Palhaço também conta histórias!
Neste blog você pode saber um pouco mais das nossas histórias vividas nos hospitais.

quarta-feira, 25 de fevereiro de 2015

O Casamento


Relato enviado pelo voluntário Luciano (Palhaço Crispim)



Coriza e Crispim caminhavam por um dos corredores do Hospital Menino Jesus e se depararam com uma cena um pouco esquisita...
De um lado do balcão estava uma enfermeira e do outro estavam dois homens assinando um papel. Coriza e Crispim se olharam e o pensamento foi igual e instantâneo. “É UM CASAMENTO”.

Crispim: “Casamento com dois homens, Coriza?”
Coriza: “Hoje em dia é normal, Crispim!”
Crispim: “Ahhh então tá bom! Mas eles estão sem padrinhos!”
Coriza: “Não seja por isso. Olha nós aqui!!”

Coriza e Crispim correram cada um para um lado do balcão para testemunhar o matrimônio. Nisso os dois “noivos” já estavam numa risada só.

Crispim colocou a mão no queixo, olhou meio que desconfiado para a enfermeira e perguntou: “A Senhora que é a padra?”

A enfermeira, no meio de muita risada, respondeu: “Sou eu sim, e os senhores quem são?” Crispim e Coriza responderam prontamente: “Horaaaass, os padrinhos!!”
Coriza: “Xiii, Crispim. Ta faltando uma coisinha aí...”
Crispim: “O quê?”
Coriza: “O buquê!”

Saímos correndo e com um punhado de papel fizemos um lindo buquê! Entregamos para o noivo e continuamos o casamento.
Nossa padra-enfermeira terminou o casamento e logo na sequência corremos para trás dos noivos chamando todo mundo que estava no corredor do andar.
“Corre, gente, corre, os noivos vão jogar o buquê!!”

Quando olhamos para trás, tinha uma galera com a gente participando da festa. Fizemos aquele bagunça no andar gritando: “JOGA, JOGA, JOGA.”

O noivo virou de costas, fez aquele suspense e jogou o buquê, e adivinhem só quem pegou???
Simmmm, a Coriza!!
Quando o Crispim viu a felicidade nos olhos da Coriza, saiu correndo do andar gritando: “Ferrou, agora ela vai querer casar!!! Deixa eu fugir daqui!!”


quarta-feira, 4 de fevereiro de 2015

O Quarto do J


Relato enviado pela voluntária Catarina (Palhaça Pepa)



Missões aparecem a todo o momento e palhaço que é palhaço não foge jamais!!!
Um dia desses Pepa, Olívia e Janja estavam prestes a entrar em um dos quartos do GRAACC quando viram que os nomes dos dois pacientes internados começavam com a letra J.
Coincidência, isso? Claro que não!! Era evidente que pra entrar ali não seria qualquer um!
Pepa e Olívia se entreolharam...  ixiii só a Janja poderia!! O que elas fariam?

- Eu posso entrar!! Meu nome começa com J e vimos que aqui dentro só entra quem tem nome que começa com a letra J. Meu nome é Janja o delas é Pepa e Olívia! – anunciou Janja convicta que tinha passe livre.
- Simmm, pode! – afirmou um dos pacientes, prestigiando sua parceira de J.
- Tah bom!! - Entrou e fechou a porta na cara das parceiras.

Desespero, indignação, raiva do próprio nome... foram os sentimentos que invadiram Pepa e Olívia naquele momento! Elas não podiam e não queriam ficar de fora! Poxa vida!!

- Ei ei, posso entrar também??? – gritou Pepa em um ato de desespero.
- Mas qual é o seu nome? – perguntou Janja se gabando da inicial do seu nome que sustentava.
- Jepa! – respondeu Pepa se rebatizando.
- Então pode! – respondeu o outro paciente que também apoiava a causa J.
- Eu também quero!!! Meu nome é Jolívia! – gritou Olívia assumindo um J para entrar no movimento.
- Pode também! – permitiu o paciente já se sentindo chefe da gangue J!

As três dentro do quaro felizes sentiram necessidade de se integrar com a nova turma! Era importante conhecer todos os novos amigos!!

- Ei, e a senhora, qual é seu nome? – perguntou Janja para a mãe do J.
- Meu nome é Maria. – respondeu a mãe.

Um breve silêncio tomou conta do ambiente. Nem J acreditava que sua mãe tinha um nome que não começava com J!!!
Deveriam eles expulsar aquela senhora do quarto??

- Ah então vamos ter que mudar seu nome também!!! – Janja, Jepa e Jolívia propuseram!!

O pai do J sugeriu o nome Josefa! Após uma breve avaliação dos presentes o nome aprovado e assim foi feito o batizado de Josefa!
Em nome do J, do J e do espirito J. Jamém!!

