Palhaço também conta histórias!
Neste blog você pode saber um pouco mais das nossas histórias vividas nos hospitais.

quarta-feira, 2 de julho de 2014

Bigodão Poético


Relato enviado pela voluntária Cinthia (Palhaça Olívia)



Na Quimioteca um senhor prestativo nos dava atenção.
Ele queria nossa identificação!
- Claro que sim, como não!? Tome aqui nosso cartão!
Analisando ele ficou... olhava... olhava e logo perguntou:
- Com que permissão vocês entram aqui? 
Assustados com tanta autoridade, olhamos e paralisamos com tamanha seriedade! 
- É queee... É quiii... 
- Ué, com a permissão do senhor, claro!
Duvidoso, ele insiste...
- Para andar aqui precisa de licença, meu caro!
Andando de um lado para o outro, preocupados...
Batatinha revida magoado: - Olha esse moço, que danado! 
- Na verdade viemos por ordens de cima para verificar sua licença, que está vencida! 
- Olívia pegue a tesoura e vá afiar... Está na hora de picotar!!!
Saco a tesoura pontiaguda surpreendida, aquele era o melhor momento da minha vida! 
A tesoura de cabo azul era tão BLÚ que me dava emoção, fazia tempo que não tinha aquela sensação! 
Vê se pode, olha o tamanho daquele bigode!!!
Digo ansiosa e torço...
- Venha seu moço, para que eu possa aparar esse bigodão, assim o senhor não leva nenhuma intimação!
Batatinha aguarda em silencio com olhar de vencedor, quem era mesmo o cobrador?
Desconcertado o moço do bigode se assusta e logo vasculha algum canto de sua blusa...
- Onde será que coloquei, não consigo achar... Será que vou ter que aparar? 
Fazendo cara de séria ameaço com “Reec Reec” da Tesoura BLú...
- Continue! Procure! Procure ou será pior pra tu!
Com as mãos ele segura o bigode com medo ele grita, ele explode...
Inicia o discurso e se explica:
- Esse bigode e pra Ticaaaa!
- Quem?
- Quem?
- A Tica!
- Aaaaaah aTica! 
Logo visualizamos a menininha que tirava um cochilo.
Toda quentinha, parecia um esquilo. 
Agora tudo estava explicado, não poderíamos cometer aquele ato malvado!
Então tramamos a barganha, porque assim todo mundo ganha!
O seu Moço acabou nos dando a permissão para vagarmos por aqui.
Enquanto nós dávamos a Licença para ele desfilar por ali 
Trocando olhares de cumplicidade...
Tudo acabou virando só felicidade!




quarta-feira, 25 de junho de 2014

TV Suricate


Relato enviado pelo voluntário Henrique (Palhaço Heitor)




Ao chegar no Hospital Dia do Hospital Menino Jesus, um fenômeno curioso aconteceu: havia muitas crianças bem pequenas, e elas rapidamente pararam o que faziam e ficaram olhando – imóveis - os palhaços. 
  
O Tunico rapidamente identificou aquelas criaturas: “São suricates!”
O líder deles, no alto de seu leito-berço, mantinha a postura atenta, com mãos de suricates, e dava comandos aos outros. Ficamos imóveis também, tentando calcular uma aproximação. 
  
Minha vasta experiência com multidões de suricates me levou a uma ideia: o famoso “Pãn-pãrã rãm pam...” – E a resposta veio meio murcha, mas veio: “Pãn pãaaam!!!” 
“Ah, eu sabia.” – disse ao Tunico que tentou de novo, e na segunda vez a resposta foi melhor! 
  
Comecei a testar outras aproximações, e todas funcionaram: 
- Tchúbi-djhiúbi djhiúbi...
- Djhiú djiú!! 
- Pi-piriri Pi...
- Pipiiiii!!!! 
  
Aaaaaah... estava começando a ficar muito estranho, melhor parar! Essa gente gritando essas coisas, em pleno hospital!!! 
  
