Palhaço também conta histórias!
Neste blog você pode saber um pouco mais das nossas histórias vividas nos hospitais.

quarta-feira, 17 de setembro de 2014

De Mãos Dadas

  
Relato enviado pela voluntária Viviane (Palhaça Dália)



Lorena e eu entramos em um quarto da UTI do Hospital Menino Jesus e nos deparamos com o V., um menininho que estava dormindo enquanto a mãe segurava bem forte sua mão.
Logo perguntamos: “Por que as suas mãos estão dadas?”
A mãe respondeu que o filho não conseguia dormir se ela não lhe desse a mão, pois ele não queria que ela fosse para longe!

Lorena, de imediato, se lembrou de que, quando era pequena, dormia de mãos dadas com o irmão, para assim se sentir mais segura. Eu, por minha vez, me lembrei que sempre dormia de mão bem apertada na mão da minha avó, para afastar os monstros. Então descobrimos que dar as mãos tinha um poder muito forte!

Agarramos a mão uma da outra para ficarmos também protegidas de todo o mal e pensamos em estratégias para que as mãos ficassem sempre unidas: se der formigamento, o jeito é chacoalhar a mão livre e também os braços, para que o formigamento flua para o universo. Todas as coisas necessárias para passar o dia devem estar por perto, especialmente se a dupla de mão estiver dormindo, porque sair do lugar para pegar não dá! E lavar as mãos? A partir de agora, só uma!

A mãe do V. ouviu atentamente nossas instruções e ficou mais tranquila, pois agora sabia como proceder para não ter mais que soltar a mão do filho!

V. abriu então rapidinho os olhos, espiou as palhaças com uma carinha de surpresa e logo voltou a fechá-los, caindo de novo no sono, afinal a mão da mãe estava apertando bem forte a sua. Tudo ficaria bem!


quarta-feira, 10 de setembro de 2014

Os Incríveis


Relato enviado pelo voluntário Luciano (Palhaço Crispim)




Múrcia e Crispim entram em um quarto no quinto andar e advinha a recepção?
Um quarto bem cheio por sinal, porém com um grande concorrente na televisão, o desenho dos INCRÍVEIS, tomando toda a atenção dos nossos amiguinhos, amiguinhas, mães e por aí vai.

Assim que colocamos o pé dentro do quarto começou a discussão de Múrcia e Crispim.
- Crispim, como você quer competir com os Incríveis? Você tem algum super poder? Você estica o braço igual à Mulher Elástico? Tem super velocidade? Fica invisível?
Lógico que o Crispim sem nenhum dos super poderes quis enganar a Murcia se escondendo atrás do biombo.
- Múrcia? Tá me vendo? Estou invisível!!
Múrcia não pensa duas vezes antes de acabar com a paspalhice de Crispim.
- Lógico que eu estou te vendo, Crispim! Olha a sua buzanfa de fora do biombo aí!!

Nisso o povo já estava começando a entrar no clima. Uma das mães não se aguentava de rir e aquela alegria foi contagiando a todos no quarto.
Crispim em mais uma tentativa, ficou agachado de baixo da cama e novamente gritou no quarto.
- Múrcia? Tá me vendo? Estou invisível.
E Múrcia, mais uma vez, acaba com a festa de Crispim.
- Sai de baixo da cama Crispim! Lógico que eu tô te vendo.
E, mais uma vez, só risadas no quarto.

Quando o Crispim já ia saindo desconsolado das suas tentativas de invisibilidade, eis que aparece uma das nossas personagens principais: “A Mulher Contorcionista”!
Logo ao vê-la Crispim já chama Murcia desesperadamente!
- Múrcia, Múrcia!! Os Incríveis são de verdade!! Eles existem mesmo e aponta para nossa mãe contorcionista.
Múrcia, ao ver, começa a entrar em desespero.
- Crispim, é verdade, eles existem! Olha, olha como ela está torta!! A cabeça de um lado, as pernas de outro, os braços de outro!!!

