Palhaço também conta histórias!
Neste blog você pode saber um pouco mais das nossas histórias vividas nos hospitais.

quarta-feira, 16 de outubro de 2013

Quarto Ao Contrário = otrauQ oA oirártnoC


Relato enviado pelo voluntário Paulo (Palhaço Arlindo)

 
 
                                                                                      Ilustração Felipe Tognoli

Estávamos passando pelo quarto de um garotinho e uma menina, quando perguntei se podíamos entrar, o menino disse que eu podia, logo pensei, Charles não pode, então pedi para que ele ficasse lá fora enquanto eu ia perguntar se ele também poderia entrar.
 
Enquanto Charles ficava na expectativa lá fora... fui explicando para o pessoal do quarto que meu amigo Charles tinha um trauma de infância, que ele era tão feio que teve que aprender a andar com 11 meses, porque ninguém queria pegar ele no colo...
Combinei com a menina, a mãe dela, o menino e seu pai, que quando Charles entrasse no quarto, todos gritariam: “NOOOOOOOOSSA... QUE PALHAÇO BONITO”...
Ensaiamos duas vezes, até ficar bem harmonizado... Logo em seguida pedi para que Charles entrasse, avisando que o menino havia liberado sua entrada...
 
Quando Charles foi dar um oi para o pessoal, todos gritaram juntos: “NOOOOOOOOSSA... QUE PALHAÇO BONITO”...
Ahhhh isso foi música para os ouvidos do Charles, que ficou muito feliz, agradeceu a todos pelo elogio e começou a zombar de mim, falando que ele era bonito e eu feio... 
 
Foi nessa hora que contei toda a verdade para Charles, pedi para que ele fosse forte e entendesse o que acontecia naquele quarto! Disse: “Charles, isso não foi um elogio, na verdade, tudo que é dito nesse quarto tem um significado contrário, ou seja, quando eles falaram que você é bonito, na verdade eles disseram que você é feio!”
 
Daí pra frente tudo ficou realmente ao contrário naquele quarto, todos pegaram o espírito da brincadeira e começaram a falar as coisas no sentido contrário do tipo:
 
“você é feio” = “eu sou bonito”
“eu sou elegante” = “você não é elegante”
“thcau” = “oi”
“oi” = “tchau”
 
Ficamos ali por alguns minutos, e confesso que no final já estava muito confuso, já não sabia mais quando era certo, quando era ao contrário, mas o que ficou marcado naquele quarto foi no momento de ir embora, quando dizíamos “oi vamos ficar, porque não param de chamar a gente de bonito” = “tchau vamos embora porque não param de chamar a gente de feio”... Eles começaram a falar: “sim, vão embora palhaços, vocês são feios, não voltem” = “não, fiquem palhaços, vocês são bonitos, voltem”!
 
De uma maneira bem confusa nos sentimos muito amados!
 
 

quinta-feira, 10 de outubro de 2013

Fazemos Carreto


Relato enviado pelo voluntário Mauro (Palhaço Malavazzi)

 
                                                                                           Ilustração de Felipe Tognoli


Um pequeno menino puxava para cima e para baixo um caminhãozinho de brinquedo. Entramos em seu quarto, onde havia mais três pacientes e logo propagandeamos o nosso serviço de carreto. 
- T., você leva esse meu chapéu ali até o Tunico, por favor?
- Levo!
 
E lá ia o chapéu, na caçamba do caminhãozinho.
 
- T., você leva esse meu desentupidor ali até o Tunico, por favor?
- Levo!
 
E lá ia o desentupidor.
 
Mostramos ao público o quão seguro e eficiente era o nosso serviço. Será que alguém gostaria de usá-lo?
- Eu gostaria. Queria que me levassem daqui até Aracaju.
- Aracaju?! Ai, ai, ai. Tudo bem.
- Eu também quero! Quero ir para o Jardim Ângela.
- Tá... mais perto, beleza.
- Eu também! Quero ir para Piracicaba!
- Certo, combinado.
- E eu quero ir para Garça!
- Garça? Não sabemos onde fica, mas tudo bem, a gente leva.
 