Mas os suricates estavam tão receptivos que até renderam um programa inteiro de TV! Percebemos que estávamos sendo filmados por TRÊS câmeras de celular! 
Foi então que resolvemos fazer um documentário e uma prévia do espetáculo de 20 anos da OAI. O show teve atrações, entrevistas... Eu, Heitor, apresentava o programa enquanto o Tunico fazia o suporte e os comerciais! 
  
Foi um sucesso tão grande, que na atração final, sobre a vida dos suricates, conseguimos o maior coro de Pan-pãrãrãm-pam de toda a história do Hospital Menino Jesus!!! 
  
Os pequenos suricates do Hospital Dia nos mostraram que seu mundo é extremamente cativante e comunicativo!
  

quarta-feira, 11 de junho de 2014

A Enfermeira General


Relato enviado pelo voluntário Paulo (Palhaço Arlindo)




Entramos na UTI do GRAACC e começamos um jogo com um menino e sua mãe, quando de repente escutamos uma voz grossa vindo lá do fundo do corredor... Quando nos viramos para ver de onde vinha aquela voz, demos de cara com uma enfermeira de semblante sério e que ordenava que fôssemos visitar o R.
  
Logo depois que terminamos o jogo com a mãe e seu filho, caminhamos em direção ao R., passando disfarçadamente pela megera da enfermeira M. Assim que chegamos onde o R. estava internado, desabafamos com ele toda nossa insatisfação com a M.! A minha revolta era tanta que comecei a imitá-la com uma voz fininha e todos aqueles trejeitos de mandona que ela possuía! O R. estava fazendo fisioterapia e não se aguentava de rir toda a vez que eu e o Otávio imitávamos a enfermeira! 
  
Ficamos ali uns 5 minutos imitando tudo que ela fazia e todas as ordens que ela dava no corredor. 
Como estávamos com medo que a M. percebesse que estávamos imitando ela, pedi para que o Otávio fechasse a cortina da UTI para que não descobrissem a gente, foi aí que extravasamos e começamos a imitar ela em voz alta! 
O R. ria tanto que nem conseguia terminar a sessão de fisioterapia que ele estava fazendo, toda vez que eu ou o Otavio falávamos: “Eiii palhaços, vão visitar o R., heim palhaços não façam bagunça, e parari.. e parará... lalalala sou a enfermeira General M., bla bla bla”... Toda vez que falamos algo desse tipo, ele ria muito.
  
Quando estávamos no auge das imitações tivemos uma surpresa inacreditável! A M. abriu a cortina com tudo e nos pegou no FLAGRA!! Foi nessa hora que travamos e em questão de segundos mudamos toda a situação e começamos a elogiar a M., falando que ela era uma boa mulher, calma e que não gostava de mandar, e ainda por cima colocamos toda a culpa no R., falando que quem estava imitando ela era ele e que nós éramos totalmente contra todas aquelas imitações perfeitas!
O R. não aguentou e caiu ainda mais na gargalhada!!
Fomos obrigados a sair da UTI para que ele continuasse a fisioterapia, pois ele não conseguia parar de rir.
  
Por fim, uma cena que quebrou o coração desses dois palhaços, a M. chamou a gente de canto numa sala da UTI e, quando achávamos que receberíamos uma baita bronca da enfermeira megera, ela parou, deu um abraço em nós, abriu um sorriso de orelha a orelha e agradeceu muito por termos arrancado boas risadas do R., que era um paciente que só mexia do pescoço para cima e não ria já há algum tempo...
  

quarta-feira, 21 de maio de 2014

A Pipa


Relato enviado pelo voluntário Fabio (Palhaço Tunico)




A UTI do Darcy Vargas nunca mais será a mesma depois da passagem de Tunico e Heitor.
  
O pequeno A. estava cabisbaixo, com a voz fraca e mesmo assim quis conversar com a gente.
Falamos sobre tudo, local de moradia, campos de futebol, postes e seus fios...
E falando de postes, A. disse que não podia empinar pipas porque na rua dele tinha muitos postes e “fios de choque”.
Perguntei se ele não ia para um parque para empinar as pipas e o garotinho com dificuldade respondeu que nunca havia ido a um parque.
  