E a cara de espanto de Múrcia e Crispim tomam conta do lugar! Nisso uma das mãe começa a gargalhar muito alto e  Múrcia solta:
- Meu Deus!! Crispim, todos aqui tem super poderes! Olha lá!! Ela é a Risada Atômica!!!
Neste momento o quarto virou uma risada só, todos sem exceção estavam gargalhando.

Múrcia e Crispim naquele desespero, começam a se aproximar de mansinho da saída, enquanto iam identificando todos os outros super poderes dos que estavam no quarto, e na contagem regressiva do 3 saem desesperado após uma super risada que poderia acabar com o planeta! Imaginem o que não faria só com o Hospital.

Bom, isso só prova que muito mais incrível que os incríveis são os palhaços da Operação Arco-Íris!!


quarta-feira, 3 de setembro de 2014

Com Licença, Tem Alguém Aí do Outro Lado?

Relato enviado pela voluntária Paloma (Palhaça Lorena)



Dália e eu olhamos para dentro de um quarto e vimos um garoto sozinho, de costas pra gente, sentado em uma cadeira de rodas, balançando lentamente os ombros e fazendo aquele barulho típico de quem está chorando. Respiramos fundo e demos três batidinhas no batente da porta.

Dália: Com licença!
Lorena: Com licença!
Dália: Tem alguém aí do outro lado?
Lorena: Tem alguém aí do outro lado?

O menino parou de balançar os ombros e o barulho de choro cessou por um momento. Sem olhar pra gente, o garoto balançou a cabeça para cima e para baixo. Entendemos que aquilo era um sim. Ficamos curiosas e mais uma vez demos três batidinhas no batente da porta.

Dália: Com licença!
Lorena: Com licença!
Dália: Tem alguém aí do outro lado?
Lorena: Tem alguém aí do outro lado?
Dália: Se tem alguém aí do outro lado, olhe para cá.
Lorena: Se tem alguém aí do outro lado, olhe para cá.

O menino virou a cabeça, nos olhou com o rosto molhado de lágrimas. Respiramos fundo, olhamos uma para a outra e continuamos com as nossas batidinhas.

Dália: Com licença!
Lorena: Com licença!
Dália: Tem alguém aí do outro lado?
Lorena: Tem alguém aí do outro lado?
Dália: Se tem alguém aí do outro lado, a gente pode entrar?
Lorena: Se tem alguém aí do outro lado, a gente pode entrar?

O menino deu uma risadinha e fez um joia com a mão. Pulamos de alegria e as nossas batidinhas ficaram cada vez mais rápidas e piradas.

Dália: Com licença!
Lorena: Com licença!
Dália: Tem alguém aí do outro lado?
Lorena: Tem alguém aí do outro lado?
Dália: Se tem alguém aí do outro lado, a gente pode entrar?
Lorena: Se tem alguém aí do outro lado, a gente pode entrar?
Dália: Se a gente pode entrar, podemos entrar pulando?
Lorena: Se a gente pode entrar, podemos entrar pulando?

O menino continuou rindo e enxugou as lágrimas do seu rosto. Entramos pulando no quarto e fizemos manobras radicais para contornar a cadeira de rodas e ficar bem na frente do garoto. Demos três batidinhas em uma mesinha e retomamos nossa conversa com eco.
Lorena: Com licença!
Dália: Com licença!
Lorena: Tem alguém aqui deste lado?
Dália: Tem alguém aqui deste lado?

O menino riu, fez joia, balançou a cabeça positivamente e ficou acompanhando cada movimento nosso com os olhos. Nós também não tirávamos os olhos dele.

Lorena: Com licença!
Dália: Com licença!
Lorena: Tem alguém aqui deste lado?
Dália: Tem alguém aqui deste lado?
Lorena: Se tem alguém aqui deste lado, esse alguém quer ouvir uma música maluca?
Dália: Se tem alguém aqui deste lado, esse alguém quer ouvir uma música maluca?

O menino se ajeitou na cadeira, arregalou os olhos e aceitou nossa proposta.

