Palhaço também conta histórias!
Neste blog você pode saber um pouco mais das nossas histórias vividas nos hospitais.

quinta-feira, 30 de agosto de 2012

A Arte de Não Fazer Nada

Relato enviado pelo voluntário Adê (Palhaço Romão)
 
 


Sempre as pessoas querem saber exatamente o que a gente faz no hospital e a gente nunca sabe direito o que dizer, porque algumas vezes a gente joga, outras vezes a gente improvisa, outras a gente conversa e às vezes a gente não faz nada!
 
Uma vez entrei em um quarto no Menino Jesus com minha dupla Peleca. O quarto estava com pouca luz e logo na entrada, ao lado da cama, tinha uma mãe segurando a filha no colo. Na cama do fundo, tinha outra criança, mas ela estava dormindo.
 
Eu e Peleca ainda não sabíamos bem o que fazer, então parei em frente à mãe com a criança no colo. A criança estava acordada e quando me viu começou a sorrir. Continuei ali, parado, sem fazer nada, apenas olhando para elas e pensando em que fazer ou minha parceira sugerir algo.
 
Nada acontecia... apenas a criança continuava sorrindo com a minha presença ali. Parecia que ela ria do fato de eu estar ali travado, sem saber o que fazer!
 
Quando olhei para mãe, vi que ela estava chorando. Pronto, aí é que eu não sabia mesmo o que fazer!!
Eu só pensava: “E agora? Filha rindo e mãe chorando... O que fazer?!?! Por que a mãe chora? Por que a criança sorri? Não estou fazendo nada!!!”
 
Após alguns minutos naquela situação, a mãe finalmente falou algo: “Faz três meses que minha filha não dá um sorriso.”
 
Minha cabeça estava à milhão: “Meu Deus!!! Socorro, Peleca! Socorro enfermeira! Socorro alguém! Não posso chorar... ou posso?!?!?”
 
Continuei estático enquanto o mesmo acontecia: criança sorrindo, mãe chorando, palhaço imobilizado e outra palhaça apenas observando.
 
Foi quando Peleca parou de observar e fez alguma coisa para que saíssemos do quarto. Fui saindo, deixando uma criança sorrindo e uma mãe chorando sorrindo...
 
Peleca estava sempre ali, me apoiando, por isso que não desabei no choro.
Obrigado parceira!!!
 

terça-feira, 28 de agosto de 2012

Bolinhas de Sabão

 
Relato enviado pela voluntária Adriana (Palhaça Múrcia)

 
 




Uma das coisas mais curiosas que eu aprendi nessa minha vida de visitas aos hospitais é que enquanto os adultos encontram problemas em tudo, as crianças, de uma maneira simples e tranquila, encontram sempre soluções.
 
Eu me lembro que, há alguns anos, eu estava com o meu companheiro Zé Ferino na Sala de Observação do Menino Jesus onde encontramos um garotinho muito esperto e sorridente!!
Ele logo chegou perto de nós sorrindo e disse: “Quero bolinhas!!”
O pequeno era um paciente antigo do hospital, já estava super acostumado a nos encontrar lá e se referia às bolinhas de sabão!
 
Ah... as bolinhas de sabão... elas são tão lindas, simples e divertidas! São tão queridas por todos que confesso que já várias vezes senti ciúmes delas! É que elas são tão legais, que às vezes acho que gostam até mais delas do que de mim!!
Mas elas são lindas!! E como é gostoso perseguir e estourar cada uma delas!!
 
E quem éramos nós para negar um desejo de um pequenino tão simpático??
Assim, com toda destreza Zé Ferino sacou um frasco de bolinhas de sabão do seu bolso e soltou várias bolinhas! Foi uma festa na Observação!! Todos olhavam para as bolinhas e sorriam enquanto o nosso pequeno companheiro pulava, corria atrás delas e estourava uma a uma com um sorrisão delicioso!
 
Depois de muitos pulos e risadas, o garotinho disse com sua voz rouca: “Agora eu que quero soltar as bolinhas!”
Nós nos abaixamos para ficar mais pertinho dele e Zé Ferino levou o pequeno aro das bolinhas para que ele assoprasse.
Ele assoprou uma vez e nada aconteceu...
Foi aí que nos demos conta que ele tinha um aparelhinho de traqueostomia e que o sopro não chegava forte e inteiro à sua boca, para que ele pudesse assoprar para soltar as bolinhas!
 
