Palhaço também conta histórias!
Neste blog você pode saber um pouco mais das nossas histórias vividas nos hospitais.

quinta-feira, 4 de abril de 2013

O grande mistério dos números...

Relato enviado pelo voluntário Pedro (Palhaço Jaime)
 
 
 
 



Chegamos ao Hospital Dia e percebemos que havia poucas crianças na sala. Logo nos aproximamos de uma cama em que havia um menino acompanhado de sua mãe. Perguntamos o nome do menino e, depois o da mãe. Neste momento uma grande coincidência: os dois nomes tinham 08 letras.
 
Achamos aquilo muito legal e fomos para a cama imediatamente à direita da anterior. Resolvemos, também, perguntar o nome do menino e da mãe e, para nossa surpresa, os dois tinham 07 letras...
 
Dona borboleta e eu começamos a ficar assustados e, vagarosamente, nos aproximamos da cama que estava imediatamente à esquerda da primeira... Perguntamos o nome do menino... Logo depois o da mãe... e ... PASMEM!!!... os dois tinham 06 letras.
 
Começamos a acreditar que forças ocultas estavam presentes ali e todos que estavam na sala não acreditavam no que estava acontecendo!
 
Decididos a acabar com esse mistério nos aproximamos de B. que estava sentado brincando de “caça palavras”... Perguntamos seu nome e descobrimos que tinha 05 letras... Neste momento, para delírio geral de todos os presentes, o Pai, que até então assistia a tudo bem distante, se aproximou e disse: - E o meu nome é A., que também tem 05 LETRAS!!!
 
Foi incrível como todos ficaram impressionados com tamanha coincidência... Se é que coincidências existem...!!! Medo!!!
 
 

terça-feira, 2 de abril de 2013

A Patinadora Artística

Relato enviado pela voluntária Adriana (Palhaça Múrcia)
 
 


Era uma vez uma patinadora artística que era mãe, ou uma mãe que era patinadora artística... pensando bem, acho que ela era mais mãe que qualquer outra coisa!
 

Primeiro descobrimos que ela era mãe! Tadeu e eu chegamos ao posto de enfermagem e começamos a nos vangloriar, falando o quanto éramos melhores que a outra dupla (Mixirico e Arlindo), que já estava naquele andar jogando em um quarto.
Ela estava ali, perto da gente, já rindo da nossa cara, mesmo sem fazer parte da conversa.
  
Quando a enfermeira foi pegar uns documentos, a mãe perguntou: - Será que eles podem ir lá ver o meu filho? Nunca ninguém vai lá...
A enfermeira ficou meio sem graça, tentou explicar que o quarto era de isolamento, que a gente poderia ficar no vidro. Mas o apelo foi tão sincero, que a médica que estava mais afastada veio falar com a gente.
A médica perguntou se estávamos gripados e prontamente respondemos que não! E ela disse que poderíamos entrar no quarto então!
 
A mãe sorriu e logo nos apontou o quarto, que ficava no final do corredor. Fomos andando a frente e ela veio atrás. Usando meias e chinelos, ela pegou impulso e foi patinando até a porta do quarto do seu filho! Uma patinação artística de corredor sensacional! Ficamos maravilhados!
 
A enfermeira nos acompanhou até a porta e disse à mãe que nos falasse o nome do filho. Aí entendemos que ele não poderia falar porque estava com a boca machucada.
L. realmente não falou... não falou com a boca, mas seus olhos diziam tudo!! Desde que apontamos a cara no quarto o seu olhar de cumplicidade nos cativou!
 
Já entramos comentando os dotes da patinação artística da sua mãe pelo corredor! Ele sorria com os olhos e, muitas vezes, a boca também nos presenteava com um leve risinho!
Tadeu, que tem uma leve ascendência russa e patinadora, deu uma bela assessoria à mãe artista!

Não só isso, ele também deu uma aula sobre os patinadores da antiguidade até a modernidade, de Moisés até Michael Jackson! A mãe ria, fazia poses patinadoras e o filho se deliciava com tudo aquilo.
 
Tadeu e eu tivemos uma leve briga no quarto, porque quando fui ilustrar a patinação Michael Jacksonística, ele fechou a porta na minha cara, me deixando pro lado de fora! Quando entrei novamente ele e L. se entreolhavam rindo da minha cara! Muita sacanagem desses homens!!
 
Antes de irmos embora, resolvemos ajudar a grande patinadora a escolher seu nome artístico. Até Mixirico e Arlindo chegaram nessa hora e deram uns pitacos... depois de muitas ideias péssimas, chegamos ao nome “Baryshnikova”, afinal todo patinador tem um “Q” de russo e de bailarino!!
 