A outra mãe, que estava ali escondida, também foi batizada!!

E, assim, jotanto pra lá e jotando pra cá, conseguimos cumprir a missão J do dia!


quarta-feira, 28 de janeiro de 2015

Dankon Jackson


Relato enviado pelo voluntário Luciano (Palhaço Crispim)



Estafúrcio e Crispim entraram em um quarto no quinto andar e se deparam com uma amiguinha toda tagarelante no celular: “Porque Dan isso, porque Dan aquilo, onde você esta Dan? Vai demorar pra chegar Dan? Você já esta aqui? Onde você está? Está perdido?”

Opaa!!! Estafúrcio e Crispim escutaram a palavra perdido!!
Estafúrcio: “Vamos tentar identificar onde ele está! Pede para ele descrever como é o lugar que vamos buscá-lo!!”

Nossa amiguinha começou a repetir a descrição do lugar: “Ele está em um lugar com um monte de cadeiras, um monte de gente.”
Estafúrcio: “Tem uma placa assim no teto que fica mudando os números?”
Nossa amiguinha: “Isso, isso!”
Estafúrcio e Crispim se olharam falaram: “Ele está no P.S.!! Amiguinha, você fica ai que vamos lá encontrá-lo, OK?”

Continuamos nossa visita e ao entrarmos no P.S, encontramos nosso querido Dan todo paramentado nas vestimentas do Michael Jackson (chapéu, camiseta, calça, sapatos).
Assim que o Crispim bateu o olho nele, gritou em alto e bom som: “Estafúrcio, Estafúrcio!!! É o Dankon Jackson!!”

Estafúrcio ficou todo entusiasmado e começou a pedir para nosso mais novo ídolo a ensiná-lo a dançar. Dankon Jackson, sem timidez alguma levantou no meio da galera do P.S. e começou a dançar ao ritmo da cantoria do Crispim.
Estafúrcio, nada bobo, começou a tentar aprender a incrível dança com as dicas do nosso astro: “Pula pra direita, fica na ponta do pé, faz isso, faz aquilo!”
Ainda ao som de Crispim, Estafúrcio arriscou alguns passinhos e foi aplaudido.

Crispim ficou tão empolgado que levantou e falou: “Vocês já estão preparados para uma mega apresentação!! Vão lá pra trás da parede e se preparem que vou anunciar o show de vocês!!”
Estafúrcio e Dankon Jackson começam a se preparar para a tão esperada apresentação.

Neste momento o P.S. era uma risada só! Todos ansiosos para a entrada dos nossos astros! Crispim se posicionou e anunciou o grande show: “SENHORAS E SENHORES, VINDO DIRETAMENTE DE NEVERLAND: ELE, O ASTRO DAAAAANNNNNNKONNNNN JAAACKKKSONNN!!!”

Nosso amigo Dan deu um show neste momento!! Junto com Estafúrcio, que representou muito bem todos os palhaços dançarinos do planeta. Dançaram o grande sucesso “embromado” pelo Crispim ao som do: “tu, tu, tu, tu estimionder neri esnegobi, estinionder esneri eeeessnimomó, uoridei, uorinei, uorinai”.

Ao final da apresentação todos aplaudiram o espetáculo e nosso amigo Dankon Jackson saiu com um sorriso de orelha a orelha pela apresentação.


quarta-feira, 21 de janeiro de 2015

7 Ondas


Relato enviado pela voluntária Daniela (Palhaça Janja)



