Palhaço também conta histórias!
Neste blog você pode saber um pouco mais das nossas histórias vividas nos hospitais.

quarta-feira, 8 de abril de 2015

Riso Frouxo


Relato enviado pela voluntária Daniele (Palhaça Clô)




Clô e Coriza apareceram na porta.
A mãe da menina B., 8 anos, olhou e já começou a rir.
B. não aguentou e riu também.

Elas se entreolharam e perguntaram:
- O que aconteceu? Porque vocês estão rindo?
- Porque vocês são palhaças! – disse B.

A mãe gargalhava.
E nós, sérias.

Clô se adiantou:
- Ok, minha senhora. Conheço uma técnica que isso pára instantaneamente.
- Qual? – perguntou a mãe.

Nisso, J., 12 anos do outro leito já olhou e começou a rir.
A mãe de J. tentou avisar:
- Como que palhaço não vai fazer rir?!

As palhaças se adiantaram um pouco adentrando do quarto.

Clô começa:
- Meninas, todas. Levantem a mão direita.
Levantaram.
- Agora façam como se fosse uma pinça com os dedos, desse jeito. – demonstrou.
E fizeram.
- Agora acompanhem o movimento. (...) Isso se chama Zíper de Boca.

A mãe de B. e a própria B. caíram na gargalhada.

Coriza alertou a Clô:
- Clô! Esse movimento foi pra abrir!!
- Ai caraca! É mesmo... – conluiu Clô.
Ela respirou fundo e recomeçou:
- Muito bem, meninas. Levantem a mão esquerda.
Levantaram... com sorrisinhos.
- Façam a pinça com os dedos e... (...) Fecha a boca!

Parece que não adiantou nada. Todas continuaram a rir mais ainda.

Coriza, com muito da esperteza no pâncreas disse:
- Clô! Tem que puxar dos dois lados!!
- Nossa! Boa! – se animou Clô.
Nova respiração concentrativa e:
- Meninas! Levantem as duas mãos.
Levantaram.
- Façam a pinça com os dois dedos e ... (...) Puxem!

Aí, TODAS do quarto gargalhavam de chorar... E as duas sem entender nada!!

- O que aconteceu? – perguntou Clô.
- Você está parecendo um sapo! Disse J.

E continuaram a gargalhar.

- Coriza!
- Oi Clô!
- Já se temos um diagnóstico pra esse quarto!
- Qual?
- Quarto do Riso Frouxo!

Em meio aos risos, as duas palhaças saíram inconformadas sem saber o motivo.

  

quarta-feira, 1 de abril de 2015

O Pezinho


Relato enviado pela voluntária Adriana (Palhaça Múrcia)




Sábado de carnaval, verão, sol a pino e um calor escaldante!!
Passávamos pelo corredor da UTI quando ouvimos uma vozinha que só resmungava, como se dissesse “éeeeee...”.

Somos palhaças muito curiosas e logos quisemos saber o que “era” afinal.
Entrando no quarto vimos uma mãe com avental e luvas que fazia cafuné num pequenino de poucos meses de vida...
Quem resmungava era o pequenino... “éeeeee...”

Dália e eu somos muito boas em resolver problemas alheios! E ali não seria diferente! Logo começamos a questionar a pequena criatura sobre o que incomodava...

Múrcia: “Sua mãe fez alguma coisa pra você?”
Bebê: “éeeeee...”
Dália: “Ai que chato, mãe!”
Mãe: “Mas eu não estou fazendo nada de errado!”
Dália: “O que ela fez está te incomodando?”
Bebê: “éeeeee...”
Múrcia: “É... foi a senhora mesmo! Ele não mentiria pra gente...”
Bebê: “éeeeee...”

O bebê estava incomodado, a culpa era da mãe e precisávamos resolver isso!
Olhando bem para o bebê, percebemos que ele estava usando fralda e meias...
Como assim, meias??? Estava um calor do cão!! Eu mesma estava quase gritando de raiva da minha meia calça que grudava nas minhas pernas!! Quando vi aqueles pés pequeninos, que certamente estavam acalorados, logo matei a charada!!!

Múrcia: “Só podem ser as meias!”
Dália: “Mas é claro!!! Com esse calor todo!!! Estou aqui derretendo!!”
Múrcia: “E a senhora ainda coloca meias no pobre coitado???”