Dália: Com licença!
Lorena: Com licença!
Dália: Tem alguém aqui deste lado?
Lorena: Tem alguém aqui deste lado?
Dália: Se tem alguém aqui deste lado, esse alguém quer ouvir uma música maluca com uma dança muito doida?
Lorena: Se tem alguém aqui deste lado, esse alguém quer ouvir uma música maluca com uma dança muito doida?

O menino respondeu: SIM.

Dália e eu inventamos um rap muito maluco, sempre repetindo as frases “Tem alguém aí? Tem alguém aqui? Você está aqui?” e chacoalhando o corpo freneticamente. O menino sorria pra gente o tempo todo. Ao final da música, não havia mais lágrimas naquele quarto.

Lorena: Com licença!
Dália: Com licença!
Lorena: Tem alguém aqui deste lado?
Dália: Tem alguém aqui deste lado?
Lorena: Se tem alguém aqui deste lado, a gente pode ir embora?
Dália: Se tem alguém aqui deste lado, a gente pode ir embora?

O menino sorriu e fez um sim balançando a cabeça. Dália e eu saímos do quarto pulando. Paramos perto da porta. Demos três batidinhas no batente.

Dália: Com licença!
Lorena: Com licença!
Dália: Tchau.
Lorena: Tchau.


quarta-feira, 13 de agosto de 2014

O Quarto dos D.s.


Relato enviado pelo voluntário Paulo (Palhaço Arlindo)




Esse seria nosso primeiro quarto do dia, porém quando abrimos a porta e percebemos que o paciente estava em procedimento, visitamos os outros quartos do andar e seguimos nosso dia.
Quando estávamos prontos para pegar o elevador, vimos que a porta estava aberta e que a criança olhava para nós como se estivesse nos hipnotizando.
  
Trocamos um rápido olhar com o pai da criança e perguntamos se poderíamos entrar. Olívia viu a placa com o nome do menino na porta e logo foi falando: “Olá, então quer dizer que esse é o incrível D.?”. 
O pai respondeu que sim. 
Na sequência perguntei: “Se esse é o incrível D., você é o grande?”
E, para nossa surpresa, o pai respondeu: “Eu sou o grande D.!”
  
Olívia olhou para mim e estranhou aquilo tudo e começou a me questionar se todos que entravam naquele quarto viravam D. também e se o menino tinha o poder de hipnotizar as pessoas... 
Para surpresa dela, eu já estava contaminando e também tinha virado um D. 
Virei para a minha amiga e falei: “Olá, meu nome é D.!”
  
Olívia, muito confusa, começou a perguntar o nome de todos que estavam no quarto, e todos respondiam: “D.”,” D.”,” D.”..... “Eu sou o D.!” “Eu também.” “Ah que coincidência, eu também.”
  
Ela não sabia mais o que fazer, até que uma enfermeira entrou no quarto e Olívia pensou que finalmente alguém ali não seria D. Ela perguntou para enfermeira se o nome dela também era D., e, por incrível que pareça, a enfermeira também já havia virado D. 
  
Olívia percebeu que embora todos que entravam naquele quarto viravam D., apenas um D. usava fralda, foi aí que ela teve a brilhante ideia de deixar todos os D.s iguais e pediu para que eu colocasse a fralda também!
Logo ela percebeu que eu era um D. com defeito de fabricação, pois não sabia o lugar de colocar a fralda, coloquei na cabeça, nos ombros, na mão, nas coxas, na canela... menos no lugar certo.
  
Olívia tentava, mas toda vez que ela ia colocar a fralda corretamente, eu me virava e o verdadeiro D. caia na gargalhada, até o momento que ela conseguiu colocar a fralda em mim e me empurrou para fora do quarto.
  
Quando fui arremessado para fora do quarto, recuperei minha personalidade e voltei a ser o Arlindo! Demorei alguns minutos para entender aonde estava e quem realmente eu era, porém quando dei por mim, estava no meio do corredor do GRAACC, vestindo uma fralda e sendo literalmente alvo de muitos piadas e risadas de todos os enfermeiros e pacientes que passavam pelo corredor! 
Saí correndo desesperado pelos corredores do hospital, até encontrar uma saída de emergência e sumir da frente de todos !
  