Olhei para Heitor e rapidamente corri até o lavabo do local pegando uma folha de papel toalha e fui em direção da parede que havia uma pintura enorme do Pequeno Príncipe em seu planeta.
  
Heitor, percebendo minha ideia, fez o mesmo e fomos juntos com papel toalha, um pouco de sabonete líquido, grudando na parede os papeis e formando uma linda pipa para o garoto.
  
Quando terminamos nossa arte o garoto apontou para o pai e disse:
- Olha, pai, eles colocaram essa pipa no alto para mim!!!
  

quarta-feira, 14 de maio de 2014

A mãe friorenta


Relato enviado pela voluntária Adriana (Palhaça Múrcia)



  
Ao entrarmos na sala de Observação nos deparamos com um menininho acordado, todas as outras crianças dormindo e as enfermeiras e pais olhando pra gente aguardando o que faríamos...
  
Começamos com calma, até que a mãe do menino acordado se aproximou. Ela estava com um casaco de frio e no dia estava bem quentinho!
Aquilo chamou muito a atenção de Estafúrcio, que perguntou se ela estava com frio. Ela começou a rir e não respondeu. 
  
Estafúrcio estava impressionado e continuou a perguntar até que o frio da mãe começou a contagiá-lo. Eu estava comentando com as enfermeiras o quanto estava achando o clima agradável, quando percebi que, ao meu lado, meu amigo tremia e dizia que estava frio!! Eu não sabia o que fazer para ajudá-lo!!
  
Depois de alguns instantes sem saber o que fazer, finalmente o abracei e comecei a cantar uma música que lembrava o calor: “Rio 40º, cidade maravilha, purgatório da beleza e do caos...”. Ele foi se acalmando e finalmente voltou à temperatura normal!
  
A mãe friorenta havia sumido e Estafúrcio começou a caminhar pela sala elogiando a temperatura agradável, quando, do outro lado da sala, encontrou a mãe friorenta novamente! Os sintomas voltaram!! Estafúrcio tremia de frio!!!
Já sabendo o antídoto, corri até ele, o abracei e cantei: “Moro num país tropical, abençoado por Deus e bonito por naturezaaaa!”
  
Tudo voltou ao normal!! Ufa!
Todos riam bastante, principalmente a mãe friorenta.
  
Resolvemos sair de lá antes que o frio tomasse conta de Estafúrcio novamente, mas, a caminho da porta, encontramos mais uma vez a mãe friorenta e o mesmo problema voltou a acontecer!! 
  
O que me restou foi abraçar meu amigo e sair de lá agarrada nele cantando: “Alalaô ôôôô, mas que calo ôôôô...”.
  

quarta-feira, 7 de maio de 2014

O palhaço não acontece só no riso

Poema enviado pelo voluntário Fabio (Palhaço Bordô)



Uma senhora sentada numa cadeira
Um palhaço entra em cena
A senhora olha
O palhaço a olha
A senhora continua olhando
O palhaço inerte retribui o olhar
Sempre se espera algo do palhaço
Exceto aquela senhora que espera sem pesar
De olho fixado na senhora
O palhaço pôs-se a falar
“A senhora é a rainha em ajudar
Muita ajuda é o que planta
Colhe amor em troca de olhar”
De olhos embargados
A senhora segurou o seu chorar
O palhaço transformado
Viu no olho da senhora
Um reflexo inesperado
Que o riso não era necessário
Necessário era amar.


Bordô

  

quarta-feira, 30 de abril de 2014

A Especialista


Relato enviado pelo voluntário Pedro (Palhaço Jaime)




Jaime e Xurumi caminhavam pelo corredor e, de repente, uma menina passou por nós realizando um passo muito especial... Era uma espécie de andar saltitante que logo atraiu nossa atenção e começamos a tentar imitar.
  
A menina andava e saltava, Jaime andava e saltava e Xurumi tentava seguir os mesmos movimentos. Tentávamos aprender os detalhes, mas a menina não parava para explicar e continuava andando e saltitando...
  