Zé Ferino e eu nos olhamos com cara de desespero! Como tínhamos caído naquela situação? Como não tínhamos percebido que ele tinha o aparelho da traqueo? O que fazer??
 
Enquanto passávamos por esses segundos de desespero compartilhado, o garoto levou seu dedinho indicador ao aparelho e tampou o buraquinho da traqueo. Em seguida ele assoprou o aro soltando várias bolinhas!
Bolinhas lindas e coloridas!! As bolinhas de sabão mais lindas que já vi!!
 
Ele ainda estourou mais algumas bolinhas, sorriu pra gente, se despediu e foi embora com a sua mãe.
Nós ainda ficamos um tempinho na Sala de Observação, observando... observando algumas bolinhas de sabão que ainda voavam, observando o garotinho que ia embora e observando o quanto a vida é bela e simples quando a gente não faz a grande besteira de complicar as coisas.


 

quinta-feira, 23 de agosto de 2012

Tchauzinho


Relato enviado pelo voluntário Marcos (Palhaço Tadeu)




Muitas vezes perguntam pra gente como é entrar num quarto de hospital, mas às vezes a gente nem entra!
Porque não querem que a gente entre??
Não!! É porque da porta podem acontecer coisas fantásticas!!
 
Numa terça-feira dessas fomos ao Darcy Vargas Mixirico, Plínio e eu (Tadeu). Passamos pela porta de um quarto onde estava uma linda garotinha sozinha e usando uma máscara hospitalar.
Tadeu e Mixirico chegaram até a porta. Mixirico encostou-se ao batente na porta e acenou com a mão pra ela dando um tchauzinho. Tadeu, que estava atrás, foi fazer o mesmo aceno, mas como é meio atrapalhado acabou batendo, sem querer, na cabeça do Mixirico.
A garotinha começou a rir muito! Uma gargalhada deliciosa daquelas que treme o corpo todo!
 
A risada era tão boa que ficamos nesse jogo por um tempo! Cada vez que Tadeu acenava tchau pra ela, acabava batendo na cabeça do Mixirico e a garotinha gargalhava!
Mixirico cansou de apanhar e parou de acenar. Tadeu então pediu a ele que perguntasse a menina como se dizia tchau com as mãos. Ela respondeu acenando, que foi respondido por Tadeu, resultando novamente num tapa na cabeça do Mixirico... e novamente a gargalhada deliciosa aconteceu!
 
Nessa hora o Plínio chegou e Mixirico, num momento de esperteza, falou para ele ficar na frente do Tadeu e perguntar para a menininha como se dizia tchau com a mão. Assim Plínio fez, ela acenou tchau e Tadeu respondeu acenando e estapeando a cabeça do Plínio!
A gargalhada aí foi ainda maior!!
Tadeu se desculpava o tempo todo, afinal não era intensão dar tapas... ele só queria dar um tchauzinho!
 
Felizes com aquela gargalhada linda, os três saíram se despedindo.

Se despedindo como? Ué... dando tchauzinho, claro!!
 

terça-feira, 21 de agosto de 2012

Devemos Visitar Adultos?

Relato enviado pela voluntária Priscila (Palhaça Salamandra)




Sabemos que a razão de ser do nosso trabalho são as crianças. Acordamos por elas, fazemos oficinas por elas, colocamos nossos narizes também por elas, mas não podemos negar que um hospital não é um berçário e nele encontramos ademais dos pequeninos, aqueles que já cresceram. Especialmente, num hospital como o Emílio Ribas, onde a faixa etária média dos pacientes, deve ser de uns 27 anos.
 
E foi neste hospital que Doralina e Salamandra passaram a manhã de 4 de Agosto. Rapidamente, visitaram o andar da pediatria que, felizmente, estava vazio. Então, na sequência, começaram a desbravar novos territórios. Durante esta busca, enfiaram seus narizes num quarto onde encontravam-se dois rapazes maduros.
 
Diante da pergunta: - Podemos entrar? - o primeiro logo respondeu que sim.
 