Enquanto eu buscava uma saída, Olívia e o verdadeiro D. riam da minha cara e ainda mais da fralda que eu estava usando!
  

quarta-feira, 6 de agosto de 2014

São Benjamim


Relato enviado pela voluntária Daniele (Palhaça Clô)



No último quarto da UTI havia três crianças internadas: L, C e uma linda bebê, bela como uma flor de jasmim.

Já tínhamos tido um jogo estabelecido lá fora com os pais e quando chegamos foi uma continuação.
Mas a mãe da pequenina Jasmim não estava muito no jogo, pois a bebê estava tossindo muito! E ela até comentou com a gente: "Ela não pára de tossir!"
  
Múrcia nos contou então que quando ela era pequena, sua mãe falava assim quando alguém tossia muito: “São Braz, São Braz! Socorre esse rapaz!”
  
Resolvemos tentar!
Múrcia, Coriza e eu falamos juntas: “São Braz, São Braz! Socorre esse rapaz!”

E... nada!!
  
Com o fracasso da nossa tentativa, concluí: “Ah! Mas é muito generalizado e é pra homem né!?”
Hum... tínhamos uma conclusão! Precisávamos encontrar o santo correto para alcançarmos a graça desejada!
  
Então tentamos com a Santa Nina!
Falamos as três juntas: “Santa Nina! Santa Nina! Socorre essa menina!”
  
E nada!
  
Estávamos tristes e abaladas! O que mais precisávamos fazer?
Foi aí que eu disse: “Assim não dá!! Precisa ser mais específico!”
Múrcia, grande conhecedora santística, disse: “Só pode ser São Benjamim!”
  
Nos enchemos de esperanças e juntas, com muita fé, dissemos: “São Benjamim! São Benjamim! Socorre essa pequena flor de jasmim!”
  
Neste exato momento, a pequenina flor parou de tossir!
  
Todos ficaram se entreolhando... os outros pais meio incrédulos... a mãe só levantou o olhar...
E nós... bom nós fomos saindo de fininho...
  
Quando chegamos à porta a pequenina ameaçou um novo acesso de tosse... 
Prontamente entoamos mais alto: “São Benjamim! São Benjamim! Socorre essa pequena flor de jasmim!”
E a tosse parou de novo!
  
Os pais riam maravilhados!!
E nós... bom nós fomos embora logo, antes que Santo Clown não conseguisse mais nos salvar!
  

quarta-feira, 30 de julho de 2014

Pra Você eu Digo Sim


Relato enviado pelo voluntário Antônio (Palhaço Quincasss)




Logo que chegamos ao 4º andar, veio uma menininha correndo em nossa direção gritando feliz da vida: “Palhaço, palhaço, palhaço!” 
Ela chegou com um baita sorrisão no rosto!!
  
Em seguida apareceu uma cadeira de rodas empurrada por uma mãe. Nela o menino J.C. com um cobertor cobrindo seu corpo e luvas coloridas na mão. Ele me olhou eu olhei para ele. Me aproximei, peguei a sua mão e ele deu um sorriso lindo! 
Ele ficou mexendo as sobrancelhas enquanto olhava pra mim. Sua mãe me falou ele estava dizendo SIM pra mim.
  
E ficamos ali com várias crianças ao nosso lado, a cada momento uma novidade, e sempre aquele olhar de J.C. apontado pra mim. Eu sorria, pegava a mão dele para cumprimentar, ele abria um sorriso, e mexia as sobrancelhas, sempre um novo SIM.
  
No final da nossa jornada, estávamos no térreo, quando novamente apareceu o J.C. 
Ele estava indo embora... Quando ele me viu abriu um sorriso! Eu também sorri, fui até ele peguei a sua mão e ele mexeu as sobrancelhas novamente dizendo SIM.
Fiquei por um tempo trocando sorrisos e olhares com aquela criança linda.
  