São Paulo, 10 de Janeiro de 2015, sábado, manhã ensolarada na capital.
Não só ensolarada... 37 graus é muito sol. O calor era de raxar!!!!
A dupla Olivia e Janja adentraram o andar da UTI e Janja, com seu figurino verão 2015, de chinelo nos pés, já foi levantando um alvoroço na área de enfermagem.
- Veio direto da praia é?
- Vai pegar onda?
- Tá de férias ainda?
Janja entrou literalmente “na onda” das enfermeiras e dirigindo-se aos pais/acompanhantes que estavam ali de olho na dupla falou:
- Eu vim assim pra pular as 7 ondas. Eu ainda não tive a oportunidade de pular e vou fazer isso agora. Você já pulou as 7 ondas? – indagou a um dos pais.
Meio tristonho ele respondeu negativamente.
- E você? – perguntou para uma acompanhante.
Ela balançou a cabeça de um lado para outro confirmando que também não havia feito a simpatia das 7 ondas.
- Bom, então a hora é agora!! Vamos pular as 7 ondas, fazer os nossos pedidos e começar 2015 com toda força e tirando toda zica !!! O que acham?
Eles toparam imediatamente e foram ao encontro das palhaças.
Toda a equipe de enfermagem se amontoava num canto da UTI para assistir.
Olívia e Janja deram as mãos para os 2 e se prepararam para a primeira onda quando:
- Pera, pera, pêra!!! Para tudo!! – interrompeu Janja – Você vai molhar sua calça desse jeito! – advertiu dirigindo-se ao pai.
- Poxa vida... é mesmo! Bem lembrado! – disse o pai já se ajoelhando e dobrando as barras da calça para não molhar na água.
Tudo pronto agora!
- 1 – gritaram todos juntos e pularam a primeira onda fazendo seus pedidos.
- 2 – pularam a segunda onde e fizeram mais um pedido.
Quando Janja olhou para o canto das enfermeiras, percebeu que elas estavam emocionadas com a cena. O que a fez pensar que, muito provavelmente, aqueles pais tivessem passado a virada do ano ali no hospital ou em casa impedidos de viajar com os filhos por conta a saúde debilitada deles.
Janja ficou arrepiada e comovida com a situação. Ela olhou para Olívia e era visível o seu estado de emoção também.
Isso as fez pular as outras ondas com muito mais intensidade que as primeiras.
- 7 !!!! Uhuuuuuu agora estou pronto pra 2015!!! – disse o pai.
- 2015 vem ninim!!! – disse a mãe, visivelmente muito mais feliz do que na chegada da dupla.
- 2015 vai bombar!!! – gritou Olívia.
Todos se abraçaram e Janja e Olívia seguiram o seu trajeto para o outro lado da UTI com aquela sensação de alma lavada tendo a certeza de que as baterias foram recarregadas para enfrentar mais um ano de dificuldades, tristezas, mas também de muuuuuuuuuitas vitórias!!

Então que venha 2015 com força. Ele é nosso!!!!!

quarta-feira, 14 de janeiro de 2015

Não Pode Falar “Alto”!!!


Relato enviado pelo voluntário Paulo (Palhaço Arlindo)



Entramos em um quarto e demos de cara com duas crianças, uma estava bem acordada, sentada na cama, e a outra estava dormindo tranquilamente ao lado. Quando entramos, Tadeu começou a dar “oi” para todo mundo, com a voz bem alta, foi ai que pedi pra ele ficar quieto e que não falasse alto.

Mas como o palhaço leva tudo ao pé da letra, Tadeu perguntou pra mim: - O que não pode falar?
Arlindo: - Alto! Não pode falar Alto. (falei a palavra “Alto” em um tom de voz bem baixo)
Tadeu: - Então! Você falou!
Arlindo: - Falei o que?
Tadeu: - Alto!

Foi aí que a dupla inteligentíssima entendeu que a palavra “Alto” não podia ser dita e ficaram nessa discussão por um bom tempo:
Tadeu: - Então! Você falou!
Arlindo: - Falei o que?
Tadeu: - Alto!
Arlindo: - Eu não falei, foi você que falou!
Tadeu: - O que?
Arlindo: - Alto!
Tadeu: - hahaha... Olha lá!! Você falou Alto de novo!!!
Arlindo: - Tadeu! Como você é burro!!! Você falou!
Tadeu: - O que?
Arlindo: - Alto!!!

Os dois ficaram um tempão nesse assunto e a menina que estava sentada na cama, nunca caía na armadilha dos dois palhaços, eles queriam que ela falasse “Alto”, mas ela nunca falava!
Mas, quando ninguém esperava, ela deixou escapar...

Arlindo: - Falei o que?
Tadeu: - Alto!
Arlindo: - Eu não falei, foi você que falou!
Tadeu: - O que?
Arlindo: - Alto!
Menina: - Para de falar Alto!!! (ela já não aguentava mais a gente falando isso).

Foi nesse momento que Arlindo e Tadeu caíram na gargalha e começaram a apontar para a menina e dizer: - hahahaha!!!! Olha lá! Você falou Alto!
Tadeu: - Iiiiiiii... Arlindo, você também, falou!
Arlindo: - O que?
Tadeu: - Alto!
Arlindo: - Não, foi você quem falou!
Tadeu: - O que?
Arlindo: - Alto...

