Palhaço também conta histórias!
Neste blog você pode saber um pouco mais das nossas histórias vividas nos hospitais.

quarta-feira, 10 de julho de 2013

Choro Cheiroso


Relato enviado pela voluntária Viviane (Palhaça Dália)

 
 


Após visitarmos a enfermaria no 5° andar do Menino Jesus, Lorena e eu nos dirigimos à escada para subirmos ao 7º andar.
Quando chegamos ao pé da escada, nos deparamos com uma moça que estava descendo, com os olhos um pouco vermelhos. Entretanto, o que nos chamou mesmo atenção naquela moça era o cheiro! Como era cheirosa!!
  
Lorena logo disse: "Nossa! Como a senhora é cheirosa!"
 
E a moça respondeu, timidamente: "É que eu estava chorando...". 
 
Ficamos muito surpresas! 
 
"Então quer dizer que quando a senhora chora, fica cheirosa?"
 
"Sim, eu fico!"
 
Neste instante, percebemos que ela ia começar a chorar de novo e a ficar ainda mais cheirosa! Sem demora, a abraçamos bem forte, na esperança de darmos algum carinho e apoio, mas também de receber um pouco daquele perfume magnífico! Quando terminamos o abraço, ela continuou a descer as escadas, avisando que tinha que ir chorar mais um pouquinho e, logo, ficar mais cheirosa.
 
Nos despedimos mandando beijos e ao som de elogios como diva, linda, musa e, claro, CHEIROSA!! Afinal um encontro com alguém que chora lágrimas perfumadas não acontece todo dia!
 
 

quarta-feira, 3 de julho de 2013

IBOPE do Coração


Relato enviado pelo voluntário Fábio (Palhaço Tunico)
 

No sétimo andar, Tunico e Jaime aprenderam como levantar a audiência da TV!
 
Os palhaços pediram licença para entrar no quarto através do vidro da porta e J. faz um leve sinal com a mão. Entrando no quarto, Tunico viu que J. olhava desinteressado para a TV onde passava um desses programas matinais e perguntou se ele gostava desse tipo de programa. Fazendo sinais com a mão J. disse que não e Jaime tentou mostrar pra ele que o programa poderia ser legal.
 
Tunico percebeu que aquele monitor do outro lado da cama não era um monitor cardíaco mas sim um “medidor” de IBOPE!!
Ao mostrar o aparelho para Jamie os dois perceberam que J. deu um leve sorriso e que isso fez o “IBOPE” aumentar.
  
Pronto! Bastou isso para que os dois palhaços pulassem de alegria no quarto!! As enfermeiras do lado de fora, que olhavam pelo vidro, vibravam com a alegria do quarto. A cada número que aumentava no monitor a alegria brilhava no quarto, de uma vez ou outra J. conseguia sorrir o que deixava todos maravilhados!
 
Tunico e Jaime saíram do quarto vibrantes porque haviam conseguido aumentar em 10 pontos o IBOPE daquele quarto.
 

quarta-feira, 26 de junho de 2013

Peguei um peixe!!!


Relato enviado pelo voluntário Pedro (Palhaço Jaime) 

 

Entramos no quarto de L., um menino que tinha nome de cantor e estava deitado assistindo Televisão. Começamos a falar sobre vários assuntos e descobrimos que ele gostava muito de futebol e que era muito bom jogador! 
 
Chegamos à conclusão de que a união entre o nome de cantor e o talento para o futebol faziam uma junção perfeita, pois quem pede música é porque fez três gols... Sim, a piadinha foi ruim, mas menino prontamente concordou!!! Rsrsrsrs.
 
Alguns jogos aconteceram e, então, uma nova e importante revelação: O menino disse que adorava pescar e que tinha muita prática. Pescava com minhoca, camarão, isca artificial...
 
Neste momento, Jaime ergueu sua vara de pescar e começou a pedir orientações ao menino e ele prontamente atendeu!
 
- Levanta a vara de pesca... Jaime levantou...
- Agora, coloca a minhoca... Jaime colocou...
- Agora JOGAAAA... Jaime se preparou para jogar a vara inteira e o menino muito rapidamente disse: “A VARA NÃO!!!! SEGURA A VARA DE PESCAR E JOGA A LINHA COM A MINHOCA!!!”
 
Jaime se preparou, mirou e jogou com bastante força. Neste momento, D. Saradona, ou melhor, a peixe Saradona, passava pelo local e mordeu com força o anzol...
 
