Palhaço também conta histórias!
Neste blog você pode saber um pouco mais das nossas histórias vividas nos hospitais.

quarta-feira, 29 de maio de 2013

Obrigado!


Relato enviado pela voluntária Paloma (Palhaça Lorena)
 


No corredor do sétimo andar, descobrimos uma enfermeira muito legal que tinha um nome que nos lembrava um reggae!
Rubi, Doralina e eu começamos a cantar e dançar o reggae: “Don’t worry about a thing, cause every little thing is gonna be alright”.
  
Nós nos empolgamos muito com a música e perseguimos a enfermeira que ria, até entrarmos em um quarto. Continuamos cantando e dançando.
Dentro do quarto tinha um jovem deitado na cama, praticamente inconsciente, e seu pai, um homem de uns cinquenta anos de idade.
A pedido da enfermeira, nós diminuímos um pouco o volume da música, mas isso não foi suficiente para impedir que o pai nos mandasse embora. 
 
Fiquei triste e suspirei contrariada. O pai explicou que o filho não podia nem rir daquele jeito. Perguntei se o pai também não poderia rir e ele respondeu que naquela situação não tinha como rir.
Vendo a seriedade do pai, Doralina tentou consertar dizendo que rir é o melhor remédio, mas o pai insistiu em nos mandar embora. 
 
Rubi e Doralina já estavam na porta, quase indo embora... Eu respirei e parei alguns segundos olhando nos olhos daquele homem.
Vi tanto sofrimento que não pude simplesmente ir embora. Tive vontade de estender minha mão na direção do pai e foi o que fiz. O homem me olhou um tanto surpreso e ressabiado, mas estendeu a mão dele na minha direção. Depois de segundos, aquele aperto de mão se transformou em um abraço afetuoso. 
 
Doralina e Rubi voltaram e repetiram o gesto. Saímos do quarto e o pai já não estava mais tão tenso.
Vi certa gratidão no último olhar que troquei com ele e, com certeza, ele viu essa mesma gratidão nos meus olhos.
 
 
 

quarta-feira, 22 de maio de 2013

Olhar Paralisante


Relato enviado pelo voluntário Fábio (Palhaço Tunico)

 


Jaime e Tunico entram no quarto de L. e a mãe já foi avisando:
– Ele não gosta de palhaços!
 
Tunico olhou para Jaime e ambos perceberam que o garoto, que aparentava ter 8 anos, nem ligava para os dois, somente olhava para o videogame.
 
– Mas ele tem medo? Perguntou Tunico.
 
– Não – explicou a mãe – é que uma vez veio um palhaço aqui tentando fazer mágica e foi horrível! O L. falou que palhaço tem que fazer palhaçada e não mágica, depois disso nunca mais quis saber de vocês.
 
Tunico e Jaime concordaram com a mãe dizendo realmente que palhaço tem que fazer palhaçada e, tentando ver o que o garoto jogava, Tunico percebeu que o olhar dele era super poderoso e tratou de avisa rapidamente o Jaime:
– Jaime cuidado! O olhar dele paralisa palhaços!
 
E toda hora que L. olhava para os dois uma energia super poderosa fazia com que os palhaços ficassem completamente congelados.
 
Pronto! A partir daí o rapazinho abaixava e levantava o olhar e os dois palhaços mal conseguiam se mexer para sair do quarto.
 
Mas isso não foi o pior! L. percebeu que quando apontava o dedo os dois tremiam feito vara verde!!
 
Foi tanta gargalhada que saia do menino que finalmente depois que os dois palhaços conseguiram fugir para o corredor a mãe veio atrás e disse:
– Parabéns, viu!! Fazia muito tempo que ele não ria tanto!
 
 

quarta-feira, 15 de maio de 2013

Dia de São Jorge!


Relato enviado pelo voluntário Pedro (Palhaço Jaime)  

 

Entramos em um quarto e, após conversarmos com M. sobre a novela Salve Jorge, descobrimos que o dia 23 de abril é o dia de São Jorge! Assim, decidimos protagonizar a batalha entre São Jorge e o Dragão.
 