Doralina se adiantou dizendo: - Tá vendo, ele me deixou entrar porque eu sou mais bonita.
 
- Você tá louca? - replicou Salamandra - Eu sou muito mais bonita que você. 
 
Enquanto o primeiro paciente tentava acalmar os ânimos, dizendo que ambas eram bonitas, Doralina alfinetou:
 
- Você tá sem espelho? Dá uma olhada neste monte de rugas.
 
- Rugas? Ai meu Deus, você acha que eu tenho rugas? - Preocupou-se Salamandra.
 
E de repente, o segundo paciente que, até então parecia não participar de nada, disse:
 
- Não se preocupe. É só colocar butox.
 
Muito animada, Salamandra já começa a se consultar.
 
- Finalmente! Temos aqui um médico. Tá na cara que ele entende do assunto. Me diga doutor, onde você acha que eu preciso colocar butox?
 
- E eu sei lá, eu sou cego. Fiquei assim esta semana.
 
E desembestou a rir. Ria sozinho, ria dele mesmo, ria da gente e para a gente.
 
E nestas horas eu pergunto: 
 
Devemos visitar adultos?
 

quinta-feira, 16 de agosto de 2012

O Ovo ou a Galinha?

Relato enviado pelo voluntário Marcos (Palhaço Tadeu)





Eu gosto muito quando estamos no quarto do hospital e somos surpreendidos pelas as crianças! O que acontece com certa frequência.
 
Um dia desses, no Darcy Vargas, entramos num quarto, Batatinha, Janja e eu (Tadeu), e encontramos duas crianças; o menino M. (que começou a dormir de timidez quando nos viu entrando) e a garotinha C. bastante ligada!
O olhar da C. era de desconfiança, porém, o que saiu da sua boca foi uma afirmação: “Vocês não me enganam!”. Batatinha, então logo apresentou a nossa sabe tudo: Janja! E Tadeu, balançando a cabeça, dizia: “Ela sabe tudo mesmo.”.
Janja falava enchendo os pulmões: “Isso mesmo! Eu sei tudo! Pode perguntar qualquer coisa.”.
 
Esperávamos algo simples vindo de C., pois era apenas uma “criança”, e que, com certeza, a Janja saberia responder, mas a C. nos surpreendeu com a sua pergunta: “Ok! Quem nasceu primeiro: o Ovo ou a Galinha? Vai! Responde!”.
Hum... Nessa hora ficamos chocados com a pergunta da “criancinha” e começamos a olhar um para o outro nos questionando mentalmente – Puts, e agora? 
 
Janja dizia: “Ahhh... essa é muito fácil pergunta outra!“.
Mas C. continuava: “Não, responde quem nasceu primeiro o Ovo ou a Galinha.“.
Tadeu disse para a Janja responder sussurrando em seu ouvido. Janja sussurrou para Tadeu respondendo.
C. olhava desconfiada e logo perguntou: “O que ela disse?“.
Tadeu respondeu: “A resposta certa! Parabéns Janja você é o máximo!”.
C. perguntou novamente: “Mas diga, o que ela respondeu?”.
Tadeu foi ao ouvido do Batatinha e sussurrou a resposta e disse: “Pronto!!”
Batatinha confirmou balançando a cabeça que a resposta estava certa.
C. começou a ficar impaciente e ainda mais desconfiada. Será que a Janja realmente sabia a resposta?
Então, Janja, vendo a angústia de C., respondeu: “Quem nasceu primeiro foi a Galinha!“.
E todos nós concordamos!
 
C. ainda não estava muito certa disso e perguntou: “E a Galinha veio da onde?”.
De repente, o M. que até então estava “dormindo” entrou na conversa e disse: “Ela está certa. Foi a Galinha.”.
Começamos a parabenizar a Janja, que saiu do quarto se gabando.
 
C. ficou pensativa... Será que ela realmente estava certa, já que todos concordaram??
 
Acho que a dúvida irá persistir na cabecinha de todos...
 
E você sabe a resposta? Se souber, manda um e-mail para
C.@duvidaseternas.com.br.
 

terça-feira, 14 de agosto de 2012

A Enfermeira

Relato enviado pela voluntária Catarina (Palhaça Pepa)


"Quem nunca comeu melado, quando come se lambuza".
Esse é só um dos ditados ensinados por C., enfermeira do Hospital Menino Jesus! Este relato será sobre ela!
 
