Palhaço também conta histórias!
Neste blog você pode saber um pouco mais das nossas histórias vividas nos hospitais.

quinta-feira, 25 de abril de 2013

Oi!


Relato enviado pela voluntária Paloma (Palhaça Lorena)



Logo no início da nossa visita, encontramos um bebê deitado em seu carrinho, quieto e sozinho no corredor. Doralina e Romão perceberam que o bebê não enxergava. Para falar a verdade, eu não percebi isso, só fiquei sabendo muito depois pelos meus parceiros.
 
Romão disse um oi para o neném, mas não um oi qualquer, foi um oi todo cheio de melodia. Doralina também disse um oi com tom diferente. Quando chegou a minha vez, tentei falar um oi bonito e sonoro, mas minha voz saiu estranha e meus parceiros riram de mim.
  
Romão fez outro oi todo bonitão e Doralina fez o mesmo na sequência. Parecia que eles estavam cantando uma música com uma simples palavra: oi. Na minha vez, tentei fazer um oi com melodia, mas minha voz continuava desafinada.
 
O menino estava atento aos nossos sons. Não falávamos nada além de oi.
 
Uma “competição de ois” foi instalada. A cada momento, um dos palhaços falava um oi mais doido do que o outro. Vários foram os tons de oi. Até oi de ópera teve!
 
Depois de um tempo, surgiram ois com sons de animais. Oi-cachorro (latindo ao som de oi). Oi-passarinho (piando ao som de oi). Oi-gato (miando ao som de oi). Oi-elefante (bom, fazendo o barulho que o elefante faz, mas apenas com a palavra oi).
  
De repente, eu falei um oi-Tarzan: ô-ôôôô-ôôôô-ôiiiii. O bebê se remexeu todo no carrinho, impulsionando o corpo na nossa direção. Fiquei muito feliz com o sucesso do meu oi-Tarzan. Repeti o oi-Tarzan e o resultado foi o mesmo: o bebê mexeu o corpo do mesmo jeito. Romão e Doralina se uniram a mim e fizemos juntos o oi-Tarzan. O sucesso foi maior ainda.
  
Fomos embora felizes, repetindo nossos ois malucos pelo corredor.
 
 

terça-feira, 23 de abril de 2013

O Palhaço de Chupeta Verde


Relato enviado pelo voluntário Fabio (Palhaço Bordô)

 

 


O segundo andar estava repleto de crianças e depois de interagir com várias, nos deparamos com um menino que estava de chupeta verde. Ao olhá-lo, percebemos à primeira vista o brilho nos seus olhos. Naquele momento eu não sabia quem era o palhaço: ele ou nós. Valentina pediu para ele tirar a chupeta e num ato ágil e com muita naturalidade, o garotinho tirou a chupeta da boca. O riso foi a tônica do ambiente naquele precioso momento. Todos que assistiram o ato riram com o fato. Novamente me veio a cabeça: quem é o palhaço?
  
O menino notou que sua ação foi um sucesso e repetidas vezes, estimulado pela minha colega Valentina, ele tirava e colocava a chupeta da sua boca para a plateia rir. Um legítimo palhaço. Eu, Bordô, para acompanhá-lo, descobri que quando ele tirava a chupeta, eu explodia em alegria num gesto grande que se repetia. O garoto começou a tirar e colocar a chupeta várias vezes para ver o gesto e rir. Enlouqueci neste movimento, a minha parceira Valentina também e, muitas gargalhadas apareceram ao nosso redor da plateia que contava com quase 20 pessoas. Mas o grande foco não fomos nós, mas o ato preciso, espontâneo e ímpar do garoto de chupeta verde.
  
Nem sempre o palhaço está em nós, mas escondido no outro, neste caso, estava na criança de chupeta verde.
 

quinta-feira, 18 de abril de 2013

O encontro com o Homem-Aranha


Relato enviado pelo voluntário Pedro (Palhaço Jaime) 

 

Logo no início de nossa caminhada pelo hospital Menino Jesus, conhecemos T. que estava com uma blusa do Homem-Aranha. Dona Borboleta e eu nos aproximamos lentamente e perguntamos se ele era realmente um super-herói.
  
