Palhaço também conta histórias!
Neste blog você pode saber um pouco mais das nossas histórias vividas nos hospitais.

sábado, 31 de março de 2012

Dobra Dura


Relato enviado pela voluntária Daniela (Palhaça Janja)


Toc, toc, toc.
Clô e Janja se deparam com uma menina acompanhada de seu caderninho. As palhaças se aproximam, observam e então, Janja lança sua ideia genial e pede que Clô ensine todos a fazer uma dobradura. Afinal, ela é uma erudita na arte de dobrar.
Clô aceita o desafio e entra em ação:
- Dobra..., dobra aqui, dobra ali..., dobra de novo,...vira...

Obediente, Janja segue as coordenadas:
- Pô, Não sabia que era tão simples fazer dobradura! É só dobrar, dobrar e dobrar. É aquele tipo de coisa que o nome diz tudo: DOBRADURA.

Trabalho encerrado e Clô exibe gloriosa seu BOEING 777 da American Airlines. Já a Janja apresenta um papel cheio de vincos em forma de algo que pode ser definido como um quadrado losangular octagonal. Incapaz de alçar voo pra lugar nenhum.
Meio decepcionada, ela se ainda tenta colher votos de misericórdia.
E não é que deu certo?
Mais uma prova de que na infância, até as obras de engenharia são emocionais.
A menininha que estava ali, no canto, só observando, gostou mais do “avião” da Janja.
A mãe, rindo, ainda completou: - “Ela gostou mais desse porque é o único que ela sabe fazer”.
Vitoriosa, Janja sai do quarto com a promessa de ensinar a todos suas técnicas para produzir lindas dobraduras.
Afinal de contas, é só dobrar. Fácil, fácil.

terça-feira, 27 de março de 2012

DIA DO CIRCO E LOURIVAL GANHA PRESENTE


Relato enviado pelo voluntário Cristiano (Palhaço Lourival)



Dia 27/3 – Dia do Circo, comecei o dia lendo sobre o dia do circo em minha biblioteca matinal onde faço uma série de eventos que me deixam apto a sair de casa! Enfim, a matéria dizia da importância da data e das festividades do dia, o almoço no MASP com palhaços convidados em homenagem a Piolim, por tudo que representou, como se o palhaço fosse, por si próprio, a maior expressão circense.

Se é ou não é, eu não sei, mas que meu presente estava reservado eu não tinha a menor ideia.

GRAACC, 9h00 e cadê meu parceiro? Nunca vi e mal lembro seu nome, chegou pontual e eu, sempre acompanhado de minha ansiedade, cheguei um pouquinho antes... sentir o clima, tomar uma água e ver o hospital, sua recepção, seus pacientes, médicos e funcionários de uma forma diferente... e tudo muda quando o Lourival pede passagem.

Geleka foi meu parceiro, um menino gentil, educado, voluntário e claro, advogado, qualificação que resume todas as qualidades anteriores, de forma que me senti muito bem recebido desde o início! Chaves aqui, armário ali e um grande vestiário, amplo espelho, pias, ah, que beleza, o camarim do Lourival esta na minha frente, mãos à obra!

Nomes, andares, números e outros detalhes são num primeiro momento, difíceis de serem lembrados, esqueço com a facilidade germânica do Alzheimer e, num segundo momento, tornam-se detalhes tão pequenos no universo do Lourival que acabo não desprezando, mas deixando tais detalhes de lado.

Lourival e Geleka subiram, talvez, para o oitavo andar, onde metade dos quartos não tinha entrada permitida, uma boa parte tinha crianças dormindo e as que podiam receber nossa visita nos viam muito limitados, máscara e avental limitando nossos movimentos e caretas e ainda assim a T. insistia em sair de sua soneca para ver nosso desfile, passarela que também foi usada por sua mãe.

Quartos e andares diferentes e decidimos ir à brinquedoteca ou quimioteca, Geleka com certeza irá se lembrar, pois embora tenha escrito o nome errado, segundo ele, no relatório do hospital, sinceramente agora eu não lembro o nome certo, mas se pudesse novamente batizar aquele lugar seria risadoteca, me parece muito mais honesto e condizente com o ambiente.