L. ria muito e Jaime tentava fisgar aquele peixe!
 
L dizia: Puxa a vara... mas Jaime não conseguia, pois a peixe Saradona, como o próprio nome diz, era muito forte.
 
O peixe fazia muita força e Jaime começou a ser arrastado em direção a porta... O menino mandava puxar, mas o peixe era mais forte!!! Enfim... quem pode com um peixe tão Sarado assim!!!
 

quarta-feira, 19 de junho de 2013

De volta pra casa


Relato enviado pela voluntária Daniela (Palhaça Janja)

 



Encontramos no 4º andar a Dona A. do carrinho de comida e ficamos ouvindo ela contar a história do Sururu láaaaaaaaa de Alagoas. Oh mulher boa pra contar história. Ela é do tipo mãezona, acolhedora, com um sorriso largo no rosto, dentes brancos e perfeitos e que te faz sentir bem logo de cara.
Ricota e eu ficamos nos deliciando ouvindo ela contar a história. Fomos embora daquele andar, mas encontramos Dona A. novamente no 6º andar, quando já estávamos de saída. 
 
Eu disse pra ela: Dona A. amei a senhora e o tal do sururu, posso te dar um abraço? 
 
Ela: Oxi, mas é claro que sim. 
 
E nos abraçamos sem pressa de largar. Sabe aquele abraço longo e acolhedor?! Pois é, eu acho que eu estava precisando de um desses e não queria mais soltar.
 
Quando eu finalmente larguei Dona A., ela estava com os olhos cheios d´água e disse: Olhe, eu estava tão desanimada e triste. Hoje cedo me ligaram lá de Alagoas pra falar que minha mãe sofreu um derrame. Eu tava aqui com meu coração apertadinho e só pensando em “mainha”. Esse abraço foi a melhor coisa que podia ter me acontecido.
(Acho que nós precisávamos uma da outra). 
 
Falei pra ela: Não seja por isso... 
Abri os braços, bem grandão, como se fosse o Cristo Redentor e disse: Me abrace mais!!!!
  
Nos abraçamos mais e fui embora dali refletindo sobre aquele momento.
Várias coisas fervilhavam na minha cabeça, quando Ricota disse: Janja, acabou nossa visita. Vamos nos trocar?
  
Eu disse: Não. Vamos embora assim. Quero ir pra casa assim... Janja.
(Uma das coisas que passavam pela minha cabeça quando Dona A. falou de sua mainha foi que faz 10 anos que meu pai teve um derrame e encontra-se numa cama totalmente dependente de seus familiares e ele nunca conheceu a Janja. Me senti em dívida com ele.).
 
Ricota entendeu, entrou no clima e disse: Vambora então !!!! 
 
Fomos.
 
Cheguei em casa e fui direto para o quarto do Seu Ricardo.
 
Eu estava tão eufórica que nem tive tempo de entender o ambiente, bater na porta e perguntar se eu podia entrar... nada... já cheguei chegando.
Ele tomou um susto porque estava um pouco sonolento.

Eu disse: Vamos abrir essa janela e deixar o sol entrar?
 
Ele já meio rindo disse: Pra quê? Eu não posso ir lá fora!
 
Eu retruquei: Então deixa o lá fora entrar aqui dentro.
 
Ele me respondeu com um gesto que só quem o conhece sabe o que estou dizendo. Subiu o ombro, levantou a sobrancelha e balançou de lado a cabeça.
 
Perguntei: Qual é o seu nome mesmo?
  
Ele: RI ....... RI .... RI .... CARDO. E o seu?
 
Respondi: O meu é Janja! Muito prazer!
 
Ele: Janta?
 
Eu: Não. Janja.
 
Ele: Almoço?
 
Eu: Ah vai te catar! Tá achando que eu sou palhaça? Tchau, foi um prazer e eu vou embora.
 
Ele segurou minha mão muito forte e disse: Como vai, como vai, como vai...
 
E eu: Muito bem muito bem bem bem!
 
Eu mesma já não sabia mais quem era o palhaço da história. Nos divertimos muito. Ele se deliciou com a visita e eu mais ainda. Foi incrível e talvez um dos momentos mais emocionantes que eu vivi enquanto Janja. 
 