Estava combinado, o caminhãozinho partiria ao meio dia e faria o trajeto para o Jardim Ângela, depois vira à esquerda e pega para Piracicaba, aí dá um pulo em Garça e, de lá, toca direto para Aracaju!
 
E o T. todo feliz que finalmente conseguiria uma utilidade de verdade para o seu caminhãozinho...
 

quarta-feira, 2 de outubro de 2013

Pura Maldade!!



Relato enviado pela voluntária Paloma (Palhaça Lorena)



                                                                                             Ilustração de Ricardo Ferri
 

Os palhaços são todos bonzinhos ou existem palhaços malvados?
  
Bom, eu acho que existem palhaços malvados. Aliás, não só existem como fazem parte da Operação Arco-Íris. Quem será?
 
Ascarez e eu passamos por um quarto no quinto andar. Não pudemos abrir a porta, pois a paciente estava em isolamento. Não conseguimos simplesmente passar pelo quarto. Começamos a observar a menina que brincava de boneca lá dentro, enquanto sua mãe dormia.
 
Não demorou muito para a garotinha perceber a nossa presença. Através de gestos, nós perguntamos se a mãe dela estava mesmo dormindo e a menina respondeu que sim. Foi aí que Ascarez e eu bolamos um plano malévolo: pedimos para a garota dar um susto na mãe. 
 
Fizemos a mímica do nosso plano, simulando como a garota daria o susto e como a mãe acordaria apavorada. A menina adorou a nossa ideia, afinal, ela não parava de rir da nossa simulação.
 
Depois de saber todos os detalhes do plano, a menina foi caminhando sorrateiramente na direção da mãe. A cada passinho, a garota olhava pra gente, compartilhando o que sentia. Ascarez e eu acenávamos para a menina seguir adiante com o plano.
 
A menina chegou bem perto da mãe e Búúúúú!!!
 
A mãe levou o maior susto e acordou sem entender nada. A menina comemorou comigo e com o Ascarez, enquanto sua mãe recuperou o fôlego e deu uma risadinha. Ascarez e eu nos escondemos rapidamente e fugimos sem deixar pistas do nosso plano malévolo.
 
Tá bom, eu confesso: Ascarez e eu somos palhaços malvados! Mas só de vez em quando...
 

quinta-feira, 5 de setembro de 2013

Ode ao Romão

Uma singela homenagem ao amado Presidente da Operação Arco-Íris.

Poema de autoria da voluntária Adriana (Palhaça Múrcia).





Ode ao Romão



Nesta linda manhã do dia 5 de setembro,

Decidimos homenagear, dentre os nossos voluntários, o principal membro.
 
 
 

Ele pode até não ser um grande exemplo de inteligência,

Mas hoje ele ocupa a nossa presidência.


 
 
Em suas aventuras nos hospitais ele já foi índio, astronauta e até poliglota,

Apesar de não passar de um palhaço idiota!
 
 
 
Adoramos o seu jeitinho meigo e lento, que é bem hilário,

E hoje lhe desejamos um Feliz Aniversário!
 
 
 
Ele é cativante e tem um enorme coração,

E é por essas e outras que amamos o nosso querido Romão!
 

quarta-feira, 28 de agosto de 2013

Chorão!



Relato enviado pelo voluntário Rodrigo ( Palhaço Mixirico)



Em um dos quartos do hospital, uma mãe brincava com seu pequeno filho.

Paramos em frente a porta, meu parceiro Charles e eu, e, antes mesmo que batêssemos à porta, a mãe nos convidou a entrar.
Mal sabia ela que nós já havíamos sido convidados pelo pequenos J.!
Sim, ele nos convidou através do seu olhar... e que olhar! Até porque há tempos ele não esboçava reação a nada.
Na sua cama, J. brincava com 2 bolinhas e um vaso.
A brincadeira consistia em colocar as bolinhas dentro do vaso. Tarefa difícil para um bebê de 11 meses. Na verdade, é difícil até para o meu parceiro Charles!!
 