Os dois foram saindo do quarto aos sons de gargalhada da menina que não entendia a maluquice daqueles dois palhaços... E, até agora, ainda não sabemos se Arlindo e Tadeu pararam de falar “Alto”!
Opsss... eu também falei! O que?....


quarta-feira, 7 de janeiro de 2015

Sessão de Autógrafos


Relato enviado pela voluntária Daniela (Palhaça Janja)




Percorremos o 5º andar e demoramos a achar um quarto que pudéssemos entrar. Ou tinham placas azuis, verdes e vermelhas sinalizando isolamento ou o paciente estava dormindo.
Porém, nesse quarto que entramos foi diferente. Lá estava ele com o celular na orelha. Coloquei a metade do corpo dentro do quarto e ele acenou com a mão dizendo que eu podia entrar. Eu entrei na frente de Dália e disse: diz pra ela que estou mandando um beijo. Ele afastou um pouco o celular da orelha e respondeu: eu tô colocando crédito! Revidei: Então tá, manda um beijo pra ela mesmo assim... hahahahaha
Ele desligou o telefone e já foi logo explicando o problema de acabarem os créditos, que as pessoas ligam a cobrar, etc, etc, etc.
Um assunto emendando no outro, ele puxou uma mala que estava ao lado da cama e foi nos mostrando a foto dos filhos, dos netos, falando da sua vida, das derrotas, conquistas e permanecia falando enquanto Dália e eu ouvíamos atentamente suas histórias ora engraçadas, ora emocionantes, às vezes até tristes. Afinal de contas quando olhamos pra trás percebemos que temos todos os gêneros para nossas histórias: comédia, terror, ficção, suspense, romance, aventura... A nossa vida é ou não é um filme? E o diretor somos nós mesmos! Nossa, tenho um cargo importante! Bem, voltemos...
Entre suas narrações ele nos disse que foi um jogador de futebol do palmeiras da década de 70.
Dei um salto e falei ajeitando a roupa mostrando que estava de partida: - Então vou embora! Não gosto do palmeiras. Sou Corinthians!
Ele, muito cordial e amoroso, respondeu: - Mas o que seria do Corinthians sem o Palmeiras?!
Pequena pausa... E o que seria do Palmeiras sem o Corinthinas?!
Olhei para Dália. Dália arregalou seus olhos de jabuticaba e olhou pra mim. Balancei a cabeça de lado e falei: - Justo! Você tem razão. Me dá um autógrafo aí então, vai...
Ele falou: - Mas é claro! Você pode pegar esse bloco que está aí sobre a mesa e a caneta?
Peguei todo o material e entreguei pra ele.
Com toda educação ele nos ofereceu cadeiras para sentar, pois ele não queria autografar de qualquer jeito, com pressa.
Nós sentamos e ele começou a decorar o papel. Usou até esquadro para emoldurar a folha. Só não usou compasso e glitter porque não tinha. Enquanto ele escrevia continuávamos conversando sobre vários assuntos, inclusive futebol. Ele falava do Palmeiras e eu do Corinthians.
Finalizada a sessão de autógrafos, com dedicatórias e decorações, nos despedimos e fomos embora daquele quarto felizes e pensativas.
Nem sempre precisamos fazer algo sensacional, uma cena incrível ou arrancar muitas gargalhadas.
O palhaço vai muito mais além do que arrancar boas risadas.
Ele se relaciona com o que está se passando naquele momento e aquele momento pode ser: eu preciso falar, eu preciso ser ouvido, eu preciso partilhar...
E foi isso!
Ouvimos, dividimos nossas histórias com ele, ele com a gente e agora partilhamos um pedaço dela com você.

quarta-feira, 10 de dezembro de 2014

Consulta Médica


Relato enviado pela voluntária Cinthia (Palhaça Olivia)



Na Quimioteca eu não passava muito bem sabe?!
(Na verdade eu não queria muito trabalhar, e acabei inventando que eu estava doente).
Vi de rabo de olho que uma menininha tinha o dom para medicina, já que estava com todas as ferramentas para cuidar de alguém que precisasse, e eu estava muito precisada!
Arlindo logo se prontificou em ser o ajudante enfermeiro e o Batatinha, o socorrista, que transportava o paciente de um lado para o outro.

A médica especialista disse que eu realmente não estava bem e começou a me examinar... primeiro queria ter certeza de que meu coração batia! Colocando o estetoscópio no meu peito achou algo muito estranho, meu coração batia feito uma escola de samba, todas as vezes que ela apoiava o instrumento em mim o samba só aumentava. (Arlindo batucando sem ninguém perceber).

Fui ficando preocupada... eu tinha inventado que estava doente para pegar atestado e não trabalhar, mas eu realmente comecei a me sentir um pouco debilitada, já que a médica dizia que eu não estava bem.

Ela examinou minha audição, dizendo que estava tudo entupido e que eu precisava de uma injeção nos ouvidos e no bumbum para voltar a ouvir.
- Aiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiimmmmmm. Ai Ai!
Arlindo e Batatinha me seguravam com um sorriso nos lábios (até agora não entendi o porquê)!
Minha situação era crítica!! Eu chorava porque não sabia que estava tão doente assim...Ufa!! Mas voltei a ouvir!!

