Palhaço também conta histórias!
Neste blog você pode saber um pouco mais das nossas histórias vividas nos hospitais.

segunda-feira, 12 de novembro de 2012

Quem tem medo de quem?

 
Relato enviado pela voluntária Paloma (Palhaça Lorena)
 
 

Na recepção do GRAACC, encontramos a N. sentada no colo de sua mãe. Quando nos aproximamos, a mãe rapidamente escondeu a N. inteirinha com um cobertor. Através de uma leitura labial, descobrimos que ela tinha medo de palhaço.
 
Odorica, Ricota e eu ficamos perguntando em voz alta se havia uma criança por ali. De repente, a mãe retirou o cobertor e revelou a presença da N. Levamos o maior susto! Saímos correndo para longe da menina e nos escondemos, cada um em um canto da recepção.
 
A mãe voltou a cobrir a N.

Recuperamos o fôlego e nos aproximamos da montanha de cobertor. Voltamos a debater sobre a presença de uma criança ali: 
Ricota: “Tenho certeza que vi uma criança aqui.”.
Odorica: “Estava aqui, eu vi também.”.
O jogo se repetiu, mas com maior intensidade. A mãe retirou o cobertor inesperadamente e pronto: “Ai, Meu Deus! Uiiiii! Que susto!”. 
Palhaços assustados correndo para todos os lados em busca de um novo esconderijo.
 
Na terceira vez que o jogo se repetiu, qual não foi a nossa surpresa quando, após ser descoberta, a pequena N. deu um berro de “Buuuuuu”. 
Aí sim, nosso susto foi medonho. Fugimos para o elevador, felizes porque o medo da menina se transformou naquele grito empolgado.
 
Fim.
Ei, peraí!
Não terminou ainda.
 
Passeios de elevador. Ginástica na escada. Uma musiquinha aqui. Uma dancinha ali. Declaração tosca de amor... “Ei, palhaços, tem alguém se escondendo de vocês ali.” – avisou uma enfermeira na Quimioteca.
Quem era? Quem? Quem? A N., é claro!!
 
Continuamos o jogo do esconde-esconde. Inúmeros gritos de “Buuuuuu” foram disparados na nossa direção. Utilizamos um biombo para uma aproximação, tentando passar despercebidos pela N. 
A metralhadora de “Buuuuuuuu” não parava nunca mais de atirar. E, a cada susto nosso, aumentavam os risos da N.
 
Fomos embora assim, assustados, fugindo dos disparos. O mais gostoso foi ouvir uma pessoa perguntar: “Ela não tinha medo de palhaço?”.

 

quinta-feira, 8 de novembro de 2012

Feliz Despedida

Relato enviado pelo voluntário Cristiano (Palhaço Lourival)
 
 
 



Normalmente as despedidas são recheadas de sentimentos e, em regra, carregadas de saudade, do não querer se despedir, da vontade de ficar mais um pouco ou até mesmo para sempre com aquele que se despede.
 
Não conhecia ainda o que viria a testemunhar naquela manhã no Hospital Municipal Infantil Menino Jesus. Quincas e Lourival, como sempre, divertiam-se pelos corredores, sempre muito cheios de crianças, adultos e funcionários, todos sempre muito alegres com nossa presença, mas ouvimos um pedido especial, o J., uma criança que por meses estava internada e que havia rendido uma série de relatos e relatórios sobre sua interatividade com os palhaços e funcionários, queria se despedir.
 
Como assim? Quer se despedir?
Trata-se de uma criança de aproximadamente cinco anos, que sempre era visitada, desde sua internação na UTI até a observação, sempre alegre, disposta, brincando, por vezes não falava, não conseguia, estava com tubos, sondas e outras coisas penduradas, amarradas e talvez até parafusadas nele, mas nunca se recusava a sorrir.
 
J. era aquela criança que não exigia qualquer coisa do palhaço, ele conduzia a brincadeira, pescava com uma linha amarrada em qualquer coisa, era um exemplo inspirador de improviso.
 
