Palhaço também conta histórias!
Neste blog você pode saber um pouco mais das nossas histórias vividas nos hospitais.

quinta-feira, 25 de abril de 2013

Oi!


Relato enviado pela voluntária Paloma (Palhaça Lorena)



Logo no início da nossa visita, encontramos um bebê deitado em seu carrinho, quieto e sozinho no corredor. Doralina e Romão perceberam que o bebê não enxergava. Para falar a verdade, eu não percebi isso, só fiquei sabendo muito depois pelos meus parceiros.
 
Romão disse um oi para o neném, mas não um oi qualquer, foi um oi todo cheio de melodia. Doralina também disse um oi com tom diferente. Quando chegou a minha vez, tentei falar um oi bonito e sonoro, mas minha voz saiu estranha e meus parceiros riram de mim.
  
Romão fez outro oi todo bonitão e Doralina fez o mesmo na sequência. Parecia que eles estavam cantando uma música com uma simples palavra: oi. Na minha vez, tentei fazer um oi com melodia, mas minha voz continuava desafinada.
 
O menino estava atento aos nossos sons. Não falávamos nada além de oi.
 
Uma “competição de ois” foi instalada. A cada momento, um dos palhaços falava um oi mais doido do que o outro. Vários foram os tons de oi. Até oi de ópera teve!
 
Depois de um tempo, surgiram ois com sons de animais. Oi-cachorro (latindo ao som de oi). Oi-passarinho (piando ao som de oi). Oi-gato (miando ao som de oi). Oi-elefante (bom, fazendo o barulho que o elefante faz, mas apenas com a palavra oi).
  
De repente, eu falei um oi-Tarzan: ô-ôôôô-ôôôô-ôiiiii. O bebê se remexeu todo no carrinho, impulsionando o corpo na nossa direção. Fiquei muito feliz com o sucesso do meu oi-Tarzan. Repeti o oi-Tarzan e o resultado foi o mesmo: o bebê mexeu o corpo do mesmo jeito. Romão e Doralina se uniram a mim e fizemos juntos o oi-Tarzan. O sucesso foi maior ainda.
  
Fomos embora felizes, repetindo nossos ois malucos pelo corredor.
 
 

terça-feira, 23 de abril de 2013

O Palhaço de Chupeta Verde


Relato enviado pelo voluntário Fabio (Palhaço Bordô)

 

 


O segundo andar estava repleto de crianças e depois de interagir com várias, nos deparamos com um menino que estava de chupeta verde. Ao olhá-lo, percebemos à primeira vista o brilho nos seus olhos. Naquele momento eu não sabia quem era o palhaço: ele ou nós. Valentina pediu para ele tirar a chupeta e num ato ágil e com muita naturalidade, o garotinho tirou a chupeta da boca. O riso foi a tônica do ambiente naquele precioso momento. Todos que assistiram o ato riram com o fato. Novamente me veio a cabeça: quem é o palhaço?
  
O menino notou que sua ação foi um sucesso e repetidas vezes, estimulado pela minha colega Valentina, ele tirava e colocava a chupeta da sua boca para a plateia rir. Um legítimo palhaço. Eu, Bordô, para acompanhá-lo, descobri que quando ele tirava a chupeta, eu explodia em alegria num gesto grande que se repetia. O garoto começou a tirar e colocar a chupeta várias vezes para ver o gesto e rir. Enlouqueci neste movimento, a minha parceira Valentina também e, muitas gargalhadas apareceram ao nosso redor da plateia que contava com quase 20 pessoas. Mas o grande foco não fomos nós, mas o ato preciso, espontâneo e ímpar do garoto de chupeta verde.
  
Nem sempre o palhaço está em nós, mas escondido no outro, neste caso, estava na criança de chupeta verde.
 

quinta-feira, 18 de abril de 2013

O encontro com o Homem-Aranha


Relato enviado pelo voluntário Pedro (Palhaço Jaime) 

 

Logo no início de nossa caminhada pelo hospital Menino Jesus, conhecemos T. que estava com uma blusa do Homem-Aranha. Dona Borboleta e eu nos aproximamos lentamente e perguntamos se ele era realmente um super-herói.
  