Jaime se transformou no Dragão e Estafúrcio utilizando objetos do quarto, armou-se para o combate. 
 
O Dragão voava pelo quarto e Estafúrcio aproximou-se com sua Espada... Jaime tentou fugir, mas Estafúrcio, com uma técnica incrível, golpeou o Dragão... ou o Jaime... enfim....
O Dragão começou a cair... cair.... cair.... e quando Estafúrcio achou que a batalha estava vencida, o Dragão levantou-se e deixou claro que não era assim que se matava um Dragão.
 
Estafúrcio, diante de tal situação, perguntou para M. o que era bom para apagar fogo de Dragão e a resposta foi.... ÁGUA!!!
 
Estafúrcio foi ao banheiro, mais conhecido como o centro das armas, e se armou com o líquido mortal conhecido pela sigla H2O... O Dragão se aproximou e Estafúrcio, assim como São Jorge, deu o golpe fulminante... As asas do Dragão pararam e Estafúrcio venceu a batalha...
 
Por fim, Estafúrcio pegou sua presa e saiu do quarto para confeccionar um belo churrasco de Dragão!!!
 

quinta-feira, 9 de maio de 2013

Perfume de Menina


Relato enviado pela voluntária Paloma (Palhaça Lorena)



Em um quarto do sétimo andar, havia uma menina de uns sete anos de idade sendo alimentada por sua mãe.
Logo que entramos, Charles e eu ouvimos um som de água caindo. Cogitamos se tratar de uma cachoeira ou talvez um rio de águas calmas, mas a menina nos avisou que era apenas alguém tomando banho.
 
Lorena: “Por falar nisso, Charles, você tomou banho hoje?”.
Charles: “Pra falar a verdade, não.”.
Lorena: “Então, esse cheiro ruim que estou sentindo desde cedo é seu! Vá já se lavar!”.
 
Charles foi em direção a uma torneira que havia no quarto e começou a lavar as mãos e o cabelo. Enquanto isso, eu reclamava daquela situação para a menina.
Quando Charles voltou, eu dei uma cafungada no pescoço dele e senti um perfume muito gostoso. Fiquei elogiando aquele cheiro bom e Charles me disse que era um perfume novo: Charlotil.
 
Lorena: “M., você está sentindo o perfume do Charles?”.
M.: “Não estou sentindo cheiro nenhum.”.
 
Eu pedi que a mãe da menina cafungasse o pescoço do Charles e a resposta foi positiva. Todos no quarto sentiam o perfume, menos a menina.
 
Lorena: “M., não é possível. Seu nariz deve estar entupido! Só pode. Está o maior cheiro bom aqui no quarto.”.
M.: “Não, meu nariz não está entupido. E não estou sentindo cheiro nenhum. Esse perfume não é de verdade, né?”.
 
A mãe da menina deu uma risadinha. Charles e eu ficamos surpresos com aquela pergunta.
 
Lorena: “Será que esse cheiro só existe na nossa imaginação?”.
Charles: “Nossa, será que é isso? Esse perfume só existe na nossa cabeça?”.
Lorena: “E se todos nós juntos imaginássemos um perfume bem gostoso? Cada um imagina o seu perfume. Todos juntos concentrados, imaginando um perfume! M., quer tentar pra ver se você sente um perfume?”.
 
A menina fez uma carinha questionadora, mas concordou.
 
Lorena: “5, 4, 3, 2, 1 e já!”.
 
Palhaços concentrados. Mamãe concentrada. Menina concentrada. Olhos fechados. Imaginação aberta.
 
Charles: “Eu senti um perfume muito bom!”.
Lorena: “Eba! Eu também senti. E você, M., sentiu algum perfume?”.
Ela acenou com a cabeça.
 
Sim, ela tinha imaginado e sentido um perfume. Perguntei qual era o cheiro preferido da menina e ela respondeu: “Cheiro de maçã.”.
 