Após algum tempo, aquela especialista em passos especiais olhou para o Xurumi e disse: “Não é assim, poxa!!! Tem que mexer o cabelo!!!”
  
Xurumi, ouvindo aquilo, tirou sua boina e mostrou para a criança seus poucos fios que ainda resistiam firmemente em sua cabeça. 
  
A menina olhou... refletiu... pensou... e disse: “É! Você não pode fazer!!!”. Virou e saiu saltitando...
  

quarta-feira, 23 de abril de 2014

Lágrimas Perfumadas


Relato enviado pela voluntária Viviane (Palhaça Dália)





Entrei com Dalila e Janja em mais um dentre os muitos quartos do Instituto Emílio Ribas; quem será que encontraríamos ali? A primeira coisa que nos chamou atenção, logo na porta, foi o cheiro daquele local: um frescor delicioso, daqueles que sentimos quando alguém acabou de sair do banho. Entramos mais um pouquinho e avistamos um senhor sentando, sozinho, em sua cama. Ele estava com os cabelos recém lavados, bem penteados e, claro, muito perfumados!
  
Perguntamos seu nome e ele, sem hesitar, respondeu: A.! 
Janja tratou logo de elogiá-lo por estar tão bonito e perguntou, humildemente, se ele tinha se arrumado tanto só para nos ver. Tão rápida quanto a pergunta, foi a enxurrada de lágrimas nos olhos de A. Lágrimas intensas, cheiras de uma emoção instantânea, profunda. Perdi um pouco o chão naquele momento e percebi que minhas parceiras também. Como não sermos tocadas por aquele choro tão sincero?
  
Entretanto, fizemos o possível para não deixar nossa comoção transparecer ao A. e continuamos a nossa conversa dizendo que também tínhamos nos arrumado para vê-lo, mostrando nossas roupas, dançando e nos exibindo. A., já mais calmo, nos examinava, sorria e aprovava a apresentação. 
  
Nos despedimos mandando beijos e abraços, e o A. novamente levou as mãos aos olhos, contendo as lágrimas que insistiam em cair.
  
Não sabemos ao certo o que aconteceu naquele quarto, o que nossa presença causou naquele senhor nem o motivo daquela demonstração de tão imensa gratidão por estarmos ali. Só sei que saí pensativa...
Abençoado seja o nariz vermelho que, com sua graça e simplicidade, toca a alma do ser.
  

quarta-feira, 16 de abril de 2014

O Sorriso dos Olhos


Relato enviado pela voluntária Paloma (Palhaça Lorena)




Lá no Menino Jesus conhecemos um menino chamado C. Ele nunca ri. Nunca. Uma criança que nunca ri é um desafio para palhaços. E esse desafio parecia impossível pra mim, afinal, na minha última visita ao C., eu não tinha conseguido arrancar dele sequer um olhar, quanto mais uma risada, um sorriso.
  
Palhaços sentem medo? 
Palhaços se frustram? 
Palhaços desistem?
  
Eu senti medo. Já tinha me frustrado uma vez, mas não desisti. 
Certo dia, Romão e eu paramos junto à porta do quarto do C. e ficamos escondidos atrás da sua cama. Ficamos trocando olhares rápidos com o menino que estava completamente sério. A cada momento, era um de nós que aparecia para o menino, que nos procurava com olhos atentos. 
Ponto para os palhaços! Eu já estava feliz por ter conseguido pelo menos um olhar dele desta vez.
  
Resolvemos entrar no quarto e nos esconder atrás de objetos como camas, mesas e aparelhos. Romão e eu estávamos confiantes de que o C. não conseguiria nos ver, mas aqueles olhinhos tristes insistiam em nos perseguir. Quando não conseguimos mais nos esconder, Romão e eu paramos no meio do quarto, um de costas para o outro, os dois olhando para ele. 
  