Naquela manhã de Outubro, J. queria se despedir, estava de alta e era sua ultima manhã no hospital. J. naquela manhã falava, com dificuldade mas falava, brincava como sempre, ainda não conseguia ficar de pé, muitos meses deitado deixaram suas pernas enfraquecidas, mas isso não o impedia de querer tentar se levantar para brincar com os palhaços, seu olhar era só felicidade, desde sempre, e agora ele iria embora, pra sua casa, com saúde.
 
J. me ensinou que nem todo adeus é triste, ficamos muito contentes em dar adeus ao J.
 

terça-feira, 6 de novembro de 2012

O que você vê?

 
Relato enviado pelo voluntário Denis (Palhaço Durval)
 
 


As crianças nos ensinam muito, mas para isso, é preciso acessar o mundo delas.
 
Certa vez, no Emílio Ribas, uma garotinha de 5 anos, chamada V. levou a mim e meus dois colegas para um passeio na praia.
 
Na praia ela nos mostrou a areia, o mar, os peixes e até o sol quente. Agora, eu pergunto: - O que você enxergaria?
  
Se sua resposta for um pátio de concreto entre dois prédios em um dia nublado, convido-o (a) para fazer uma reflexão sobre como você esta vendo a sua vida e a das pessoas ao seu redor. Agora, se você consegue entrar na praia de V., talvez consiga entender o que eu quis dizer com este post.
 
 

quinta-feira, 1 de novembro de 2012

BZZZZZZZZZZZZZ


Relato enviado pela voluntária Daniela (Palhaça Janja)
 
Chegamos à porta do quarto, o paciente H. nos olhou, fez uma cara de “tanto faz” e voltou a assistir TV. A faxineira terminava de limpar o quarto e nós continuávamos plantados na porta pensando no que podíamos fazer ou se iríamos embora dali. 
 
Pior que o NÃO é a total INDIFERENÇA. Ah como é difícil aceitá-la!!! Por isso somos brasileiros e insistimos SEMPRE... Mais um pouco ali na porta e Romão entrou no quarto, parou em frente à cama do garoto, apoiou os dedos sobre a mesa de comida (que estava vazia) e começou a dedilhar um possível piano.
Mais do que rápido Batatinha deu um som grave ao instrumento e Romão tocava com maestria aquelas notas.
 
H. olhava atento à TV e discretamente, de vez em quando, procurava-nos com o olhar para ver o que estávamos fazendo.
Importante dizer que ele estava com uma máscara gigante no rosto e só conseguíamos ver seus olhinhos passeando e procurando por nós de vez em quando.
 
Romão deu uma leve pausa e começou a tocar novas notas. Desta vez, mais agudas o que fez com que Janja assumisse o comando de voz das notas.
Romão apertava a tecla e Janja respondia agudamente com os sons de cada uma. 
H. que não deu a mínima para nós no início começou a esboçar os primeiros sorrisos. Foi quando Romão apertou outra tecla que fazia um som parecido com o pernilongo. Ele tirava o dedo da tecla e o som parava.
 
Como Romão é esperto, ele ficou apertando a tecla por mais tempo, para tentar achar o pernilongo, mas não encontrava.
Estes sons longos deixavam Janja completamente sem ar, mas Romão não percebia que ela estava passando mal!
Janja pedia a ajuda de H. que gargalhava e não estava nem um pouco a fim de ajudá-la. Fingia que não era com ele.
Janja, cada vez mais sem ar, desmaiou!! 
 
Romão automaticamente parou de ser incomodado pelo barulho do pernilongo (que coisa não?!). Ao perceber a situação inconsciente de sua parceira Romão foi socorrê-la, mesmo sem saber o motivo que provocou o desmaio! E assim saímos de lá à procura de socorro para Janja e ainda ouvindo as gostosas gargalhadas de H., que não estava NEM AÍ pra gente!!
 