Ficamos muito empolgados. Saímos do quarto prometendo carregar aquele perfume de maçã pelo prédio todo.
 

terça-feira, 7 de maio de 2013

O Susto


Relato enviado pelo voluntário Fábio (Palhaço Tunico)


 

 
Malavazzi e Tunico andavam descontraídos pelo corredor do Menino Jesus com o objetivo de conhecer crianças simpáticas.
Ao olharem pela porta, já aberta, no final do corredor os dois tomam um susto com uma situação incrivelmente incrível!!!
 
Uma menina super sorridente tinha uma luva de plástico presa ao pijama na barriga. Os dois se olharam com uma cara de espanto por que como podia ter nascido uma mão da barrida dela???!!!!
 
A menina já rindo da situação dos palhaços na porta, como um passo de mágicas consegue arrancar a “mão” da barriga e joga no chão.
Tunico quase teve uma parada cardíaca e Malavazzi ficou boquiaberto com aquilo e sem esperar muito propôs ajudar a resgatar a “mão” de barriga da criança. Explicou para Tunico que precisavam resgatar a mão utilizando um equipamento super sofisticado: um pedaço de papel toalha enrolado como um canudo.
 
Os dois palhaços começaram a entrar no quarto com todo cuidado possível para não serem atacados pela mão, mas a criança estava tão comprometida em colocar os dois numa enrascada que começou a jogar chinelos na direção da luva para que ela despertasse de seu sono profundo. Quando conseguir atingir a luva, ela pulou como um polvo com seus tentáculos atrás da presa.
O susto dos dois foi tão grande que Malavazzi pulou pela janela que leva até a varanda do quarto enquanto Tunico se escondia embaixo da pia que havia no quarto, e acreditem o Tunico coube embaixo da pia!
 
A menina não parava de rir com a situação o que fez outras mães entrarem no quarto para entenderem o que estava acontecendo.
 
Após os corações dos palhaços desacelerarem e a coragem voltar para as calças deles, os valentes soldados respiraram fundo e como numa coreografia conseguiram resgatar a “mão” da barriga da criança e devolve-la sã e salva.
 
Missão cumprida e os dois felizes já saíram do quarto quando mais uma vez o susto resolveu voltar.
Logo na saída do quarto, um funcionário da manutenção do hospital que trazia uma maca para o quarto resolver colocar Malavazzi deitado com a ajuda de outro funcionário e o levaram de volta para o quarto.
 
Tunico, sem entender muito bem o porque daquilo, só ouviu uma das mães que estava no quarto dizendo: - Tunico, faz exame nele!!!!
 
Tunico, sabendo que é um médico formado na melhor universidade do país, já pegou uma luva de plástico que estava em uma caixa e ordenou aos funcionários que levassem a maca para a sacada onde o exame seria realizado.
Ao fechar a porta de seu “consultório”, Tunico só ouvia dentro do quarto as pessoas dizendo: - O que será que eles vão fazer?
 
Ao abrir a porta, as mães observaram que Malavazzi estava todo amassado com o cachecol enrolado na cabeça, a blusa fora do lugar e andando todo machucado, enquanto Tunico as tranquilizada dizendo que o exame tinha sido um sucesso e informando que levaria o “paciente” para outro quarto onde tomaria os cuidados necessários.
 
Acredito que Malavazzi nunca tinha tomado tantos sustos num único dia.
 

quinta-feira, 2 de maio de 2013

A Emoção de uma Avó

Relato enviado pelo voluntário Fabio (Palhaço Bordô)
 
 


Nem sempre estamos preparados para todas as situações do nosso trabalho no hospital. Num lampejo a emoção pode trair e desconcertar qualquer palhaço preparado.
 
Quando visitamos a sala da quimioterapia no GRAACC, iniciamos uma brincadeira com um menino e a minha parceira Janja pediu para ele chamar a sua mãe. Eu (Bordô) e a outra palhaça Valentina ficamos na expectativa da resposta. O garoto nos disse que a mãe não estava, mas que a avó era responsável por ele.
 