A mãe sorriu e começou a tirar as meias do pequenino!
O semblante do bebê mudou... ele começou a movimentar os pezinhos e até os dedinhos, como se sentisse o toque do vento que o refrescava...

Aquela cena foi tão linda que Dália e eu fizemos uma composição musical em homenagem aquele momento!!

“♪ Meu pezinho, meu pezinho
Vou despir, vou despir
Pra ficar soltinho, pra ficar soltinho
E o vento sentir, e o vento sentir... ♪”

Foi lindo!!
Uma médica entrou no quarto neste momento sem entender nada e falamos pra ela que se ela tivesse qualquer tipo de problema era só chamar a gente, afinal acabávamos ali de resolver mais um!

E não parou por aí... porque como a mãe estava usando luvas para tocar o bebê, falamos pra ela que assim que ele dormisse, ela poderia tirar as luvas para também sentir o toque do vento!!
Alguns minutos depois encontramos a mãe no hall do 7º andar falando no celular... Ela estava sem as luvas e quando nos viu balançou as mãos, bem feliz, enquanto sentia uma grande sensação de frescor!!

E você? Precisa de alguma ajuda? Somos muito boas nisso!!!


quarta-feira, 25 de março de 2015

Jet Lee e o Pepino


Relato enviado pela voluntária Daniele (Palhaça Clô)




No corredor do quinto andar nos deparamos com a faxineira do corredor que estava se lamentando por não ter um amor em sua vida.
Pecado!

Então Crispim disse assim:
- Vamos fingir que agora eu sou Deus! Como que você pediria pra Deus um namorado?!

E então ela começou a fazer o seu pedido:
- Ô Deus! Me mande um amor pra minha vida que eu não quero mais ficar sozinha!

De repente, no corredor, surge o Jet Lee (um rapaz chinês, que pouco falava português, de um encontro que tivemos antes de entrar no corredor!)

Crispim emenda:
- Achei! Vem aqui Jet Lee!

 E ele foi...

- Diga algumas palavras de amor pra essa mulher! Em chinês!! – pediu Crispim.
- Mas você não entender o que vou falar! – ponderou Jet Lee.
- Então faz mímica! - disse Durval.
- Mí...?? – tentou perguntar Jet Lee.
-Clô! Explica como é! – ordenou Crispim

A Clô começou a fazer a mímica (como nos jogos de imagem e ação) para a palavra amor!

Jet Lee olhava, sem entender porque que cortava palavra e da onde surgia cada sílaba!

- Sua vez Jet Lee! – disse Clô.

Ele colocou a mão no pescoço!
- PE!!!!! – gritaram todos.
Jet Lee olhou assustado e piscando!
- PI!!!!! – Gritaram os palhaços!
- Pe... Pi .... PEPINO!!
- PEPINO???? – indagou a faxineira.
- O que ser pepino??? – perguntou Jet Lee!

Ai meu Deus! Que confusão!!

- Ah! Um desse eu não quero não!! Eu vou é embora que tenho mais o que fazer! Que Deus de quinta categoria!! – disse rindo a faxineira e já saindo daquele corredor.


Eu confesso que não sei como saímos dessa, porque eu ri de chorar diante daquela confusão!

quarta-feira, 4 de março de 2015

Penteados Paliativos


Relato enviado pelo voluntário Fabio (Palhaço Bordô)




Um profissional do hospital Emílio Ribas nos informou que uma paciente em estado “paliativo” estava precisando de palhaços.

Descobrimos, naquele instante, que se tratava de uma paciente num estado sem cura, no qual a morte é questão de algum tempo, isto é, a Medicina nada mais poderia fazer por aquela pessoa.
Num primeiro momento reagi com certo receio, mas, sem hesitar, encaramos o desafio.

Era uma jovem de 20 anos, que estava quase paralisada em sua cama. A Dália gostou muito do penteado da paciente e quis imitá-la. Eu fui o cabeleireiro. A paciente já esboçava sorrisos.
Fiz uma bagunça no cabelo da Dália, mas no final ficou parecido como o penteado da paciente.

Sugeri que a Dália fizesse o mesmo penteado no meu cabelo. Entretanto, quando Dália tirou meu chapéu, descobrimos que não tenho cabelo! Mesmo assim, ela fez um penteado imaginário. A paciente, sempre sorridente, nos acompanhou no jogo até o final.