Sabe aquele momento que marca pra sempre e você já sabe que vai contar para os netos? Então, esse é um desses momentos. Me despedi dele e fui embora com uma sensação maravilhosa que jamais conseguirei descrever e com perguntas que não sei se um dia saberei responder.
 
Quem precisa mais de um abraço? Eu ou outro?
 
Quem tem mais espaço, a criança ou o adulto que moram em mim?
 
Como anda o palhaço que habita em mim?
 
As nuvens são de algodão?
 
Como essa flor nasceu de dentro do concreto?
 
Por que motoboy buzina tanto?
 
Não precisa responder...
 
Eu não quero entender...
 
Acho que a palavra é SENTIR.
 
E o resto?
 
O resto que se exploda!!!

 

quarta-feira, 12 de junho de 2013

A Bengala do Medo


Relato enviado pelo voluntário Dantas (Palhaço Quincasss)
 





Entramos em um quarto onde estavam uma mãe em pé ao lado do berço, o seu bebê dormindo, na outra cama um garoto adolescente e sua acompanhante, uma senhora idosa deitada no sofá.
  
Lola e eu vínhamos de um quarto onde tinha rolado uma cantoria, então já chegamos falando que íamos cantar, mas a acompanhante mais idosa já pegou sua bengala apontou para mim e disse: “Se o bebê acordar vocês estão fritos!!”
 
Eu fiquei com um medo só, e todo mundo já começou a rir, menos o bebê que continuava dormindo.
A Lola insistia que eu podia cantar, e cantar o Camaro Amarelo! 
 
Quando eu ia começar a cantar, já via a mão na bengala, e me dava um medo danado, e todo mundo ria, mas o bebê dormia... E a Lola insistia para eu cantar e o medo aumentava, e a mão na bengala, e todo mundo rindo e eu com medo, mas precisa cantar, porque a Lola tava mandando, e a mão tava na bengala, e todo mundo rindo, e eu com medo. Então cantei e cantei... um olho na criança, outro na bengala, e cantando bem baixinho, e todo mundo rindo!
 
Saímos do quarto, o bebê não acordou, eu não apanhei e todo mundo riu muito.
Ufa!!
 


quarta-feira, 5 de junho de 2013

Minha Canção


Relato enviado pelo voluntário Henrique (Palhaço Heitor)



 
Em um dos quartos, entramos o Giba e eu. 
 
A pedido da enfermeira, tentaríamos nos comunicar com o E., muito pequeno, que estava se recuperando e começava a escutar os primeiros sons.
Viraram a cabecinha dele para que ele nos visse. Nós acenamos e demos um oi bem singelo.
 
A enfermeira perguntou pro E. se ele estava nos vendo: “Se você está vendo eles, pisca o olhinho”.
Ele piscou. 
Entendemos que a forma de comunicação dele eram as piscadas e ele estava voltando a escutar.
  
Depois de alguns olhares, eu disse que iria cantar uma música muito especial pra ele.
O meu parceiro Giba compartilhava com a mãe aquele momento. 
 
A enfermeira, mais uma vez: “E., se você está escutando, pisca o olhinho”.
Ele piscou.
  
Comecei a cantar “Minha Canção”, uma das minhas músicas favoritas!
O E. abriu bem os olhinhos e olhava com atenção.

Dorme a cidade... Resta um coração. Misterioso... Faz uma ilusão! ... 

A enfermeira acarinhava o bracinho dele, tão frágil... 

Soletra um verso... Lavra a melodia. Singelamente... Dolorosamente.


O Giba começava a dormir nos braços da mãe, que ria, delicada.

Doce é a mú-si-ca. Silenciosa...


O E. começou a fechar o olhinho...

Larga o meu peito... Solta-se no espa-aço!

 
O Giba roncava de leve, a mãe ria.  

 
Faz-se certeza.... Minha canção. Réstia de luz... onde dorme o meu irmão!!
E onde dorme o E.

Eu percebi o Giba dormindo também e o acordei, sussurrando que a música tinha acabado.

O olhinho do E. se abriu de leve, ele se remexeu na caminha... deixou o bracinho cair perto de mim.
Eu acenei e me despedi.
A mãe ficou muito feliz com os ouvidos do filho!
A enfermeira nos agradeceu.
Saímos, mas deixamos lá um coração de mãe e dois pequenos e lindos ouvidos.
 

 

 

quarta-feira, 29 de maio de 2013

Obrigado!