Chamamos a avó e ela veio caminhando lentamente entre as crianças da quimioterapia e logo se deparou com seu neto. A avó caiu num choro sentido. As lágrimas escorriam acompanhadas de uma sonoridade de lamento. Se abateu um instante de tristeza...
 
Nos abalamos com o momento. Por um breve tempo houve uma pausa tensa, onde veio a fatídica pergunta interna: o que fazemos agora? Nos voltamos para a criança e também não havia clima para qualquer cena. Faltou pouco para nos abater de vez. Num instante de intuição, escapamos desta situação nos voltando para outra criança para nos recompor.
 
Ao final da visita nesta ala, conseguimos recuperar o jogo com esta avó que estava com outro neto de um ano. Foi tudo diferente, pois ela reagiu bem às nossas brincadeiras. Cantamos parabéns para seu neto em vários idiomas e o menino ficou bem entretido. A avó já tinha mudado sua feição, era outra.
 
Aprendi muito neste dia. Tem momentos como este, que nos cabe aceitar o imponderável e deixar que um breve tempo recupere o que aparentemente estava perdido.
 

quinta-feira, 25 de abril de 2013

Oi!


Relato enviado pela voluntária Paloma (Palhaça Lorena)



Logo no início da nossa visita, encontramos um bebê deitado em seu carrinho, quieto e sozinho no corredor. Doralina e Romão perceberam que o bebê não enxergava. Para falar a verdade, eu não percebi isso, só fiquei sabendo muito depois pelos meus parceiros.
 
Romão disse um oi para o neném, mas não um oi qualquer, foi um oi todo cheio de melodia. Doralina também disse um oi com tom diferente. Quando chegou a minha vez, tentei falar um oi bonito e sonoro, mas minha voz saiu estranha e meus parceiros riram de mim.
  
Romão fez outro oi todo bonitão e Doralina fez o mesmo na sequência. Parecia que eles estavam cantando uma música com uma simples palavra: oi. Na minha vez, tentei fazer um oi com melodia, mas minha voz continuava desafinada.
 
O menino estava atento aos nossos sons. Não falávamos nada além de oi.
 
Uma “competição de ois” foi instalada. A cada momento, um dos palhaços falava um oi mais doido do que o outro. Vários foram os tons de oi. Até oi de ópera teve!
 
Depois de um tempo, surgiram ois com sons de animais. Oi-cachorro (latindo ao som de oi). Oi-passarinho (piando ao som de oi). Oi-gato (miando ao som de oi). Oi-elefante (bom, fazendo o barulho que o elefante faz, mas apenas com a palavra oi).
  
De repente, eu falei um oi-Tarzan: ô-ôôôô-ôôôô-ôiiiii. O bebê se remexeu todo no carrinho, impulsionando o corpo na nossa direção. Fiquei muito feliz com o sucesso do meu oi-Tarzan. Repeti o oi-Tarzan e o resultado foi o mesmo: o bebê mexeu o corpo do mesmo jeito. Romão e Doralina se uniram a mim e fizemos juntos o oi-Tarzan. O sucesso foi maior ainda.
  
Fomos embora felizes, repetindo nossos ois malucos pelo corredor.
 
 

terça-feira, 23 de abril de 2013

O Palhaço de Chupeta Verde


Relato enviado pelo voluntário Fabio (Palhaço Bordô)

 

 


O segundo andar estava repleto de crianças e depois de interagir com várias, nos deparamos com um menino que estava de chupeta verde. Ao olhá-lo, percebemos à primeira vista o brilho nos seus olhos. Naquele momento eu não sabia quem era o palhaço: ele ou nós. Valentina pediu para ele tirar a chupeta e num ato ágil e com muita naturalidade, o garotinho tirou a chupeta da boca. O riso foi a tônica do ambiente naquele precioso momento. Todos que assistiram o ato riram com o fato. Novamente me veio a cabeça: quem é o palhaço?
  