Depois sua mãe me falou que ele tinha medo de palhaço, mas sentiu confiança e veio brincar com a gente.
  

quarta-feira, 23 de julho de 2014

O Grande Show

  
Relato enviado pelo voluntário Paulo (Palhaço Arlindo)




Entramos no quarto do K. e logo vimos que ele tinha um violão ao lado da cama. Não pensamos duas vezes e começamos a organizar um grande show no 7º andar do GRAACC. Cada palhaço assumiu uma função para a organização e bom andamento do espetáculo, com isso a equipe estava formada da seguinte forma:
Atração Principal: K. 
Segurança: Arlindo
Dançarina: BomBom
Rei do Camarote: Janja
  
Nesse momento o quarto tornou-se um verdadeiro show da Broadway, K. começou a tocar enquanto BomBom dançava loucamente, Janja logo posicionou-se em seu camarote na cama ao lado e começou a acompanhar a cantoria. Neste momento assumi minha função de segurança e fui para a porta do quarto barrar a entrada de pessoas não autorizadas. 
Estava muito rigoroso na minha função e só permitia a entrada de pessoas credenciadas, quando uma mulher chegou sem crachá e queria porque queria entrar no quarto. Estufei o peito e barrei sua entrada, mas logo fui advertido pela Janja e pela BomBom, que me avisaram que ela era a mãe do grande astro K. e que ela possuía um camarote à sua disposição!! 
Logo que soube de quem se tratava, pedi mil desculpas e encaminhei aquela adorável senhora para o seu camarote.
  
Logo o quarto começou a encher... Quando percebemos, já estavam cantando e dançando no quarto: Eu, Janja, BomBom, K., a mãe, uma enfermeira e dois voluntários do GRAACC. 
  
O mais divertido foi ver a cena de todos dançando e balançando os braços e ao mesmo tempo! As enfermeiras que estavam lá fora também começaram a dançar e algumas pessoas do quarto ao lado vieram ver o que estava acontecendo ali!
Tocamos umas duas ou três músicas com o K. e fomos embora dançando e cantando pelos corredores do hospital.
  

quarta-feira, 2 de julho de 2014

Bigodão Poético


Relato enviado pela voluntária Cinthia (Palhaça Olívia)



Na Quimioteca um senhor prestativo nos dava atenção.
Ele queria nossa identificação!
- Claro que sim, como não!? Tome aqui nosso cartão!
Analisando ele ficou... olhava... olhava e logo perguntou:
- Com que permissão vocês entram aqui? 
Assustados com tanta autoridade, olhamos e paralisamos com tamanha seriedade! 
- É queee... É quiii... 
- Ué, com a permissão do senhor, claro!
Duvidoso, ele insiste...
- Para andar aqui precisa de licença, meu caro!
Andando de um lado para o outro, preocupados...
Batatinha revida magoado: - Olha esse moço, que danado! 
- Na verdade viemos por ordens de cima para verificar sua licença, que está vencida! 
- Olívia pegue a tesoura e vá afiar... Está na hora de picotar!!!
Saco a tesoura pontiaguda surpreendida, aquele era o melhor momento da minha vida! 
A tesoura de cabo azul era tão BLÚ que me dava emoção, fazia tempo que não tinha aquela sensação! 
Vê se pode, olha o tamanho daquele bigode!!!
Digo ansiosa e torço...
- Venha seu moço, para que eu possa aparar esse bigodão, assim o senhor não leva nenhuma intimação!
Batatinha aguarda em silencio com olhar de vencedor, quem era mesmo o cobrador?
Desconcertado o moço do bigode se assusta e logo vasculha algum canto de sua blusa...
- Onde será que coloquei, não consigo achar... Será que vou ter que aparar? 
Fazendo cara de séria ameaço com “Reec Reec” da Tesoura BLú...
- Continue! Procure! Procure ou será pior pra tu!
Com as mãos ele segura o bigode com medo ele grita, ele explode...
Inicia o discurso e se explica:
- Esse bigode e pra Ticaaaa!
- Quem?
- Quem?
- A Tica!
- Aaaaaah aTica! 
Logo visualizamos a menininha que tirava um cochilo.
Toda quentinha, parecia um esquilo. 
Agora tudo estava explicado, não poderíamos cometer aquele ato malvado!
Então tramamos a barganha, porque assim todo mundo ganha!
O seu Moço acabou nos dando a permissão para vagarmos por aqui.
Enquanto nós dávamos a Licença para ele desfilar por ali 
Trocando olhares de cumplicidade...
Tudo acabou virando só felicidade!