Relato enviado pela voluntária Paloma (Palhaça Lorena)
 


No corredor do sétimo andar, descobrimos uma enfermeira muito legal que tinha um nome que nos lembrava um reggae!
Rubi, Doralina e eu começamos a cantar e dançar o reggae: “Don’t worry about a thing, cause every little thing is gonna be alright”.
  
Nós nos empolgamos muito com a música e perseguimos a enfermeira que ria, até entrarmos em um quarto. Continuamos cantando e dançando.
Dentro do quarto tinha um jovem deitado na cama, praticamente inconsciente, e seu pai, um homem de uns cinquenta anos de idade.
A pedido da enfermeira, nós diminuímos um pouco o volume da música, mas isso não foi suficiente para impedir que o pai nos mandasse embora. 
 
Fiquei triste e suspirei contrariada. O pai explicou que o filho não podia nem rir daquele jeito. Perguntei se o pai também não poderia rir e ele respondeu que naquela situação não tinha como rir.
Vendo a seriedade do pai, Doralina tentou consertar dizendo que rir é o melhor remédio, mas o pai insistiu em nos mandar embora. 
 
Rubi e Doralina já estavam na porta, quase indo embora... Eu respirei e parei alguns segundos olhando nos olhos daquele homem.
Vi tanto sofrimento que não pude simplesmente ir embora. Tive vontade de estender minha mão na direção do pai e foi o que fiz. O homem me olhou um tanto surpreso e ressabiado, mas estendeu a mão dele na minha direção. Depois de segundos, aquele aperto de mão se transformou em um abraço afetuoso. 
 
Doralina e Rubi voltaram e repetiram o gesto. Saímos do quarto e o pai já não estava mais tão tenso.
Vi certa gratidão no último olhar que troquei com ele e, com certeza, ele viu essa mesma gratidão nos meus olhos.
 
 
 

quarta-feira, 22 de maio de 2013

Olhar Paralisante


Relato enviado pelo voluntário Fábio (Palhaço Tunico)

 


Jaime e Tunico entram no quarto de L. e a mãe já foi avisando:
– Ele não gosta de palhaços!
 
Tunico olhou para Jaime e ambos perceberam que o garoto, que aparentava ter 8 anos, nem ligava para os dois, somente olhava para o videogame.
 
– Mas ele tem medo? Perguntou Tunico.
 
– Não – explicou a mãe – é que uma vez veio um palhaço aqui tentando fazer mágica e foi horrível! O L. falou que palhaço tem que fazer palhaçada e não mágica, depois disso nunca mais quis saber de vocês.
 
Tunico e Jaime concordaram com a mãe dizendo realmente que palhaço tem que fazer palhaçada e, tentando ver o que o garoto jogava, Tunico percebeu que o olhar dele era super poderoso e tratou de avisa rapidamente o Jaime:
– Jaime cuidado! O olhar dele paralisa palhaços!
 
E toda hora que L. olhava para os dois uma energia super poderosa fazia com que os palhaços ficassem completamente congelados.
 
Pronto! A partir daí o rapazinho abaixava e levantava o olhar e os dois palhaços mal conseguiam se mexer para sair do quarto.
 
Mas isso não foi o pior! L. percebeu que quando apontava o dedo os dois tremiam feito vara verde!!
 
Foi tanta gargalhada que saia do menino que finalmente depois que os dois palhaços conseguiram fugir para o corredor a mãe veio atrás e disse:
– Parabéns, viu!! Fazia muito tempo que ele não ria tanto!
 
 

quarta-feira, 15 de maio de 2013

Dia de São Jorge!


Relato enviado pelo voluntário Pedro (Palhaço Jaime)  

 

Entramos em um quarto e, após conversarmos com M. sobre a novela Salve Jorge, descobrimos que o dia 23 de abril é o dia de São Jorge! Assim, decidimos protagonizar a batalha entre São Jorge e o Dragão.
 
Jaime se transformou no Dragão e Estafúrcio utilizando objetos do quarto, armou-se para o combate. 
 
O Dragão voava pelo quarto e Estafúrcio aproximou-se com sua Espada... Jaime tentou fugir, mas Estafúrcio, com uma técnica incrível, golpeou o Dragão... ou o Jaime... enfim....
O Dragão começou a cair... cair.... cair.... e quando Estafúrcio achou que a batalha estava vencida, o Dragão levantou-se e deixou claro que não era assim que se matava um Dragão.
 