Ela ficou lá treinando um autógrafo, mesmo porque o nome era difícil pra caramba de escrever! E o L. ficou nos olhando sorrindo, se deliciando com a visita e com o potencial artístico da sua mãe!!
 
Toda mãe é artista!! Mas essa foi mais que especial!!!
 
 

quarta-feira, 27 de março de 2013

O quarto do coração!

Relato enviado pela voluntária Catarina (Palhaça Pepa)
 
 
 

Estávamos andando pelo corredor quando olhamos para dentro de um quarto e não havia ninguem por ali... ah é sempre muito frustrante quando não há ninguém. OK... ficamos felizes porque são menos pessoas doentes, mas no fundo existe um sentimento de que poderiamos descobrir algo genial ali.
  
A caminhada continuou, mas, de repente, a Bom Bom disse: - Não... esperem! Tem gente ali!”
E tinha gente mesmo! Gente bem encolhida, no cantinho do quarto! Mãe e filha, no canto da cama, tão encolhidas que realmente não dava para ver da janela.
Aiiii que ansiedade!!
  
Pepa: - Acho que elas não podem nos ver! Vou passar despercebida... (Coloquei meu rosto na porta do quarto e saí rapidamente).
Giba: - Deixa eu tentar! (rosto na porta do quarto).
Bom Bom: - Agora eu!! (assim repetindo).

Pepa entrou no quarto, passando correndo e se escondendo atrás de uma cama. E, assim, todos nós fomos nos escondendo pelo quarto.
A menininha ficava nos olhando e falando: - Te achei, te achei!!
Estava muito difícil nos escondermos por ali, principalmente a Bom Bom, que é altíssima!!!
Então, para facilitar, tiramos a Bom Bom do quarto! Voltamos com ela no colo, e escondemos no sofá, mas a menininha nos achou novamente!
OK! Desistimos! Ela sempre nos achava!
  
Quando estávamos frustrados por não conseguirmos nos esconder, entrou uma médica para verificar o coração, pulmão, e tudo o que deveria ser verificado...
 
Ela nos disse: - Fiquem aqui, viu? É muito rápido, só vou verificar o coração da princesa.
Pepa: - Pronto, doutora, pode verificar meu coração!
Doutora: - Nãooooo!! Ela que é a princesa você não!
Bom Bom: - E eu, posso ser?
Doutora: - Não! É ela!
Menininha: - Sou eu, sou eu!!!
Giba: Mas eu posso ser príncipe? – usando todo o seu charme.
E a mãe disse: - Pode sim!
Giba: - Ahhh então pode verificar meu coração!
  
A doutora colocou o estetoscópio no peito de Giba e disse: - Ué não escuto nada! Acho que você esta sem coração!
Giba: - Oh não!!! E agora?????
 
Todos se desesperam para conseguir um coração novo para Giba.
Eu avistei uma sandália embaixo da cama que tinha corações! Tentei pegar a menininha não deixou! Quando tentei encostar ela disse: - Nãoo!!
E eu me assustei horrores!!
Desepero total!! Era impossível conseguir pegar aquele coração!
  
Bom Bom então pegou uma folha de papel e pediu para a mãe desenhar um coração para ele!
Ela desenhou e a menina deu o coração ao Giba.
  
Todos nós saímos felizes!! Principalmente o Giba!! Afinal, não é qualquer um que ganha o coração de uma princesa!!
 

quinta-feira, 21 de março de 2013

Adulto ou Criança??

Relato enviado pelo voluntário Fábio (Palhaço Tunico)
 
 
 



Passando pelo corredor no Emílio Ribas, Tunico e Dona Saradona observam que dentro do quarto havia um rapaz recebendo medicação na veia e deitadão com os pés enormes, calçados apenas com meias.
Tunico e Dona Saradona se olham como quem dizem “O que esse cara tá fazendo num quarto de criança?!!”
Após uma leve discussão na porta do quarto tentando entender se era adulto ou criança, ambos pedem licença para entrar no quarto e o rapaz com um sorriso acena com a cabeça positivamente.
 
“Bom dia!” disse Dona Saradona seguida de Tunico.
O paciente responde com um leve sorriso e acenando com a cabeça seu “bom dia” tímido.
Antes de perguntar seu nome, Tunico viu que havia uma etiqueta na blusa do rapaz escrito “Hospital” e perguntou se esse era o seu nome.
O rapaz sorriu e só isso bastou para confirmar que era o seu nome no seu “crachá”.
 
Tunico começa a analisar o paciente e pergunta para Dona Saradona como podia um adulto estar num quarto de criança, mas Saradona questiona se ele era adulto mesmo. Após algumas medições para saber a altura do paciente, Tunico chega à conclusão de que o rapaz tinha 1,82 de cumprimento.
Tunico pergunta: “Sr. Hospital, é 1,82 mesmo?”
O rapaz indica um “mais ou menos” com a cabeça. Eureca!!
Mas estatura 1,82 quer dizer que é adulto, não?