A mãe se manteve afastada, observando a todos os detalhes de seu bebê.
E lá estava J. tentando encaçapar as bolinhas, tendo como espectadores Charles e eu, um de cada lado da cama.
Tenta daqui, tenta dali e nada das bolinhas entrarem... quando, de repente, "pluft" (barulho de bolinha entrando no vaso), ele encestou uma bolinha.
Charles aplaudia efusivamente, eu também, mas a criança estava vidrada nos movimentos do meu parceiro.
E, quanto mais o Charles aplaudia e ficava feliz, mais o J. ria... e sua mãe... sua mãe chorava!!!
Sim... chorava um choro gostoso, um choro alegre... feliz!!!
 
E eu?? O que fiz??
Ah... eu chorei...
 

quinta-feira, 22 de agosto de 2013

Corta o fio certo, pô!!



Relato enviado pelo voluntário Fábio (Palhaço Tunico)




Cenário: Oncologia do Hospital Darcy Vargas
Seres: Quincasss e Tunico
Público: Jovenzinho J. e sua mãe
Cena: J. fazendo algo no notebook
______________

- Olá, o que está fazendo aí no note? - Quincasss

O garoto ignora...

- Está jogando na internet? - Tunico

- NÃO TEM INTERNET AQUI NÃO TÁ VENDO!!! - Diz J. bravo e sem nenhum contato visual conosco.

- Tá jogando o que então? - Quincasss

- Tô jogando blah untho bixiuba! - Diz garoto mostrando a língua totalmente apático a nossa presença.

Silêncio de 3 segundos...

- Porque vocês não vão mostrar o pipi pros outros? - Garotinho, quase que expulsando a gente do quarto.

- É esse o jogo que está jogando? - Quincasss e Tunico, quase que falando juntos.

E o garoto começa a puxar os fios de carregador e headset todos embaraçados...

- Cuidado senão vai explodir!!! J. corte o fio vermelho, o verde não. O fio VERMELHO! - Tunico com as mãos na boca segurando seu rádiotransmissorfockers 3.8.

Leve sorriso de canto de boca no garoto.

Quincasss e Tunico se olham rapidamente...

Daí pra frente já devem imaginar a bagunça que foi no quarto, seguida de sorrisos e correrias!!

quarta-feira, 14 de agosto de 2013

Até quando é ruim é bom!


Relato enviado pelo voluntário Fabio (Palhaço Bordô)
 


Até quando é ruim é bom.
 
A visita não tinha sido aquelas coisas.
Foi a primeira vez que esta dupla se encontrou no hospital e, por motivos que não sabemos explicar, faltou escuta, algumas propostas se perderam, algumas ideias não conquistaram as crianças, topamos com climas pesados...
 
Mas milagres acontecem todos os dias, até naqueles que não são tão bons.
Então, quando já estávamos no banheiro do subsolo para nos trocar, um senhor da manutenção do hospital passou por nós e fez questão de conversar, ou melhor, dar uma aula.
 
Com toda simplicidade e sabedoria, disse que o palhaço é uma pessoa muito importante para a sociedade, pois a situação pode estar muito ruim, mas o palhaço persiste na sua alegria, mesmo com tudo desmoronando a sua volta, por isso é um personagem para se reverenciar sempre.
 
E quem somos nós para discordar deste, cuja sensibilidade merece ser reverenciada?
 

quarta-feira, 7 de agosto de 2013

Menino-Cachorro–lobisomem-vampiro...


Relato enviado pelo voluntário Paulo (Palhaço Arlindo) 

 

Aquela manhã estava um pouco assustadora, Pepa e eu tínhamos acabado de sair de um quarto fantasma e estávamos procurando um lugar para nos escondermos.
Vimos que havia um quarto aparentemente vazio e INOCENTEMENTE entramos, tudo parecia estar calmo e tínhamos a sensação que finalmente havíamos encontrado um lugar seguro.
 