 

segunda-feira, 29 de outubro de 2012

ASCAREZ X TADEU – UFC (Unidos e Felizes Continuaremos)

 
Relato enviado pelo voluntário Marcos (Palhaço Tadeu)
 
 
É surpreendente como os sentimentos mudam com rapidez assustadora. É amor, alegria, tristeza, raiva etc...
  
Batemos na porta pedindo a autorização para entrar no quarto.
Lá dentro havia um garotinho o P. e o pai que estava sentado no sofá e com um dois braços engessados. Tadeu apontou para o pai e disse ao Ascarez que ele era o paciente e que o garotinho era o visitante.
Os dois muito receptivos começaram a rir.
 
Ascarez olhou para Tadeu e disse que era verdade e que Tadeu era muito esperto! Para cumprimenta-lo, deu-lhe um belo tapa nas costas!! A força do tapa foi um pouco desproporcional, jogando Tadeu até um pouco pra frente!
O P. e o pai deram muita risada!!
 
Tadeu meio sem jeito olhou desconfiado para o Ascarez e devolveu a “gentileza” dando também um belo tapa nos ombros e dizendo: “Que isso Ascarez você que é 10!”
Ascarez fechou a cara e olhou para o P. que ria. Logo ele devolveu a “gentileza” para Tadeu e os dois ficaram nesse jogo, sempre elogiando e dando safanões em seguida um no outro!
 
Ascarez e Tadeu saíram do quarto, mas o jogo continuou na janelinha da porta.
Os dois ficavam passando de um lado para o outro e em cada passada era uma ação diferente: Tadeu estrangulava o Ascarez que com a língua pra fora pedia socorro! Ascarez batia na cabeça do Tadeu! Tadeu tentava furar o olho do Ascarez! Ascarez corria com o sapato na mão atrás do Tadeu! Tadeu levantava os braços colocando o seu sovaco no rosto do Ascarez, que fazia cara de nojo! Em câmera lenta, Ascarez deu um soco no Tadeu!!! E, quando só podia piorar, Tadeu e Ascarez passaram pela última vez, abraçados e sorridentes, olhando para dentro do quarto e mostrando que era tudo uma brincadeira e a amizade era no fim o que prevalecia!!
 
P. e seu pai, que assistiam tudo como se a janelinha da porta fosse uma grande TV, ficaram muito contentes ao ver que tudo havia terminado bem!!
Ufa!!!
 

quinta-feira, 25 de outubro de 2012

Festival Musical no GRAACC!


Relato enviado pela voluntária Paloma (Palhaça Lorena)

 

Ricota apareceu com um cavaquinho e só precisou de um empurrãozinho para se sentir seguro e carregar o companheiro pelo hospital!
O empurrãozinho tem nome: Odorica e Lorena. Dançarinas, cantoras, compositoras e parceiras piradas.
 
Fila de espera bombando no 1SS. Encontramos uma mulher alta, linda e sorridente. Não demoramos muito para descobrir sua profissão: cozinheira. Só podia ser, pois ela estava toda familiarizada com a cozinha e conseguiu descolar um lanchinho ótimo. Enquanto isso, seu pai, com o mesmo sorriso nos lábios, encarou o Ricota e pediu que ele tocasse alguma coisa.
  
Perguntamos de que gênero musical o senhor (que apelidamos carinhosamente de Maestro) gostava mais e veio a resposta: pagode.
Ricota fez uma cara um tanto desapontada e passamos a bola para o Maestro novamente: “E que pagode o senhor quer ouvir agora?”.
Maestro abriu um super sorriso e disse: “Conheço um pagode clássico que é incrível!”.
Suspense no ar... Que “pagode clássico” seria aquele? Segundos depois, o Maestro me solta: “Atirei o pau no gato.”.
 
O trio musical ficou pasmo com a escolha, mas rapidamente concordou com a proposta.
Lorena: “Noooossa, esse pagode é dos bons!”.
Odorica: “É o primeiro lugar nas paradas de sucesso!”.
Ricota: “Esse pagode é incrível mesmo!”.
 