Estafúrcio, diante de tal situação, perguntou para M. o que era bom para apagar fogo de Dragão e a resposta foi.... ÁGUA!!!
 
Estafúrcio foi ao banheiro, mais conhecido como o centro das armas, e se armou com o líquido mortal conhecido pela sigla H2O... O Dragão se aproximou e Estafúrcio, assim como São Jorge, deu o golpe fulminante... As asas do Dragão pararam e Estafúrcio venceu a batalha...
 
Por fim, Estafúrcio pegou sua presa e saiu do quarto para confeccionar um belo churrasco de Dragão!!!
 

quinta-feira, 9 de maio de 2013

Perfume de Menina


Relato enviado pela voluntária Paloma (Palhaça Lorena)



Em um quarto do sétimo andar, havia uma menina de uns sete anos de idade sendo alimentada por sua mãe.
Logo que entramos, Charles e eu ouvimos um som de água caindo. Cogitamos se tratar de uma cachoeira ou talvez um rio de águas calmas, mas a menina nos avisou que era apenas alguém tomando banho.
 
Lorena: “Por falar nisso, Charles, você tomou banho hoje?”.
Charles: “Pra falar a verdade, não.”.
Lorena: “Então, esse cheiro ruim que estou sentindo desde cedo é seu! Vá já se lavar!”.
 
Charles foi em direção a uma torneira que havia no quarto e começou a lavar as mãos e o cabelo. Enquanto isso, eu reclamava daquela situação para a menina.
Quando Charles voltou, eu dei uma cafungada no pescoço dele e senti um perfume muito gostoso. Fiquei elogiando aquele cheiro bom e Charles me disse que era um perfume novo: Charlotil.
 
Lorena: “M., você está sentindo o perfume do Charles?”.
M.: “Não estou sentindo cheiro nenhum.”.
 
Eu pedi que a mãe da menina cafungasse o pescoço do Charles e a resposta foi positiva. Todos no quarto sentiam o perfume, menos a menina.
 
Lorena: “M., não é possível. Seu nariz deve estar entupido! Só pode. Está o maior cheiro bom aqui no quarto.”.
M.: “Não, meu nariz não está entupido. E não estou sentindo cheiro nenhum. Esse perfume não é de verdade, né?”.
 
A mãe da menina deu uma risadinha. Charles e eu ficamos surpresos com aquela pergunta.
 
Lorena: “Será que esse cheiro só existe na nossa imaginação?”.
Charles: “Nossa, será que é isso? Esse perfume só existe na nossa cabeça?”.
Lorena: “E se todos nós juntos imaginássemos um perfume bem gostoso? Cada um imagina o seu perfume. Todos juntos concentrados, imaginando um perfume! M., quer tentar pra ver se você sente um perfume?”.
 
A menina fez uma carinha questionadora, mas concordou.
 
Lorena: “5, 4, 3, 2, 1 e já!”.
 
Palhaços concentrados. Mamãe concentrada. Menina concentrada. Olhos fechados. Imaginação aberta.
 
Charles: “Eu senti um perfume muito bom!”.
Lorena: “Eba! Eu também senti. E você, M., sentiu algum perfume?”.
Ela acenou com a cabeça.
 
Sim, ela tinha imaginado e sentido um perfume. Perguntei qual era o cheiro preferido da menina e ela respondeu: “Cheiro de maçã.”.
 
Ficamos muito empolgados. Saímos do quarto prometendo carregar aquele perfume de maçã pelo prédio todo.
 

terça-feira, 7 de maio de 2013

O Susto


Relato enviado pelo voluntário Fábio (Palhaço Tunico)


 

 
Malavazzi e Tunico andavam descontraídos pelo corredor do Menino Jesus com o objetivo de conhecer crianças simpáticas.
Ao olharem pela porta, já aberta, no final do corredor os dois tomam um susto com uma situação incrivelmente incrível!!!
 
Uma menina super sorridente tinha uma luva de plástico presa ao pijama na barriga. Os dois se olharam com uma cara de espanto por que como podia ter nascido uma mão da barrida dela???!!!!
 
A menina já rindo da situação dos palhaços na porta, como um passo de mágicas consegue arrancar a “mão” da barriga e joga no chão.
Tunico quase teve uma parada cardíaca e Malavazzi ficou boquiaberto com aquilo e sem esperar muito propôs ajudar a resgatar a “mão” de barriga da criança. Explicou para Tunico que precisavam resgatar a mão utilizando um equipamento super sofisticado: um pedaço de papel toalha enrolado como um canudo.
 