O menino notou que sua ação foi um sucesso e repetidas vezes, estimulado pela minha colega Valentina, ele tirava e colocava a chupeta da sua boca para a plateia rir. Um legítimo palhaço. Eu, Bordô, para acompanhá-lo, descobri que quando ele tirava a chupeta, eu explodia em alegria num gesto grande que se repetia. O garoto começou a tirar e colocar a chupeta várias vezes para ver o gesto e rir. Enlouqueci neste movimento, a minha parceira Valentina também e, muitas gargalhadas apareceram ao nosso redor da plateia que contava com quase 20 pessoas. Mas o grande foco não fomos nós, mas o ato preciso, espontâneo e ímpar do garoto de chupeta verde.
  
Nem sempre o palhaço está em nós, mas escondido no outro, neste caso, estava na criança de chupeta verde.
 

quinta-feira, 18 de abril de 2013

O encontro com o Homem-Aranha


Relato enviado pelo voluntário Pedro (Palhaço Jaime) 

 

Logo no início de nossa caminhada pelo hospital Menino Jesus, conhecemos T. que estava com uma blusa do Homem-Aranha. Dona Borboleta e eu nos aproximamos lentamente e perguntamos se ele era realmente um super-herói.
  
T., querendo responder nossa pergunta, colocou sua máscara e descobrimos que não era apenas uma “blusa”, mas sim a fantasia do próprio Homem-Aranha. T. começou a jogar suas teias coloridas pelo andar da cantina e Dona borboleta rapidamente localizou parte das teias na parede.
 
Comecei a seguir os movimentos do nosso herói, mas não conseguia acompanhá-lo com tanta desenvoltura. Assim, caía, levantava, tropeçava e T. demonstrava cada vez mais seus poderes.
 
Por fim, o elevador chegou e T. teve que descer. Desta vez, preferiu não utilizar suas teias e as paredes do hospital, afinal é bom variar um pouco o meio de transporte!
 

terça-feira, 16 de abril de 2013

A Lingerie de Romão

Relato enviado pelo voluntário Adê (Palhaço Romão) 

 


A dignidade de um palhaço é algo muito importante, mas neste dia a minha foi colocada à prova!!
 
Neste dia no Hospital Menino Jesus, o Pronto Atendimento foi invadido por 5 palhaços. Meu Deus, o que fazer sem ficar agressivo? Tentamos tirar uma foto, meio confuso, mas no final deu certo. 
 
Tentei um romance com uma adolescente ao lado da mãe... hummmmm... mas meu romance foi interrompido por Durval e suas ideias!
Ele simplesmente anunciou que eu faria um striptease.
Nesse dia eu trajava um figurino feminino e meu colega resolveu me expor... não sei porque, afinal até os escoceses usam saias!
 
Tentei negar, afinal sou tímido e nem sabia fazer striptease, mas foram tantos os pedidos e súplica que não resisti! Subi em uma cadeira e iniciei o processo do strip. 
Devia estar horrível, mas estava engraçado, pois meus amigos, pacientes e acompanhantes batiam palmas, dando ritmo a cena.
  
Lentamente a minha saia foi caindo, mas eu não percebia. 
Quando minha saia já estava abaixo do joelho, desci da cadeira, pois não queria continuar... afinal sou muito feio para fazer um strip.
  
Todos começaram a rir e meus companheiros tentavam me avisar de algo, mas eu não entendia o que estava acontecendo, pois estava feliz com a satisfação da plateia. Foi quando percebi que estava sem as saias, só de cueca!!! Ai que vergonha!!!! 
Fui tirado de lá com a ajuda dos meus amigos.
 
 

quinta-feira, 11 de abril de 2013

Quem é o cantor???

Relato enviado pelo voluntário Pedro (Palhaço Jaime)
 

 
Jaime e Lourival chegaram ao 4º Andar do hospital Menino Jesus e começaram a interagir com diversas crianças. Jogos foram acontecendo e, após alguns minutos, eles perceberam a presença de um menino, bem grande e forte, que os observava com a feição bem fechada.
 
A dupla tentou estabelecer uma ponte com o olhar, mas o rosto fechado permanecia e o menino começou a esfregar as mãos como se estivesse pronto para “pegar” os palhaços. Lourival e Jaime, diante de tal situação, saíram correndo, com medo, em busca de novas crianças...
 