Foi aí que o Romão falou: “Lorena, acho que estamos invisíveis. Enquanto nós estivermos encostados um no outro, ele não vai conseguir nos ver.” 
Eu achei aquilo muito estranho e perguntei: “C., você está vendo a gente?” e ele respondeu que sim, balançando positivamente a cabeça. 
Eu falei: “Romão, seu bobão, ele está vendo a gente. Precisamos usar a nossa super magia da invisibilidade!”.
  
Palhaços sabem fazer magia? 
Palhaços ficam invisíveis? 
  
Romão e eu fizemos uma magia, mas não ficamos invisíveis. 
Nossa magia consistia em dar giros, pulinhos, chacoalhar a cabeça freneticamente e fechar os olhos, sempre de mãos dadas. 
Ao final da magia, Romão, ainda de olhos fechados, disse: “Lorena, eu não estou vendo nada. Acho que funcionou. Ficamos invisíveis!”. 
  
Eu, desconfiada que sou, espiei o C., abrindo um dos meus olhos. O menino estava vidrado na gente. Eu perguntei se ele estava nos vendo, mas silenciosamente, me comunicando com o garoto apenas através de gestos. E o menino respondeu que sim, balançando a cabeça novamente. Enquanto isso, o Romão estava todo feliz, de olhos fechados, acreditando na sua invisibilidade.
  
Foi aí que eu resolvi enganar o Romão e disse: “Romão, cadê você? Não estou te vendo... Bom, eu vou ali com o C. e já volto. Você não tem medo de ficar sozinho, né? Vamos, vamos, C. Tchau, Romão.”
Depois dessas frases, eu fiquei completamente em silêncio. E Romão ficou completamente apavorado, acreditando estar sozinho.
Daí pra frente, C. e eu nos unimos para assustar cada vez mais o Romão. A cada ideia nova, eu me comunicava por gestos com o ele e pedia a sua ajuda. O menino sempre olhava pra mim e fazia um “joia” com as mãos, concordando com as minhas maluquices. O C. estava adorando ver o Romão com medo.
Eu comecei a fazer barulho de chuva, trovões e raios, e a falar com uma voz bem grossa: “Romão, eu sou o fantasma da chuva. Vou te levar para um lugar horroroso, com cheiro de ovo podre e cheio de baratas!”
  
Romão ficou morrendo de medo e fugiu do quarto, mantendo os olhos fechados. Eu saí atrás do Romão, mas antes dei um tchau para o C. que me respondeu com seu “joia” e um último olhar, não mais triste, agora alegre.
  
Palhaços sempre fazem rir?
Olhos podem sorrir?
Palhaços ficam felizes quando os olhos de um menino sorriem?
  
Vocês podem me perguntar se o C. deixou de ser sério. E eu respondo que não. Aliás, não ganhamos nenhum sorriso dele. Não com a boca. Em compensação, os olhos dele ficaram o tempo todo grudados na gente, sorrindo que só.
Palhaços nem sempre fazem rir, mas ficam muito felizes quando os olhos de um menino como o C. sorriem.
  

quarta-feira, 9 de abril de 2014

Heitor – O Guia


Relato enviado pelo voluntário Henrique (Palhaço Heitor)
 


 

Quando estamos em um hospital tão cheio de atividades e detalhes como o GRAACC, sempre é bom contar com a experiência e os conselhos de um bom guia para que possamos saber o que fazer, para onde ir, etc...
 
Um dia desses, na recepção, um grande grupo de pessoas se levantou ao mesmo tempo dos sofás. Heitor e Jamal, que estavam por lá, logo perceberam que aquele monte de gente só poderia ser uma excursão! Claro!!
 
Heitor prontamente se apresentou como guia turístico e na companhia de seu amigo Jamal, que apontava e demonstrava tudo o que Heitor dizia, passou a fazer o seu excepcional guiamento:
 
- À sua direita, o elevador, à sua esquerda, aquele corredor.
Ora, vejam! Uma pessoa de bigode! Bigodes são altamente normais no GRAACC, fiquem tranquilos. 

 
O grupo caminhava e se divertia.
 