Os dois palhaços começaram a entrar no quarto com todo cuidado possível para não serem atacados pela mão, mas a criança estava tão comprometida em colocar os dois numa enrascada que começou a jogar chinelos na direção da luva para que ela despertasse de seu sono profundo. Quando conseguir atingir a luva, ela pulou como um polvo com seus tentáculos atrás da presa.
O susto dos dois foi tão grande que Malavazzi pulou pela janela que leva até a varanda do quarto enquanto Tunico se escondia embaixo da pia que havia no quarto, e acreditem o Tunico coube embaixo da pia!
 
A menina não parava de rir com a situação o que fez outras mães entrarem no quarto para entenderem o que estava acontecendo.
 
Após os corações dos palhaços desacelerarem e a coragem voltar para as calças deles, os valentes soldados respiraram fundo e como numa coreografia conseguiram resgatar a “mão” da barriga da criança e devolve-la sã e salva.
 
Missão cumprida e os dois felizes já saíram do quarto quando mais uma vez o susto resolveu voltar.
Logo na saída do quarto, um funcionário da manutenção do hospital que trazia uma maca para o quarto resolver colocar Malavazzi deitado com a ajuda de outro funcionário e o levaram de volta para o quarto.
 
Tunico, sem entender muito bem o porque daquilo, só ouviu uma das mães que estava no quarto dizendo: - Tunico, faz exame nele!!!!
 
Tunico, sabendo que é um médico formado na melhor universidade do país, já pegou uma luva de plástico que estava em uma caixa e ordenou aos funcionários que levassem a maca para a sacada onde o exame seria realizado.
Ao fechar a porta de seu “consultório”, Tunico só ouvia dentro do quarto as pessoas dizendo: - O que será que eles vão fazer?
 
Ao abrir a porta, as mães observaram que Malavazzi estava todo amassado com o cachecol enrolado na cabeça, a blusa fora do lugar e andando todo machucado, enquanto Tunico as tranquilizada dizendo que o exame tinha sido um sucesso e informando que levaria o “paciente” para outro quarto onde tomaria os cuidados necessários.
 
Acredito que Malavazzi nunca tinha tomado tantos sustos num único dia.
 

quinta-feira, 2 de maio de 2013

A Emoção de uma Avó

Relato enviado pelo voluntário Fabio (Palhaço Bordô)
 
 


Nem sempre estamos preparados para todas as situações do nosso trabalho no hospital. Num lampejo a emoção pode trair e desconcertar qualquer palhaço preparado.
 
Quando visitamos a sala da quimioterapia no GRAACC, iniciamos uma brincadeira com um menino e a minha parceira Janja pediu para ele chamar a sua mãe. Eu (Bordô) e a outra palhaça Valentina ficamos na expectativa da resposta. O garoto nos disse que a mãe não estava, mas que a avó era responsável por ele.
 
Chamamos a avó e ela veio caminhando lentamente entre as crianças da quimioterapia e logo se deparou com seu neto. A avó caiu num choro sentido. As lágrimas escorriam acompanhadas de uma sonoridade de lamento. Se abateu um instante de tristeza...
 
Nos abalamos com o momento. Por um breve tempo houve uma pausa tensa, onde veio a fatídica pergunta interna: o que fazemos agora? Nos voltamos para a criança e também não havia clima para qualquer cena. Faltou pouco para nos abater de vez. Num instante de intuição, escapamos desta situação nos voltando para outra criança para nos recompor.
 
Ao final da visita nesta ala, conseguimos recuperar o jogo com esta avó que estava com outro neto de um ano. Foi tudo diferente, pois ela reagiu bem às nossas brincadeiras. Cantamos parabéns para seu neto em vários idiomas e o menino ficou bem entretido. A avó já tinha mudado sua feição, era outra.
 
Aprendi muito neste dia. Tem momentos como este, que nos cabe aceitar o imponderável e deixar que um breve tempo recupere o que aparentemente estava perdido.
 

quinta-feira, 25 de abril de 2013

Oi!


Relato enviado pela voluntária Paloma (Palhaça Lorena)



Logo no início da nossa visita, encontramos um bebê deitado em seu carrinho, quieto e sozinho no corredor. Doralina e Romão perceberam que o bebê não enxergava. Para falar a verdade, eu não percebi isso, só fiquei sabendo muito depois pelos meus parceiros.
 