Muitas vezes escrevemos sobre os pacientes, mas não podemos deixar de contar sobre as pessoas que cuidam dos nossos queridos pacientes.

As rainhas da paciência! Elas limpam, aplicam injeções, levam a fama de chatas porque normalmente aparecem em momentos ruins para salvar os pequeninos!!
Então resolvi fazer um relato todinho para ela! A nossa querida C.!
 
Ela nunca tinha dado muita atenção para a gente, vez ou outra falava alguma coisinha, mas, num sábado desses, ela se soltou!
Estávamos eu (Pepa) e Suzete, perambulando pelo 5º andar, quando entramos em um quarto. O jogo não estava lá muito fácil, os dois meninos estavam com vergonha, e as mães também bem quietinhas.
 
Foi quando C. entrou em cena! Suzete e eu estávamos comentando sobre a prescrição de alta que o Dr. A., nos tinha dado gentilmente poucos minutos antes de entrarmos no quarto.
A minha dizia: "Pepa está de alta, fazer bochechos com água de radiador 1x/dia.". Eu, que mal sabia o que era um radiador, não estava sabendo o que fazer, mas C. logo me disse: “Você não deve estar funcionando direito, por isso ele pediu para tomar essa água. É só você ir a uma mecânica.”. Pronto, meus problemas haviam acabado!
A prescrição da Suzete dizia: "Suzete está de alta, plantar bananeira 3x/dia.". Ela também estava confusa com o pedido e C. novamente ajudou dizendo que ela precisava ver as coisas de outra maneira, por isso plantar a bananeira.
 
Que sabias palavras C. dizia! Todos no quarto prestavam atenção em seus conselhos!
E não parou por aí... Ela entendia tudo de geografia também, nos perguntou se éramos paulistas ou paulistanas, sempre confundo isso. E cada um do quarto foi dando seus pitacos e ela respondeu paulistano é quem nasce na cidade de São Paulo e paulista no estado.
Uma das mães era da Bahia e C. disse que ela era soteropolitana. Nós já estávamos achando que era xingamento, mas não ela nos explicou que é quem nasce em Salvador.
 
E por aí foi... Quantos ensinamentos a C. nos dava! E ela mesma foi a nossa líder no quarto e jogou com a gente para alegrar aqueles meninos que se divertiram com o quiz “quem nasce na cidade é o que?”.
 
C. ainda nos acompanhou em três quartos e muitas vezes se divertiu mais até do que as crianças, tirando fotos, dançando e cantando até sucessos da Paula Fernandes junto com uma mãe que deu um show para nós!
 
É incrível como às vezes só precisamos dar um empurrãozinho para o pessoal soltar aquela criança que está guardadinha!
Às vezes nós só servimos como porteiros, e, quando nos damos conta, todos no quarto já se transformam e nos transformam, muitas vezes dando um show maior que o nosso.
E no fim, como é gostoso sair ao som de risadas, e ainda mais sair e sentir que o clima ali mudou! As conversas que deixamos continuam a rolar!
 
Que delícia!!!
 

quinta-feira, 9 de agosto de 2012

O Rei Feiudo

Relato enviado pelo voluntário Mauro (Palhaço Malavazzi)




Muitas vezes, quando vamos aos hospitais, encontramos nossos amigos contadores de histórias, um pessoal muito gente fina que conta várias histórias sensacionais pra criançada!
 
Numa terça-feira dessas, encontramos uma contadora de histórias no quinto andar do Hospital Menino Jesus e lhe pedimos que nos contasse uma. E lá foi ela:
 