Quando desfilamos os penteados, pedimos uma nota e, surpreendentemente, fiquei com a nota 10 e a Dália com a nota zero!

A paciente esteve conosco o tempo todo. Decretamos vida no quarto e fomos recebidos com vida pulsante, que até quis “sacanear” a Dália ao final, algo que é muito humano.

Foi uma experiência incrível.


quarta-feira, 25 de fevereiro de 2015

O Casamento


Relato enviado pelo voluntário Luciano (Palhaço Crispim)



Coriza e Crispim caminhavam por um dos corredores do Hospital Menino Jesus e se depararam com uma cena um pouco esquisita...
De um lado do balcão estava uma enfermeira e do outro estavam dois homens assinando um papel. Coriza e Crispim se olharam e o pensamento foi igual e instantâneo. “É UM CASAMENTO”.

Crispim: “Casamento com dois homens, Coriza?”
Coriza: “Hoje em dia é normal, Crispim!”
Crispim: “Ahhh então tá bom! Mas eles estão sem padrinhos!”
Coriza: “Não seja por isso. Olha nós aqui!!”

Coriza e Crispim correram cada um para um lado do balcão para testemunhar o matrimônio. Nisso os dois “noivos” já estavam numa risada só.

Crispim colocou a mão no queixo, olhou meio que desconfiado para a enfermeira e perguntou: “A Senhora que é a padra?”

A enfermeira, no meio de muita risada, respondeu: “Sou eu sim, e os senhores quem são?” Crispim e Coriza responderam prontamente: “Horaaaass, os padrinhos!!”
Coriza: “Xiii, Crispim. Ta faltando uma coisinha aí...”
Crispim: “O quê?”
Coriza: “O buquê!”

Saímos correndo e com um punhado de papel fizemos um lindo buquê! Entregamos para o noivo e continuamos o casamento.
Nossa padra-enfermeira terminou o casamento e logo na sequência corremos para trás dos noivos chamando todo mundo que estava no corredor do andar.
“Corre, gente, corre, os noivos vão jogar o buquê!!”

Quando olhamos para trás, tinha uma galera com a gente participando da festa. Fizemos aquele bagunça no andar gritando: “JOGA, JOGA, JOGA.”

O noivo virou de costas, fez aquele suspense e jogou o buquê, e adivinhem só quem pegou???
Simmmm, a Coriza!!
Quando o Crispim viu a felicidade nos olhos da Coriza, saiu correndo do andar gritando: “Ferrou, agora ela vai querer casar!!! Deixa eu fugir daqui!!”


quarta-feira, 4 de fevereiro de 2015

O Quarto do J


Relato enviado pela voluntária Catarina (Palhaça Pepa)



Missões aparecem a todo o momento e palhaço que é palhaço não foge jamais!!!
Um dia desses Pepa, Olívia e Janja estavam prestes a entrar em um dos quartos do GRAACC quando viram que os nomes dos dois pacientes internados começavam com a letra J.
Coincidência, isso? Claro que não!! Era evidente que pra entrar ali não seria qualquer um!
Pepa e Olívia se entreolharam...  ixiii só a Janja poderia!! O que elas fariam?

- Eu posso entrar!! Meu nome começa com J e vimos que aqui dentro só entra quem tem nome que começa com a letra J. Meu nome é Janja o delas é Pepa e Olívia! – anunciou Janja convicta que tinha passe livre.
- Simmm, pode! – afirmou um dos pacientes, prestigiando sua parceira de J.
- Tah bom!! - Entrou e fechou a porta na cara das parceiras.

Desespero, indignação, raiva do próprio nome... foram os sentimentos que invadiram Pepa e Olívia naquele momento! Elas não podiam e não queriam ficar de fora! Poxa vida!!

- Ei ei, posso entrar também??? – gritou Pepa em um ato de desespero.
- Mas qual é o seu nome? – perguntou Janja se gabando da inicial do seu nome que sustentava.
- Jepa! – respondeu Pepa se rebatizando.
- Então pode! – respondeu o outro paciente que também apoiava a causa J.
- Eu também quero!!! Meu nome é Jolívia! – gritou Olívia assumindo um J para entrar no movimento.
- Pode também! – permitiu o paciente já se sentindo chefe da gangue J!