T., querendo responder nossa pergunta, colocou sua máscara e descobrimos que não era apenas uma “blusa”, mas sim a fantasia do próprio Homem-Aranha. T. começou a jogar suas teias coloridas pelo andar da cantina e Dona borboleta rapidamente localizou parte das teias na parede.
 
Comecei a seguir os movimentos do nosso herói, mas não conseguia acompanhá-lo com tanta desenvoltura. Assim, caía, levantava, tropeçava e T. demonstrava cada vez mais seus poderes.
 
Por fim, o elevador chegou e T. teve que descer. Desta vez, preferiu não utilizar suas teias e as paredes do hospital, afinal é bom variar um pouco o meio de transporte!
 

terça-feira, 16 de abril de 2013

A Lingerie de Romão

Relato enviado pelo voluntário Adê (Palhaço Romão) 

 


A dignidade de um palhaço é algo muito importante, mas neste dia a minha foi colocada à prova!!
 
Neste dia no Hospital Menino Jesus, o Pronto Atendimento foi invadido por 5 palhaços. Meu Deus, o que fazer sem ficar agressivo? Tentamos tirar uma foto, meio confuso, mas no final deu certo. 
 
Tentei um romance com uma adolescente ao lado da mãe... hummmmm... mas meu romance foi interrompido por Durval e suas ideias!
Ele simplesmente anunciou que eu faria um striptease.
Nesse dia eu trajava um figurino feminino e meu colega resolveu me expor... não sei porque, afinal até os escoceses usam saias!
 
Tentei negar, afinal sou tímido e nem sabia fazer striptease, mas foram tantos os pedidos e súplica que não resisti! Subi em uma cadeira e iniciei o processo do strip. 
Devia estar horrível, mas estava engraçado, pois meus amigos, pacientes e acompanhantes batiam palmas, dando ritmo a cena.
  
Lentamente a minha saia foi caindo, mas eu não percebia. 
Quando minha saia já estava abaixo do joelho, desci da cadeira, pois não queria continuar... afinal sou muito feio para fazer um strip.
  
Todos começaram a rir e meus companheiros tentavam me avisar de algo, mas eu não entendia o que estava acontecendo, pois estava feliz com a satisfação da plateia. Foi quando percebi que estava sem as saias, só de cueca!!! Ai que vergonha!!!! 
Fui tirado de lá com a ajuda dos meus amigos.
 
 

quinta-feira, 11 de abril de 2013

Quem é o cantor???

Relato enviado pelo voluntário Pedro (Palhaço Jaime)
 

 
Jaime e Lourival chegaram ao 4º Andar do hospital Menino Jesus e começaram a interagir com diversas crianças. Jogos foram acontecendo e, após alguns minutos, eles perceberam a presença de um menino, bem grande e forte, que os observava com a feição bem fechada.
 
A dupla tentou estabelecer uma ponte com o olhar, mas o rosto fechado permanecia e o menino começou a esfregar as mãos como se estivesse pronto para “pegar” os palhaços. Lourival e Jaime, diante de tal situação, saíram correndo, com medo, em busca de novas crianças...
 
Passado algum tempo, já em outro andar, Jaime e Lourival estavam andando quando localizaram, novamente, aquele menino. A princípio, tentaram estabelecer uma ponte, mas nada ocorreu... A feição permanecia fechada, mas, desta vez, cheios de coragem, eles decidiram se aproximar.
 
Foram passo a passo chegando perto... bem devagar... e, quando estavam cerca de um metro do menino, ele olhou para os dois e disse bem alto:
”VOU FALAR UMA COISA PARA OS DOIS!!!”
  
Neste momento a dupla parou e, ansiosa, aguardou o que o menino teria para dizer... Seria um: “Fora daqui”???... ou talvez um “O que vocês querem???”... Nada disso!!! O menino disse:
“QUERO SER AMIGO DE VOCÊS!!!”
 