Dona Saradona e Tunico se olham e começam a tentar encontrar algum vestígio que indicasse que havia algum adulto naquele corpo.
Um pouco de barba aqui, um pouco de pelos ali...
Tunico propõe um jogo de perguntas onde só valiam como respostas “sim” ou “não”, e o rapaz aceita de pronto.
Dona Saradona pergunta se ele jogou Atari na infância e ele sorri dizendo que sim.
Hum... bastou isso para as perguntas navegarem entre Xou da Xuxa, Pac Man e Tênis Conga!

Os sorrisos tímidos do paciente iam aumentando à medida que Saradona e Tunico se empolgavam com as perguntas.
Após chegarem à conclusão que o rapaz realmente havia vivido a infância numa época sem internet e com jogos de Atari, surge a grande dúvida!
Será que realmente não podia adulto naquele quarto?
Os dois se olham e Tunico diz: “Sr. Hospital, qual seu nome completo para vermos na enfermaria se o senhor está no quarto certo?”
O paciente, antes de responder, tosse por 3 vezes.
Bastou isso para os dois entenderem que ele se chamava Sr. Hospital Cof Cof Cof.

Tunico e Dona Saradona resolveram buscar mais informações no balcão da enfermaria para entender o que estava acontecendo, enquanto o Sr. Hospital Cof Cof Cof ficava rindo no quarto.
 

quarta-feira, 13 de março de 2013

Adeus à Jóia

 

Dizem que as jóias são objetos de grande valor.
Mas essa era uma pessoa!
Muito mais que uma pessoa! Ela era uma palhaça!!
 
Se ela tinha valor?
Nossa!!
Ela era valiosíssima!
Conviver com ela, jogar com ela, rir com ela... ah essas coisas maravilhosas que não tem preço!!
 
E o brilho então?
Uau!!
Ela iluminava cada cantinho, de cada lugar, de cada sala, de cada recepção, de cada quarto de hospital que ela visitava!
 
Ela iluminou a vida de cada um de nós!
 
No último domingo a nossa Jóia foi embora.
Mesmo entendendo que o adeus é inevitável o nosso Arco-Íris está meio opaco.
Vamos demorar um tempinho para aprender a viver sem o seu brilho.
 
Mas sabemos que, de um lugar muito especial, ela vai continuar brilhando... brilhando ainda mais forte! 
 
Sua amizade, sua generosidade e sua história sempre serão parte da nossa amada Operação Arco-Íris.
 
Jóia querida, saudades eternas.
 

quarta-feira, 6 de março de 2013

Toda cabeça tem direito a um chapéu!

 
Relato enviado pelo voluntário Marcos (Palhaço Tadeu)
 
 



Um dia desses, Clô, Ascarez e Tadeu avistaram da porta de um quarto uma menininha desenhando com sua mãe ao lado.
Tadeu olhou para Clô e fez um “Xiiiii!!!”, colocando o dedo indicador na frente da boca e pedindo silêncio. Clô, que estava logo atrás de Tadeu, olhou para Ascarez e fez a mesma coisa “Xiiiiiiii!!!”.
 
A menininha não deu nem bola para nós três, mas como não desistimos nunca, começamos a entrar um atrás do outro, tendo o Tadeu na frente andando devagar, seguido por Clô, que era seguida por Ascarez.
Os três chegaram bem próximos e a menininha nada.
 
Tadeu, em mais uma tentativa, bateu duas palmas de leve e olhou para a Clô, que recebeu o estímulo e fez o mesmo, mas olhando para o Ascarez. Ascarez, atrapalhado, bateu três palmas. Nesse momento a menininha deu um sorriso e olhou para a mãe, como se perguntasse: “Quem são esses bobões?”
Então continuamos no jogo, hora Tadeu puxava um estalar de dedo, que o Ascarez no fim fazia errado, hora era um assobio e assim foi, sempre a menininha, olhando para a mãe e dando um sorriso.
 
Uma hora Tadeu mandou Clô se aproximar da menininha lentamente. Clô, sendo super cuidadosa, começou a caminhar na direção dela, quando pela a primeira vez ela deu uma olhada para a Clô com sorriso no rosto, como se perguntasse o que a Clô estava querendo fazer.
Clô parou imediatamente, disfarçou e retornou. Depois foi o Tadeu e a menininha fez o mesmo. Tadeu prontamente também disfarçou e retornou. Por último o Ascarez fez a mesma coisa. 
 