A música começou a rolar e a empolgação das dançarinas foi total.
  
♫ Atirei o pau no gato-to
Mas o gato-to
Não morreu-reu-reu ♫
  

Foi o “atirei o pau no gato” mais animado que já ouvi e dancei na vida.
Odorica e eu fizemos a mesma coreografia, sambado loucamente, girando o corpo e rebolando.
Ricota segurou firme no cavaquinho e cantou todo afinado.
Além de dançarinas, Odorica e eu fomos backing vocal, repetindo sílabas em ritmo de pagode.
 
O sorriso largo do Maestro e de sua filha se transformou em gargalhadas que contagiaram todos no local.
 
Esbanjando talento, Ricota ainda atendeu ao pedido de um rapaz que curtiu a nossa apresentação do “atirei o pau no gato”. Dessa vez, a escolha foi samba. Solicitamos o socorro do Maestro, que tentou nos explicar a diferença entre pagode e samba, sem obter sucesso.
Maestro sacou a música “Trem das Onze” da cartola e saímos cantando o sambinha, percebendo, na prática, a diferença.
 

terça-feira, 23 de outubro de 2012

O Sofá Quincasss


Relato enviado pela voluntária Ana Carolina (Palhaça Lola)
 



Recepção lotada, hospital inteiro lotadooo!!!
 
Quincasss e Lola começaram o dia em total sintonia!
Aproveitamos da situação do hospital cheio e Quincasss virou, poltrona, sofá, puff...
 
Ele se sentava e Lola sentava no colo dele como se estivesse sentando num confortável sofá (barriguinha pequena do Quincasss!!!) e a criançada se divertia com a situação rindo do Quincasss que mal respirava!
 
Lola se fazia de desentendida e levantava e sentava por várias vezes como se não entendesse que Quincasss estava ali passando mal com seu peso!
E Quincasss dizia: “Lola, assim você me mata!!”.
 
Entre outras brincadeiras essa foi a que mais rolou e em todos os andares conseguíamos encaixá-la já que estavam cheios e com pouquíssimos lugares para sentar!
 
Na quimioteca foi o ponto alto onde arrancamos diversos sorrisos, inclusive da menina “S” que não curtia muito palhaço e não estava muito bem naquele dia.
 
Foi um dia lindo!!!!
 

quinta-feira, 18 de outubro de 2012

Mais uma Identidade Secreta para Super-Homem!!


Relato enviado pelo voluntário Rodrigo (Palhaço Mixirico)

 



I., um garoto bem debilitado que, com muito esforço, fazia sinais com a cabeça (sim/não). Ele estava com um inalador e nós palhaços estávamos de máscaras (tivemos que colocá-las para entrar no quarto).
  
De imediato, Jamal começou a conversar com o I. através de seu rádio comunicador (a máscara).
Quando Jamal perguntou o nome do garoto, eu (Mixirico) interferi na comunicação, chamando a Sula para a linha cruzada. Eu disse que o garoto era o Super-Homem (ele estava com uma camiseta dele), mas como ele estava todo enrolado debaixo da coberta, disse que ele estava disfarçado, pois todo super-herói tem disfarces. E o do I. era de minhoca peluda! I. fez que sim com a cabeça!
 
Jamal tentava se comunicar com o I., mas eu atravessa a conversa com o intuito de sacanear Jamal. I. comprou a minha ideia e ainda usamos a Sula como cúmplice.
Sendo assim, Jamal perguntava quais eram os poderes do Super-Homem. I. respondia e eu “traduzia” dizendo que com o disfarce de minhoca peluda, I. aplicava picadas em seus inimigos. 
 
Rapidamente Sula se colocou a disposição para tal tarefa e começou a picar Jamal. Cada picada rendia boas risadas de I. e, a cada picada, Jamal ficava desesperado, pulando de dor.
Mas para azar da dupla, Jamal começou e desconfiar até que descobriu o plano. Sula e eu, muito espertos, conseguimos enganar Jamal mais uma vez, e conseguiram fugir do quarto!!!
 