Saindo do elevador já conhecemos um menino que de sua cadeira de roda estendeu a mão – tudo bem, lavem as mãos, álcool, mascara, avental, etc - tudo foi por água abaixo pois não resistimos em devolver a gentileza e cumprimentar o que eu chamaria de capitão super alto astral!!! E vejam o porque:

- Tudo bem? Como vai, como vai, como vai? Ele não solta a nossa mão, como todos estamos acostumados a fazer, num gesto formal, frio, automático e praticamente sem calor ou vontade de apertar a mão de alguém mesmo, enfim, mão presa à dele e, alguns segundos depois recebemos um “tudo bem não”... hum... olho para o Geleka que, num passe de mágica e misto de rebolados faz um “mais ou menos?” e o capitão super alto astral diz, em fonte 22, arial, negrito e sublinhado ativados: “esta tudo ÓTIMO, porque eu acordo sempre de bom humor!!!”

Achei que seria suficiente receber tamanha carga positiva, sentimento bom, ou seja lá o nome ou rotulo que qualquer um queira dar para isso, mas não, hoje é dia do circo e meus presentes não tinham acabado.

Muitas baias e corredores, ainda no mesmo andar, num deles um menino, preso em seu DS ou Playstation ou qualquer destes jogos portáteis que substituem facilmente nossa intervenção acabou entrando no jogo do Geleka e utilizou o aparelho que nos impunha e dominava nossos movimentos, hora dava choques, hora nos fazia dançar, hora nos zigue-zagueava e, no mais, não nos deixava sair da baia, sempre utilizando o aparelho com seus raios invisíveis que nos comandava, nos salvamos graças à astúcia do Geleka, que aproveitou um momento de distração do dono do controle de palhaços e jogou uma corda para me resgatar.

Enquanto isso, uma menina de braços enfaixados, de seus oito anos, no colo da mãe, chorava e soluçava, de tanto rir, e não estávamos brincando com ela! Ria de forma contagiante, ria de verdade... ria como se a risada fosse tudo, ria tanto, mas tanto que resolvemos nem brincar com ela... que fique rindo, e pronto! E ria...

Já quase indo embora, uma enfermeira nos abordou dizendo que a T., outra T., nos chamava, do outro lado do andar e fomos, porque Geleka não deixava de lado desafio algum e a T. lá, querendo rir mais, porque já estava rindo; à sua frente duas mães falando baixinho e do lado de T., mãe e filha estavam sentadas, a filha não era criança, devia ter um pouco mais de vinte anos, não ria, não olhava e ao que parecia, não queria brincar – respeitamos - mas as mulheres em sua frente não paravam de cochichar e fomos lá, dar sequência à fofoca, tricotando coisa de novela, a velha ou a nova e o Geleka, querendo me ensinar como fazer o olhar 43 para a T. Ele piscava olhos, fazia careta e mexia a boca, quando de repente, sem mais nem menos, mãe e filha, antes quietas, que a esta altura estavam atrás de mim, começaram a rir e apontar pra mim... mas riam muito!

Muito bem, eu disse, olhando para elas sem entender nada... estão rindo de mim? Perguntei. Alguns segundos, talvez um minuto depois, a mãe, recuperando o fôlego, a filha ainda não, conseguiu balbuciar algo como: “obrigada! Eu precisava muito rir hoje, obrigada.” E, depois de rir um pouco mais me explicou: - sua calça é de mulher! – e ria mais (e é mesmo de mulher).

E por mais que eu explicasse que o M da etiqueta era de “tamanho médio” e não de “mulher” elas riam... momento bom, saída pela direita com elas ainda rindo, eu olhava de vez em quando para trás, com olhar de quem comprou a calça errada e, enquanto esperávamos o elevador para ir embora, a mãe levantou e veio falar com a gente dizendo: - a doença dela voltou e hoje foi o primeiro dia, já começaram pela quimio e estava muito difícil e triste pra gente, viemos só para consulta, obrigado de novo...”

Bom, o termo “obrigado” com toda certeza teve muito menos importância que a risada que não só brotou do nada, Lourival não fez nada, Geleka não fez nada, só estávamos lá, eu de costas... e o detalhe da cintura da calça, de mulher, fez a coisa acontecer.

Tenho certeza que muitos já ganharam presentes dos mais variados possíveis, mas cair no colo um presentão deste, no dia do circo, em agradável companhia, é coisa que merece ser, no mínimo, registrada! Parabéns a todos que, de uma forma ou de outra, estão presentes nesse circo todo e, estar presente, por si só, já faz sem querer fazer, muito bem.