Quando começamos a discutir entre nós, pois um acusava o outro de ter feito barulho, Ascarez tirou o chapéu da cabeça para continuar a discussão que nesse momento estava com a Clô.
Foi quando a Clô disse: “Mas aí não é justo! Eu não tenho um chapéu!”
A menininha, que acompanhava atentamente toda aquela confusão, ficou muito sensibilizada com a situação da Clô! Ela pegou uma folha de papel e começou a dobrá-la, dobrá-la e dobrá-la, até que no fim esse papel virou um chapeuzinho.
Ela segurou o chapéu com sua mão e esticou até a Clô, dizendo: “Pronto! Agora você tem um!”
Clô ficou super feliz. Mas agora Tadeu era o único que não tinha Chapéu! Enquanto ele começava a choramingar, a menininha novamente fez as dobraduras no papel e fez outro chapéu, que ela logo entregou para o chorão.
No fim ela fez uma para o Ascarez também, que, vendo a cena, começou a barganhar o seu chapeuzinho!
 
Então o trio fez o que tinha que ser feito: saíram marchando como soldados, com seus lindos chapéus na cabeça!!
 

quarta-feira, 27 de fevereiro de 2013

Passagens

Relato enviado pela voluntária Paloma (Palhaça Lorena)




No sétimo andar do GRAACC, Estafúrcio e eu fomos em direção ao quarto do M., um bebê com aproximadamente um ano de idade.
A porta estava fechada e ouvimos um choro de criança lá dentro. Decidimos não entrar.

Visitamos os outros pacientes do andar e voltamos ao quarto do M. Desta vez, a porta estava aberta e ele estava quietinho no colo de sua mãe. Eu passei rapidamente pela porta, dando tempo apenas para uma olhadela. Estafúrcio fez o mesmo e começamos esse jogo de passagens rápidas pela porta, sem entrarmos no quarto. Os olhinhos do M. acompanhavam nossas aparições com interesse.
 
Em determinado momento, entramos no quarto e procuramos esconderijos.
O “aparece e desaparece” continuou. Ora o Estafúrcio passava depressa pelo M., com seus sapatos fazendo barulho, e se escondia, ora era eu quem aparecia rapidinho e trocava um olhar com o M.
Lorena passa e entra no banheiro.
Estafúrcio passa e se esconde atrás das cortinas.
Lorena passa e sai do quarto.
Estafúrcio passa e se esconde atrás da porta.
 
E assim foram inúmeras passagens, encontros e desencontros de nossos olhares com os olhos atentos do M.
Prosseguimos nosso jogo de esconde-esconde acelerado até Estafúrcio e eu ficarmos do lado de fora do quarto. Resolvemos nos despedir do bebê com mais algumas passagens rápidas pela porta. 
 
Depois dos acenos de tchau, não ouvimos mais nenhum choro dentro do quarto, só as risadas da mãe e do bebê.
 
 

sexta-feira, 22 de fevereiro de 2013

O Parque de Diversões

Relato enviado pelo voluntário Cristiano (Palhaço Lourival)

 



A sala de observação, no térreo daquele hospital, normalmente cheia, estava com uma só criança e ainda tínhamos o pronto socorro para visitar, horário apertado e muitos médicos na porta, uma conferência barrando a nossa entrada.
 
Aquela criança deitada na cama com sua mãe ao lado, de alguma forma nos chamou a atenção e resolvemos entrar.
 
Como os palhaços são discretos, primeiro entramos na “roda” dos médicos e fomos nos ambientando com aquela sala, sob o olhar atento da criança que, aos poucos, foi demonstrando interesse por nossa presença.
 
Finalmente nos aproximamos e, pouco a pouco, ganhamos a confiança daquele menino que, com um dedo na boca e o outro apontado para nós, queria se comunicar. Pedia nossa aproximação dizendo que iria ao parque de diversões e queria nos levar!
 
– Ah sim, nós iremos – disse a ele, perguntando como ele iria conseguir se segurar no carrinho do parque com aquele dedo na boca?
 
Dona Saradona e eu mostramos como seria emocionante andar de montanha russa!!! O carrinho subindo (eu e minha parceira nos inclinando para trás) o carrinho descendo (eu e minha parceira nos inclinando para frente) e pros lados, balançando...
 
Quando vimos, nosso amiguinho já não estava com o dedo na boca e, apesar de tudo que o prendia naquela cama, nos divertimos em nosso parque de diversões!!
 
 

quinta-feira, 14 de fevereiro de 2013

NOTÍCIA URGENTE!!!

Relato enviado pela voluntária Paloma (Palhaça Lorena)



Perto dos elevadores do sétimo andar havia duas funcionárias da limpeza passando cera no chão e conversando: “Já pensou se alguém passa correndo por aqui e leva o maior tombo?”.
 
Charles e eu saímos correndo em direção ao local encerado. Por sorte, fomos barrados por uma mulher sorridente que estava parada em frente da porta de vidro que separa os elevadores do corredor.
 