De longe víamos os olhinhos de I. nos olhando com cumplicidade!!!
 
 

terça-feira, 16 de outubro de 2012

Cuidado com o Touro!!


Relato enviado pela voluntária Daniela (Palhaça Janja)

 


Estávamos eu (Janja) e Múrcia passeando pelo Menino Jesus numa manhã de sábado ensolarado. 
Depois da nossa visita habitual aos andares da internação resolvemos dar uma passada na Sala de Observação, que estava bem cheia, pois todos os leitos estavam ocupados.
 
Logo que entramos avistamos dois garotos ao fundo querendo brincar. Os olhos deles brilharam quando nos viram. Um deles que estava com acesso tomando medicação na veia já foi logo falando:
 
Menino: Sabe o que é isso?
Janja e Múrcia: Não!
Menino: É força. Eu estava muito fraco e agora eles estão colocando força em mim. Quando eu tomar tudo, vou ficar muito forte pra combater bandido e touro.
Janja e Múrcia: UAU !!! Temos um super-herói aqui. Que prazer imenso! A gente nunca tinha visto um assim... em carne e osso.
Menino: Pois é! Eu e meu parceiro aqui vamos combater o crime. – Apontou ele para o amiguinho do leito ao lado que estava louco pra brincar conosco também!
Janja e Múrcia: Noooooooooossaaaaaa ... vocês dois devem ser uma dupla dinâmica igual ao Batman e Robin.
 
Nesse momento os dois estavam orgulhosos de ser o que eram: CORAJOSOS!!
 
Menino: E vocês duas precisam tomar muito cuidado!!! Vocês estão de vermelho e touro não gosta de vermelho!! Ele vai pra cima de vocês!! Mas não se preocupem que eu não tenho medo de touro e protejo vocês duas!
 
Janja e Múrcia estavam muito agradecidas pela ajuda do garoto e foram embora se despedindo de todos.
Do lado de fora da sala de observação, elas passavam correndo de um lado para o outro da porta e gritavam: “Socorro, um touro.”
 
Os dois garotos atiravam no “touro” como se fossem o Homem-Aranha. Todos vibravam com a cena! Parecia um verdadeiro filme de ação!! Não ficou devendo nada para o MacGyver, Chuck Norris, entre outros.
 
Passada a turbulência e touro liquidado, Janja e Múrcia entraram novamente na Sala de Observação para agradecer a bravura dos garotos em defendê-las. 
 
Janja e Múrcia: Pessoal, vocês acabaram de presenciar ao vivo um exemplo de coragem e bravura. Uma salva de palmas, por favor!!!
 
CLAP, CLAP, CLAP !!!!
Eram tantas palmas que os garotos ficaram de pé em seus leitos para receber os cumprimentos de todos que estavam naquela sala. Eles curvaram-se ao seu público agradecendo todo aquele prestígio e tiveram seus 15 minutos de fama!
 
Saímos de lá seguras de que tínhamos encontrado ali uma dupla de super-heróis capazes de fundar uma nova liga da justiça! Ou seriam eles mutantes e potenciais alunos do Professor Xavier?
Sei lá... o que sei é que escapei do touro bravo e nunca mais uso vermelho... vai que encontro um touro bravo na Marginal Pinheiros !!!
 
 

quinta-feira, 11 de outubro de 2012

Quarto 407

 
Relato enviado pelo voluntário Marcos (Palhaço Tadeu)
 
 
 


Estávamos no corredor quando veio um médico residente e nos abordou: “Ei!!! Vocês, por favor, passem no quarto 407 a onde tem uma paciente minha muito triste. Ela vive reclamando de dor e esta cheia de manhas... Não sei como ajudá-la nesse sentido. Por favor, passem no quarto dela e tentem animá-la.” 
 