Turma do cara-crachá! E a calça de mulher do LOUriVAL.



LOUriVAL

terça-feira, 20 de março de 2012

O batismo de Dalila


Relato enviado pela voluntária Rubia (palhaça Dalila)





Bom dia! Posso entrar? Foi com essa pergunta, desengonçada e receosa da reação que viria a seguir, que a experiente Janja, uma das veteranas palhaças da equipe Operação Arco-Íris deu início à sua estratégia para iniciar o diálogo no quarto do garoto R., no Hospital Infantil Darcy Vargas.


Naquela manhã de sábado ensolarada, o tempo fechou naquele pequeno quarto de paredes brancas, com camas hospitalares, quando o “petit” para provocar, resolve recusar a presença de Janja com o típico trejeito de balançar a cabeça de forma negativa.


Surpresa com aquela atitude, não tive outra reação, e decidi entrar no jogo meio que para socorrer a minha parceira. Janja dá meia volta para sair do quarto, com aquela ânsia de ouvir – ‘Ei, volta, tava brincando’. A situação constrangeu até a própria mãe do garoto que questionou a atitude do garoto.

De forma sorrateira e com um semblante de esperteza, todos são surpreendidos ao vê-lo responder com um sorriso no rosto, tipo ‘tô sacaneando vocês’.


A partir daí, as coisas começaram a fluir. Decido seguir o roteiro, Dalila resolve interagir e, do nada, aparece na porta do quarto, caminha até a cama de R. e solta: ‘Bom dia, eu posso te dar um picolé’? Com um sorrisinho maroto no canto da boca e com aquela feliz expressão de que a brincadeira estava começando, ele também decreta definitivamente que está no jogo: Não!, respondeu com a firmeza que as minhas pernas deveriam ter nessa minha primeira experiência, mas que insistiam em tremer.

Dalila, então, pensa rápido e após aquele lacônico “não”, resolve se retirar do quarto de cabeça baixa, encenando uma falsa tristeza para ver até onde ia dar esse drama todo que o moleque planejou para nós. Sai Dalila, entra Janja no quarto que novamente levou um não de R. Ele estava decidido. E nós também.


Tínhamos que pensar rápido e bolar algo para ‘quebrar o gelo’ e desmontar aquele garotinho de aproximadamente 7 anos.

Eis que Dalila enche o peito de ar, demonstrando segurança e com a sensação de que agora iria conseguir a façanha, põe sua cabeça na porta, meio corpo entrando no quarto e dispara: ‘Bomdiaaaaa, você quer uma amiga?’ Foi a deixa para R. rir alto e de pronto responder: Nãoooo !

Rosto desolado, decepção geral, Dalila se retira do quarto, mais uma vez, com um suposto sentimento de batalha perdida para a alegria de R. e para dar uma nova chance a Janja.

Janja decide, sem saber, pois estava fora do quarto, seguir o mesmo roteiro de Dalila, e tentar de vez cativar a amizade do moleque, quando solta: ‘Bom dia, posso ser sua amiga’? E não é que R. resolve amolecer conosco e solta um poderoso simmm. A partir daí foi uma festa. A aceitação dele foi motivo para Janja soltar fogos de alegria dentro do quarto.

Dalila, obviamente, inconformada com a sua rejeição entra no quarto com cara de pastel e fala bem baixinho para Janja: - ‘Ei, eu também ofereci uma amiga a ele, mas ele recusou na cara dura.’


A partir daquela declaração, de fato, começou a competição sadia e lúdica da mais nova dupla Janja e Dalila. Ali foi dado o start para o desenrolar do jogo. Após Janja ficar na frente do placar em 1x0, Dalila tenta a recuperação, se esforça e de uma forma antiesportiva oferece guloseimas ao garoto, como uma bomba de chocolate. R. aceita e o placar empata. Janja contra-ataca e oferece pipoca doce – R. aceita.

E, nesse ritmo, prosseguiu o jogo. Dalila e Janja oferecendo o melhor para R., que se deliciava com as gostosuras que oferecíamos, tudo isso, enquanto nos deliciávamos com as risadas satisfeitas de sua mãe, ao ver seu filho alegre e feliz.


A cada ponto registrado no placar, uma dancinha e muita festa em comemoração. E nesse clima continuou o jogo com o placar acirrado até que Janja apela e solta que pediria ao jogador Liedson, do Corinthians, que o homenageasse com cinco gols no próximo clássico.