Lorena: “Foi aqui que pediram para entrarmos correndo?”.
Mulher: “Vocês não podem entrar ali!”.
 
Charles e eu continuamos tentando passar, por isso, aquela mulher, mãe de um paciente internado, foi categórica: “Palhaços, vocês estão de castigo! Ajoelhem-se no chão!”.
 
Até ficamos em dúvida, mas, diante da veemência da ordem, acabamos obedecendo. Instantes depois, a mulher nos liberou do castigo, nos acompanhou pelo corredor, parou em frente de um quarto, abriu a porta e disse: “Agora, podem dar só um oi para o meu filho, daqui da porta mesmo, porque ele está em precaução de contato.”.
 
Vimos a carinha de um jovem deitado na cama sorrindo.
 
Lorena: “Tan tan, tanananã, nananananã. Começa agora uma edição urgente do Jornal do Brasil! E, nesta edição, a notícia mais revoltante do dia: megera coloca palhaços de castigo ajoelhados no chão. Trata-se de uma mulher muito má que está solta pelos corredores, colocando palhaços inocentes de castigo. Cuidado, ela é perigosa! Qualquer informação, liguem para o disque denúncia. Essa foi mais uma edição especial do Jornal do Brasil.”.
 
Charles: “Tan tan, tanananã, nananananã.” (e outros sons).
 
O rapaz ficou atento à notícia e riu ao perceber que a mãe estava sendo chamada de megera. A mãe, por sua vez, ficou surpresa por ter protagonizado uma notícia de jornal e acabou rindo, mesmo sendo chamada de megera.
 
Assim que a porta do quarto foi fechada pela mãe, fugimos pelo corredor, com medo de novos castigos da megera risonha.
 

quinta-feira, 7 de fevereiro de 2013

Viagem à Lua

Relato enviado pelo voluntário Marcos (Palhaço Tadeu)




Lembro que quando eu era criança pensava em ser um astronauta e viajar para a lua... me imaginava pisando naquele solo único, parecido com queijo suíço, e flutuando a cada passo dado, como se estivesse seguro por cordas cênicas. Mas a vida foi virando real e a viagem para a lua se tornou um sonho distante. Até que no hospital Menino Jesus, em um sábado chuvoso, o meu sonho se realizou...
 
Avistamos (Dália e Tadeu) do corredor uma senhora dentro do quarto que estava deitada na cama de acompanhante como se estivesse em um hotel de férias. Junto a nós uma moça da limpeza sorridente.
 
Tadeu perguntou se a senhora gostaria de alguma coisa e ela, muito receptiva, disse que queria um suco de laranja. Tadeu então fez um suco de laranja do seu jeito (horrível) e entregou à senhora que recusou e pediu para que ele tomasse primeiro mostrando que era bem esperta.
 
A senhora era avó de uma bebê linda, com quem Dália trocava olhares. Do outro lado havia um garoto que olhava fixo para o teto. Tadeu se aproximou dele e Dália disse que o nome dele era D. e que era cego.
 
Naquele momento fiquei meio sem ação, mas logo em seguida me veio algo e agachei um pouco para ficar próximo do D. Comecei a fazer um barulho de foguete: "Tchuuuuuuuu".
 
Neste exato momento, D. começou a procurar com os olhos o que era aquele som e deu um sorriso. Dália, atenta, logo se encostou ao meu lado dando início a uma bela viagem!
Tadeu: – Permissão para decolar, permissão para decolar!
Dália: – Permissão concedida, contagem regressiva: 5,4,3,2,1...
Tadeu: – Tchhuuuuuuuuuuuuu.... PI, PI, PI. Estamos em órbita!
Percebia que o D. estava acompanhando tudo com muita atenção e alegria.
Tadeu: – Chegamos à lua comandante D. Dália pede permissão para desembarcar!
E Dália, com a permissão do comandante D., desceu à lua.
Tadeu: – O que você esta vendo Dália?
Dália: – Não sei direito Tadeu, mas parece ser uma criatura da lua – Indo em direção à senhora avó que assistia tudo.
Tadeu: – Tente contato Dália, repito, com o tato. – Fazendo sinais com os dedos.
 
Dália foi se aproximando da criatura e quando chegou bem perto à senhora deu um belo susto fazendo um “Búuu!!”.
Dália deu um belo pulo e voltou para a nave correndo.
 
Tadeu então desceu da nave e foi tentar fazer contato. Foi devagar se aproximando da criatura, tremendo as pernas que nem vara verde e com os pedidos de cuidado de Dália. E, quando chegou bem perto da avó alienígena, ela deu outro grande susto! Tadeu voou como um meteoro de volta para a nave.
 