Então, Dalila e eu (Tadeu) fomos à busca da tal paciente para cumprir nossa missão.
Passamos por um quarto e paramos na porta. Logo K. nos viu e soltou um belo sorriso. Tadeu entrou e quando foi chamar Dalila, disse para ela vir com tudo que a K. estava chamando (uma bela mentira necessária para Tadeu conseguir seu objetivo).
Dalila perguntou se era verdade, e Tadeu tentando imitar a voz da garotinha disse: “Sim, vem Dalila.
Dalila escutando a “voz” de K. veio correndo, porém foi surpreendida com a porta fechando em sua cara.
K. começou a rir muito.
  
Nesse momento a mãe de K., passou por nós e disse: “Vixi, a menina até pouco estava emburrada, agora esta toda alegre.” 
 
Dalila perguntou quem tinha fechado a porta e Tadeu respondeu não saber. Dalila perguntou para K. que balançava a cabeça negando a resposta.
Mas Dalila estava esperta e já havia descoberto que tinha sido o Tadeu, então, para descontar, colocou o pé na frente dele, que quase se estatelou no chão.
K. ria muito!
Tadeu levantou de pronto e perguntou a Dalila: “Você viu quem colocou o pé na minha frente??”
Dalila respondeu: “Eu não fui e eu não sei. Você sabe quem foi, K.??”
K., segurando o sorriso com as mãos novamente balançava a cabeça dizendo não. Ficamos nesse jogo por um tempo e saímos correndo um atrás do outro.
 
O mais interessante foi que logo que saímos Dalila olhou para o Tadeu e disse: “Tadeu, vamos logo que a gente tem que achar o quarto 407 que o médico disse para irmos.”
Sem acreditar no que estava escutando, Tadeu respondeu: “Dalila, acabamos de sair desse quarto e a garotinha era a K.!!!” 
 
Foi muito engraçado ver a cara de surpresa de Dalila. Ela disse então: “Tadeu temos que voltar lá! Temos que fazer o que o médico nos pediu, agora sabendo disso.” 
 
Então, voltamos ao quarto e K. nos recebeu com os mesmos dentes à mostra. Dalila iniciou o jogo vendo que K. estava digitando uma mensagem no celular e disse que havia recebido a mensagem, que dizia: “Dalila é linda e Tadeu é muito feio!!!” 
 
Tadeu então disse que também recebeu uma mensagem de K., que segundo ele dizia: “Tadeu é bonitão e Dalila é na verdade Dalinda.”
Mas antes que Dalila ficasse feliz Tadeu complementou: “Dalinda dos infernos!!”
E saiu correndo enquanto Dalila corria logo atrás.
 
Saímos ao som das gargalhadas de K.
- Pronto! Agora sim, fizemos o quarto 407! – disse Dalila.
 
 

terça-feira, 9 de outubro de 2012

Ricota Remoto

 
Relato enviado pela voluntária Alessandra (Palhaça Sula)
 
 
 


Entramos Zélia, Ricota e eu (Sula) no quarto de D., dançando o ritmo da música que tocava na televisão (sertanejo).
 
A mãe de D. se interessou pela nossa dança, enquanto ele ficou dividido entre a televisão e a nossa presença até que a música acabou e nós encerramos nossa apresentação inicial.
 
Pois bem, percebi que D. havia prestado mais atenção em Ricota enquanto dançávamos.
Olhei para o lado, vi o controle remoto da TV e disse: “Olha Zélia! Sabia que esse controle faz o Ricota dançar diferentes ritmos?”
E ela: “Ah é Sula? Vamos ver os ritmos que têm então e aí o D. escolhe o que ele mais gosta! O que você acha D.?”
 
D., já com a atenção voltada pra nós, esqueceu a televisão e aceitou a nossa proposta! Yes!!!
  
Eis que Ricota se encontrou em uma enrascada: a cada clique que eu dava no controle ele inventava o ritmo e fazíamos com que ele dançasse mais rápido pelo quarto todo. Dançou muuuuuito e tirou várias risadas da mãe, de D., da Sula e da Zélia!
 