T., querendo responder nossa pergunta, colocou sua máscara e descobrimos que não era apenas uma “blusa”, mas sim a fantasia do próprio Homem-Aranha. T. começou a jogar suas teias coloridas pelo andar da cantina e Dona borboleta rapidamente localizou parte das teias na parede.
 
Comecei a seguir os movimentos do nosso herói, mas não conseguia acompanhá-lo com tanta desenvoltura. Assim, caía, levantava, tropeçava e T. demonstrava cada vez mais seus poderes.
 
Por fim, o elevador chegou e T. teve que descer. Desta vez, preferiu não utilizar suas teias e as paredes do hospital, afinal é bom variar um pouco o meio de transporte!
 

terça-feira, 16 de abril de 2013

A Lingerie de Romão

Relato enviado pelo voluntário Adê (Palhaço Romão) 

 


A dignidade de um palhaço é algo muito importante, mas neste dia a minha foi colocada à prova!!
 
Neste dia no Hospital Menino Jesus, o Pronto Atendimento foi invadido por 5 palhaços. Meu Deus, o que fazer sem ficar agressivo? Tentamos tirar uma foto, meio confuso, mas no final deu certo. 
 
Tentei um romance com uma adolescente ao lado da mãe... hummmmm... mas meu romance foi interrompido por Durval e suas ideias!
Ele simplesmente anunciou que eu faria um striptease.
Nesse dia eu trajava um figurino feminino e meu colega resolveu me expor... não sei porque, afinal até os escoceses usam saias!
 
Tentei negar, afinal sou tímido e nem sabia fazer striptease, mas foram tantos os pedidos e súplica que não resisti! Subi em uma cadeira e iniciei o processo do strip. 
Devia estar horrível, mas estava engraçado, pois meus amigos, pacientes e acompanhantes batiam palmas, dando ritmo a cena.
  
Lentamente a minha saia foi caindo, mas eu não percebia. 
Quando minha saia já estava abaixo do joelho, desci da cadeira, pois não queria continuar... afinal sou muito feio para fazer um strip.
  
Todos começaram a rir e meus companheiros tentavam me avisar de algo, mas eu não entendia o que estava acontecendo, pois estava feliz com a satisfação da plateia. Foi quando percebi que estava sem as saias, só de cueca!!! Ai que vergonha!!!! 
Fui tirado de lá com a ajuda dos meus amigos.
 
 

quinta-feira, 11 de abril de 2013

Quem é o cantor???

Relato enviado pelo voluntário Pedro (Palhaço Jaime)
 

 
Jaime e Lourival chegaram ao 4º Andar do hospital Menino Jesus e começaram a interagir com diversas crianças. Jogos foram acontecendo e, após alguns minutos, eles perceberam a presença de um menino, bem grande e forte, que os observava com a feição bem fechada.
 
A dupla tentou estabelecer uma ponte com o olhar, mas o rosto fechado permanecia e o menino começou a esfregar as mãos como se estivesse pronto para “pegar” os palhaços. Lourival e Jaime, diante de tal situação, saíram correndo, com medo, em busca de novas crianças...
 
Passado algum tempo, já em outro andar, Jaime e Lourival estavam andando quando localizaram, novamente, aquele menino. A princípio, tentaram estabelecer uma ponte, mas nada ocorreu... A feição permanecia fechada, mas, desta vez, cheios de coragem, eles decidiram se aproximar.
 
Foram passo a passo chegando perto... bem devagar... e, quando estavam cerca de um metro do menino, ele olhou para os dois e disse bem alto:
”VOU FALAR UMA COISA PARA OS DOIS!!!”
  
Neste momento a dupla parou e, ansiosa, aguardou o que o menino teria para dizer... Seria um: “Fora daqui”???... ou talvez um “O que vocês querem???”... Nada disso!!! O menino disse:
“QUERO SER AMIGO DE VOCÊS!!!”
 