Dália e Tadeu, com medo da criatura avó, acabaram avistando outro alienígena! Esse era azul (era senhora da faxina) e olhava sorridente aparentando ser mais amistosa. Tadeu se aproximou primeiro e disse que a alienígena azul era cheirosa, tinha cheiro de detergente. Dália se aproximou também e conseguiu contato (com o tato) dando um toque na mão. Missão cumprida!!!
 
Dália e Tadeu voltaram à nave do comandante D. felizes! E, um atrás do outro, voaram de volta para a Terra com a ajuda da alienígena azul que fez uma contagem regressiva meio estranha para nós, mais que deve ser normal na lua: “1 5 3 já!!”.
 
Apesar de não enxergar sei que D. viu tudo o que aconteceu nessa viagem maluca usando a sua imaginação. E eu realizei meu sonho de infância... Ser um astronauta e viajar para a lua!!
 
Obrigado comandante D.!!!
 

quarta-feira, 30 de janeiro de 2013

Qual é o seu Talento??

Relato enviado pela voluntária Adriana (Palhaça Múrcia)


Foi no hospital Emílio Ribas que conhecemos o V.
Este hospital, que tem muito mais adultos que crianças, sempre nos ensina muitas coisas e nos dá vários presentes! Quem nos deu o presente desta vez foi o V.
 
Numa manhã chuvosa, Múrcia e Baltazar estavam andando tranquilamente pelo corredor do 3º andar quando se depararam com a porta de um quarto! Ai que vontade de entrar!!!
Será que podíamos?? Será que quem estava lá dentro estava dormindo?? Ai são tantas perguntas!!
 
Baltazar bateu na porta, abriu uma pequena fresta e colocou só a sua cara lá dentro! Múrcia não conseguia ver nada e perguntava tudo pro Baltazar, que perguntava pro paciente.
Múrcia: Tem alguém lá dentro?
Baltazar: Tem alguém aí dentro?
V.: Sim! Eu estou aqui dentro! Não está vendo?
Baltazar: Múrcia, ele está aqui dentro!
Múrcia: Ele está dormindo?
Baltazar: Você está dormindo?
V.: Não! Estou acordado!! (risos)
Baltazar: Ele está acordado!
Múrcia: Você tem certeza disso?
Baltazar: Você tem certeza disso?
V.: Tenho!! (risos)
Baltazar: Ele diz que tem!
Múrcia: A gente pode entrar?
Baltazar: Você pode entrar?
Múrcia: Baltazar, seu idiota, ele já está dentro! A gente é que tem que entrar!
Baltazar: Ah é!! A gente pode entrar aí?
V.: Claro!!
 
Os dois finalmente entraram. V. estava deitado com uma cara alegre e curiosa. Ele devia ter uns 30 anos e devia se perguntar o que mais aconteceria ali.
 
Múrcia: Oi! Desculpa!! O Baltazar te acordou?
V.: Não, não... eu já estava acordado.
Baltazar: Você tem certeza que está acordado?
V.: Claro!! (risos)
Múrcia: Como você tem certeza?
V.: Porque é dia, eu estou com o olho aberto e falando!
Múrcia: Mas e se você é sonâmbulo?
V.: Ihhh... sei lá! (risos)
Múrcia: Vamos ter que fazer um teste!
Baltazar: Sim!!! Esse teste consiste em algumas fases!
Múrcia: Fase 1!!
Baltazar: Habilidades Físicas! Você terá que seguir o meu dedo com seus olhos! – Baltazar mostrou seu indicador e desfilou pelo quarto com o seu dedo, dando até umas voltas. V. seguiu o tempo todo!
Múrcia: Muito bem!! Você passou na fase 1!
V.: Ufa!! (risos)
Baltazar: Fase 2!!
Múrcia: Conhecimentos Gerais! Responda: Setembro chove??
V.: Eita!! O que é isso?
Múrcia: O senhor está querendo ganhar tempo!! Responda logo se em setembro chove ou não chove!!
V.: Não, não chove! É primavera!!
Baltazar: Resposta errada!!
V.: Errada??
Múrcia: Claro que está errada! Meu aniversário é em setembro e já choveu vááááááárias vezes no meu dia!!
V.: Se bem que em São Paulo sempre chove, né? Vocês bem que podiam anular essa pergunta!
Baltazar: Claro que não!! Espertinho o senhor, hein??
Múrcia: Fase 3!!
Baltazar: Habilidades Artísticas!! O senhor vai nos mostrar o seu talento!
V.: Como?? Aí danou-se!! Eu não sei cantar, eu não sei dançar...
Baltazar: Você pode declamar uma poesia!
V.: Então tá... “batatinha quando nasce...” – V. estava balbuciando o verso com muito pouco caso!
Múrcia: Pode parar!! Pode parar!!! Hey!! Esse é o seu talento!! Se é o seu talento, no mínimo você tem que colocar um pouco de sentimento!
Baltazar: É!!
V.: Nossa!! Agora você mexeu comigo!!! Peraí que eu vou fazer um negócio legal!! Vou recitar Fernando Pessoa!! – ele ainda revirou os olhos tentando se lembrar da poesia e começou:

"A criança que fui chora na estrada.
Deixei-a ali quando vim ser quem sou;
Mas hoje, vendo que o que sou é nada,
Quero ir buscar quem fui onde ficou.”