- Pronto, Arlindo, já estou melhor! Obrigada Doutora, já estou bem para trabalhar! Tchau...
Arlindo: - Olivia, não era você que estava reclamando a pouco que seu joelho estava doeeeeeeennnndo!!?!?!?!??!?!
Olhei de cara feia para o Arlindo, ameaçando com o olhar “que ele iria ver só depois”...

A doutora rapidamente me mandou continuar sentada!
Lá era ela que mandava e eu não podia fugir. Ela me virou de um lado para o outro, olhou de frente de costas, agachada e com os pés para cima (dessa parte eu gostei! hehehe).
Só não pensei que viria o pior... ela disse que minha cura seria um tapa bem forte no joelho!
Gritei: - UM TAAAAPA??? Nãooooooooooo!!!!
Ela repetiu:  - Simmmm, um tapa simmmm, porque só assim você vai sarar e tomar juízo!
Eu, com cara de medo, não sabia o que fazer... Meus companheiros ainda risonhos me seguravam, e eu, com muito medo, olhava assustada enquanto o Arlindo estava prestes a abaixar a mão até meu joelho (o enfermeiro ajudante iria bater sem dó, nem piedade).

- Péeeeeraí.... Vai doer??
Arlindo: - Só um pouquinho, Olivia. Precisa ser bem forte!!
- Aiiiiiii....Péraí, Péraí... Tem certeza???
Arlindo: - Olivia, lógico que sim, ela é a médica! Ela estudou para isso, eu confio nela e você também deveria confiar!
- Eu confio... eu confiooooo.... Só que Péeeeeraaaí... me deu vontade de fazer xixi.....
Arlindo: - Olivia para de ser medrosa, e senta aí!!!

Nessa hora o Batatinha me segurou e apoiou meu joelho no seu joelho para que eu não tivesse escapatória! O Arlindo estava sedento, colocando toda sua força naquela mão, pestes a bater no meu pobre e delicado joelhinho. Todos na Quimioteca estavam na expectativa, esperando o momento certo.... até que....
Páaaaaaaaaaaaaaaaahhhhh (tapa estalando).
- Aiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiii (grito de dor)!!!!!!!

No momento do tapa eu vazei!! Saí de lá num pulo muito rápido, tremendo de medo....  O tapa na verdade foi no joelho do Batatinha e o grito foi dele...
Saí gargalhando e aliviada... Ufa essa foi por pouco!
A gargalhada percorreu toda aquela ala. E os bobões saíram correndo atrás de mim... hahahahahahaha
 

quarta-feira, 26 de novembro de 2014

PLAFT!!


Relato enviado pelo voluntário Mauro (Palhaço Malavazzi)



PLAFT! Entrei no quarto sozinho e fechei a porta bem rapidamente! Fez até barulho! Me aproximei da mãe e da filha que estavam lá e comecei a puxar papo, mas elas não me olhavam, seus olhos estavam na porta.

- O seu amigo. Você deixou ele lá fora. Acho que a porta bateu nele quando ele ia entrar?
- Ai é? Sério? Nossa!

Logo fui correndo até a porta, abri e lá estava o Catarino, todo destrambelhado. Eu disse, em seguida:
- Ai... será que machucou? Será que fez dodói? Ai, ai. Será?

O Catarino abriu um sorriso discreto, pois achou que estava sendo paparicado por mim, mas logo viu que na verdade eu estava preocupado era com a porta!

- Ai, portinha! Desculpe, eu te bati muito forte? Eu te bati na cara dele? Nossa! Ela tá machucada sim! Tem até um pouco de maquiagem dele que ficou aqui na porta depois da batida! Nossa, desculpa mesmo! Deixa eu ver se a dobradiça também se machucou, só preciso fechar você aqui e... PLAFT!

- Você bateu a porta no seu amigo de novo, coitado!
- Ai, é? Nossa, nem percebi!

Abri a porta e o Catarino agora estava chorando, mais destrambelhado. As moças pediram para ele entrar e ele entrou com o corpo quase todo. Eu fechei a porta e logo me virei para conversar com elas. Enquanto conversávamos ouvíamos um barulho incômodo, uma lamentação, um som estranho.

- Você fechou a porta no braço do seu amigo! Ele tá chorando!
- Ai, é? Nossa, nem percebi!

Fui correndo até a porta, onde estava o Catarino semi-preso e o liberei. Senti que era hora de me desculpar.
- Sabe... eu não te tratei bem hoje. Fui negligente, não fui um bom amigo. Me perdoe!

Catarino abriu os braços para receber o meu abraço, mas eu passei reto por ele e fui me desculpar com a minha grande companheira: a porta!

Catarino saiu do quarto chorando e eu saí atrás dele, sem entender nada.