As três dentro do quaro felizes sentiram necessidade de se integrar com a nova turma! Era importante conhecer todos os novos amigos!!

- Ei, e a senhora, qual é seu nome? – perguntou Janja para a mãe do J.
- Meu nome é Maria. – respondeu a mãe.

Um breve silêncio tomou conta do ambiente. Nem J acreditava que sua mãe tinha um nome que não começava com J!!!
Deveriam eles expulsar aquela senhora do quarto??

- Ah então vamos ter que mudar seu nome também!!! – Janja, Jepa e Jolívia propuseram!!

O pai do J sugeriu o nome Josefa! Após uma breve avaliação dos presentes o nome aprovado e assim foi feito o batizado de Josefa!
Em nome do J, do J e do espirito J. Jamém!!

A outra mãe, que estava ali escondida, também foi batizada!!

E, assim, jotanto pra lá e jotando pra cá, conseguimos cumprir a missão J do dia!


quarta-feira, 28 de janeiro de 2015

Dankon Jackson


Relato enviado pelo voluntário Luciano (Palhaço Crispim)



Estafúrcio e Crispim entraram em um quarto no quinto andar e se deparam com uma amiguinha toda tagarelante no celular: “Porque Dan isso, porque Dan aquilo, onde você esta Dan? Vai demorar pra chegar Dan? Você já esta aqui? Onde você está? Está perdido?”

Opaa!!! Estafúrcio e Crispim escutaram a palavra perdido!!
Estafúrcio: “Vamos tentar identificar onde ele está! Pede para ele descrever como é o lugar que vamos buscá-lo!!”

Nossa amiguinha começou a repetir a descrição do lugar: “Ele está em um lugar com um monte de cadeiras, um monte de gente.”
Estafúrcio: “Tem uma placa assim no teto que fica mudando os números?”
Nossa amiguinha: “Isso, isso!”
Estafúrcio e Crispim se olharam falaram: “Ele está no P.S.!! Amiguinha, você fica ai que vamos lá encontrá-lo, OK?”

Continuamos nossa visita e ao entrarmos no P.S, encontramos nosso querido Dan todo paramentado nas vestimentas do Michael Jackson (chapéu, camiseta, calça, sapatos).
Assim que o Crispim bateu o olho nele, gritou em alto e bom som: “Estafúrcio, Estafúrcio!!! É o Dankon Jackson!!”

Estafúrcio ficou todo entusiasmado e começou a pedir para nosso mais novo ídolo a ensiná-lo a dançar. Dankon Jackson, sem timidez alguma levantou no meio da galera do P.S. e começou a dançar ao ritmo da cantoria do Crispim.
Estafúrcio, nada bobo, começou a tentar aprender a incrível dança com as dicas do nosso astro: “Pula pra direita, fica na ponta do pé, faz isso, faz aquilo!”
Ainda ao som de Crispim, Estafúrcio arriscou alguns passinhos e foi aplaudido.

Crispim ficou tão empolgado que levantou e falou: “Vocês já estão preparados para uma mega apresentação!! Vão lá pra trás da parede e se preparem que vou anunciar o show de vocês!!”
Estafúrcio e Dankon Jackson começam a se preparar para a tão esperada apresentação.

Neste momento o P.S. era uma risada só! Todos ansiosos para a entrada dos nossos astros! Crispim se posicionou e anunciou o grande show: “SENHORAS E SENHORES, VINDO DIRETAMENTE DE NEVERLAND: ELE, O ASTRO DAAAAANNNNNNKONNNNN JAAACKKKSONNN!!!”

Nosso amigo Dan deu um show neste momento!! Junto com Estafúrcio, que representou muito bem todos os palhaços dançarinos do planeta. Dançaram o grande sucesso “embromado” pelo Crispim ao som do: “tu, tu, tu, tu estimionder neri esnegobi, estinionder esneri eeeessnimomó, uoridei, uorinei, uorinai”.