Naquele instante, senti um misto de alegria e decepção (Dalila é tricolor), pois confirmei que ele era corintiano e como todo torcedor do Timão também vibrou muito com o presente que ganharia.

A pó-de-arroz Dalila, para não ficar por baixo, disse ainda que além dos gols em sua homenagem, o levaria ao estádio para assistir uma partida do coringão, com direito a uma camisa do time autografada por Liedson. R. foi aos céus e com uma risada deliciosa aceitou o meu presente. Dalila leva a vitória comemorando com uma dancinha à la Neymar, mesmo R. sendo corintiano e, enfim, respirou aliviada. Estava batizada.

Dizem que promessa é dívida e precisa ser cumprida à risca.

Espero poder, num breve futuro, honrar o prometido. E hei de conseguir!...Será?

terça-feira, 13 de março de 2012

As flores de plástico do Malavazzi

Relato enviado pelo voluntário Mauro - Palhaço Malavazzi
Hospital: GRAACC


O legal de frequentar o mesmo hospital durante um ano inteirinho é a possibilidade de conhecer e reconhecer um monte de gente constante por lá. Médicos, pacientes, enfermeiras, seguranças e afins. Essa história é sobre uma recepcionista do GRAACC.
No começo de 2011, fui ao GRAACC pela primeira vez, acompanhado pela palhaça Brigiti, que já havia visitado esse hospital no ano de 2009. Ela, claro, já tinha alguns conhecidos que eu não tinha. Uma dessas era uma recepcionista, de seus 50 e tantos anos. Quando a encontramos pela primeira vez, a Brigiti disse: "Ah, ela eu já conheço, ela é velha aqui". A funcionária, muito espirituosa, entrou no jogo.
- Velha? Você está me chamando de velha?
- Não, não, veja bem...
- Que absurdo! Acabou de chegar e já maltrata todo mundo?
- Não, veja, o que eu quis dizer....
A partir daí, a recepcionista "odiava" (de brincadeira) tudo que a Brigiti fazia ou dizia. Eu, em contrapartida, fui super atencioso, elogiei a juventude da senhora e ganhei sua simpatia.
Por várias visitas seguintes, era sempre a mesma história. A Brigiti tentava agradar, mas não conseguia. Eu fazia qualquer tontice, e era prontamente aplaudido. Eram momentos muito divertidos das nossas visitas.
Mas lá pelo mês de Maio, chegamos ao GRAACC e a recepcionista não estava mais lá. "Ela teve um infarto", disse um rapaz que a estava substituindo. Ficamos honestamente embasbacados. Uau. No fim da visita, já sem nossos figurinos, perguntamos ao rapaz sobre mais detalhes e ele nos disse que ela estava internada e que não sabia quando, nem se, ela voltaria a trabalhar.
O ano seguiu e continuamos a visitar o GRAACC. Eu sempre levava uma flor de plástico, para dar à recepcionista quando ela voltasse ao batente, mas isso nunca aconteceu.
Eis que em Fevereiro de 2012, voltamos ao GRAACC e ela estava de volta!
A recepcionista! Toda bronzeada, bem humorada e fazendo piada sobre a sua situação. "Foi ótimo! Tive um infarto e tirei umas férias. Uma delícia!".
Na visita seguinte, levei minha flor novamente e pude finalmente entregá-la! Antes, recitei um poema, enquanto minha parceira Múrcia tocava uma romântica música do Kenny G com um saxofone imaginário.

“Não sei o que é fazer um parto
Muito menos ter um infarto
Imagino que haja um pouco de dor
Por isso, receba agora essa pequena flor.”

Primeira volta do Lourival/Sandoval com a Danusa/Vanusa...




Ansiedade era meu nome, mas combati tentando deixar tudo separado, nariz,
maquiagem, roupa e etc, já na véspera, agora era só combinar com minha parceira
VANUSA (Juliana) e pronto, deixar rolar a brincadeira.

Pergunta daqui e dali e finalmente veio a resposta, nos encontraremos às 8:30
na Rua Dr. Luis Barreto, uma segunda entrada, mais fácil, segundo minha
parceira...maravilha, até amanhã então!

