Palhaço também conta histórias!
Neste blog você pode saber um pouco mais das nossas histórias vividas nos hospitais.

terça-feira, 21 de agosto de 2012

Devemos Visitar Adultos?

Relato enviado pela voluntária Priscila (Palhaça Salamandra)




Sabemos que a razão de ser do nosso trabalho são as crianças. Acordamos por elas, fazemos oficinas por elas, colocamos nossos narizes também por elas, mas não podemos negar que um hospital não é um berçário e nele encontramos ademais dos pequeninos, aqueles que já cresceram. Especialmente, num hospital como o Emílio Ribas, onde a faixa etária média dos pacientes, deve ser de uns 27 anos.
 
E foi neste hospital que Doralina e Salamandra passaram a manhã de 4 de Agosto. Rapidamente, visitaram o andar da pediatria que, felizmente, estava vazio. Então, na sequência, começaram a desbravar novos territórios. Durante esta busca, enfiaram seus narizes num quarto onde encontravam-se dois rapazes maduros.
 
Diante da pergunta: - Podemos entrar? - o primeiro logo respondeu que sim.
 
Doralina se adiantou dizendo: - Tá vendo, ele me deixou entrar porque eu sou mais bonita.
 
- Você tá louca? - replicou Salamandra - Eu sou muito mais bonita que você. 
 
Enquanto o primeiro paciente tentava acalmar os ânimos, dizendo que ambas eram bonitas, Doralina alfinetou:
 
- Você tá sem espelho? Dá uma olhada neste monte de rugas.
 
- Rugas? Ai meu Deus, você acha que eu tenho rugas? - Preocupou-se Salamandra.
 
E de repente, o segundo paciente que, até então parecia não participar de nada, disse:
 
- Não se preocupe. É só colocar butox.
 
Muito animada, Salamandra já começa a se consultar.
 
- Finalmente! Temos aqui um médico. Tá na cara que ele entende do assunto. Me diga doutor, onde você acha que eu preciso colocar butox?
 
- E eu sei lá, eu sou cego. Fiquei assim esta semana.
 
E desembestou a rir. Ria sozinho, ria dele mesmo, ria da gente e para a gente.
 
E nestas horas eu pergunto: 
 
Devemos visitar adultos?
 

quinta-feira, 16 de agosto de 2012

O Ovo ou a Galinha?

Relato enviado pelo voluntário Marcos (Palhaço Tadeu)





Eu gosto muito quando estamos no quarto do hospital e somos surpreendidos pelas as crianças! O que acontece com certa frequência.
 
Um dia desses, no Darcy Vargas, entramos num quarto, Batatinha, Janja e eu (Tadeu), e encontramos duas crianças; o menino M. (que começou a dormir de timidez quando nos viu entrando) e a garotinha C. bastante ligada!
O olhar da C. era de desconfiança, porém, o que saiu da sua boca foi uma afirmação: “Vocês não me enganam!”. Batatinha, então logo apresentou a nossa sabe tudo: Janja! E Tadeu, balançando a cabeça, dizia: “Ela sabe tudo mesmo.”.
Janja falava enchendo os pulmões: “Isso mesmo! Eu sei tudo! Pode perguntar qualquer coisa.”.
 
Esperávamos algo simples vindo de C., pois era apenas uma “criança”, e que, com certeza, a Janja saberia responder, mas a C. nos surpreendeu com a sua pergunta: “Ok! Quem nasceu primeiro: o Ovo ou a Galinha? Vai! Responde!”.
Hum... Nessa hora ficamos chocados com a pergunta da “criancinha” e começamos a olhar um para o outro nos questionando mentalmente – Puts, e agora? 
 
Janja dizia: “Ahhh... essa é muito fácil pergunta outra!“.
Mas C. continuava: “Não, responde quem nasceu primeiro o Ovo ou a Galinha.“.
Tadeu disse para a Janja responder sussurrando em seu ouvido. Janja sussurrou para Tadeu respondendo.
C. olhava desconfiada e logo perguntou: “O que ela disse?“.
Tadeu respondeu: “A resposta certa! Parabéns Janja você é o máximo!”.
C. perguntou novamente: “Mas diga, o que ela respondeu?”.
Tadeu foi ao ouvido do Batatinha e sussurrou a resposta e disse: “Pronto!!”
Batatinha confirmou balançando a cabeça que a resposta estava certa.
C. começou a ficar impaciente e ainda mais desconfiada. Será que a Janja realmente sabia a resposta?
Então, Janja, vendo a angústia de C., respondeu: “Quem nasceu primeiro foi a Galinha!“.
E todos nós concordamos!
 
C. ainda não estava muito certa disso e perguntou: “E a Galinha veio da onde?”.
De repente, o M. que até então estava “dormindo” entrou na conversa e disse: “Ela está certa. Foi a Galinha.”.
Começamos a parabenizar a Janja, que saiu do quarto se gabando.
 
C. ficou pensativa... Será que ela realmente estava certa, já que todos concordaram??
 
Acho que a dúvida irá persistir na cabecinha de todos...
 