Passado algum tempo, já em outro andar, Jaime e Lourival estavam andando quando localizaram, novamente, aquele menino. A princípio, tentaram estabelecer uma ponte, mas nada ocorreu... A feição permanecia fechada, mas, desta vez, cheios de coragem, eles decidiram se aproximar.
 
Foram passo a passo chegando perto... bem devagar... e, quando estavam cerca de um metro do menino, ele olhou para os dois e disse bem alto:
”VOU FALAR UMA COISA PARA OS DOIS!!!”
  
Neste momento a dupla parou e, ansiosa, aguardou o que o menino teria para dizer... Seria um: “Fora daqui”???... ou talvez um “O que vocês querem???”... Nada disso!!! O menino disse:
“QUERO SER AMIGO DE VOCÊS!!!”
 
Ai que felicidade!!! Como é bom fazer amigos!!! Eles logo se apresentaram e descobriram que o ultra, mega, super, blaster simpático menino chamava-se G. e tinha 9 anos!
 
Ah!!! Está pensando que a história acabou??? Nada disso! Está apenas começando!!!
 
Após sabermos um pouco mais sobre G., Jaime pediu que ele lhe dissesse algo sensacional e G., sem muito pensar disse:
“Muitas vezes, quando pego ônibus, o cobrador pede para eu cantar uma música só porque eu sei cantar...”.
 
Jaime e Lourival se olharam e, quase em coro, pediram: “CANTA UMA MÚSICA!!!”
 
G. se preparou, escolheu a música e começou:
 
“Não posso voltar para casa;
Com medo da solidão;
O jeito é ir pro boteco;
Tomar uma com limão;
Os amigos de noitada;
Me chamam de pingaiada;
Bunda mole e chorão;
 
Eu bebo e choro;
Pode rir de mim;
Não bebe e não chora;
Quem nunca amou assim.”
 
Jaime e Lourival dançavam felizes, G. cantava lindamente e as pessoas em volta sorriam e observavam o grande talento deste menino que mostrou que seu tamanho era proporcional ao seu coração!!!

terça-feira, 9 de abril de 2013

Furacão em Ação

Relato enviado pela voluntária Rubia (Palhaça Dalila)

 


Dalila abre a porta do quarto do paciente W. no hospital Emílio Ribas e estica a cabeça com olhar de curiosa para descobrir o que tinha lá dentro. Sua parceira Isabel Coriza, imediatamente, faz o mesmo.
  
Não sei o que passou pela cabeça de W., mas as duas foram recebidas com um imenso sorriso e agradeceram com outro sorriso muito maior. Ele, rapidamente, pede para a dupla entrar e deixar a porta do quarto aberta, pois estava com muito calor. 
 
Dalila segura a porta e Coriza fica um pouco perdida procurando algo para prender. O W. indica um cesto, mas ela continua perdida. Dalila para provar que não sabe o significado desta palavra decide resolver a situação, estica a sua perna esquerda e puxa uma mini escada que estava no meio do quarto para segurar a porta. Eba, conseguiu!
 
Depois disso, Dalila se aproxima da cama e começa a balançar os braços em direção ao paciente W. Coriza vai para o outro lado da cama e começa a assoprar. A missão da dupla era refrescar o sorridente W.
 
Segundo W., a dupla ia se cansar rapidamente e, muito sem graça, falava que estava tudo bem. Para provar que o cansaço não tomaria conta da dupla, as duas decidem mudar de posição. Dalila enche o pulmão de ar e começa a assoprar e Coriza começa a chacoalhar os braços.
 
A vontade era tãããão grande em refrescá-lo que, com a força do vento, foi se formando um furacão, que se fortaleceu chegando a categoria 5. O quarto de W. entra em estado de atenção e o sinal de alerta é acionado: risadas de W. demonstravam a intensidade do perigo que o furacão apresentava.
 