Romão disse um oi para o neném, mas não um oi qualquer, foi um oi todo cheio de melodia. Doralina também disse um oi com tom diferente. Quando chegou a minha vez, tentei falar um oi bonito e sonoro, mas minha voz saiu estranha e meus parceiros riram de mim.
  
Romão fez outro oi todo bonitão e Doralina fez o mesmo na sequência. Parecia que eles estavam cantando uma música com uma simples palavra: oi. Na minha vez, tentei fazer um oi com melodia, mas minha voz continuava desafinada.
 
O menino estava atento aos nossos sons. Não falávamos nada além de oi.
 
Uma “competição de ois” foi instalada. A cada momento, um dos palhaços falava um oi mais doido do que o outro. Vários foram os tons de oi. Até oi de ópera teve!
 
Depois de um tempo, surgiram ois com sons de animais. Oi-cachorro (latindo ao som de oi). Oi-passarinho (piando ao som de oi). Oi-gato (miando ao som de oi). Oi-elefante (bom, fazendo o barulho que o elefante faz, mas apenas com a palavra oi).
  
De repente, eu falei um oi-Tarzan: ô-ôôôô-ôôôô-ôiiiii. O bebê se remexeu todo no carrinho, impulsionando o corpo na nossa direção. Fiquei muito feliz com o sucesso do meu oi-Tarzan. Repeti o oi-Tarzan e o resultado foi o mesmo: o bebê mexeu o corpo do mesmo jeito. Romão e Doralina se uniram a mim e fizemos juntos o oi-Tarzan. O sucesso foi maior ainda.
  
Fomos embora felizes, repetindo nossos ois malucos pelo corredor.
 
 

terça-feira, 23 de abril de 2013

O Palhaço de Chupeta Verde


Relato enviado pelo voluntário Fabio (Palhaço Bordô)

 

 


O segundo andar estava repleto de crianças e depois de interagir com várias, nos deparamos com um menino que estava de chupeta verde. Ao olhá-lo, percebemos à primeira vista o brilho nos seus olhos. Naquele momento eu não sabia quem era o palhaço: ele ou nós. Valentina pediu para ele tirar a chupeta e num ato ágil e com muita naturalidade, o garotinho tirou a chupeta da boca. O riso foi a tônica do ambiente naquele precioso momento. Todos que assistiram o ato riram com o fato. Novamente me veio a cabeça: quem é o palhaço?
  
O menino notou que sua ação foi um sucesso e repetidas vezes, estimulado pela minha colega Valentina, ele tirava e colocava a chupeta da sua boca para a plateia rir. Um legítimo palhaço. Eu, Bordô, para acompanhá-lo, descobri que quando ele tirava a chupeta, eu explodia em alegria num gesto grande que se repetia. O garoto começou a tirar e colocar a chupeta várias vezes para ver o gesto e rir. Enlouqueci neste movimento, a minha parceira Valentina também e, muitas gargalhadas apareceram ao nosso redor da plateia que contava com quase 20 pessoas. Mas o grande foco não fomos nós, mas o ato preciso, espontâneo e ímpar do garoto de chupeta verde.
  
Nem sempre o palhaço está em nós, mas escondido no outro, neste caso, estava na criança de chupeta verde.
 

quinta-feira, 18 de abril de 2013

O encontro com o Homem-Aranha


Relato enviado pelo voluntário Pedro (Palhaço Jaime) 

 

Logo no início de nossa caminhada pelo hospital Menino Jesus, conhecemos T. que estava com uma blusa do Homem-Aranha. Dona Borboleta e eu nos aproximamos lentamente e perguntamos se ele era realmente um super-herói.
  
T., querendo responder nossa pergunta, colocou sua máscara e descobrimos que não era apenas uma “blusa”, mas sim a fantasia do próprio Homem-Aranha. T. começou a jogar suas teias coloridas pelo andar da cantina e Dona borboleta rapidamente localizou parte das teias na parede.
 
Comecei a seguir os movimentos do nosso herói, mas não conseguia acompanhá-lo com tanta desenvoltura. Assim, caía, levantava, tropeçava e T. demonstrava cada vez mais seus poderes.
 
Por fim, o elevador chegou e T. teve que descer. Desta vez, preferiu não utilizar suas teias e as paredes do hospital, afinal é bom variar um pouco o meio de transporte!