Maaaaaaaaaaaaaaas.....
 
Quando fechamos a porta e viramos para a janela, algo estranho aconteceu, uma voz estranha vinha do fundo do quarto: “SAIAM DAQUI !!!! VOU PEGAR VOCÊS !”....
 
Nesse momento, mostrei toda a minha coragem e braveza, e em um ato heróico me escondi no banheiro, deixando a Pepa sozinha no quarto.
 
Pepa, muito irritada, foi e me tirou a força do banheiro!
 
Tentamos uma comunicação de todas as formas, até percebermos que essa voz misteriosa vinha de alguém que estava embaixo do cobertor, continuamos tentando manter contato e saber um pouco mais do que era aquilo, até o momento em que sua identidade secreta foi revelada, tínhamos entrando no quarto do incrível Menino-Cachorro–lobisomem-vampiro...
 
Tínhamos que enfrentar aquele medo!! Não podíamos deixar que os fantasmas e monstros tomassem conta do Hospital!! Pepa, de um lado, tentava pegar o Menino-Cachorro–lobisomem-vampiro pelo pé, enquanto eu silenciosamente tentava puxar seu cobertor.
 
Nesse momento eu consegui visualizar que aquela voz nada mais era do que um frágil e destemido Boneco da Turma Mônica... Há Há Há. 
Falei pra Pepa: “Olha só do que estamos com medo, disso aqui, que não faz nada pra ninguém!!”
Começamos a comemorar e pular de alegria, pois finalmente tínhamos encontrado um lugar seguro para ficar...
 
Infelizmente estávamos enganados novamente, pois o incrível Menino-Cachorro–lobisomem-vampiro surgiu enrolado no coberto gritando: “Raaaaaaaaaaaaaaaaaa... enganei vocês.... vou pegar vocês....”
 
O final vocês já devem imaginar!
Claro que saímos correndo em disparada para fora do quarto!!!! DESESPERADOS em busca de socorro.
 

quarta-feira, 31 de julho de 2013

É com muito amor


Relato enviado pela voluntária Daniele (Palhaça Clô)

  



Entramos em um quarto onde havia um casal de senhores bem simpáticos. O marido é quem estava internado.
 
- Com licença, podemos entrar? – perguntaram Clô e Jaime.
- Claro! – respondeu a simpática senhora.
- Sabe... Eu vim aqui porque eu sei que vocês serão capazes de responder uma dúvida minha! – disse a Clô.
- Pois não! - disse a senhora e o senhor já ficou olhando pra saber o que viria dali!
- Sabe que que é?! ... Eu casei! É casei! Cansei de ficar solta pelo mundo então eu casei!!
- Parabéns! É muito bom casar! – disse o senhor.
- É mesmo? Então vamos ver se o senhor é capaz de responder a minha maior dúvida! – indagou Clô.
- Pois não! – respondeu ele.
Clô deu um suspiro e perguntou: - Como é que faz arroz?
Depois de risadas no quarto, a senhora se precipitou e respondeu: - Aaaah! Ele responde melhor que eu! Porque o arroz dele é mais gostoso!
O senhor respondeu: - Ah! É com muito amor!
- Poxa! Mas eu coloco o amor mais pro final ou pro começo da receita? – perguntou Clô.
- Bom, eu coloco quando ponho o arroz na panela! – respondeu ele.
- Aaah! Eu coloco logo quando ponho o óleo na panela! – disse a esposa.
Depois de uma breve discussão sobre o ingrediente principal, a esposa conclui: - É... deve ser a receita dele! Pois estamos juntos já há 49 anos!
A Clô viu que era um potencial de casamento e, dizendo que ia naquela hora mesmo comprar os ingredientes, concluiu antes de sair pela porta: - Daqui há 49 anos a gente se encontra e eu digo se deu certo!
 

quarta-feira, 17 de julho de 2013

É o novo som de Salvador!!!