quarta-feira, 25 de junho de 2014

TV Suricate


Relato enviado pelo voluntário Henrique (Palhaço Heitor)




Ao chegar no Hospital Dia do Hospital Menino Jesus, um fenômeno curioso aconteceu: havia muitas crianças bem pequenas, e elas rapidamente pararam o que faziam e ficaram olhando – imóveis - os palhaços. 
  
O Tunico rapidamente identificou aquelas criaturas: “São suricates!”
O líder deles, no alto de seu leito-berço, mantinha a postura atenta, com mãos de suricates, e dava comandos aos outros. Ficamos imóveis também, tentando calcular uma aproximação. 
  
Minha vasta experiência com multidões de suricates me levou a uma ideia: o famoso “Pãn-pãrã rãm pam...” – E a resposta veio meio murcha, mas veio: “Pãn pãaaam!!!” 
“Ah, eu sabia.” – disse ao Tunico que tentou de novo, e na segunda vez a resposta foi melhor! 
  
Comecei a testar outras aproximações, e todas funcionaram: 
- Tchúbi-djhiúbi djhiúbi...
- Djhiú djiú!! 
- Pi-piriri Pi...
- Pipiiiii!!!! 
  
Aaaaaah... estava começando a ficar muito estranho, melhor parar! Essa gente gritando essas coisas, em pleno hospital!!! 
  
Mas os suricates estavam tão receptivos que até renderam um programa inteiro de TV! Percebemos que estávamos sendo filmados por TRÊS câmeras de celular! 
Foi então que resolvemos fazer um documentário e uma prévia do espetáculo de 20 anos da OAI. O show teve atrações, entrevistas... Eu, Heitor, apresentava o programa enquanto o Tunico fazia o suporte e os comerciais! 
  
Foi um sucesso tão grande, que na atração final, sobre a vida dos suricates, conseguimos o maior coro de Pan-pãrãrãm-pam de toda a história do Hospital Menino Jesus!!! 
  
Os pequenos suricates do Hospital Dia nos mostraram que seu mundo é extremamente cativante e comunicativo!
  

quarta-feira, 11 de junho de 2014

A Enfermeira General


Relato enviado pelo voluntário Paulo (Palhaço Arlindo)




Entramos na UTI do GRAACC e começamos um jogo com um menino e sua mãe, quando de repente escutamos uma voz grossa vindo lá do fundo do corredor... Quando nos viramos para ver de onde vinha aquela voz, demos de cara com uma enfermeira de semblante sério e que ordenava que fôssemos visitar o R.
  
Logo depois que terminamos o jogo com a mãe e seu filho, caminhamos em direção ao R., passando disfarçadamente pela megera da enfermeira M. Assim que chegamos onde o R. estava internado, desabafamos com ele toda nossa insatisfação com a M.! A minha revolta era tanta que comecei a imitá-la com uma voz fininha e todos aqueles trejeitos de mandona que ela possuía! O R. estava fazendo fisioterapia e não se aguentava de rir toda a vez que eu e o Otávio imitávamos a enfermeira! 
  
Ficamos ali uns 5 minutos imitando tudo que ela fazia e todas as ordens que ela dava no corredor. 
Como estávamos com medo que a M. percebesse que estávamos imitando ela, pedi para que o Otávio fechasse a cortina da UTI para que não descobrissem a gente, foi aí que extravasamos e começamos a imitar ela em voz alta! 
O R. ria tanto que nem conseguia terminar a sessão de fisioterapia que ele estava fazendo, toda vez que eu ou o Otavio falávamos: “Eiii palhaços, vão visitar o R., heim palhaços não façam bagunça, e parari.. e parará... lalalala sou a enfermeira General M., bla bla bla”... Toda vez que falamos algo desse tipo, ele ria muito.
  