- Aqui no GRAACC temos muitas cores – Jamal apontava para as cores das camisas de quem passava.
 
Mais risos...
 
- Esta é a recepção! Aqui vemos um típico médico muito bem qualificado. Este elevador é o que chega, está chegando, chegou. Elevadores no GRAACC chagam mesmo, é o que eles fazem. Nele vocês entram, sobem, descem, tanto faz! No GRAACC elevadores sobem e descem!   
 
O grupo inteiro ocupou o elevador que chegou. Dentro do elevador eles riam e agradeciam pelas informações.
 
Heitor concluiu seu guiamento:
- Bom passeio para vocês, boa excursão e divirtam-se!
 

quarta-feira, 2 de abril de 2014

O Porco Azul

 
Relato enviado pelo voluntário Pedro (Palhaço Jaime)

 


Jaime e Xurumi chegaram à brinquedoteca do GRAACC e encontraram algumas crianças sentadas em uma mesa e fazendo recortes. Jaime observou que todas elas estavam recortando corações e pediu um coração para ele.
 
As meninas disseram que não dariam o coração para Jaime e que ele é que devia fazer um com cartolina e tesoura. Jaime disse que não sabia, mas as meninas os incentivaram e lá foi ele começar a recortar...
Recortou, recortou, recortou e no final exibiu com muita felicidade sua obra de arte!!!
 
As crianças olharam... olharam... e, após alguns segundos, uma delas falou: “Mas isso não é um coração...”
Jaime: “E o que é então????”
Uma das meninas: “É um porco azul!!!!!!!”
 
Jaime ficou desolado e as meninas riam... riam e riam...
 
Jaime largou a tesoura, a cartolina e, abraçado com seu porco azul, começou a sair do local...
 
Neste momento uma das crianças chamou o Jaime e entregou para ele um coração que tinha acabado de fazer!!!
 
Jaime pegou o coração, juntou com seu porco azul e saiu de lá feliz da vida!
 

quarta-feira, 26 de março de 2014

O Espelho


Relato enviado pela voluntária Paloma (Palhaça Lorena)

 

 
Espelho, espelho meu,
Eu te trago uma imagem nos meus olhos
E você me diz o que achou?
Eu sei que esse reflexo não é meu,
Mas é da menina bela
Que na própria beleza não acreditou.

Uma adolescente de uns quinze anos estava deitada em uma cama da sala de observação. Ela era linda. Tinha cabelos volumosos e negros, sobrancelhas grossas e olhos grandes e redondos.
 
Dona Borboleta e eu nos aproximamos. A garota sorriu pra gente e ficou ainda mais bonita. Eu falei que ela era bela. Dona Borboleta perguntou se ela tinha feito alguma novela, se ela era artista de televisão. De repente, a cara da menina se encheu de tristeza e ela falou: “Eu não sou mais bonita. Estou feia.”.
 
Tentamos contornar a situação, dizendo que a menina estava nos humilhando com sua beleza e humildade, mas não deu certo. A menina foi ficando feia de verdade. Ela fez bico de quem quer chorar.
 
Eu estava inconformada com aquela situação. Como uma menina tão bonita podia se achar feia? Olhei bem para a garota e falei: “Eu vou procurar um espelho para te mostrar como você é linda.”.
 
Saí desembestada andando pela sala, entrei no banheiro mais próximo e tinha uma criança lá dentro que chorou de medo ao me ver. “Como vou conseguir um espelho?”, eu pensei. Procurei, procurei e não achei. Dona Borboleta tentou me ajudar na tarefa, mas sem obter sucesso.
 
Eu voltei, olhei para a mocinha e disse: “Eu não consigo trazer o espelho do banheiro. Vamos fazer assim: você me olha, eu levo a sua imagem para o espelho e te conto o que ele achou. Topa?”. A garota topou meio ressabiada.
 
Eu cheguei bem perto da garota e fixei os meus olhos nos dela. Fiquei assim alguns segundos, apenas contemplando a beleza da moça. Tudo mudou. Ela arregalou os olhos, começou a sorrir e fazer umas caras engraçadas. Acho que a garota estava me imitando. Apareceu um brilho enorme nos olhos dela.
 