Relato enviado pelo voluntário Pedro (Palhaço Jaime)
 
 
 

Entramos em um quarto e encontramos I., um Pernambucano que morou muito tempo em Salvador. Começamos a relembrar ritmos da Bahia e I. revelou que gostava de Axé.
 
Jaime começou a ensaiar alguns passos e D. Saradona perguntou se Jaime sabia dançar todos os ritmos. Jaime afirmou que sim, obviamente, e I. já começou a rir, antes mesmo de Jaime começar sua dança.
 
D. Saradona pediu que Jaime dançasse o Lago dos Cisnes e, Jaime começou sua performance... Dançou, dançou e, no final, pediu a opinião dos presentes. 
 
I., que ria bastante, olhou para o Jaime e disse: “Eu não vi nenhum Lago dos Cisnes... para mim parece mais a DANÇA DA GALINHA DESPENADA”. 
 
Neste momento Jaime percebeu que havia criado uma nova dança que revolucionaria o mundo!
D. Saradona também achou incrível a nova descoberta e convidou Jaime para sair em busca de patrocinadores.
Assim, deixamos o quarto ao som dos risos de I. e rebolantes com mais uma descoberta!!
 

quarta-feira, 10 de julho de 2013

Choro Cheiroso


Relato enviado pela voluntária Viviane (Palhaça Dália)

 
 


Após visitarmos a enfermaria no 5° andar do Menino Jesus, Lorena e eu nos dirigimos à escada para subirmos ao 7º andar.
Quando chegamos ao pé da escada, nos deparamos com uma moça que estava descendo, com os olhos um pouco vermelhos. Entretanto, o que nos chamou mesmo atenção naquela moça era o cheiro! Como era cheirosa!!
  
Lorena logo disse: "Nossa! Como a senhora é cheirosa!"
 
E a moça respondeu, timidamente: "É que eu estava chorando...". 
 
Ficamos muito surpresas! 
 
"Então quer dizer que quando a senhora chora, fica cheirosa?"
 
"Sim, eu fico!"
 
Neste instante, percebemos que ela ia começar a chorar de novo e a ficar ainda mais cheirosa! Sem demora, a abraçamos bem forte, na esperança de darmos algum carinho e apoio, mas também de receber um pouco daquele perfume magnífico! Quando terminamos o abraço, ela continuou a descer as escadas, avisando que tinha que ir chorar mais um pouquinho e, logo, ficar mais cheirosa.
 
Nos despedimos mandando beijos e ao som de elogios como diva, linda, musa e, claro, CHEIROSA!! Afinal um encontro com alguém que chora lágrimas perfumadas não acontece todo dia!
 
 

quarta-feira, 3 de julho de 2013

IBOPE do Coração


Relato enviado pelo voluntário Fábio (Palhaço Tunico)
 

No sétimo andar, Tunico e Jaime aprenderam como levantar a audiência da TV!
 
Os palhaços pediram licença para entrar no quarto através do vidro da porta e J. faz um leve sinal com a mão. Entrando no quarto, Tunico viu que J. olhava desinteressado para a TV onde passava um desses programas matinais e perguntou se ele gostava desse tipo de programa. Fazendo sinais com a mão J. disse que não e Jaime tentou mostrar pra ele que o programa poderia ser legal.
 
Tunico percebeu que aquele monitor do outro lado da cama não era um monitor cardíaco mas sim um “medidor” de IBOPE!!
Ao mostrar o aparelho para Jamie os dois perceberam que J. deu um leve sorriso e que isso fez o “IBOPE” aumentar.
  
Pronto! Bastou isso para que os dois palhaços pulassem de alegria no quarto!! As enfermeiras do lado de fora, que olhavam pelo vidro, vibravam com a alegria do quarto. A cada número que aumentava no monitor a alegria brilhava no quarto, de uma vez ou outra J. conseguia sorrir o que deixava todos maravilhados!
 
