenos passinhos rumo à portinha, deu a mão para a Lorena e entrou!
- M., agora que estamos todos aqui dentro, me surgiu uma dúvida. O Dr. R., ali no corredor, sem jaleco, sem nada. Agora é ele que não pode entrar, certo?
- Ele pode sim!
- Pode? Mas como?
- Ele continua sendo médico, ué.
 

quarta-feira, 4 de dezembro de 2013

Fotossíntese


Relato enviado pelo voluntário Cristiano (Palhaço Lourival)
 

                                                                                                Ilustração Felipe Tognoli
 
 
Começamos pelos quartos de internação. Em regra, um lugar com limitações: espaço, barulho, muitas intervenções médicas e, muitas vezes quartos que não permitem visita, mas nunca desistimos.
 
Em um dos quartos não havia enfermeiros nem médicos, tampouco placas proibindo o acesso e resolvemos entrar, mas, estava lá um outro voluntário, no GRAACC as crianças recebem aulas e aquele menino estava tendo uma, não iríamos atrapalhar mas, como já estávamos no quarto e a criança não tirava os olhos perguntamos: "Aula do quê?"
"Fotossíntese." - respondeu a professora!
 
Eu e Jaime nos olhamos imediatamente e quase em uníssono respondemos: "F O T O S S Í N T E S E ? Somos especialistas nisso!"
 
E Jaime começou a explicar: imagine uma sementinha no chão e virou-se pra mim, resultado: virei uma semente agachado na frente da cama e todos no quarto já começaram a sorrir, a aula parou e a criança se ajeitou para receber aquela que seria a aula mais engraçada que eu mesmo já havia participado.
 
Jaime seguiu regando a semente, a semente brotando pouco a pouco e eu subindo devagarinho, esticava um braço, o outro, a cabeça, o corpo, a planta crescia aos poucos, embalada pela eficiente e correta narração de Jaime sobre o processo de fotossíntese, até que essa semente virou uma árvore, com flores (minha língua) e renovou o ar do quarto, encerrando assim a grande aula.
 
Sob sorrisos e os parabéns da professora, nos despedimos. Foi a melhor interrupção de aula que já fiz e a melhor aula que já dei!
 

quinta-feira, 14 de novembro de 2013

O Poetão


Relato enviado pelo voluntário Rodrigo (Palhaço Mixirico)

 
                                                                                       Ilustração Felipe Tognoli


Paramos na porta para observar a J., uma adolescente que pintava em sua cama.
De repente, avistei uma moça que vinha em minha direção! Logo disse ao Giba que ela era minha fã, que devia ter me reconhecido, e estava vindo pegar um autógrafo!!!
 
Ela parou ao meu lado e logo perguntei, ou melhor, afirmei: - Você é minha fã, né?
- Lóóóógico.... como não seria... você é tão..tão... – dizia a mãe
Nem deixei ela terminar a frase e me virei pro Giba: - Tá vendo, ela é minha fã mesmo!!!
- Acho que ela quer ser algo mais que fã! – apimentou Giba.
- Será? Já sei, vou fazer um poema para ela. Afinal, eu sou o maior poetão do hospital!!! - disse todo empolgado.
 
J. estava empolgada com a cena e colocava lenha.
Pedi a ela que me desse 3 palavras para que eu pudesse colocar no meu poema.
Ela disse "sei lá".
- Opa!! Já disse 2 palavras, falta uma só. – afirmei.
Ela riu e disse: - Linda
 
Saí do quarto, não sem antes perguntar o nome da mãe (Seiqueláana), para que meu parceiro me anunciasse, afinal de contas, não era todo sábado que um poetão declamava seu poema!
 
Poetão anunciado!! 
Entrei com toda elegância, que me é sempre pertinente, me ajoelhei, peguei a suave mão da mãe e comecei a declamar um belo poema:
 
"Quando te vi, sei lá ó Seiqueláana
Sei lá se meu amor, cabe dentro de mim.
Mas como eu gosto de banana,
Só sei dizer que você é uma rosa de jardim."
 
Seiqueláana disse que adorava banana.... ai ai ai tava funcionando!!!
Então continuei!!

"Ó Ó Ó Ó Ó Ó Seiqueláana,
Meu amor por vc é sem fim,
Por isso fui lá fora,
Apanhar essa linda rosa no jardim, pra você!"
 
Nesse momento, tirei uma rosa feita de papel toalha que estava dentro da minha calça. Seiqueláana ficou toda feliz.
 
E pra terminar declamei:
 
 
"Ó Seiqueláana, eu vou embora.
Vou embora com o coração partido.
Mas vou embora com a sensação
De te levar comigo!"
 
E saí num suspiro... como se fosse meu fim...
 
Todos aplaudiram o poema, e o meu sofrimento!
 

quarta-feira, 6 de novembro de 2013

Em Tempo!


Relato enviado pela voluntária Daniele (Palhaça Clô)
 


                                                                                              Ilustração Ricardo Ferri


À porta de M. (15 anos) ficamos à espreita e perguntamos se podíamos entrar. O garoto somente acenou com a cabeça que sim.
 
Clô olhou pro Tunico e, em um movimento muito rápido, entrou no quarto. Tunico, mais lerdo, demorou mais.
Ao chegar ao pé da cama de M., perguntamos se a nossa entrada estava boa ou ruim. Ele disse que mais ou menos: ou seja, podíamos melhorar.
 
Assim foi criado um concurso em que estava em jogo um cargo de promoção efetivo de que quem ganhasse!!
Clô estava na fúria de ganhar!
 
Então lá fomos nós! Chegamos à porta de novo e entramos na fúria até o pé da cama de M.
E então perguntamos: - De uma nota de 1 a 7, sendo 7 o mais rápido e 1 o mais lerdo, quanto você dá pra gente?
- Hummmm... 4 pra ele e 5 pra ela! – respondeu M.
 
Opa! A vantagem era da Clô!
 
De repente, a enfermeira abriu a porta indicando que ia fazer algum procedimento.
Clô então perguntoi para M.: - Em quanto você acha que devemos sair daqui de 1 a 5?
Tunico complementou: - Sendo 1 valendo 1 segundo e 5 valendo 5 segundos!
- Hummmm ... 3! – respondeu M.
 
Em menos de 3 segundos passou um furacão por aquele quarto na fúria dos dois saírem rapidinho!!!
 
Do lado de fora conseguimos ouvir as risadas de M. e da enfermeira!