Eu saí correndo e levei tudo para o espelho. Voltei alguns segundos depois, olhei para a garota e falei: “Sabe o que o espelho me falou?”. A menina sorriu e perguntou, com uma carinha apreensiva: “O que?”. Eu respondi, sorrindo: “Que você é linda de morrer!”.
 
A mocinha sorriu tímida. Ficou tão feliz e bonita. Foi difícil segurar o choro e tirar os olhos dela depois disso.
 

quarta-feira, 19 de março de 2014

A Desenhista


Relato enviado pela voluntária Bárbara (Palhaça Suzete)
 


Na quimioterapia, avistamos uma menininha fazendo desenhos, logo a Valentina e a Suzete começaram a tentar convencê-la de quem ela deveria desenhar:
 
Suzete: - Você tem que ME desenhar, pois eu sou mais bonita e mais charmosa.
Valentina: - Não, você tem que desenhar a mim, afinal, eu estou com uma roupa muito mais legal! Minha saia tem flores!
Suzete: - E daí, que a sua saia tem flores? O meu vestido é cheio de bolinhas, muito mais bonito!
Valentina: - Você é sem originalidade, Suzete... Eu que estou mais bonita, eu combinei a cor da blusa com a saia.
Suzete: - Mas eu combinei o sapato com a roupa. Você não sabe nada de moda!
 
E assim saímos discutindo.

Quando estávamos em outro andar, encontramos com a mãe da paciente e ela disse: - A M.C. fez o desenho de vocês, vocês tem como ir buscar?
 
Fomos correndo afoitas e quando chegamos lá, ganhamos o lindo desenho abaixo!! 

 

Ficamos muito felizes e contentes, agradecemos muito e fomos embora saltitando!!
 
O mais incrível foi ver que ela se apegou aos mínimos detalhes e fez o desenho de acordo com as nossas características mesmo.

 

quarta-feira, 12 de março de 2014

Fotógrafo Francês


Relato enviado pelo voluntário Paulo (Palhaço Arlindo)

 


Entramos no quarto de uma menina que aparentava ter uns 15 anos, logo Tadeu anunciou que lá fora havia uma pessoa ilustre, uma grande atração que vinha diretamente da França especialmente para ver a M.
 
Com toda essa introdução, Tadeu iniciou a apresentação: - Diretamente do norte da França, o incrível, o único, o espetacular... o Melhooooor fotógrafo do mundo. Siiiiiiiiim... ele está aqui pessoal, é ele o Aaaaarliiiindóooooooo!!
 
Logo tive que me transformar no melhor fotógrafo do mundo, mudando meu nome de Arlindo para Arlindóo. 
 
Enquanto entrava no quarto esbanjando glamour, Tadeu começava a contar a minha história: - Ele já passou por inúmeros desfiles, fotografou modelos pelo mundo, viajou por continentes e chega hoje no Darcy Vargas para fotografar a mais bela entre as pacientes desse hospital!!
  
Ahhh... aquilo para mim era um momento de glória, nunca tinha ouvido tantos elogios na minha vida!! Estava tudo perfeito, até que as coisas mudaram e Tadeu começou a me sacanear.
 
Tadeu: - Sim, apesar de toda sua fama, a vida pregou uma grande peça no nosso fotógrafo, num belo dia, ele acordou manco da perna esquerda.
 
Neste momento que tive que começar a mancar, tirava fotos e mancava...
 
Tadeu: - Mesmo assim ele não desistiu da carreira, e novamente a vida lhe pregou uma peça, fazendo com que nosso fotógrafo Francês e Manco ficasse cego de um olho!
 
Comecei a mancar e tirar fotos com um olho só... 
 
Não satisfeito, Tadeu deu sua cartada fatal: - E, por fim, nessa última semana, nosso fotógrafo Francês, Manco e Cego de um olho começou a ter trejeitos femininos... sim, ele fala igual uma mulherzinha e tem jeitos de mulherzinha!
 