Com a intensidade dos ventos, Dalila e Coriza começaram a girar, girar e girar descontroladamente. O furacão pegou tanta velocidade que as duas foram arremessadas do quarto e o sinal de alerta continuou ligado. Dava para escutar lá do corredor que as risadas do paciente W. tomaram conta do quarto com a saída do furacão!!!
 

quinta-feira, 4 de abril de 2013

O grande mistério dos números...

Relato enviado pelo voluntário Pedro (Palhaço Jaime)
 
 
 
 



Chegamos ao Hospital Dia e percebemos que havia poucas crianças na sala. Logo nos aproximamos de uma cama em que havia um menino acompanhado de sua mãe. Perguntamos o nome do menino e, depois o da mãe. Neste momento uma grande coincidência: os dois nomes tinham 08 letras.
 
Achamos aquilo muito legal e fomos para a cama imediatamente à direita da anterior. Resolvemos, também, perguntar o nome do menino e da mãe e, para nossa surpresa, os dois tinham 07 letras...
 
Dona borboleta e eu começamos a ficar assustados e, vagarosamente, nos aproximamos da cama que estava imediatamente à esquerda da primeira... Perguntamos o nome do menino... Logo depois o da mãe... e ... PASMEM!!!... os dois tinham 06 letras.
 
Começamos a acreditar que forças ocultas estavam presentes ali e todos que estavam na sala não acreditavam no que estava acontecendo!
 
Decididos a acabar com esse mistério nos aproximamos de B. que estava sentado brincando de “caça palavras”... Perguntamos seu nome e descobrimos que tinha 05 letras... Neste momento, para delírio geral de todos os presentes, o Pai, que até então assistia a tudo bem distante, se aproximou e disse: - E o meu nome é A., que também tem 05 LETRAS!!!
 
Foi incrível como todos ficaram impressionados com tamanha coincidência... Se é que coincidências existem...!!! Medo!!!
 
 

terça-feira, 2 de abril de 2013

A Patinadora Artística

Relato enviado pela voluntária Adriana (Palhaça Múrcia)
 
 


Era uma vez uma patinadora artística que era mãe, ou uma mãe que era patinadora artística... pensando bem, acho que ela era mais mãe que qualquer outra coisa!
 

Primeiro descobrimos que ela era mãe! Tadeu e eu chegamos ao posto de enfermagem e começamos a nos vangloriar, falando o quanto éramos melhores que a outra dupla (Mixirico e Arlindo), que já estava naquele andar jogando em um quarto.
Ela estava ali, perto da gente, já rindo da nossa cara, mesmo sem fazer parte da conversa.
  
Quando a enfermeira foi pegar uns documentos, a mãe perguntou: - Será que eles podem ir lá ver o meu filho? Nunca ninguém vai lá...
A enfermeira ficou meio sem graça, tentou explicar que o quarto era de isolamento, que a gente poderia ficar no vidro. Mas o apelo foi tão sincero, que a médica que estava mais afastada veio falar com a gente.
A médica perguntou se estávamos gripados e prontamente respondemos que não! E ela disse que poderíamos entrar no quarto então!
 
A mãe sorriu e logo nos apontou o quarto, que ficava no final do corredor. Fomos andando a frente e ela veio atrás. Usando meias e chinelos, ela pegou impulso e foi patinando até a porta do quarto do seu filho! Uma patinação artística de corredor sensacional! Ficamos maravilhados!
 
A enfermeira nos acompanhou até a porta e disse à mãe que nos falasse o nome do filho. Aí entendemos que ele não poderia falar porque estava com a boca machucada.
L. realmente não falou... não falou com a boca, mas seus olhos diziam tudo!! Desde que apontamos a cara no quarto o seu olhar de cumplicidade nos cativou!
 
Já entramos comentando os dotes da patinação artística da sua mãe pelo corredor! Ele sorria com os olhos e, muitas vezes, a boca também nos presenteava com um leve risinho!
Tadeu, que tem uma leve ascendência russa e patinadora, deu uma bela assessoria à mãe artista!

Não só isso, ele também deu uma aula sobre os patinadores da antiguidade até a modernidade, de Moisés até Michael Jackson! A mãe ria, fazia poses patinadoras e o filho se deliciava com tudo aquilo.
 