Ai que felicidade!!! Como é bom fazer amigos!!! Eles logo se apresentaram e descobriram que o ultra, mega, super, blaster simpático menino chamava-se G. e tinha 9 anos!
 
Ah!!! Está pensando que a história acabou??? Nada disso! Está apenas começando!!!
 
Após sabermos um pouco mais sobre G., Jaime pediu que ele lhe dissesse algo sensacional e G., sem muito pensar disse:
“Muitas vezes, quando pego ônibus, o cobrador pede para eu cantar uma música só porque eu sei cantar...”.
 
Jaime e Lourival se olharam e, quase em coro, pediram: “CANTA UMA MÚSICA!!!”
 
G. se preparou, escolheu a música e começou:
 
“Não posso voltar para casa;
Com medo da solidão;
O jeito é ir pro boteco;
Tomar uma com limão;
Os amigos de noitada;
Me chamam de pingaiada;
Bunda mole e chorão;
 
Eu bebo e choro;
Pode rir de mim;
Não bebe e não chora;
Quem nunca amou assim.”
 
Jaime e Lourival dançavam felizes, G. cantava lindamente e as pessoas em volta sorriam e observavam o grande talento deste menino que mostrou que seu tamanho era proporcional ao seu coração!!!

terça-feira, 9 de abril de 2013

Furacão em Ação

Relato enviado pela voluntária Rubia (Palhaça Dalila)

 


Dalila abre a porta do quarto do paciente W. no hospital Emílio Ribas e estica a cabeça com olhar de curiosa para descobrir o que tinha lá dentro. Sua parceira Isabel Coriza, imediatamente, faz o mesmo.
  
Não sei o que passou pela cabeça de W., mas as duas foram recebidas com um imenso sorriso e agradeceram com outro sorriso muito maior. Ele, rapidamente, pede para a dupla entrar e deixar a porta do quarto aberta, pois estava com muito calor. 
 
Dalila segura a porta e Coriza fica um pouco perdida procurando algo para prender. O W. indica um cesto, mas ela continua perdida. Dalila para provar que não sabe o significado desta palavra decide resolver a situação, estica a sua perna esquerda e puxa uma mini escada que estava no meio do quarto para segurar a porta. Eba, conseguiu!
 
Depois disso, Dalila se aproxima da cama e começa a balançar os braços em direção ao paciente W. Coriza vai para o outro lado da cama e começa a assoprar. A missão da dupla era refrescar o sorridente W.
 
Segundo W., a dupla ia se cansar rapidamente e, muito sem graça, falava que estava tudo bem. Para provar que o cansaço não tomaria conta da dupla, as duas decidem mudar de posição. Dalila enche o pulmão de ar e começa a assoprar e Coriza começa a chacoalhar os braços.
 
A vontade era tãããão grande em refrescá-lo que, com a força do vento, foi se formando um furacão, que se fortaleceu chegando a categoria 5. O quarto de W. entra em estado de atenção e o sinal de alerta é acionado: risadas de W. demonstravam a intensidade do perigo que o furacão apresentava.
 
Com a intensidade dos ventos, Dalila e Coriza começaram a girar, girar e girar descontroladamente. O furacão pegou tanta velocidade que as duas foram arremessadas do quarto e o sinal de alerta continuou ligado. Dava para escutar lá do corredor que as risadas do paciente W. tomaram conta do quarto com a saída do furacão!!!
 

quinta-feira, 4 de abril de 2013

O grande mistério dos números...

Relato enviado pelo voluntário Pedro (Palhaço Jaime)
 
 
 
 



Chegamos ao Hospital Dia e percebemos que havia poucas crianças na sala. Logo nos aproximamos de uma cama em que havia um menino acompanhado de sua mãe. Perguntamos o nome do menino e, depois o da mãe. Neste momento uma grande coincidência: os dois nomes tinham 08 letras.
 
Achamos aquilo muito legal e fomos para a cama imediatamente à direita da anterior. Resolvemos, também, perguntar o nome do menino e da mãe e, para nossa surpresa, os dois tinham 07 letras...
 