Ao final da apresentação todos aplaudiram o espetáculo e nosso amigo Dankon Jackson saiu com um sorriso de orelha a orelha pela apresentação.


quarta-feira, 21 de janeiro de 2015

7 Ondas


Relato enviado pela voluntária Daniela (Palhaça Janja)



São Paulo, 10 de Janeiro de 2015, sábado, manhã ensolarada na capital.
Não só ensolarada... 37 graus é muito sol. O calor era de raxar!!!!
A dupla Olivia e Janja adentraram o andar da UTI e Janja, com seu figurino verão 2015, de chinelo nos pés, já foi levantando um alvoroço na área de enfermagem.
- Veio direto da praia é?
- Vai pegar onda?
- Tá de férias ainda?
Janja entrou literalmente “na onda” das enfermeiras e dirigindo-se aos pais/acompanhantes que estavam ali de olho na dupla falou:
- Eu vim assim pra pular as 7 ondas. Eu ainda não tive a oportunidade de pular e vou fazer isso agora. Você já pulou as 7 ondas? – indagou a um dos pais.
Meio tristonho ele respondeu negativamente.
- E você? – perguntou para uma acompanhante.
Ela balançou a cabeça de um lado para outro confirmando que também não havia feito a simpatia das 7 ondas.
- Bom, então a hora é agora!! Vamos pular as 7 ondas, fazer os nossos pedidos e começar 2015 com toda força e tirando toda zica !!! O que acham?
Eles toparam imediatamente e foram ao encontro das palhaças.
Toda a equipe de enfermagem se amontoava num canto da UTI para assistir.
Olívia e Janja deram as mãos para os 2 e se prepararam para a primeira onda quando:
- Pera, pera, pêra!!! Para tudo!! – interrompeu Janja – Você vai molhar sua calça desse jeito! – advertiu dirigindo-se ao pai.
- Poxa vida... é mesmo! Bem lembrado! – disse o pai já se ajoelhando e dobrando as barras da calça para não molhar na água.
Tudo pronto agora!
- 1 – gritaram todos juntos e pularam a primeira onda fazendo seus pedidos.
- 2 – pularam a segunda onde e fizeram mais um pedido.
Quando Janja olhou para o canto das enfermeiras, percebeu que elas estavam emocionadas com a cena. O que a fez pensar que, muito provavelmente, aqueles pais tivessem passado a virada do ano ali no hospital ou em casa impedidos de viajar com os filhos por conta a saúde debilitada deles.
Janja ficou arrepiada e comovida com a situação. Ela olhou para Olívia e era visível o seu estado de emoção também.
Isso as fez pular as outras ondas com muito mais intensidade que as primeiras.
- 7 !!!! Uhuuuuuu agora estou pronto pra 2015!!! – disse o pai.
- 2015 vem ninim!!! – disse a mãe, visivelmente muito mais feliz do que na chegada da dupla.
- 2015 vai bombar!!! – gritou Olívia.
Todos se abraçaram e Janja e Olívia seguiram o seu trajeto para o outro lado da UTI com aquela sensação de alma lavada tendo a certeza de que as baterias foram recarregadas para enfrentar mais um ano de dificuldades, tristezas, mas também de muuuuuuuuuitas vitórias!!

Então que venha 2015 com força. Ele é nosso!!!!!

quarta-feira, 14 de janeiro de 2015

Não Pode Falar “Alto”!!!


Relato enviado pelo voluntário Paulo (Palhaço Arlindo)



Entramos em um quarto e demos de cara com duas crianças, uma estava bem acordada, sentada na cama, e a outra estava dormindo tranquilamente ao lado. Quando entramos, Tadeu começou a dar “oi” para todo mundo, com a voz bem alta, foi ai que pedi pra ele ficar quieto e que não falasse alto.

Mas como o palhaço leva tudo ao pé da letra, Tadeu perguntou pra mim: - O que não pode falar?
Arlindo: - Alto! Não pode falar Alto. (falei a palavra “Alto” em um tom de voz bem baixo)
Tadeu: - Então! Você falou!
Arlindo: - Falei o que?
Tadeu: - Alto!

Foi aí que a dupla inteligentíssima entendeu que a palavra “Alto” não podia ser dita e ficaram nessa discussão por um bom tempo:
Tadeu: - Então! Você falou!
Arlindo: - Falei o que?
Tadeu: - Alto!
Arlindo: - Eu não falei, foi você que falou!
Tadeu: - O que?
Arlindo: - Alto!
Tadeu: - hahaha... Olha lá!! Você falou Alto de novo!!!
Arlindo: - Tadeu! Como você é burro!!! Você falou!
Tadeu: - O que?
Arlindo: - Alto!!!