Saio 8:00 hs e em dez minutos, com todos os faróis entendendo minha angustia para
não atrasar chego no hospital, porém, como era cedo, tive tempo de estacionar e
procurar pelo ponto de encontro, momento em que descubro que não existe entrada
pela Rua Dr. Luis Barreto, o Hospital Menino Jesus, também conhecido por Jesus Boy,
tem entrada ou pela Ingleses ou Franceses...fantástico, comecei bem, perdido...achei
a VANUSA! De fato, nem ela foi pra rua errada...pegadinha do malandro?

Nos preparamos na sala dos voluntários, junto com o pessoal da assistência social e
senti muita empatia e segurança na parceira, afinal, ela tinha a senha do cadeado...ela
e quem mais olhasse na XXX do armário, pois esta escrito a lápis um “XXX” e,
prontos para a brincadeira, saímos da sala.

Ouvidoria, Recursos Humanos e chegamos no corredor do 6º andar, muitas crianças,
mãe e alguns pais, muitas risadas, passagens de senhas e abraços nas funcionárias
de limpeza (to gostando deste negócio de passar senha...senha: abraço, começa com “abra” e termina com “ço”) não falha uma vez...todas funcionarias no fundo tem a senha e a dizem...obviamente que não negamos nenhum pedido e abraçamos todas.

Roubamos uma cadeira do “senhor 2 cadeiras”, infelizmente entalei nela, cadeiras
pequenas demais pra minha banda...Danusa fez força pra sentar...embora não assuma isso e conseguimos sair sem levar as cadeiras para ir diretamente para o cativeiro, também
conhecido por Hospital Dia.

Ninguém confirmou, mas acho que a noite não funciona, muito embora seja 24horas,
contudo, ninguém soube explicar como poderia chamar de hospital do dia, enfim,
entrar foi fácil, enfermeiras e auxiliares receptivas, aliás, bem bacana mesmo e as
crianças desenhando e conversando conosco, muitas brincadeiras com todas as
crianças – umas 15? Mães, médicos (Dra. Grandona), enfermeiras, etc...15 ou 20
minutos, e pra sair?

Rapto? Sequestro? Prisão? As crianças não deixavam sair...alguns minutos depois e,
mediante o pedido das mãe para que as crianças acompanhassem uma enfermeira,
porque estavam mudando de leito e eis que chegou a salvação...quase inauguramos
uma facção da Operação Arco-Íris especial para o Hospital do dia, na próxima incursão
no setor, é bom ter um plano emergencial para saída rápida (#ficadica).

Finalmente fomos para o térreo da rua dos Franceses, sim, é lá que existe outra
entrada, uma nos Ingleses, outra nos Franceses, Luis Barreto não, beleza? Lá fica a
recepção, muitos pais, mães e crianças, muitos e muitos, muitas e muitas, de forma
que a brincadeira lá precisaria ser bem ampla e demorada para interagir com todos,
mas o tempo já não ajudava; roubamos senhas, trocamos outras, algumas bolhas de
sabão e conseguimos muitas risadas, algumas contidas, outras escandalosas, não sem antes a Danusa ter sentado no colo de uma menina que não conseguia ficar sem
rir, contagiante mesmo!

Enquanto isso, do lado de fora, um menino pulava a cada dois segundos para nos ver
por uma janela; ele estava do lado de fora do hospital, pulando sem parar e...não teve
jeito, tivemos que sair da recepção para ir conferir o acontecido e pronto, lá estava
o senhor documentos voadores, pulando, rindo e se escondendo entre as pernas da
mãe com nossa presença, com seu zíper aberto e rindo sem parar...aliás, o senhor
documentos voadores gostou tanto da brincadeira que nos seguiu até o sexto andar e
só nos abandonou quando finalmente entramos na sala dos voluntários para encerrar
nossa brincadeira, uma pena, cabia mais um caminhão de risadas e tropeços (Val de
Carvalho, tks pelas gagues! Funfa memo!!)

Passada a ansiedade da primeira volta, pude notar como o clima se transforma com
nossa presença, por mais ou menos que se faça, a presença de qualquer coisa
diferente já tem o poder de transformar o meio ambiente, pode ser uma televisão,
um desenho pintado na parede, detalhes de brinquedos, enfim, o ambiente pode ser
alterado com algum detalhe, contudo, a presença do palhaço, longe de ser um detalhe
ou uma televisão, transforma profundamente o ambiente e arranca das pessoas,
adultos ou crianças, doentes, acompanhantes ou funcionários, de alguma forma, um
sentimento bom e deixar o “ar” mais leve, só vendo para sentir e só sentindo que se
vê!