Dona borboleta e eu começamos a ficar assustados e, vagarosamente, nos aproximamos da cama que estava imediatamente à esquerda da primeira... Perguntamos o nome do menino... Logo depois o da mãe... e ... PASMEM!!!... os dois tinham 06 letras.
 
Começamos a acreditar que forças ocultas estavam presentes ali e todos que estavam na sala não acreditavam no que estava acontecendo!
 
Decididos a acabar com esse mistério nos aproximamos de B. que estava sentado brincando de “caça palavras”... Perguntamos seu nome e descobrimos que tinha 05 letras... Neste momento, para delírio geral de todos os presentes, o Pai, que até então assistia a tudo bem distante, se aproximou e disse: - E o meu nome é A., que também tem 05 LETRAS!!!
 
Foi incrível como todos ficaram impressionados com tamanha coincidência... Se é que coincidências existem...!!! Medo!!!
 
 

terça-feira, 2 de abril de 2013

A Patinadora Artística

Relato enviado pela voluntária Adriana (Palhaça Múrcia)
 
 


Era uma vez uma patinadora artística que era mãe, ou uma mãe que era patinadora artística... pensando bem, acho que ela era mais mãe que qualquer outra coisa!
 

Primeiro descobrimos que ela era mãe! Tadeu e eu chegamos ao posto de enfermagem e começamos a nos vangloriar, falando o quanto éramos melhores que a outra dupla (Mixirico e Arlindo), que já estava naquele andar jogando em um quarto.
Ela estava ali, perto da gente, já rindo da nossa cara, mesmo sem fazer parte da conversa.
  
Quando a enfermeira foi pegar uns documentos, a mãe perguntou: - Será que eles podem ir lá ver o meu filho? Nunca ninguém vai lá...
A enfermeira ficou meio sem graça, tentou explicar que o quarto era de isolamento, que a gente poderia ficar no vidro. Mas o apelo foi tão sincero, que a médica que estava mais afastada veio falar com a gente.
A médica perguntou se estávamos gripados e prontamente respondemos que não! E ela disse que poderíamos entrar no quarto então!
 
A mãe sorriu e logo nos apontou o quarto, que ficava no final do corredor. Fomos andando a frente e ela veio atrás. Usando meias e chinelos, ela pegou impulso e foi patinando até a porta do quarto do seu filho! Uma patinação artística de corredor sensacional! Ficamos maravilhados!
 
A enfermeira nos acompanhou até a porta e disse à mãe que nos falasse o nome do filho. Aí entendemos que ele não poderia falar porque estava com a boca machucada.
L. realmente não falou... não falou com a boca, mas seus olhos diziam tudo!! Desde que apontamos a cara no quarto o seu olhar de cumplicidade nos cativou!
 
Já entramos comentando os dotes da patinação artística da sua mãe pelo corredor! Ele sorria com os olhos e, muitas vezes, a boca também nos presenteava com um leve risinho!
Tadeu, que tem uma leve ascendência russa e patinadora, deu uma bela assessoria à mãe artista!

Não só isso, ele também deu uma aula sobre os patinadores da antiguidade até a modernidade, de Moisés até Michael Jackson! A mãe ria, fazia poses patinadoras e o filho se deliciava com tudo aquilo.
 
Tadeu e eu tivemos uma leve briga no quarto, porque quando fui ilustrar a patinação Michael Jacksonística, ele fechou a porta na minha cara, me deixando pro lado de fora! Quando entrei novamente ele e L. se entreolhavam rindo da minha cara! Muita sacanagem desses homens!!
 
Antes de irmos embora, resolvemos ajudar a grande patinadora a escolher seu nome artístico. Até Mixirico e Arlindo chegaram nessa hora e deram uns pitacos... depois de muitas ideias péssimas, chegamos ao nome “Baryshnikova”, afinal todo patinador tem um “Q” de russo e de bailarino!!
 