  

quarta-feira, 12 de novembro de 2014

A Moda é Usar Coque



Relato enviado pelas voluntárias Roberta e Rubia (Palhaças Aurora e Dalila)




Aurora, Dalila e Bernadino param na porta de um quarto e se deparam com uma linda garota carequinha, com uma toca de lã, em cima de uma escadinha na beira da cama. Ela estava finalizando um penteado em sua boneca. Aurora curiosa pergunta “Quem é ela?”. A menina parou, olhou para a porta e respondeu: “Meu bebê” e mostrou para o trio.

Os três entram no quarto e Aurora diz que “Nossa que lindo este rabo de cavalo”. A garotinha, imediatamente, corrige e diz “É coque”, e o trio arruma o elogio e fala: “Que lindo coque”. Se sentindo orgulhosa, ela diz que tinha feito.

Dalila disse então sobre a incapacidade de Aurora fazer um coque e logo a colocou sentada no sofá e começou a fazer o penteado. Quando terminou o coque em Aurora, Dalila pediu para B. um penteado também. Ela ficou muito animada e aceitou na hora arrumar o seu cabelo.

Pronto! As duas estavam lindas, mas só faltava o Bernadino ter um coque também. Dalila pergunta “E o Bernadino?”. A menina responde “Ele não tem cabelo, não dá para fazer coque.”

Dalila não hesitou e pegou papéis na pia, fez uns rolinhos e colocou na cabeça de Bernardino. B. logo disse “Isso é Maria Chiquinha, coque é assim” e foi rapidamente arrumar o cabelo de Bernardino.

Pronto! Os três estavam de coques desfilando orgulhosos com seus belos penteados no corredor do hospital e muito agradecidos com a B.

Depois de visitar outros quartos, o trio passou novamente pelo quarto da B. e pelo vidro viram uma enfermeira sentada no sofá e a garotinha fazendo um coque no cabelo dela também.


Viu como os coques fizeram sucesso? Isso mostra que qualquer um pode ter um belo coque. E você já tentou fazer o seu?

quinta-feira, 23 de outubro de 2014

O Rei das Dobraduras


Relato enviado pela voluntária Cinthia (Palhaça Olívia)



Num dos quartos o garotinho estava todo encolhido parecia que tinha dado um nó, mas logo percebemos que ele era o Rei das Dobraduras e estava lá deitado, todo dobrado, apenas descansando e prestando muita atenção a tudo que propúnhamos.

Janja: – Achamos! Enfim achamos! Esse é o Rei das Dobraduras! Me diga, como o senhor consegue se dobrar todo desse jeito? Quando tempo levou para se dobrar com tanta perfeição e maestria?

Ele olhava, olhava e ria! Acredito que ele tinha uma técnica e que não queria compartilhar com qualquer pessoa, então Pepa e eu fomos tentando desvendar aos poucos qual era a probabilidade de dobrar o corpo, tentando explicar que era fácil, fácil se dobrar daquele jeito...

Pepa: – É fácil! Acho que ele pegou o pé colocou pelo ombro e... Não pera! Acho que ele primeiro dobrou o joelho e o pescoço assim... ou... peraí...

Eu, olhando tudo aquilo, tentava entender e exemplificar a explicação da Pepa, com o meu próprio corpo, para melhor visualização! Mas eu não contava que na verdade a descrição dela estava dando um nó em mim mesma...

Percebendo isso a Janja disse: – Xiiii... estragou! Quando estraga a dobradura, a gente joga fora né?!

As duas unidas me jogaram pra fora do quarto como se eu fosse uma bolinha de papel amassada e sem valor.

Então a Janja começou: – Tá na cara que ele fez tudo diferente! Ele deve ter passado a mão pelo cotovelo e depois... Aaaa não, na verdade, acho que ele virou de lado e pulou o pé... Êpa!! Acho que não... humm deixa eu pensar peraí...

Enquanto ela descrevia a Pepa foi se entrelaçando toda, e também tinha se estragado!

Janja: - Ixi!! Agora essa aqui também se estragou toda, ué... Nossa e está com um cheiro bem estranho, que papel será que é este?

Abanando o cheiro que impregnava as narinas de quem estava no quarto, Janja pegou a Pepa e jogou pra fora do quarto também.

Todos riam muito e o menino não cabia em si de tanta diversão!
Afinal qual era aquele segredo? Por que o Rei da Dobradura não queria desvendar tamanho enigma?

No final ele mostrou só para Janja como se fazia para se desdobrar, mas eu acho que ela não prestou muita atenção...
Na verdade acabou piorando nossa situação! Saímos APAVORDOBRADAS pelos corredores com medo de dar mais que um nó!


quarta-feira, 15 de outubro de 2014

Linda Eternidade


Relato enviado pela voluntária Mariana (Palhaça Dulce)



Otávio e eu entramos em um quarto do Instituto Emílio Ribas e nos deparamos com um garotinho (C.), no colo da mãe, que parecia nem ligar para nossa presença.