Ai que felicidade!!! Como é bom fazer amigos!!! Eles logo se apresentaram e descobriram que o ultra, mega, super, blaster simpático menino chamava-se G. e tinha 9 anos!
 
Ah!!! Está pensando que a história acabou??? Nada disso! Está apenas começando!!!
 
Após sabermos um pouco mais sobre G., Jaime pediu que ele lhe dissesse algo sensacional e G., sem muito pensar disse:
“Muitas vezes, quando pego ônibus, o cobrador pede para eu cantar uma música só porque eu sei cantar...”.
 
Jaime e Lourival se olharam e, quase em coro, pediram: “CANTA UMA MÚSICA!!!”
 
G. se preparou, escolheu a música e começou:
 
“Não posso voltar para casa;
Com medo da solidão;
O jeito é ir pro boteco;
Tomar uma com limão;
Os amigos de noitada;
Me chamam de pingaiada;
Bunda mole e chorão;
 
Eu bebo e choro;
Pode rir de mim;
Não bebe e não chora;
Quem nunca amou assim.”
 
Jaime e Lourival dançavam felizes, G. cantava lindamente e as pessoas em volta sorriam e observavam o grande talento deste menino que mostrou que seu tamanho era proporcional ao seu coração!!!

terça-feira, 9 de abril de 2013

Furacão em Ação

Relato enviado pela voluntária Rubia (Palhaça Dalila)

 


Dalila abre a porta do quarto do paciente W. no hospital Emílio Ribas e estica a cabeça com olhar de curiosa para descobrir o que tinha lá dentro. Sua parceira Isabel Coriza, imediatamente, faz o mesmo.
  
Não sei o que passou pela cabeça de W., mas as duas foram recebidas com um imenso sorriso e agradeceram com outro sorriso muito maior. Ele, rapidamente, pede para a dupla entrar e deixar a porta do quarto aberta, pois estava com muito calor. 
 
Dalila segura a porta e Coriza fica um pouco perdida procurando algo para prender. O W. indica um cesto, mas ela continua perdida. Dalila para provar que não sabe o significado desta palavra decide resolver a situação, estica a sua perna esquerda e puxa uma mini escada que estava no meio do quarto para segurar a porta. Eba, conseguiu!
 
Depois disso, Dalila se aproxima da cama e começa a balançar os braços em direção ao paciente W. Coriza vai para o outro lado da cama e começa a assoprar. A missão da dupla era refrescar o sorridente W.
 
Segundo W., a dupla ia se cansar rapidamente e, muito sem graça, falava que estava tudo bem. Para provar que o cansaço não tomaria conta da dupla, as duas decidem mudar de posição. Dalila enche o pulmão de ar e começa a assoprar e Coriza começa a chacoalhar os braços.
 
A vontade era tãããão grande em refrescá-lo que, com a força do vento, foi se formando um furacão, que se fortaleceu chegando a categoria 5. O quarto de W. entra em estado de atenção e o sinal de alerta é acionado: risadas de W. demonstravam a intensidade do perigo que o furacão apresentava.
 
Com a intensidade dos ventos, Dalila e Coriza começaram a girar, girar e girar descontroladamente. O furacão pegou tanta velocidade que as duas foram arremessadas do quarto e o sinal de alerta continuou ligado. Dava para escutar lá do corredor que as risadas do paciente W. tomaram conta do quarto com a saída do furacão!!!
 

quinta-feira, 4 de abril de 2013

O grande mistério dos números...

Relato enviado pelo voluntário Pedro (Palhaço Jaime)
 
 
 
 



Chegamos ao Hospital Dia e percebemos que havia poucas crianças na sala. Logo nos aproximamos de uma cama em que havia um menino acompanhado de sua mãe. Perguntamos o nome do menino e, depois o da mãe. Neste momento uma grande coincidência: os dois nomes tinham 08 letras.
 
Achamos aquilo muito legal e fomos para a cama imediatamente à direita da anterior. Resolvemos, também, perguntar o nome do menino e da mãe e, para nossa surpresa, os dois tinham 07 letras...
 