Ela ficou lá treinando um autógrafo, mesmo porque o nome era difícil pra caramba de escrever! E o L. ficou nos olhando sorrindo, se deliciando com a visita e com o potencial artístico da sua mãe!!
 
Toda mãe é artista!! Mas essa foi mais que especial!!!
 
 

quarta-feira, 27 de março de 2013

O quarto do coração!

Relato enviado pela voluntária Catarina (Palhaça Pepa)
 
 
 

Estávamos andando pelo corredor quando olhamos para dentro de um quarto e não havia ninguem por ali... ah é sempre muito frustrante quando não há ninguém. OK... ficamos felizes porque são menos pessoas doentes, mas no fundo existe um sentimento de que poderiamos descobrir algo genial ali.
  
A caminhada continuou, mas, de repente, a Bom Bom disse: - Não... esperem! Tem gente ali!”
E tinha gente mesmo! Gente bem encolhida, no cantinho do quarto! Mãe e filha, no canto da cama, tão encolhidas que realmente não dava para ver da janela.
Aiiii que ansiedade!!
  
Pepa: - Acho que elas não podem nos ver! Vou passar despercebida... (Coloquei meu rosto na porta do quarto e saí rapidamente).
Giba: - Deixa eu tentar! (rosto na porta do quarto).
Bom Bom: - Agora eu!! (assim repetindo).

Pepa entrou no quarto, passando correndo e se escondendo atrás de uma cama. E, assim, todos nós fomos nos escondendo pelo quarto.
A menininha ficava nos olhando e falando: - Te achei, te achei!!
Estava muito difícil nos escondermos por ali, principalmente a Bom Bom, que é altíssima!!!
Então, para facilitar, tiramos a Bom Bom do quarto! Voltamos com ela no colo, e escondemos no sofá, mas a menininha nos achou novamente!
OK! Desistimos! Ela sempre nos achava!
  
Quando estávamos frustrados por não conseguirmos nos esconder, entrou uma médica para verificar o coração, pulmão, e tudo o que deveria ser verificado...
 
Ela nos disse: - Fiquem aqui, viu? É muito rápido, só vou verificar o coração da princesa.
Pepa: - Pronto, doutora, pode verificar meu coração!
Doutora: - Nãooooo!! Ela que é a princesa você não!
Bom Bom: - E eu, posso ser?
Doutora: - Não! É ela!
Menininha: - Sou eu, sou eu!!!
Giba: Mas eu posso ser príncipe? – usando todo o seu charme.
E a mãe disse: - Pode sim!
Giba: - Ahhh então pode verificar meu coração!
  
A doutora colocou o estetoscópio no peito de Giba e disse: - Ué não escuto nada! Acho que você esta sem coração!
Giba: - Oh não!!! E agora?????
 
Todos se desesperam para conseguir um coração novo para Giba.
Eu avistei uma sandália embaixo da cama que tinha corações! Tentei pegar a menininha não deixou! Quando tentei encostar ela disse: - Nãoo!!
E eu me assustei horrores!!
Desepero total!! Era impossível conseguir pegar aquele coração!
  
Bom Bom então pegou uma folha de papel e pediu para a mãe desenhar um coração para ele!
Ela desenhou e a menina deu o coração ao Giba.
  
Todos nós saímos felizes!! Principalmente o Giba!! Afinal, não é qualquer um que ganha o coração de uma princesa!!
 

quinta-feira, 21 de março de 2013

Adulto ou Criança??

Relato enviado pelo voluntário Fábio (Palhaço Tunico)
 
 
 



Passando pelo corredor no Emílio Ribas, Tunico e Dona Saradona observam que dentro do quarto havia um rapaz recebendo medicação na veia e deitadão com os pés enormes, calçados apenas com meias.
Tunico e Dona Saradona se olham como quem dizem “O que esse cara tá fazendo num quarto de criança?!!”
Após uma leve discussão na porta do quarto tentando entender se era adulto ou criança, ambos pedem licença para entrar no quarto e o rapaz com um sorriso acena com a cabeça positivamente.
 