Tive aqueles 3 segundos de total tristeza e desapontamento... mas, se vocês pensam que isso me abateu, estão enganados, não é pelo fato de ser Manco, Cego de um Olho e falar igual Mulherzinha que isso me derrubaria!!
Logo comecei a tirar inúmeras fotos da M, mesmo com todas essas dificuldades. 
 
Com todo meu sotaque Francês de menininha, pedi que ela fizesse uma pose de “Macaqui com caimbri” e pedi para que Tadeu traduzisse para ela. Tadeu explicou que era um macaco com câimbra!
 
Tirei algumas fotos, mas não estavam boas na posição “Macaqui com caimbri”, foi quando Tadeu pediu para que a M. fizesse cara de cachorro.
Fiz uma nova sessão de fotos e dessa vez estavam ótimas, todas estavam saindo perfeitas, aquelas sim eram fotos de um o grande Fotógrafo Francês, Manco, Cego de um olho só e que falava como Mulherzinha!
 
Sendo assim, decidimos revelar aquelas fotos com poses de cachorro, não podíamos perder aquela obra de arte. Nesse momento entendi o porquê Tadeu havia pedido poses de cachorro!
No sofá do quarto tinha um cobertor dobrado com uma estampa de cachorro.
Quando tiramos o cobertor e mostramos como a M. havia ficada idêntica a um cachorro, ela não aguentou e começou a gargalhar!
 
As gargalhadas aumentaram ainda mais quando tive que sair do quarto mancando, trombando em todos os lugares pelo fato de não enxergar com o olho esquerdo e rasgando todo meu sotaque francês de mulherzinha.
 

quinta-feira, 6 de março de 2014

Eucaliptomaníacos


Relato enviado pelos voluntários Daniela e Mauro (Palhaços Janja e Malavazzi)
 
 

Apenas um senhor dentro do quarto e uma palhaça na porta.
- Oi, com licença? Posso entrar? – questiona Janja.
- É... sim.
- Qualquer um pode entrar aqui?
- Pode, acho que pode.
- Ah tá, peraí, deixa eu só chamar o meu parceiro.
 
Janja voltou para o corredor e Malavazzi aparece na porta.
- Oi, com licença? Qualquer um pode entrar aqui?
- É... acho melhor perguntar para a enfermeira – disse o paciente, pensando que a nossa pergunta se tratava de questões infecto-contágio-infecciosas contagiantes.
- Veja, meu senhor - disse Malavazzi, já entrando no quarto – é que a minha parceira, a Janja, ela rouba. Sabe? Uma pessoa rouba coisas? É ela. Não sei se é uma boa deixar ela entrar ...
 
Tarde demais, Janja já estava dentro.
 
Bom, com os dois palhaços lá dentro do quarto, Malavazzi foi explicando para o senhor uma proposta dele a respeito da vegetação da cidade: substituir todas as árvores por eucaliptos! Os eucaliptos eram ótimos, eram verdes, eram cheirosos... e... e o senhor tinha parado de prestar atenção no belo discurso eucalíptico e começou a olhar para algo que se passava atrás de Malavazzi. Malavazzi virou-se e, como esperado, lá estava a Janja tentando roubar lençóis do quarto! Lençóis! Que deprimente.
 
Os dois repreenderam a ladra e Malavazzi voltou a explanar sobre sua proposta inovadora. Eucalipto é genial, a cidade pareceria uma sauna gigante e... e... novamente vira-se e Janja agora tentava roubar uma almofada. O senhor riu, porque a almofada não cabia debaixo do vestido da Janja que novamente foi repreendida.
 
O eucalipto isso, o eucalipto aquilo e... e... agora ela tentava roubar aquele gaveteiro móvel gigante! Que absurdo!
 
- Viu, senhor? Não é todo mundo que você pode deixar entrar aqui. – diz Malavazzi.
- Entendi. Deixo entrar os Eucaliptomaníacos, mas barro os cleptomaníacos.
- Perfeito!