Os dois ficaram um tempão nesse assunto e a menina que estava sentada na cama, nunca caía na armadilha dos dois palhaços, eles queriam que ela falasse “Alto”, mas ela nunca falava!
Mas, quando ninguém esperava, ela deixou escapar...

Arlindo: - Falei o que?
Tadeu: - Alto!
Arlindo: - Eu não falei, foi você que falou!
Tadeu: - O que?
Arlindo: - Alto!
Menina: - Para de falar Alto!!! (ela já não aguentava mais a gente falando isso).

Foi nesse momento que Arlindo e Tadeu caíram na gargalha e começaram a apontar para a menina e dizer: - hahahaha!!!! Olha lá! Você falou Alto!
Tadeu: - Iiiiiiii... Arlindo, você também, falou!
Arlindo: - O que?
Tadeu: - Alto!
Arlindo: - Não, foi você quem falou!
Tadeu: - O que?
Arlindo: - Alto...

Os dois foram saindo do quarto aos sons de gargalhada da menina que não entendia a maluquice daqueles dois palhaços... E, até agora, ainda não sabemos se Arlindo e Tadeu pararam de falar “Alto”!
Opsss... eu também falei! O que?....


quarta-feira, 7 de janeiro de 2015

Sessão de Autógrafos


Relato enviado pela voluntária Daniela (Palhaça Janja)




Percorremos o 5º andar e demoramos a achar um quarto que pudéssemos entrar. Ou tinham placas azuis, verdes e vermelhas sinalizando isolamento ou o paciente estava dormindo.
Porém, nesse quarto que entramos foi diferente. Lá estava ele com o celular na orelha. Coloquei a metade do corpo dentro do quarto e ele acenou com a mão dizendo que eu podia entrar. Eu entrei na frente de Dália e disse: diz pra ela que estou mandando um beijo. Ele afastou um pouco o celular da orelha e respondeu: eu tô colocando crédito! Revidei: Então tá, manda um beijo pra ela mesmo assim... hahahahaha
Ele desligou o telefone e já foi logo explicando o problema de acabarem os créditos, que as pessoas ligam a cobrar, etc, etc, etc.
Um assunto emendando no outro, ele puxou uma mala que estava ao lado da cama e foi nos mostrando a foto dos filhos, dos netos, falando da sua vida, das derrotas, conquistas e permanecia falando enquanto Dália e eu ouvíamos atentamente suas histórias ora engraçadas, ora emocionantes, às vezes até tristes. Afinal de contas quando olhamos pra trás percebemos que temos todos os gêneros para nossas histórias: comédia, terror, ficção, suspense, romance, aventura... A nossa vida é ou não é um filme? E o diretor somos nós mesmos! Nossa, tenho um cargo importante! Bem, voltemos...
Entre suas narrações ele nos disse que foi um jogador de futebol do palmeiras da década de 70.
Dei um salto e falei ajeitando a roupa mostrando que estava de partida: - Então vou embora! Não gosto do palmeiras. Sou Corinthians!
Ele, muito cordial e amoroso, respondeu: - Mas o que seria do Corinthians sem o Palmeiras?!
Pequena pausa... E o que seria do Palmeiras sem o Corinthinas?!
Olhei para Dália. Dália arregalou seus olhos de jabuticaba e olhou pra mim. Balancei a cabeça de lado e falei: - Justo! Você tem razão. Me dá um autógrafo aí então, vai...
Ele falou: - Mas é claro! Você pode pegar esse bloco que está aí sobre a mesa e a caneta?
Peguei todo o material e entreguei pra ele.
Com toda educação ele nos ofereceu cadeiras para sentar, pois ele não queria autografar de qualquer jeito, com pressa.
Nós sentamos e ele começou a decorar o papel. Usou até esquadro para emoldurar a folha. Só não usou compasso e glitter porque não tinha. Enquanto ele escrevia continuávamos conversando sobre vários assuntos, inclusive futebol. Ele falava do Palmeiras e eu do Corinthians.
Finalizada a sessão de autógrafos, com dedicatórias e decorações, nos despedimos e fomos embora daquele quarto felizes e pensativas.
Nem sempre precisamos fazer algo sensacional, uma cena incrível ou arrancar muitas gargalhadas.
O palhaço vai muito mais além do que arrancar boas risadas.
Ele se relaciona com o que está se passando naquele momento e aquele momento pode ser: eu preciso falar, eu preciso ser ouvido, eu preciso partilhar...
E foi isso!
Ouvimos, dividimos nossas histórias com ele, ele com a gente e agora partilhamos um pedaço dela com você.