“Há muito tempo, havia um rei que se achava muito bonito, por mais que não tivesse espelho para confirmar suas suspeitas. 
O Bobo da corte concordava com o rei, por simpatia e para não perder a cabeça.
A notícia se espalhou pelo reino e todos diziam que o rei era bonito. "O rei é lindo", dizia o camponês. "Sim, sim", concordava o dono da taverna.
Certo dia um viajante andarilho veio à cidade e trouxe em sua bagagem um item raríssimo: um espelho! Ele deu tal relíquia ao monarca, que, quando viu seu reflexo, se pôs a chorar!
O Bobo, por simpatia, chorou junto.
"Como eu sou feio!" gritava o rei, que chorou por um dia inteiro, acompanhado do Bobo.
No dia seguinte, mais conformado, o rei estava apenas triste, mas não chorava mais. O Bobo, entretanto, continuava chorando. A semana inteira foi assim, o rei aceitando sua própria feiura e o Bobo chorando lágrimas e lágrimas.
No domingo o rei questionou o Bobo:
- Bobo, já chega! Que exagero! Se eu que sou o feio aqui já estou conformado, você que é você não precisa ficar chorando.
- Mas rei se você que se viu uma vez só chorou um dia inteiro, imagine eu que tenho que olhar para a sua cara feia todo santo dia!”
 
O Jamal e eu rimos de puro prazer.
 

terça-feira, 7 de agosto de 2012

A Eleição Presidencial

Relato enviado pelo voluntário Marcos (Palhaço Tadeu)





As eleições sempre causam uma ansiedade monstro!! Quem vai ganhar?? Quem será o novo presidente?? Ou seria a nova presidenta!!
 
Um dia desses, no Darcy Vargas, conhecemos um excelente eleitor!
 
G. estava na cama com o seu laptop no colo digitando com uma cara de sério que nem executivo.
Janja entrou no quarto e perguntou se foi ele quem tinha mandado uma mensagem para nós. O Garoto olhou com cara de desconfiado e simplesmente balançou a cabeça negando tal questionamento. 
 
Tadeu disse que recebeu uma mensagem sim e que estava convocado para uma eleição. Janja confirmou o que disse Tadeu, e disse mais, que tínhamos sidos selecionados a sermos os candidatos a presidente daquele quarto e que o G. seria o único eleitor. 
 
Então Tadeu começou com suas propostas: ”Eu, caso seja eleito, vou colocar televisores e videogames em todas as paredes do quarto e o colchão será de algodão macio como as nuvens.”
 
Batatinha disse: “Eu, caso seja eleito presidente desse quarto, vou nomear o G. a ser meu vice-presidente e darei todos os poderes a ele!”
 
Janja discursou: “Eu, caso seja eleita, vou colocar chocolate e sorvete em todos os almoços.”
 
Tadeu, Janja e Batatinha, ansiosos começaram a perguntar quase ao mesmo tempo: “Então, G., quem é o presidente do seu quarto? Quem? Quem? QUEM??” – G. pensou um pouquinho e disse: “A minha mãe...”
 
Depois de um silêncio curto e olhares admirados perguntamos: “Por que ela é a presidente e o que ela fez para ganhar a eleição?”
Então G. disse: “Ela cuida de mim...”
 
Saímos murmurando um para o outro, tristes por termos perdido a eleição, mas concordando com o resultado...
Realmente ela fez o que todo político deveria fazer pelo o seu povo... simplesmente cuidar dele..."
 

quinta-feira, 2 de agosto de 2012

Palhaços X Televisão – A Batalha!

Relato enviado pela voluntária Paloma (Palhaça Lorena)


Vários estudos comprovam o poder hipnotizador e até escravizador da TV!! A gente começa achando bonitinho, vendo uma coisa aqui, outra ali e quando percebemos estamos parados, sem piscar, com a boca aberta, a língua pra fora e uma baita cara de tchongo olhando pra TV!!
 
Isso é bom?? Claro que não!! Ficar com cara de tchongo não é bom em nenhuma situação!! É por isso que nós, palhaços, estamos lutando contra esse aparelho embasbacador!!!
 
Nossa batalha começou há alguns dias atrás na UTI do GRAACC.
Chegamos ao leito de um menino que estava assistindo TV. Nos posicionamos em frente à cama e começamos a fazer movimentos sincronizados (pelo menos tentamos), mas o garoto não estava dando a mínima atenção para a gente. Alguém perguntou para o menino o que estava mais legal, a TV ou os palhaços, e ele respondeu que era a TV.
Ai que ódio!!
 