Múrcia e Baltazar aplaudiram emocionados!! Se abraçaram, elogiaram V., aplaudiram mais!!
 
Estava confirmado!! V. estava acordado!! Ele tinha um grande talento!! E Fernando era uma boa Pessoa!!
 
Saímos do quarto com um homem rindo e nos agradecendo! Deixamos lá um homem talentoso e muito ciente do seu talento!!
 
E você?? Tem certeza que está acordado??
Então qual é o seu talento??
 

quarta-feira, 5 de dezembro de 2012

Direto do Fundo do Mar!!

 
Relato enviado pela voluntária Catarina (Palhaça Pepa)
 
 



Estávamos eu (Pepa), Bombom e Dália passeando pelo Hospital Menino Jesus, numa manhã calminha, pelo 7º andar, quando avistamos o S.
Ele estava com uma máscara de oxigênio que ainda não estava conectada!
 
Ué... se ele não está com o oxigênio, então essa só poderia ser uma máscara de mergulho e ele era um tipo de menino-peixe!!
 
 - Eiii!!! Você mora no mar? – perguntamos.
Ele fez que sim com a cabeça!
 
Pronto!! O jogo tinha começado!!
 
- E você vive com muitos peixes?
- Simmm!! – ele respondeu empolgado balançando a cabeça.
- E lá é muiittooo bonito?
- Sim!!!!
- E você tem alguma namorada sereia!
- Sim!!! - respondeu empolgadíssimo, mas com cara de vergonha.
- E você vai casar com ela? A gente pode ir? Diz que sim! – nós também estávamos mega empolgadas.
- Sim!!!
 
Aiii que alegria!!!
Combinamos tudo como ia ser! Vestidos! Onde comprávamos barbatanas!! Pura alegria nossa e daquele menino-peixe de 3 aninhos!!
 
Saímos de lá e fomos para os outros quartos. Na volta a enfermeira nos chamou!
Essa hora ele já estava sem a máscara e o quarto, provavelmente repleto de água do fundo do mar!!!
Ela pediu para ele repetir o que ele disse quando ela tirou a máscara.
Ele todo feliz nos disse, depois de muito insistirmos: - Bom dia, flor do dia!
 
Sim!! Este era mesmo um menino peixe muito especial!!!
Ganhamos o dia!!!
 

quinta-feira, 29 de novembro de 2012

Manifesto Contra o Ônibus!!


Relato enviado pela voluntária Bárbara (Palhaça Suzete)



Estávamos Dália, Matilda e eu, no corredor e começamos a brincar com uma paciente dizendo que estava vindo um namorado visitá-la! (Ela nos disse que era amigo, mas já era a segunda vez que ele estava indo, e ele ainda morava em Francisco Morato, mas não a avenida, a cidade). Conversa vai, conversa vem... 
 
Começamos a falar de BUZÂO! Sim, aquele Buzão que temos que acordar cedo para pegar as 06h00 da manhã. Já começa no ponto de ônibus se é que você consegue entrar no ônibus, pois tem aqueles motoristas que passam direto no ponto e você fica lá com cara de tacho esperando o próximo! Faça ou chuva ou faça sol, você está lá no ponto xingando os motoristas que passaram direto e reclamando com as pessoas que você nem sabe o nome, mas já lhe são amigáveis, já que você os vê todos os dias pela manhã, sabe que ônibus pegam, as roupas que usam, os penteados, a rua em que moram e às vezes até para onde vão. Milagre, depois de 45 minutos esperando, um ônibus para! É motivo de festa. Mas nem tudo são flores, porque quando você consegue entrar, você se sente uma sardinha, toda espremidinha e acreditem se quiser, já tem cheirinho de cecê, misturado com todos pelo menos uns cinco perfumes diferentes por centímetro quadrado. Você entra com um perfume só e sai com cinco! Aí você tem que tentar passar a catraca, que é uma guerra. Mochila na cabeça, bilhete único na mão, pontinha do pé e barriga encolhida. Na boa, isso não é para qualquer um. Próximo passo, chegar perto da porta, mas para isso tem um corredor que você vai se encostando nos cabelos daquelas mulheres que enchem a crina de creme, aí na hora que você passa, vem tudo no teu braço, blusa... Fica aquela gosma... ECA!!
  