Para mim foi muito bom, me diverti, dei risada, mexi com muita gente e fui mexido
também...mas sai de lá com a certeza de minha escolha, com a certeza de ter
visto um ano atrás o vídeo institucional da OAI e ter acertado na inscrição para o
voluntariado, além de me fazer muito bem, consigo dividir esse sentimento bom
com outras pessoas, que acham que precisam mais do que eu disso...e no final da
certo...é praticamente um coco de cachorro...quanto mais mexe, mais fede e, quanto
mais gosto, mais legal fica...quero então deixar esse registro não só para a Juliana
(Danusa) que, embora não queria muito a minha companhia, me passando o endereço
errado, me ajudou muito a dar estes primeiros passos... sua linda!
Agradeço também a todos os amigos que fiz, que compartilham deste sentimento e com certeza estão se divertindo muito por aí e de certa forma, estavam comigo nesta manhã, pois em cada
passo sentia e lembrava de nossos exercícios, vibrações e brincadeiras, agradecido
também pelos capacitadores, vocês foram tão fantásticos na preparação que dá a
impressão que treinaram aquela galera toda que estava no hospital também, foi bom
e vocês fizeram parte disso e finalmente agradeço ao grupo todo, porque é muito
bom saber que existe um lugar cheio de pessoas assim, com narizes vermelhos e
contagiantes e poder ser mais um a se divertir e fazer parte.

Estou pronto para a próxima!

Bjo do LOUriVAL ( ou seria SANDOVAL ? )

OBS: O nome clown da Juliana é DANUSA.

sábado, 3 de março de 2012

Um hotel açougue para enviar cartas...



Relato enviado pelo voluntário Alexandre - Palhaço Pino
Evento: Encontro Geral de Voluntários / Formatura dos Novos Voluntários
Data: 25/02/2012
Local: Proximidades do Parque da Água Branca
Dupla: Pino e Bom Bom (Alexandre e Ana Lúcia)



Sem querer usar frases feitas mas já usando, a gente sempre acha que jáviu, ouviu e viveu de tudo nesta vida... mas isso não é verdade, e o exercício de clown na rua da minha formatura foi uma desses momentos. Estávamos eu e a Bom Bom tentando entregar nossa bexiga a quem bem merecesse e, de repente, nos deparamos com um simples e decadente hotel na Avenida Francisco Matarazzo.
O hotel,talvez da década de 50 ou 60 mantem as mesmas características da época onde se usava muita fórmica e, no caso desse hotel, era amarelo ovo. Entramos daquele jeito, como todo palhaço tem que entrar: de sopetão.



O dono, um português com sotaque ainda um pouco carregado nos recebeu junto com um pseudo gerente sorrindo, e a Bom Bom logo mandou de cara: - Senhor, isso aqui é uma agência dos Correios???
E eu emendei logo em seguida: - Porque eu preciso mandar uma carta bem urgente, pode ser aqui?
O portuga retrucou: - Não, ora poix, isso não é uma agência dos Correios, mas sim um açougue, vocês não estão a veire?
E eu: - É evidente que sim, e como é um açougue deve ter um monte de boi forte, não é verdade?
Portuga: - Tem sim, e tem touro forte também. Mas você, se comer um bom tanto todo dia pode ser tornar um belo touro, não acha?
Bom Bom: - Mas o Pino é tão magrinho, será que não vai demorar para ele virar um touro?
Portuga: - É só ele comer um monte de carne aqui no açougue todo dia.
Eu: - E a minha carta? Como é que faço para enviar se isso é um açougue? Posso deixar a carta aqui que o senhor despacha no lombo de um boi?
Portuga: - Ora pois, se não despacho, deixa que a carta vai rapidinho.

Pensa que acabou???

Nesse cenário surreal apareceu um entregador de flores, amarelas e baratas, mas que enfeitam o balcão do hotel/correio/açougue todos os dias. O entregador, já entrelaçado nos braços do álcool se revelou um talentoso cantor,e entoou o grande hino de Nilton César chamado “A namorada que sonhei”: receba as flores que lhe dou...em cada flor um beijo meu...e segue.

É evidente que o trio, capitaneado pelo portuga açougueiro recebeu o nosso prêmio. Pena que a bexiga era vermelha, e não amarela... ia combinar tanto com a fórmica, com as flores.