Tunico e Jaime saíram do quarto vibrantes porque haviam conseguido aumentar em 10 pontos o IBOPE daquele quarto.
 

quarta-feira, 26 de junho de 2013

Peguei um peixe!!!


Relato enviado pelo voluntário Pedro (Palhaço Jaime) 

 

Entramos no quarto de L., um menino que tinha nome de cantor e estava deitado assistindo Televisão. Começamos a falar sobre vários assuntos e descobrimos que ele gostava muito de futebol e que era muito bom jogador! 
 
Chegamos à conclusão de que a união entre o nome de cantor e o talento para o futebol faziam uma junção perfeita, pois quem pede música é porque fez três gols... Sim, a piadinha foi ruim, mas menino prontamente concordou!!! Rsrsrsrs.
 
Alguns jogos aconteceram e, então, uma nova e importante revelação: O menino disse que adorava pescar e que tinha muita prática. Pescava com minhoca, camarão, isca artificial...
 
Neste momento, Jaime ergueu sua vara de pescar e começou a pedir orientações ao menino e ele prontamente atendeu!
 
- Levanta a vara de pesca... Jaime levantou...
- Agora, coloca a minhoca... Jaime colocou...
- Agora JOGAAAA... Jaime se preparou para jogar a vara inteira e o menino muito rapidamente disse: “A VARA NÃO!!!! SEGURA A VARA DE PESCAR E JOGA A LINHA COM A MINHOCA!!!”
 
Jaime se preparou, mirou e jogou com bastante força. Neste momento, D. Saradona, ou melhor, a peixe Saradona, passava pelo local e mordeu com força o anzol...
 
L. ria muito e Jaime tentava fisgar aquele peixe!
 
L dizia: Puxa a vara... mas Jaime não conseguia, pois a peixe Saradona, como o próprio nome diz, era muito forte.
 
O peixe fazia muita força e Jaime começou a ser arrastado em direção a porta... O menino mandava puxar, mas o peixe era mais forte!!! Enfim... quem pode com um peixe tão Sarado assim!!!
 

quarta-feira, 19 de junho de 2013

De volta pra casa


Relato enviado pela voluntária Daniela (Palhaça Janja)

 



Encontramos no 4º andar a Dona A. do carrinho de comida e ficamos ouvindo ela contar a história do Sururu láaaaaaaaa de Alagoas. Oh mulher boa pra contar história. Ela é do tipo mãezona, acolhedora, com um sorriso largo no rosto, dentes brancos e perfeitos e que te faz sentir bem logo de cara.
Ricota e eu ficamos nos deliciando ouvindo ela contar a história. Fomos embora daquele andar, mas encontramos Dona A. novamente no 6º andar, quando já estávamos de saída. 
 
Eu disse pra ela: Dona A. amei a senhora e o tal do sururu, posso te dar um abraço? 
 
Ela: Oxi, mas é claro que sim. 
 
E nos abraçamos sem pressa de largar. Sabe aquele abraço longo e acolhedor?! Pois é, eu acho que eu estava precisando de um desses e não queria mais soltar.
 
Quando eu finalmente larguei Dona A., ela estava com os olhos cheios d´água e disse: Olhe, eu estava tão desanimada e triste. Hoje cedo me ligaram lá de Alagoas pra falar que minha mãe sofreu um derrame. Eu tava aqui com meu coração apertadinho e só pensando em “mainha”. Esse abraço foi a melhor coisa que podia ter me acontecido.
(Acho que nós precisávamos uma da outra). 
 
Falei pra ela: Não seja por isso... 
Abri os braços, bem grandão, como se fosse o Cristo Redentor e disse: Me abrace mais!!!!
  
Nos abraçamos mais e fui embora dali refletindo sobre aquele momento.
Várias coisas fervilhavam na minha cabeça, quando Ricota disse: Janja, acabou nossa visita. Vamos nos trocar?
  