Olhando mais atentamente, percebemos que ele não focava o olhar em nada... A cabecinha pendia do pescoço e ele mexia os olhos pra lá e pra cá, e nunca focava em nada. A mãe precisou ir ao banheiro e colocou o pequeno deitado na poltrona. Ele mexia os olhos, mexia a cabeça para os lados e nada de olhar para nós ou para as bolhas de sabão, que começamos a soprar pelo quarto.

Em uma tentativa de chamar a atenção do C., fui fazendo bolhinhas mais perto dele... Muitas e muitas bolhinhas! Eu soprava o mais rápido que podia até ele ficar rodeado de bolhinhas, e ficava olhando esperançosa para ver se ele reparava em alguma delas. Nada acontecia e eu tentava de novo com mais e mais bolhinhas, mas nada mudava...
Até que em um momento fui pega totalmente de surpresa! Uma das bolhinhas foi voando na direção dos olhinhos dele.

Eu olhava e meio que via a cena em câmera lenta, acompanhando o trajeto daquela bolhinha. Ela foi, foi, foi (nenhum sinal de ele ter reparado nela ou em qualquer outra) e no momento em que passou pertinho de seus olhos eu observei: ele viu a bolhinha! Os olhinhos dele focaram nela, por segundos eu acho... mas eu percebi!
Eu percebi e me emocionei muito! Nesse período em que os olhos do C. enxergaram a bolhinha, as mãozinhas, antes paradas junto do corpo, imediatamente se moveram em direção à bolha, que estourou no ar em seguida.

Pensando agora, acho até que tudo isso aconteceu realmente muito rápido... em questão de segundos!
Mas foi tão mágico que me parece ter levado uma eternidade – e que linda eternidade!
  

quarta-feira, 8 de outubro de 2014

Trio Tum Pá


Relato enviado pela voluntária Rubia (Palhaça Dalila)



Dalila abriu a porta do quarto, do hospital Darcy Vargas, e perguntou “Aqui é o samba? Acho que estamos na lista VIP”. A mãe do garoto confirmou e Dalila, Aurora e Bernardino perguntaram se a banda já estava por lá.

A mãe disse que não e o trio ficou preocupado. Decidiram se virar, já que o público inteiro estava ansioso pela apresentação de samba.

Dalila pediu para Bernardino agitar e ele lançou a primeira música, cuja letra agitou todos que estavam no quarto “Te cutuco, me cutuca.” Todos, embalados pelas palmas e risadas do J., começaram a se cutucar e soltam outra estrofe “Te empurra, me empurra”. Envolvidos com a música, todos seguem os mesmos passos e outra estrofe para finalizar a música “Estica e Puxa”.

Bernardino, Aurora, Dalila, J. e a sua mãe entraram no clima e todos dançaram a música que viraria hits nas paradas de sucesso. Mesmo J., deitado na cama, com todos os aparelhos, se chacoalhava ao som das palmas, risadas, sorrisos e olhares.

A cada nova estrofe o trio soltava “Tum Pá”. E assim o samba foi terminando e saímos do quarto só no sapatinho.

Agora que você já sabe a letra, solte a voz. Se ainda não decorou, segue uma cola para você não se perder no ritmo:

Te cutuco, me cutuca
Tum Pá
Te empurra, me empurra
Tum Pá
Estica e Puxa
Tum Pá

  

quarta-feira, 1 de outubro de 2014

A Cidade de Todos


Relato enviado pelas voluntárias Roberta e Rubia (Palhaças Aurora e Dalila)




Entrar no quarto de uma adolescente é sempre um desafio. Mas, essa garota quando nos viu logo soltou “Ahhh que bom, adoro uma bagunça!”

Ela disse a palavra mágica, já que Dalila, Aurora e Bernardino adoram uma bagunça. Dalila já emendou que em Bernardópolis, cidade do Bernardino, era tudo bagunçado demais. Bernardino não perdeu tempo e começou a explicar como era a cidade dele, e todo mundo perguntando “Mas lá só moram Bernardinos?” “Quais os bairros da tua cidade?” e enquanto ele contava, I. olhou o crachá da Aurora e disse “Aurora é nome de princesa.”

Aurora imediatamente explica “Sim, na minha cidade só tem princesas – como não conseguia falar Aurorarópolis sem enrolar a língua, batizou a cidade de "Aurora City” e começou a fala sobre a cidade e, logo em seguida, Dalila começou a falar de como era Dalilópolis.