“Bom dia!” disse Dona Saradona seguida de Tunico.
O paciente responde com um leve sorriso e acenando com a cabeça seu “bom dia” tímido.
Antes de perguntar seu nome, Tunico viu que havia uma etiqueta na blusa do rapaz escrito “Hospital” e perguntou se esse era o seu nome.
O rapaz sorriu e só isso bastou para confirmar que era o seu nome no seu “crachá”.
 
Tunico começa a analisar o paciente e pergunta para Dona Saradona como podia um adulto estar num quarto de criança, mas Saradona questiona se ele era adulto mesmo. Após algumas medições para saber a altura do paciente, Tunico chega à conclusão de que o rapaz tinha 1,82 de cumprimento.
Tunico pergunta: “Sr. Hospital, é 1,82 mesmo?”
O rapaz indica um “mais ou menos” com a cabeça. Eureca!!
Mas estatura 1,82 quer dizer que é adulto, não?

Dona Saradona e Tunico se olham e começam a tentar encontrar algum vestígio que indicasse que havia algum adulto naquele corpo.
Um pouco de barba aqui, um pouco de pelos ali...
Tunico propõe um jogo de perguntas onde só valiam como respostas “sim” ou “não”, e o rapaz aceita de pronto.
Dona Saradona pergunta se ele jogou Atari na infância e ele sorri dizendo que sim.
Hum... bastou isso para as perguntas navegarem entre Xou da Xuxa, Pac Man e Tênis Conga!

Os sorrisos tímidos do paciente iam aumentando à medida que Saradona e Tunico se empolgavam com as perguntas.
Após chegarem à conclusão que o rapaz realmente havia vivido a infância numa época sem internet e com jogos de Atari, surge a grande dúvida!
Será que realmente não podia adulto naquele quarto?
Os dois se olham e Tunico diz: “Sr. Hospital, qual seu nome completo para vermos na enfermaria se o senhor está no quarto certo?”
O paciente, antes de responder, tosse por 3 vezes.
Bastou isso para os dois entenderem que ele se chamava Sr. Hospital Cof Cof Cof.

Tunico e Dona Saradona resolveram buscar mais informações no balcão da enfermaria para entender o que estava acontecendo, enquanto o Sr. Hospital Cof Cof Cof ficava rindo no quarto.
 

quarta-feira, 13 de março de 2013

Adeus à Jóia

 

Dizem que as jóias são objetos de grande valor.
Mas essa era uma pessoa!
Muito mais que uma pessoa! Ela era uma palhaça!!
 
Se ela tinha valor?
Nossa!!
Ela era valiosíssima!
Conviver com ela, jogar com ela, rir com ela... ah essas coisas maravilhosas que não tem preço!!
 
E o brilho então?
Uau!!
Ela iluminava cada cantinho, de cada lugar, de cada sala, de cada recepção, de cada quarto de hospital que ela visitava!
 
Ela iluminou a vida de cada um de nós!
 
No último domingo a nossa Jóia foi embora.
Mesmo entendendo que o adeus é inevitável o nosso Arco-Íris está meio opaco.
Vamos demorar um tempinho para aprender a viver sem o seu brilho.
 
Mas sabemos que, de um lugar muito especial, ela vai continuar brilhando... brilhando ainda mais forte! 
 
Sua amizade, sua generosidade e sua história sempre serão parte da nossa amada Operação Arco-Íris.
 
Jóia querida, saudades eternas.
 

quarta-feira, 6 de março de 2013

Toda cabeça tem direito a um chapéu!

 
Relato enviado pelo voluntário Marcos (Palhaço Tadeu)
 
 



Um dia desses, Clô, Ascarez e Tadeu avistaram da porta de um quarto uma menininha desenhando com sua mãe ao lado.
Tadeu olhou para Clô e fez um “Xiiiii!!!”, colocando o dedo indicador na frente da boca e pedindo silêncio. Clô, que estava logo atrás de Tadeu, olhou para Ascarez e fez a mesma coisa “Xiiiiiiii!!!”.
 