Eu, Dália, Matilda e outras pessoas que ali estavam, a maioria de altura mediana, ficamos na altura do sovaco e ainda temos dificuldade de alcançar o corrimão. Uma das enfermeiras disse que isso é ótimo, pois ela pode pegar no braço dos homens fortões. Os altos que ali estavam, disseram que conseguem ver de tudo, mas tem dificuldades de conseguir colocar as duas plantas dos pés inteiros no chão. São os famosos passos sem chão, são aqueles passos que quando você levanta o pé já não tem mais espaço de chão para colocá-lo, pois já tem um pé alheio no lugar. E ainda não acabou não... Você precisa descer do ônibus... Mas cadê o botão? Ah mas é claro, o botão sempre está em um lugar que não conseguimos alcançar... Se tentarmos chegar ao botão, as pessoas olham feio, se pedimos para apertarem para nós elas olham feio também. Isso é o que uma enfermeira chamou de “bom humor matinal”. O ônibus para e você desce. Ufa! Só que daqui à 8h00 trabalhadas, você ainda tem que voltar para casa. 
 
Fim de tarde, depois de um dia inteiro de trabalho, a única coisa que nós queremos é ir para casa! Descansar. Ou seja, você não quer ser incomodado. Você quer Paz e sossego. Só que sempre tem um infeliz no ônibus que não usa fone de ouvido e fica com aquelas músicas que geralmente você odeia, bem no seu ouvido. Às vezes da vontade de pegar o celular da pessoa e jogar pela janela. Se não é a música, são os famosos “nexteis”, em que os usuários não sabem usar a função telefone e o ônibus inteiro tem é obrigado a saber da vida deles!!
 
Enfim, nem tudo são flores. Pegar um ônibus é uma experiência para ver até onde vão as forças do brasileiro.
 
Como a conversa saiu do peguete da paciente para o Buzão, eu não tenho a mínima ideia.
 
 

terça-feira, 27 de novembro de 2012

O Choro

 
Relato enviado pelo voluntário Tomás (Palhaço Estafúrcio)
 

Numa visita ao GRAACC, há alguns dias, pra mim a cena mais marcante foi a do homem que estava sentado no S1 a chorar.
  
Logo que cruzamos olhares não consegui decifrar o que se passava, se estava triste com alguma notícia, desesperado com o exame ou se tinha algum problema neurológico. Fato é que me senti compelido a jogar com ele. Decisão difícil e arriscada que no fim valeu muito a pena.
 
Inicialmente pedi permissão para sentar ao lado dele e sentir melhor qual era a possibilidade de jogo. Prontamente a Lorena e o Mixirico iniciaram um jogo de “sentar do lado”. Como ele só tinha dois lados (!), então logo o trio já teve um problema estabelecido.
 
Daí pra frente começou um tal de levantar, sentar e trocar de lugar que fez com que a Lorena sentasse no colo do Estafúrcio. Uma vez sentada outro jogo iniciou: a Lorena começou lentamente a escorregar e o Estafúrcio foi ficando desesperado que não conseguia segurá-la e começou a pedir ajuda para o rapaz triste.
 
Aos poucos a situação foi ficando meio patética e o moço começou a se divertir com aquilo e deu pequenas risadas. Foi um misto de tristeza e alegria.
 
 

sexta-feira, 23 de novembro de 2012

O Tamanho dos Problemas

 
Relato enviado pelo voluntário Denis (Palhaço Durval)
 

Sabe, desde que ingressei na atividade de palhaço voluntário venho aprendendo muito... Desafios pessoais que são vencidos, aprender a dar valor às coisas certas, entender que a vida é muito mais do que enxergamos.
 
A experiência no hospital nos faz refletir e entender que muitas vezes desprendemos tanta energia em problemas que parecem gigantes para nossa pequena ótica, mas, quando nos deparamos com pessoas pequeninas, lutando para continuar respirando, percebemos que tais gigantes problemas não passam de grãos de areia.
 
Me lembro de alguns casos marcantes como foi a história do P. que estava na UTI do Darcy Vargas. 
Eu e minha parceira, ao chegarmos, nos deparamos com este garotinho de mais ou menos 3 anos, entubado, mas consciente da nossa presença. Após algumas bolinhas de sabão, no momento da despedida, P. desconectou um tubo.
 
Eu, desesperado, chamei a enfermeira e ela nos disse: “Fiquem tranquilos. Ele fez isso para chamar a atenção. Não quer que vocês vão embora.”. 
Ela ainda completou dizendo que a mãe não conseguia ir visitá-lo sempre, pois ele tinha mais três irmãos e não era possível pagar condução todos os dias.
 
São minutos como estes que transformam meus grandes e ínfimos problemas em nada.