Quando estávamos no auge das imitações tivemos uma surpresa inacreditável! A M. abriu a cortina com tudo e nos pegou no FLAGRA!! Foi nessa hora que travamos e em questão de segundos mudamos toda a situação e começamos a elogiar a M., falando que ela era uma boa mulher, calma e que não gostava de mandar, e ainda por cima colocamos toda a culpa no R., falando que quem estava imitando ela era ele e que nós éramos totalmente contra todas aquelas imitações perfeitas!
O R. não aguentou e caiu ainda mais na gargalhada!!
Fomos obrigados a sair da UTI para que ele continuasse a fisioterapia, pois ele não conseguia parar de rir.
  
Por fim, uma cena que quebrou o coração desses dois palhaços, a M. chamou a gente de canto numa sala da UTI e, quando achávamos que receberíamos uma baita bronca da enfermeira megera, ela parou, deu um abraço em nós, abriu um sorriso de orelha a orelha e agradeceu muito por termos arrancado boas risadas do R., que era um paciente que só mexia do pescoço para cima e não ria já há algum tempo...
  

quarta-feira, 21 de maio de 2014

A Pipa


Relato enviado pelo voluntário Fabio (Palhaço Tunico)




A UTI do Darcy Vargas nunca mais será a mesma depois da passagem de Tunico e Heitor.
  
O pequeno A. estava cabisbaixo, com a voz fraca e mesmo assim quis conversar com a gente.
Falamos sobre tudo, local de moradia, campos de futebol, postes e seus fios...
E falando de postes, A. disse que não podia empinar pipas porque na rua dele tinha muitos postes e “fios de choque”.
Perguntei se ele não ia para um parque para empinar as pipas e o garotinho com dificuldade respondeu que nunca havia ido a um parque.
  
Olhei para Heitor e rapidamente corri até o lavabo do local pegando uma folha de papel toalha e fui em direção da parede que havia uma pintura enorme do Pequeno Príncipe em seu planeta.
  
Heitor, percebendo minha ideia, fez o mesmo e fomos juntos com papel toalha, um pouco de sabonete líquido, grudando na parede os papeis e formando uma linda pipa para o garoto.
  
Quando terminamos nossa arte o garoto apontou para o pai e disse:
- Olha, pai, eles colocaram essa pipa no alto para mim!!!
  

quarta-feira, 14 de maio de 2014

A mãe friorenta


Relato enviado pela voluntária Adriana (Palhaça Múrcia)



  
Ao entrarmos na sala de Observação nos deparamos com um menininho acordado, todas as outras crianças dormindo e as enfermeiras e pais olhando pra gente aguardando o que faríamos...
  
Começamos com calma, até que a mãe do menino acordado se aproximou. Ela estava com um casaco de frio e no dia estava bem quentinho!
Aquilo chamou muito a atenção de Estafúrcio, que perguntou se ela estava com frio. Ela começou a rir e não respondeu. 
  
Estafúrcio estava impressionado e continuou a perguntar até que o frio da mãe começou a contagiá-lo. Eu estava comentando com as enfermeiras o quanto estava achando o clima agradável, quando percebi que, ao meu lado, meu amigo tremia e dizia que estava frio!! Eu não sabia o que fazer para ajudá-lo!!
  
Depois de alguns instantes sem saber o que fazer, finalmente o abracei e comecei a cantar uma música que lembrava o calor: “Rio 40º, cidade maravilha, purgatório da beleza e do caos...”. Ele foi se acalmando e finalmente voltou à temperatura normal!
  
A mãe friorenta havia sumido e Estafúrcio começou a caminhar pela sala elogiando a temperatura agradável, quando, do outro lado da sala, encontrou a mãe friorenta novamente! Os sintomas voltaram!! Estafúrcio tremia de frio!!!
Já sabendo o antídoto, corri até ele, o abracei e cantei: “Moro num país tropical, abençoado por Deus e bonito por naturezaaaa!”
  
Tudo voltou ao normal!! Ufa!
Todos riam bastante, principalmente a mãe friorenta.
  