A menininha não deu nem bola para nós três, mas como não desistimos nunca, começamos a entrar um atrás do outro, tendo o Tadeu na frente andando devagar, seguido por Clô, que era seguida por Ascarez.
Os três chegaram bem próximos e a menininha nada.
 
Tadeu, em mais uma tentativa, bateu duas palmas de leve e olhou para a Clô, que recebeu o estímulo e fez o mesmo, mas olhando para o Ascarez. Ascarez, atrapalhado, bateu três palmas. Nesse momento a menininha deu um sorriso e olhou para a mãe, como se perguntasse: “Quem são esses bobões?”
Então continuamos no jogo, hora Tadeu puxava um estalar de dedo, que o Ascarez no fim fazia errado, hora era um assobio e assim foi, sempre a menininha, olhando para a mãe e dando um sorriso.
 
Uma hora Tadeu mandou Clô se aproximar da menininha lentamente. Clô, sendo super cuidadosa, começou a caminhar na direção dela, quando pela a primeira vez ela deu uma olhada para a Clô com sorriso no rosto, como se perguntasse o que a Clô estava querendo fazer.
Clô parou imediatamente, disfarçou e retornou. Depois foi o Tadeu e a menininha fez o mesmo. Tadeu prontamente também disfarçou e retornou. Por último o Ascarez fez a mesma coisa. 
 
Quando começamos a discutir entre nós, pois um acusava o outro de ter feito barulho, Ascarez tirou o chapéu da cabeça para continuar a discussão que nesse momento estava com a Clô.
Foi quando a Clô disse: “Mas aí não é justo! Eu não tenho um chapéu!”
A menininha, que acompanhava atentamente toda aquela confusão, ficou muito sensibilizada com a situação da Clô! Ela pegou uma folha de papel e começou a dobrá-la, dobrá-la e dobrá-la, até que no fim esse papel virou um chapeuzinho.
Ela segurou o chapéu com sua mão e esticou até a Clô, dizendo: “Pronto! Agora você tem um!”
Clô ficou super feliz. Mas agora Tadeu era o único que não tinha Chapéu! Enquanto ele começava a choramingar, a menininha novamente fez as dobraduras no papel e fez outro chapéu, que ela logo entregou para o chorão.
No fim ela fez uma para o Ascarez também, que, vendo a cena, começou a barganhar o seu chapeuzinho!
 
Então o trio fez o que tinha que ser feito: saíram marchando como soldados, com seus lindos chapéus na cabeça!!
 

quarta-feira, 27 de fevereiro de 2013

Passagens

Relato enviado pela voluntária Paloma (Palhaça Lorena)




No sétimo andar do GRAACC, Estafúrcio e eu fomos em direção ao quarto do M., um bebê com aproximadamente um ano de idade.
A porta estava fechada e ouvimos um choro de criança lá dentro. Decidimos não entrar.

Visitamos os outros pacientes do andar e voltamos ao quarto do M. Desta vez, a porta estava aberta e ele estava quietinho no colo de sua mãe. Eu passei rapidamente pela porta, dando tempo apenas para uma olhadela. Estafúrcio fez o mesmo e começamos esse jogo de passagens rápidas pela porta, sem entrarmos no quarto. Os olhinhos do M. acompanhavam nossas aparições com interesse.
 
Em determinado momento, entramos no quarto e procuramos esconderijos.
O “aparece e desaparece” continuou. Ora o Estafúrcio passava depressa pelo M., com seus sapatos fazendo barulho, e se escondia, ora era eu quem aparecia rapidinho e trocava um olhar com o M.
Lorena passa e entra no banheiro.
Estafúrcio passa e se esconde atrás das cortinas.
Lorena passa e sai do quarto.
Estafúrcio passa e se esconde atrás da porta.
 
E assim foram inúmeras passagens, encontros e desencontros de nossos olhares com os olhos atentos do M.
Prosseguimos nosso jogo de esconde-esconde acelerado até Estafúrcio e eu ficarmos do lado de fora do quarto. Resolvemos nos despedir do bebê com mais algumas passagens rápidas pela porta. 
 