Canal 1: axé
2: bolero
3: valsa
4: samba
5: tango
E o 6??? D. Pediu Pop!
 
Ao final, D. escolheu o canal preferido (que foi o tango) e Ricota finalizou sua apresentação com Sula e Zélia imitando o som de um clássico do tango argentino!
 
 

quinta-feira, 4 de outubro de 2012

Cadê a Clô?

 
Relato enviado pela voluntária Daniele (Palhaça Clô)
 
 


Subi no lombo do Mixirico e entramos no quarto da R.
 
Mixirico começou a conversar com a menina que parecia que não estava nem aí pra nós.
 
Ao começar a conversar Mixirico se perguntou: - Ué, cadê a Clô?
Ainda no lombo dele, eu respondi: - Tô aqui!
Toda vez ele virava pra ver onde eu estava e, ficando atrás dele, eu falava: - Aqui, Mixirico! Aqui! 
 
R. começou a achar graça e a se atentar muito mais na gente.
Ela se sentou na cama e disse pro Mixirico: - Seu burro! Ela tá atrás de você!!
 
Eu desci do lombo dele, fiquei de frente pra ele e disse: - Mixirico, eu estou atrás de você!!
E voltei a ficar atrás dele... Mas toda vez que ele virava o corpo, eu virava junto, ficando sempre atrás!
 
R. ficou achando graça de tudo aquilo! Ria muito gostoso! 
 
Depois de alguns giros e muita procura, eu disse: - Mixirico, será que eu tô lá fora? Me acha logo!! Tô cansada de não saber onde estou!
 
E foi assim que saímos!
 

terça-feira, 2 de outubro de 2012

Mixirico Advinha Tudo... Quase Tudo...

 
Relato enviado pelo voluntário Rodrigo (Palhaço Mixirico)
 
 

Entramos no quarto e logo fui dizendo bom dia ao garoto:
Mixirico: - Bom dia, L.! Tudo bem?
L.: - Como você sabe meu nome? – perguntou o menino.
Mixirico: - Ora, sou adivinho. Adivinho tudo!
L.: - Ah é? Então adivinha quando nasci!
Mixirico tentou umas trocentas datas até acertar: - 22 de junho de 2002.
L.: - Caraca!
MIxirico: Faz perguntas mais difíceis, eu gosto de adivinhar coisas difíceis!!!
L.: Ok, quando minha mãe nasceu!!!! Ela tem 36 anos.
Mixirico: Ela nasceu em 1976, ela é do dia 16 de março.
A essa altura, o L. já estava confuso com as adivinhações, pois o Mixirico falava tanta coisa ao mesmo tempo, que nem ele já sabia a resposta correta!
Mixirico, se achando o esperto, disse que teria que revelar um segredo de sua mãe.
Mixirico: - Sua mãe não nasceu!!!!
Janja se espanta: - Nããããõoooooooooooooo?????
Mixirico: - Não. 
E perguntou todo dono de si: - Quem veio primeiro, a galinha ou o Ovo?
L., prontamente respondeu: - A galinha!
Alguns segundos de silêncio no ar e Mixirico diz: - Putz... é a galinha mesmo! Que coisa... 
Mixirico ficou se perguntando como L. sabia a resposta...
Mas insistiu: - E quem botou o ovo?
L.: - A galinha, claro!
Mixirico: - Que coisa, mas e o ovo?? Num era antes da galinha?!?!!!????!...
A essa altura, as minhas mui amigas Janja e Clô, choravam de rir da minha cara de tonto!!!!
Eu fui embora indignado, pois o L. era mais inteligente que eu!!
 
 

quinta-feira, 27 de setembro de 2012

Ricota, Lourival e a Menina de Trança


Relato enviado pelo voluntário Cristiano (Palhaço Lourival)




Coulrofobia, como toda fobia, talvez possa ser tratada, mas quem somos nós para nos meter nisso? Né, Ricota? Mas curiosidade é talvez outra doença a ser combatida, porque aquela menina de trança, embora não viesse falar conosco, não parava de nos seguir.