Resolvemos sair de lá antes que o frio tomasse conta de Estafúrcio novamente, mas, a caminho da porta, encontramos mais uma vez a mãe friorenta e o mesmo problema voltou a acontecer!! 
  
O que me restou foi abraçar meu amigo e sair de lá agarrada nele cantando: “Alalaô ôôôô, mas que calo ôôôô...”.
  

quarta-feira, 7 de maio de 2014

O palhaço não acontece só no riso

Poema enviado pelo voluntário Fabio (Palhaço Bordô)



Uma senhora sentada numa cadeira
Um palhaço entra em cena
A senhora olha
O palhaço a olha
A senhora continua olhando
O palhaço inerte retribui o olhar
Sempre se espera algo do palhaço
Exceto aquela senhora que espera sem pesar
De olho fixado na senhora
O palhaço pôs-se a falar
“A senhora é a rainha em ajudar
Muita ajuda é o que planta
Colhe amor em troca de olhar”
De olhos embargados
A senhora segurou o seu chorar
O palhaço transformado
Viu no olho da senhora
Um reflexo inesperado
Que o riso não era necessário
Necessário era amar.


Bordô

  

quarta-feira, 30 de abril de 2014

A Especialista


Relato enviado pelo voluntário Pedro (Palhaço Jaime)




Jaime e Xurumi caminhavam pelo corredor e, de repente, uma menina passou por nós realizando um passo muito especial... Era uma espécie de andar saltitante que logo atraiu nossa atenção e começamos a tentar imitar.
  
A menina andava e saltava, Jaime andava e saltava e Xurumi tentava seguir os mesmos movimentos. Tentávamos aprender os detalhes, mas a menina não parava para explicar e continuava andando e saltitando...
  
Após algum tempo, aquela especialista em passos especiais olhou para o Xurumi e disse: “Não é assim, poxa!!! Tem que mexer o cabelo!!!”
  
Xurumi, ouvindo aquilo, tirou sua boina e mostrou para a criança seus poucos fios que ainda resistiam firmemente em sua cabeça. 
  
A menina olhou... refletiu... pensou... e disse: “É! Você não pode fazer!!!”. Virou e saiu saltitando...
  

quarta-feira, 23 de abril de 2014

Lágrimas Perfumadas


Relato enviado pela voluntária Viviane (Palhaça Dália)





Entrei com Dalila e Janja em mais um dentre os muitos quartos do Instituto Emílio Ribas; quem será que encontraríamos ali? A primeira coisa que nos chamou atenção, logo na porta, foi o cheiro daquele local: um frescor delicioso, daqueles que sentimos quando alguém acabou de sair do banho. Entramos mais um pouquinho e avistamos um senhor sentando, sozinho, em sua cama. Ele estava com os cabelos recém lavados, bem penteados e, claro, muito perfumados!
  
Perguntamos seu nome e ele, sem hesitar, respondeu: A.! 
Janja tratou logo de elogiá-lo por estar tão bonito e perguntou, humildemente, se ele tinha se arrumado tanto só para nos ver. Tão rápida quanto a pergunta, foi a enxurrada de lágrimas nos olhos de A. Lágrimas intensas, cheiras de uma emoção instantânea, profunda. Perdi um pouco o chão naquele momento e percebi que minhas parceiras também. Como não sermos tocadas por aquele choro tão sincero?
  
Entretanto, fizemos o possível para não deixar nossa comoção transparecer ao A. e continuamos a nossa conversa dizendo que também tínhamos nos arrumado para vê-lo, mostrando nossas roupas, dançando e nos exibindo. A., já mais calmo, nos examinava, sorria e aprovava a apresentação. 
  
Nos despedimos mandando beijos e abraços, e o A. novamente levou as mãos aos olhos, contendo as lágrimas que insistiam em cair.
  
Não sabemos ao certo o que aconteceu naquele quarto, o que nossa presença causou naquele senhor nem o motivo daquela demonstração de tão imensa gratidão por estarmos ali. Só sei que saí pensativa...
Abençoado seja o nariz vermelho que, com sua graça e simplicidade, toca a alma do ser.