Depois dos acenos de tchau, não ouvimos mais nenhum choro dentro do quarto, só as risadas da mãe e do bebê.
 
 

sexta-feira, 22 de fevereiro de 2013

O Parque de Diversões

Relato enviado pelo voluntário Cristiano (Palhaço Lourival)

 



A sala de observação, no térreo daquele hospital, normalmente cheia, estava com uma só criança e ainda tínhamos o pronto socorro para visitar, horário apertado e muitos médicos na porta, uma conferência barrando a nossa entrada.
 
Aquela criança deitada na cama com sua mãe ao lado, de alguma forma nos chamou a atenção e resolvemos entrar.
 
Como os palhaços são discretos, primeiro entramos na “roda” dos médicos e fomos nos ambientando com aquela sala, sob o olhar atento da criança que, aos poucos, foi demonstrando interesse por nossa presença.
 
Finalmente nos aproximamos e, pouco a pouco, ganhamos a confiança daquele menino que, com um dedo na boca e o outro apontado para nós, queria se comunicar. Pedia nossa aproximação dizendo que iria ao parque de diversões e queria nos levar!
 
– Ah sim, nós iremos – disse a ele, perguntando como ele iria conseguir se segurar no carrinho do parque com aquele dedo na boca?
 
Dona Saradona e eu mostramos como seria emocionante andar de montanha russa!!! O carrinho subindo (eu e minha parceira nos inclinando para trás) o carrinho descendo (eu e minha parceira nos inclinando para frente) e pros lados, balançando...
 
Quando vimos, nosso amiguinho já não estava com o dedo na boca e, apesar de tudo que o prendia naquela cama, nos divertimos em nosso parque de diversões!!
 
 

quinta-feira, 14 de fevereiro de 2013

NOTÍCIA URGENTE!!!

Relato enviado pela voluntária Paloma (Palhaça Lorena)



Perto dos elevadores do sétimo andar havia duas funcionárias da limpeza passando cera no chão e conversando: “Já pensou se alguém passa correndo por aqui e leva o maior tombo?”.
 
Charles e eu saímos correndo em direção ao local encerado. Por sorte, fomos barrados por uma mulher sorridente que estava parada em frente da porta de vidro que separa os elevadores do corredor.
 
Lorena: “Foi aqui que pediram para entrarmos correndo?”.
Mulher: “Vocês não podem entrar ali!”.
 
Charles e eu continuamos tentando passar, por isso, aquela mulher, mãe de um paciente internado, foi categórica: “Palhaços, vocês estão de castigo! Ajoelhem-se no chão!”.
 
Até ficamos em dúvida, mas, diante da veemência da ordem, acabamos obedecendo. Instantes depois, a mulher nos liberou do castigo, nos acompanhou pelo corredor, parou em frente de um quarto, abriu a porta e disse: “Agora, podem dar só um oi para o meu filho, daqui da porta mesmo, porque ele está em precaução de contato.”.
 
Vimos a carinha de um jovem deitado na cama sorrindo.
 
Lorena: “Tan tan, tanananã, nananananã. Começa agora uma edição urgente do Jornal do Brasil! E, nesta edição, a notícia mais revoltante do dia: megera coloca palhaços de castigo ajoelhados no chão. Trata-se de uma mulher muito má que está solta pelos corredores, colocando palhaços inocentes de castigo. Cuidado, ela é perigosa! Qualquer informação, liguem para o disque denúncia. Essa foi mais uma edição especial do Jornal do Brasil.”.
 
Charles: “Tan tan, tanananã, nananananã.” (e outros sons).
 
O rapaz ficou atento à notícia e riu ao perceber que a mãe estava sendo chamada de megera. A mãe, por sua vez, ficou surpresa por ter protagonizado uma notícia de jornal e acabou rindo, mesmo sendo chamada de megera.
 
Assim que a porta do quarto foi fechada pela mãe, fugimos pelo corredor, com medo de novos castigos da megera risonha.