Visitamos todos os quartos daquele andar, e ela fugindo, entrando embaixo de camas, atrás de paredes e portas, sempre fugindo, olhando de longe, curiosa, sorridente, mas com medo.

Medo de que? Coulrofobia é o medo de palhaço, coisa comum, mais do que se imagina, sempre se encontra criança que não quer nem olhar para o palhaço, mas naquele dia Ricota e Lourival ajudaram a quebrar um pouquinho disso...

A menina de tranças foi procurada e, mesmo quando encontrada, não era vista, procurávamos sem a ver, pois ela não queria ser encontrada, queria talvez só brincar, aliviar seu medo e esquecer onde estava, voltar a ser criança e não só paciente, livre, solta, correndo pelos corredores, entrando nos leitos de outros pacientes, sorrindo de longe, um pega-pega, um esconde-esconde, não com a gente, mas com seu medo.

Algumas técnicas, por mais que se estude a arte do palhaço, não permitem sequer uma aproximação; para quem tem medo, qualquer coisa, qualquer movimento, é assustador: cair, apanhar, cantar, dançar, nada funciona, então não brincamos e não a achamos, apesar de procurar, chamar e não achar, onde está a menina de trança?

Subimos e descemos, visitamos de tudo em todos os andares, risadas, choros, nenês, adolescentes, mães e pais e, já na saída, em nossos últimos passos, uma enfermeira nos chamou – havia uma menina, no andar de baixo, uma de trança, perguntando por nós... seu medo havia sido levado conosco, será?

terça-feira, 25 de setembro de 2012

A compra de um possante!

Relato enviado pela voluntária Rubia (Palhaço Dalila)
 

Carrinhos de vários modelos, cores e tamanhos enfeitavam a janela de um quarto, no hospital Darcy Vargas. Dalila abriu a porta e perguntou se ali era uma loja de automóveis e que gostaria de comprar um carro. Tadeu rapidamente virou o vendedor da loja e o Bordô se transformou num belo marido (o dono do dinheiro).

No quarto, uma criança muito debilitada, sem condições de falar, por causa dos aparelhos. Mas, os olhos diziam muitos mais que simples palavras. Olhar atento aos nossos movimentos.

Bordô pergunta à sua esposa Dalila que tipo de carro ela gostaria de ganhar. Ela, muito esperta, solta que gostaria de um carro conversível, com um botão que oferecesse chocolate a qualquer momento. O vendedor Tadeu não perdeu tempo e demonstrou as vantagens daquele carro que estava disponível na loja.

Insatisfeita, Dalila solicitou que outro veículo fosse demonstrado. Também não aceitou um carro verde oferecido pelo vendedor, afinal, Dalila é Tricolor! Bordô, rapidamente, exigiu outro carro. Tadeu fez uma exaustiva apresentação de um carro que era ótimo para pegar ladeira, mas apenas na descida (?).

Bordô, surpreendentemente, decidiu comprar o veículo e perguntou quais as formas de pagamento. Tadeu gostaria de receber beijos de Dalila como forma de pagamento. Para piorar a situação, Bordô aceitou a proposta e claro que Tadeu adorou e ficou todo saidinho. Mas, estava bom demais para ser verdade!

O casal pregou uma peça naquele atrapalhado vendedor. Bordô pediu para Tadeu fechar os olhos para realizar o pagamento. Mas, ele acabou beijando uma deliciosa bexiga, que o Bordô tinha no bolso de sua calça.

Está pensando que é fácil desse jeito??? Bordô e Dalila, rindo do vendedor Tadeu, ligaram os motores do possante e foram embora do quarto.

Pelos olhares atentos, o pequeno garoto e a sua mãe desejaram uma boa viagem para Dalila, Bordô e Tadeu!