Dona borboleta e eu começamos a ficar assustados e, vagarosamente, nos aproximamos da cama que estava imediatamente à esquerda da primeira... Perguntamos o nome do menino... Logo depois o da mãe... e ... PASMEM!!!... os dois tinham 06 letras.
 
Começamos a acreditar que forças ocultas estavam presentes ali e todos que estavam na sala não acreditavam no que estava acontecendo!
 
Decididos a acabar com esse mistério nos aproximamos de B. que estava sentado brincando de “caça palavras”... Perguntamos seu nome e descobrimos que tinha 05 letras... Neste momento, para delírio geral de todos os presentes, o Pai, que até então assistia a tudo bem distante, se aproximou e disse: - E o meu nome é A., que também tem 05 LETRAS!!!
 
Foi incrível como todos ficaram impressionados com tamanha coincidência... Se é que coincidências existem...!!! Medo!!!
 
 

terça-feira, 2 de abril de 2013

A Patinadora Artística

Relato enviado pela voluntária Adriana (Palhaça Múrcia)
 
 


Era uma vez uma patinadora artística que era mãe, ou uma mãe que era patinadora artística... pensando bem, acho que ela era mais mãe que qualquer outra coisa!
 

Primeiro descobrimos que ela era mãe! Tadeu e eu chegamos ao posto de enfermagem e começamos a nos vangloriar, falando o quanto éramos melhores que a outra dupla (Mixirico e Arlindo), que já estava naquele andar jogando em um quarto.
Ela estava ali, perto da gente, já rindo da nossa cara, mesmo sem fazer parte da conversa.
  
Quando a enfermeira foi pegar uns documentos, a mãe perguntou: - Será que eles podem ir lá ver o meu filho? Nunca ninguém vai lá...
A enfermeira ficou meio sem graça, tentou explicar que o quarto era de isolamento, que a gente poderia ficar no vidro. Mas o apelo foi tão sincero, que a médica que estava mais afastada veio falar com a gente.
A médica perguntou se estávamos gripados e prontamente respondemos que não! E ela disse que poderíamos entrar no quarto então!
 
A mãe sorriu e logo nos apontou o quarto, que ficava no final do corredor. Fomos andando a frente e ela veio atrás. Usando meias e chinelos, ela pegou impulso e foi patinando até a porta do quarto do seu filho! Uma patinação artística de corredor sensacional! Ficamos maravilhados!
 
A enfermeira nos acompanhou até a porta e disse à mãe que nos falasse o nome do filho. Aí entendemos que ele não poderia falar porque estava com a boca machucada.
L. realmente não falou... não falou com a boca, mas seus olhos diziam tudo!! Desde que apontamos a cara no quarto o seu olhar de cumplicidade nos cativou!
 
Já entramos comentando os dotes da patinação artística da sua mãe pelo corredor! Ele sorria com os olhos e, muitas vezes, a boca também nos presenteava com um leve risinho!
Tadeu, que tem uma leve ascendência russa e patinadora, deu uma bela assessoria à mãe artista!

Não só isso, ele também deu uma aula sobre os patinadores da antiguidade até a modernidade, de Moisés até Michael Jackson! A mãe ria, fazia poses patinadoras e o filho se deliciava com tudo aquilo.
 
Tadeu e eu tivemos uma leve briga no quarto, porque quando fui ilustrar a patinação Michael Jacksonística, ele fechou a porta na minha cara, me deixando pro lado de fora! Quando entrei novamente ele e L. se entreolhavam rindo da minha cara! Muita sacanagem desses homens!!
 
Antes de irmos embora, resolvemos ajudar a grande patinadora a escolher seu nome artístico. Até Mixirico e Arlindo chegaram nessa hora e deram uns pitacos... depois de muitas ideias péssimas, chegamos ao nome “Baryshnikova”, afinal todo patinador tem um “Q” de russo e de bailarino!!
 
Ela ficou lá treinando um autógrafo, mesmo porque o nome era difícil pra caramba de escrever! E o L. ficou nos olhando sorrindo, se deliciando com a visita e com o potencial artístico da sua mãe!!
 
Toda mãe é artista!! Mas essa foi mais que especial!!!