quarta-feira, 10 de dezembro de 2014

Consulta Médica


Relato enviado pela voluntária Cinthia (Palhaça Olivia)



Na Quimioteca eu não passava muito bem sabe?!
(Na verdade eu não queria muito trabalhar, e acabei inventando que eu estava doente).
Vi de rabo de olho que uma menininha tinha o dom para medicina, já que estava com todas as ferramentas para cuidar de alguém que precisasse, e eu estava muito precisada!
Arlindo logo se prontificou em ser o ajudante enfermeiro e o Batatinha, o socorrista, que transportava o paciente de um lado para o outro.

A médica especialista disse que eu realmente não estava bem e começou a me examinar... primeiro queria ter certeza de que meu coração batia! Colocando o estetoscópio no meu peito achou algo muito estranho, meu coração batia feito uma escola de samba, todas as vezes que ela apoiava o instrumento em mim o samba só aumentava. (Arlindo batucando sem ninguém perceber).

Fui ficando preocupada... eu tinha inventado que estava doente para pegar atestado e não trabalhar, mas eu realmente comecei a me sentir um pouco debilitada, já que a médica dizia que eu não estava bem.

Ela examinou minha audição, dizendo que estava tudo entupido e que eu precisava de uma injeção nos ouvidos e no bumbum para voltar a ouvir.
- Aiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiimmmmmm. Ai Ai!
Arlindo e Batatinha me seguravam com um sorriso nos lábios (até agora não entendi o porquê)!
Minha situação era crítica!! Eu chorava porque não sabia que estava tão doente assim...Ufa!! Mas voltei a ouvir!!

- Pronto, Arlindo, já estou melhor! Obrigada Doutora, já estou bem para trabalhar! Tchau...
Arlindo: - Olivia, não era você que estava reclamando a pouco que seu joelho estava doeeeeeeennnndo!!?!?!?!??!?!
Olhei de cara feia para o Arlindo, ameaçando com o olhar “que ele iria ver só depois”...

A doutora rapidamente me mandou continuar sentada!
Lá era ela que mandava e eu não podia fugir. Ela me virou de um lado para o outro, olhou de frente de costas, agachada e com os pés para cima (dessa parte eu gostei! hehehe).
Só não pensei que viria o pior... ela disse que minha cura seria um tapa bem forte no joelho!
Gritei: - UM TAAAAPA??? Nãooooooooooo!!!!
Ela repetiu:  - Simmmm, um tapa simmmm, porque só assim você vai sarar e tomar juízo!
Eu, com cara de medo, não sabia o que fazer... Meus companheiros ainda risonhos me seguravam, e eu, com muito medo, olhava assustada enquanto o Arlindo estava prestes a abaixar a mão até meu joelho (o enfermeiro ajudante iria bater sem dó, nem piedade).

- Péeeeeraí.... Vai doer??
Arlindo: - Só um pouquinho, Olivia. Precisa ser bem forte!!
- Aiiiiiii....Péraí, Péraí... Tem certeza???
Arlindo: - Olivia, lógico que sim, ela é a médica! Ela estudou para isso, eu confio nela e você também deveria confiar!
- Eu confio... eu confiooooo.... Só que Péeeeeraaaí... me deu vontade de fazer xixi.....
Arlindo: - Olivia para de ser medrosa, e senta aí!!!

Nessa hora o Batatinha me segurou e apoiou meu joelho no seu joelho para que eu não tivesse escapatória! O Arlindo estava sedento, colocando toda sua força naquela mão, pestes a bater no meu pobre e delicado joelhinho. Todos na Quimioteca estavam na expectativa, esperando o momento certo.... até que....
Páaaaaaaaaaaaaaaaahhhhh (tapa estalando).
- Aiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiii (grito de dor)!!!!!!!

No momento do tapa eu vazei!! Saí de lá num pulo muito rápido, tremendo de medo....  O tapa na verdade foi no joelho do Batatinha e o grito foi dele...
Saí gargalhando e aliviada... Ufa essa foi por pouco!
A gargalhada percorreu toda aquela ala. E os bobões saíram correndo atrás de mim... hahahahahahaha
 

quarta-feira, 26 de novembro de 2014

PLAFT!!


