Palhaço também conta histórias!
Neste blog você pode saber um pouco mais das nossas histórias vividas nos hospitais.

quarta-feira, 5 de junho de 2013

Minha Canção


Relato enviado pelo voluntário Henrique (Palhaço Heitor)



 
Em um dos quartos, entramos o Giba e eu. 
 
A pedido da enfermeira, tentaríamos nos comunicar com o E., muito pequeno, que estava se recuperando e começava a escutar os primeiros sons.
Viraram a cabecinha dele para que ele nos visse. Nós acenamos e demos um oi bem singelo.
 
A enfermeira perguntou pro E. se ele estava nos vendo: “Se você está vendo eles, pisca o olhinho”.
Ele piscou. 
Entendemos que a forma de comunicação dele eram as piscadas e ele estava voltando a escutar.
  
Depois de alguns olhares, eu disse que iria cantar uma música muito especial pra ele.
O meu parceiro Giba compartilhava com a mãe aquele momento. 
 
A enfermeira, mais uma vez: “E., se você está escutando, pisca o olhinho”.
Ele piscou.
  
Comecei a cantar “Minha Canção”, uma das minhas músicas favoritas!
O E. abriu bem os olhinhos e olhava com atenção.

Dorme a cidade... Resta um coração. Misterioso... Faz uma ilusão! ... 

A enfermeira acarinhava o bracinho dele, tão frágil... 

Soletra um verso... Lavra a melodia. Singelamente... Dolorosamente.


O Giba começava a dormir nos braços da mãe, que ria, delicada.

Doce é a mú-si-ca. Silenciosa...


O E. começou a fechar o olhinho...

Larga o meu peito... Solta-se no espa-aço!

 
O Giba roncava de leve, a mãe ria.  

 
Faz-se certeza.... Minha canção. Réstia de luz... onde dorme o meu irmão!!
E onde dorme o E.

Eu percebi o Giba dormindo também e o acordei, sussurrando que a música tinha acabado.

O olhinho do E. se abriu de leve, ele se remexeu na caminha... deixou o bracinho cair perto de mim.
Eu acenei e me despedi.
A mãe ficou muito feliz com os ouvidos do filho!
A enfermeira nos agradeceu.
Saímos, mas deixamos lá um coração de mãe e dois pequenos e lindos ouvidos.
 

 

 

Um comentário:

Anônimo disse...

Que lindo!!!!