Eu disse: Não. Vamos embora assim. Quero ir pra casa assim... Janja.
(Uma das coisas que passavam pela minha cabeça quando Dona A. falou de sua mainha foi que faz 10 anos que meu pai teve um derrame e encontra-se numa cama totalmente dependente de seus familiares e ele nunca conheceu a Janja. Me senti em dívida com ele.).
 
Ricota entendeu, entrou no clima e disse: Vambora então !!!! 
 
Fomos.
 
Cheguei em casa e fui direto para o quarto do Seu Ricardo.
 
Eu estava tão eufórica que nem tive tempo de entender o ambiente, bater na porta e perguntar se eu podia entrar... nada... já cheguei chegando.
Ele tomou um susto porque estava um pouco sonolento.

Eu disse: Vamos abrir essa janela e deixar o sol entrar?
 
Ele já meio rindo disse: Pra quê? Eu não posso ir lá fora!
 
Eu retruquei: Então deixa o lá fora entrar aqui dentro.
 
Ele me respondeu com um gesto que só quem o conhece sabe o que estou dizendo. Subiu o ombro, levantou a sobrancelha e balançou de lado a cabeça.
 
Perguntei: Qual é o seu nome mesmo?
  
Ele: RI ....... RI .... RI .... CARDO. E o seu?
 
Respondi: O meu é Janja! Muito prazer!
 
Ele: Janta?
 
Eu: Não. Janja.
 
Ele: Almoço?
 
Eu: Ah vai te catar! Tá achando que eu sou palhaça? Tchau, foi um prazer e eu vou embora.
 
Ele segurou minha mão muito forte e disse: Como vai, como vai, como vai...
 
E eu: Muito bem muito bem bem bem!
 
Eu mesma já não sabia mais quem era o palhaço da história. Nos divertimos muito. Ele se deliciou com a visita e eu mais ainda. Foi incrível e talvez um dos momentos mais emocionantes que eu vivi enquanto Janja. 
 
Sabe aquele momento que marca pra sempre e você já sabe que vai contar para os netos? Então, esse é um desses momentos. Me despedi dele e fui embora com uma sensação maravilhosa que jamais conseguirei descrever e com perguntas que não sei se um dia saberei responder.
 
Quem precisa mais de um abraço? Eu ou outro?
 
Quem tem mais espaço, a criança ou o adulto que moram em mim?
 
Como anda o palhaço que habita em mim?
 
As nuvens são de algodão?
 
Como essa flor nasceu de dentro do concreto?
 
Por que motoboy buzina tanto?
 
Não precisa responder...
 
Eu não quero entender...
 
Acho que a palavra é SENTIR.
 
E o resto?
 
O resto que se exploda!!!

 

quarta-feira, 12 de junho de 2013

A Bengala do Medo


Relato enviado pelo voluntário Dantas (Palhaço Quincasss)
 





Entramos em um quarto onde estavam uma mãe em pé ao lado do berço, o seu bebê dormindo, na outra cama um garoto adolescente e sua acompanhante, uma senhora idosa deitada no sofá.
  
Lola e eu vínhamos de um quarto onde tinha rolado uma cantoria, então já chegamos falando que íamos cantar, mas a acompanhante mais idosa já pegou sua bengala apontou para mim e disse: “Se o bebê acordar vocês estão fritos!!”
 
Eu fiquei com um medo só, e todo mundo já começou a rir, menos o bebê que continuava dormindo.
A Lola insistia que eu podia cantar, e cantar o Camaro Amarelo! 
 
Quando eu ia começar a cantar, já via a mão na bengala, e me dava um medo danado, e todo mundo ria, mas o bebê dormia... E a Lola insistia para eu cantar e o medo aumentava, e a mão na bengala, e todo mundo rindo e eu com medo, mas precisa cantar, porque a Lola tava mandando, e a mão tava na bengala, e todo mundo rindo, e eu com medo. Então cantei e cantei... um olho na criança, outro na bengala, e cantando bem baixinho, e todo mundo rindo!
 
Saímos do quarto, o bebê não acordou, eu não apanhei e todo mundo riu muito.
Ufa!!