Depois que os três falaram de suas cidades, Aurora lança um desafio. Cada um tinha que defender num rápido horário político, de 40 segundos, a melhor cidade para I. escolher.

Dalila ficou responsável pela abertura do programa e a mãe da adolescente de cronometrar o tempo. Aurora foi a primeira a se apresentar e falou sobre a sua cidade. Na sequência foi Bernardópolis e Dalilópolis. Claro que os três estavam se alfinetando o tempo todo para conquistar a jurada.

Quando acabaram as apresentações, a I. pediu para fazer algumas perguntas aos candidatos e rolou uma sabatina. Os três estavam ansiosos para vencer a disputa e discutiam muito, quando ela disse:
“Por que vocês não param de brigar, juntam as três cidades e montam uma cidade com tudo isso de lindo que vocês falaram?”

Os três se olharam emocionados e batizaram a cidade com o nome da garota. Pegaram uma fita e fizeram a inauguração desta nossa cidade tão linda e ela cortou a fita. 

Gostamos desta ideia de montar uma linda cidade com tudo de bom que cada um tem para oferecer! Vocês nos ajudam?
  

quinta-feira, 25 de setembro de 2014

Vamos Cantar Aquela Lá!


Relato enviado pela voluntária Daniela (Palhaça Janja)




Estávamos na UTI perambulando de quarto em quarto, quando entramos o do bebê C.
Ele era tão pequenininho que quase cabia na palma da minha mão!! Ok ok, pode ser que eu esteja exagerando, mas vale lembrar que minha mão é bem grande!
O C. chorava muito, muito, muito!!

Olhei pra Múrcia e pra Coriza e rapidamente e Múrcia propôs que cantássemos uma música. Múrcia falou: - Janja, vamos cantar aquela lá!!
Eu fiz cara que sabia do que ela estava falando e começamos a cantar:

"Como pode um peixe vivo viver fora da água fria
 Como pode um peixe vivo viver fora da água fria
Como poderei viver
Como poderei viver
Sem a sua
Sem a sua
Sem a sua companhia..."

Aos poucos ele foi se acalmando no meio da canção e quando terminamos estava um completo silêncio.

Nos olhamos orgulhosas com aquele gostinho de vitória e... ele começou a esboçar um novo chorinho...
Mais do que depressa começamos a cantar novamente:

"Como pode um peixe vivo viver fora da água fria..."

Ao final da música aquela calmaria de dar gosto. O bebê calminho respirava tranquilo, quase fechando os olhinhos para se entregar ao soninho...

A enfermeira vinha entrando com uma bandeja cheia de seringas e remédios quando quebrou o silêncio dizendo: - Ai meu Deus! Vocês conseguiram acalmar ele! Nem vou medicar agora senão ele vai cair no choro de novo!

Lá foi ela saindo de fininho e nós saímos junto com ela cantarolando Peixe Vivo bem baixinho pra manter a tranquilidade e a paz naquele quarto.

Quem disse que palhaço é só pra fazer sorrir?
Às vezes a gente consegue até acalmar!



quarta-feira, 17 de setembro de 2014

De Mãos Dadas

  
Relato enviado pela voluntária Viviane (Palhaça Dália)



Lorena e eu entramos em um quarto da UTI do Hospital Menino Jesus e nos deparamos com o V., um menininho que estava dormindo enquanto a mãe segurava bem forte sua mão.
Logo perguntamos: “Por que as suas mãos estão dadas?”
A mãe respondeu que o filho não conseguia dormir se ela não lhe desse a mão, pois ele não queria que ela fosse para longe!

Lorena, de imediato, se lembrou de que, quando era pequena, dormia de mãos dadas com o irmão, para assim se sentir mais segura. Eu, por minha vez, me lembrei que sempre dormia de mão bem apertada na mão da minha avó, para afastar os monstros. Então descobrimos que dar as mãos tinha um poder muito forte!

Agarramos a mão uma da outra para ficarmos também protegidas de todo o mal e pensamos em estratégias para que as mãos ficassem sempre unidas: se der formigamento, o jeito é chacoalhar a mão livre e também os braços, para que o formigamento flua para o universo. Todas as coisas necessárias para passar o dia devem estar por perto, especialmente se a dupla de mão estiver dormindo, porque sair do lugar para pegar não dá! E lavar as mãos? A partir de agora, só uma!

A mãe do V. ouviu atentamente nossas instruções e ficou mais tranquila, pois agora sabia como proceder para não ter mais que soltar a mão do filho!

V. abriu então rapidinho os olhos, espiou as palhaças com uma carinha de surpresa e logo voltou a fechá-los, caindo de novo no sono, afinal a mão da mãe estava apertando bem forte a sua. Tudo ficaria bem!