Porém não íamos desistir tão facilmente. Começamos a fazer uma dança meio maluca, tentando fazer os mesmos passos ao mesmo tempo (sem conseguir, é claro), o que ficava bastante engraçado. O menino já estava dirigindo seu olhar para a gente, mas continuava dizendo que a TV estava mais legal.
Humpf!!
 
Depois de muitos movimentos doidos e risinhos no canto da boca do garoto, que insistia em nos desafiar, saímos de cena, prometendo voltar com algo fantástico. O que fazer?
Aí veio a ideia maluca do Estafúrcio: “Lorena, você consegue se equilibrar nos meus ombros?”. Imediatamente, pensei “Estafúrcio, VOCÊ consegue me equilibrar nos SEUS ombros?”, mas aceitei a proposta e toda confiante respondi: “É claro!”.
 
Sentei nos ombros do Estafúrcio, com a ajuda do Charles, e entramos em cena assim: um palhaço magrelo, vermelho de tanto fazer força, carregando nos ombros uma palhaça maluca se mexendo sem parar, enquanto outro palhaço olhava com cara de medo misturado com espanto e tentava continuar a dança muito doida.
 
O menino passou a rir bastante, mas manteve o “jogo do não”, dizendo que a TV ainda era mais legal.
Aaaaahhhhh!!!
 
O efeito visual foi tão impactante que continuamos percorrendo a UTI daquela forma.
Todos olhavam e riam para a gente!! Gargalhadas pela UTI inteira!! As enfermeiras corriam para tirar fotos!
 
Estafúrcio ficava cada vez mais vermelho, mas continuava demonstrando toda a força que estava escondida naquele corpo magrelo.
Eu perguntava: “Está tudo bem aí embaixo, Estafúrcio?”.
Em determinado momento, percebi que meu crachá estava atrapalhando a visão do Estafúrcio e isso se transformou em mais um motivo de risadas.
 
Paramos em frente de um leito e a cara de espanto do garoto que estava no isolamento, puxando a roupa da mãe, chamando-a insistentemente para ver aquela cena, foi sensacional.
 
E vocês vão me dizer que a TV estava mais legal??? Nem a pau!!!
 
Essa foi só a primeira batalha, TV!! Nos aguarde!!! Já vou matricular o Estafúrcio na musculação!!!

 

quarta-feira, 1 de agosto de 2012

A Grande Família

Relato enviado pelo voluntário Alan (Palhaço Jamal)
 

Família é um negócio complicado! Muito complicado de entender!!
Um dia desses atrás no Menino Jesus, enquanto Malavazzi e eu descíamos as escadas, encontramos uma mãe que nos disse:
- Vocês estão descendo? Então vão lá visitar meu filho Fulana.
- Ah, então você tem um filhO que se chama FulanA, é isso mesmo? – retruquei.
Provavelmente a mãe nem se ligou e desceu as escadas sorrindo.

Continuamos com a nossa visita e, algumas horas depois finalmente chegamos ao quarto onde estava a mãe dO tal FulanA.
 
- Ah-ha! Aqui está você! Mas calmae: você tem um filho ou uma filha?! – perguntei para a mãe, e logo na sequência perguntei para a Fulana: - Você sabia que a sua mãe falou que você era filhO dela?
- Não! Eu quem sou a mãe dela. Respondeu Fulana.
- Ahhhhhhh... calma! Você é mãe da sua mãe? Sua mãe é sua filha então?! – questionou Malavazzi.
- Sim. Respondeu, Fulana.
- Nossa! Então precisamos entender isso melhor.
 
Malavazzi pegou uma folha, cadeira, mesa, lápis de cor da Fulana e começou a mapear a árvore genealógica, que ficou mais ou menos assim:
Explicação:
 
A Fulana é mãe da mãe dela. Ou seja, a mãe dela é a filha dela. Que por sua vez, tem a boneca como filha e que é prima do Jamal e do Malavazzi, que são irmãos. A avó da filha é irmã da Fulana que também faz o papel de pai. Deste modo, Jamal e Malavazzi (além de serem irmãos), também são sobrinhos e netos da Fulana, que por sua vez é tia-avó deles e da boneca.
 
Se não fosse a Fulana, viu?! Jamal e Malavazzi com certeza ainda estariam tentando entender!
 
Obrigado, Tia-Avó!!!