Tadeu e eu tivemos uma leve briga no quarto, porque quando fui ilustrar a patinação Michael Jacksonística, ele fechou a porta na minha cara, me deixando pro lado de fora! Quando entrei novamente ele e L. se entreolhavam rindo da minha cara! Muita sacanagem desses homens!!
 
Antes de irmos embora, resolvemos ajudar a grande patinadora a escolher seu nome artístico. Até Mixirico e Arlindo chegaram nessa hora e deram uns pitacos... depois de muitas ideias péssimas, chegamos ao nome “Baryshnikova”, afinal todo patinador tem um “Q” de russo e de bailarino!!
 
Ela ficou lá treinando um autógrafo, mesmo porque o nome era difícil pra caramba de escrever! E o L. ficou nos olhando sorrindo, se deliciando com a visita e com o potencial artístico da sua mãe!!
 
Toda mãe é artista!! Mas essa foi mais que especial!!!
 
 

quarta-feira, 27 de março de 2013

O quarto do coração!

Relato enviado pela voluntária Catarina (Palhaça Pepa)
 
 
 

Estávamos andando pelo corredor quando olhamos para dentro de um quarto e não havia ninguem por ali... ah é sempre muito frustrante quando não há ninguém. OK... ficamos felizes porque são menos pessoas doentes, mas no fundo existe um sentimento de que poderiamos descobrir algo genial ali.
  
A caminhada continuou, mas, de repente, a Bom Bom disse: - Não... esperem! Tem gente ali!”
E tinha gente mesmo! Gente bem encolhida, no cantinho do quarto! Mãe e filha, no canto da cama, tão encolhidas que realmente não dava para ver da janela.
Aiiii que ansiedade!!
  
Pepa: - Acho que elas não podem nos ver! Vou passar despercebida... (Coloquei meu rosto na porta do quarto e saí rapidamente).
Giba: - Deixa eu tentar! (rosto na porta do quarto).
Bom Bom: - Agora eu!! (assim repetindo).

Pepa entrou no quarto, passando correndo e se escondendo atrás de uma cama. E, assim, todos nós fomos nos escondendo pelo quarto.
A menininha ficava nos olhando e falando: - Te achei, te achei!!
Estava muito difícil nos escondermos por ali, principalmente a Bom Bom, que é altíssima!!!
Então, para facilitar, tiramos a Bom Bom do quarto! Voltamos com ela no colo, e escondemos no sofá, mas a menininha nos achou novamente!
OK! Desistimos! Ela sempre nos achava!
  
Quando estávamos frustrados por não conseguirmos nos esconder, entrou uma médica para verificar o coração, pulmão, e tudo o que deveria ser verificado...
 
Ela nos disse: - Fiquem aqui, viu? É muito rápido, só vou verificar o coração da princesa.
Pepa: - Pronto, doutora, pode verificar meu coração!
Doutora: - Nãooooo!! Ela que é a princesa você não!
Bom Bom: - E eu, posso ser?
Doutora: - Não! É ela!
Menininha: - Sou eu, sou eu!!!
Giba: Mas eu posso ser príncipe? – usando todo o seu charme.
E a mãe disse: - Pode sim!
Giba: - Ahhh então pode verificar meu coração!
  
A doutora colocou o estetoscópio no peito de Giba e disse: - Ué não escuto nada! Acho que você esta sem coração!
Giba: - Oh não!!! E agora?????
 
Todos se desesperam para conseguir um coração novo para Giba.
Eu avistei uma sandália embaixo da cama que tinha corações! Tentei pegar a menininha não deixou! Quando tentei encostar ela disse: - Nãoo!!
E eu me assustei horrores!!
Desepero total!! Era impossível conseguir pegar aquele coração!
  
Bom Bom então pegou uma folha de papel e pediu para a mãe desenhar um coração para ele!
Ela desenhou e a menina deu o coração ao Giba.
  
Todos nós saímos felizes!! Principalmente o Giba!! Afinal, não é qualquer um que ganha o coração de uma princesa!!