Relato enviado pelo voluntário Mauro (Palhaço Malavazzi)



PLAFT! Entrei no quarto sozinho e fechei a porta bem rapidamente! Fez até barulho! Me aproximei da mãe e da filha que estavam lá e comecei a puxar papo, mas elas não me olhavam, seus olhos estavam na porta.

- O seu amigo. Você deixou ele lá fora. Acho que a porta bateu nele quando ele ia entrar?
- Ai é? Sério? Nossa!

Logo fui correndo até a porta, abri e lá estava o Catarino, todo destrambelhado. Eu disse, em seguida:
- Ai... será que machucou? Será que fez dodói? Ai, ai. Será?

O Catarino abriu um sorriso discreto, pois achou que estava sendo paparicado por mim, mas logo viu que na verdade eu estava preocupado era com a porta!

- Ai, portinha! Desculpe, eu te bati muito forte? Eu te bati na cara dele? Nossa! Ela tá machucada sim! Tem até um pouco de maquiagem dele que ficou aqui na porta depois da batida! Nossa, desculpa mesmo! Deixa eu ver se a dobradiça também se machucou, só preciso fechar você aqui e... PLAFT!

- Você bateu a porta no seu amigo de novo, coitado!
- Ai, é? Nossa, nem percebi!

Abri a porta e o Catarino agora estava chorando, mais destrambelhado. As moças pediram para ele entrar e ele entrou com o corpo quase todo. Eu fechei a porta e logo me virei para conversar com elas. Enquanto conversávamos ouvíamos um barulho incômodo, uma lamentação, um som estranho.

- Você fechou a porta no braço do seu amigo! Ele tá chorando!
- Ai, é? Nossa, nem percebi!

Fui correndo até a porta, onde estava o Catarino semi-preso e o liberei. Senti que era hora de me desculpar.
- Sabe... eu não te tratei bem hoje. Fui negligente, não fui um bom amigo. Me perdoe!

Catarino abriu os braços para receber o meu abraço, mas eu passei reto por ele e fui me desculpar com a minha grande companheira: a porta!

Catarino saiu do quarto chorando e eu saí atrás dele, sem entender nada.

  

quarta-feira, 12 de novembro de 2014

A Moda é Usar Coque



Relato enviado pelas voluntárias Roberta e Rubia (Palhaças Aurora e Dalila)




Aurora, Dalila e Bernadino param na porta de um quarto e se deparam com uma linda garota carequinha, com uma toca de lã, em cima de uma escadinha na beira da cama. Ela estava finalizando um penteado em sua boneca. Aurora curiosa pergunta “Quem é ela?”. A menina parou, olhou para a porta e respondeu: “Meu bebê” e mostrou para o trio.

Os três entram no quarto e Aurora diz que “Nossa que lindo este rabo de cavalo”. A garotinha, imediatamente, corrige e diz “É coque”, e o trio arruma o elogio e fala: “Que lindo coque”. Se sentindo orgulhosa, ela diz que tinha feito.

Dalila disse então sobre a incapacidade de Aurora fazer um coque e logo a colocou sentada no sofá e começou a fazer o penteado. Quando terminou o coque em Aurora, Dalila pediu para B. um penteado também. Ela ficou muito animada e aceitou na hora arrumar o seu cabelo.

Pronto! As duas estavam lindas, mas só faltava o Bernadino ter um coque também. Dalila pergunta “E o Bernadino?”. A menina responde “Ele não tem cabelo, não dá para fazer coque.”

Dalila não hesitou e pegou papéis na pia, fez uns rolinhos e colocou na cabeça de Bernardino. B. logo disse “Isso é Maria Chiquinha, coque é assim” e foi rapidamente arrumar o cabelo de Bernardino.

Pronto! Os três estavam de coques desfilando orgulhosos com seus belos penteados no corredor do hospital e muito agradecidos com a B.

Depois de visitar outros quartos, o trio passou novamente pelo quarto da B. e pelo vidro viram uma enfermeira sentada no sofá e a garotinha fazendo um coque no cabelo dela também.


Viu como os coques fizeram sucesso? Isso mostra que qualquer um pode ter um belo coque. E você já tentou fazer o seu?