E você sabe a resposta? Se souber, manda um e-mail para
C.@duvidaseternas.com.br.
 

terça-feira, 14 de agosto de 2012

A Enfermeira

Relato enviado pela voluntária Catarina (Palhaça Pepa)


"Quem nunca comeu melado, quando come se lambuza".
Esse é só um dos ditados ensinados por C., enfermeira do Hospital Menino Jesus! Este relato será sobre ela!
 
Muitas vezes escrevemos sobre os pacientes, mas não podemos deixar de contar sobre as pessoas que cuidam dos nossos queridos pacientes.

As rainhas da paciência! Elas limpam, aplicam injeções, levam a fama de chatas porque normalmente aparecem em momentos ruins para salvar os pequeninos!!
Então resolvi fazer um relato todinho para ela! A nossa querida C.!
 
Ela nunca tinha dado muita atenção para a gente, vez ou outra falava alguma coisinha, mas, num sábado desses, ela se soltou!
Estávamos eu (Pepa) e Suzete, perambulando pelo 5º andar, quando entramos em um quarto. O jogo não estava lá muito fácil, os dois meninos estavam com vergonha, e as mães também bem quietinhas.
 
Foi quando C. entrou em cena! Suzete e eu estávamos comentando sobre a prescrição de alta que o Dr. A., nos tinha dado gentilmente poucos minutos antes de entrarmos no quarto.
A minha dizia: "Pepa está de alta, fazer bochechos com água de radiador 1x/dia.". Eu, que mal sabia o que era um radiador, não estava sabendo o que fazer, mas C. logo me disse: “Você não deve estar funcionando direito, por isso ele pediu para tomar essa água. É só você ir a uma mecânica.”. Pronto, meus problemas haviam acabado!
A prescrição da Suzete dizia: "Suzete está de alta, plantar bananeira 3x/dia.". Ela também estava confusa com o pedido e C. novamente ajudou dizendo que ela precisava ver as coisas de outra maneira, por isso plantar a bananeira.
 
Que sabias palavras C. dizia! Todos no quarto prestavam atenção em seus conselhos!
E não parou por aí... Ela entendia tudo de geografia também, nos perguntou se éramos paulistas ou paulistanas, sempre confundo isso. E cada um do quarto foi dando seus pitacos e ela respondeu paulistano é quem nasce na cidade de São Paulo e paulista no estado.
Uma das mães era da Bahia e C. disse que ela era soteropolitana. Nós já estávamos achando que era xingamento, mas não ela nos explicou que é quem nasce em Salvador.
 
E por aí foi... Quantos ensinamentos a C. nos dava! E ela mesma foi a nossa líder no quarto e jogou com a gente para alegrar aqueles meninos que se divertiram com o quiz “quem nasce na cidade é o que?”.
 
C. ainda nos acompanhou em três quartos e muitas vezes se divertiu mais até do que as crianças, tirando fotos, dançando e cantando até sucessos da Paula Fernandes junto com uma mãe que deu um show para nós!
 
É incrível como às vezes só precisamos dar um empurrãozinho para o pessoal soltar aquela criança que está guardadinha!
Às vezes nós só servimos como porteiros, e, quando nos damos conta, todos no quarto já se transformam e nos transformam, muitas vezes dando um show maior que o nosso.
E no fim, como é gostoso sair ao som de risadas, e ainda mais sair e sentir que o clima ali mudou! As conversas que deixamos continuam a rolar!
 
Que delícia!!!
 

quinta-feira, 9 de agosto de 2012

O Rei Feiudo

Relato enviado pelo voluntário Mauro (Palhaço Malavazzi)




Muitas vezes, quando vamos aos hospitais, encontramos nossos amigos contadores de histórias, um pessoal muito gente fina que conta várias histórias sensacionais pra criançada!
 
Numa terça-feira dessas, encontramos uma contadora de histórias no quinto andar do Hospital Menino Jesus e lhe pedimos que nos contasse uma. E lá foi ela:
 
“Há muito tempo, havia um rei que se achava muito bonito, por mais que não tivesse espelho para confirmar suas suspeitas. 
O Bobo da corte concordava com o rei, por simpatia e para não perder a cabeça.
A notícia se espalhou pelo reino e todos diziam que o rei era bonito. "O rei é lindo", dizia o camponês. "Sim, sim", concordava o dono da taverna.
Certo dia um viajante andarilho veio à cidade e trouxe em sua bagagem um item raríssimo: um espelho! Ele deu tal relíquia ao monarca, que, quando viu seu reflexo, se pôs a chorar!
O Bobo, por simpatia, chorou junto.
"Como eu sou feio!" gritava o rei, que chorou por um dia inteiro, acompanhado do Bobo.
No dia seguinte, mais conformado, o rei estava apenas triste, mas não chorava mais. O Bobo, entretanto, continuava chorando. A semana inteira foi assim, o rei aceitando sua própria feiura e o Bobo chorando lágrimas e lágrimas.
No domingo o rei questionou o Bobo:
- Bobo, já chega! Que exagero! Se eu que sou o feio aqui já estou conformado, você que é você não precisa ficar chorando.
- Mas rei se você que se viu uma vez só chorou um dia inteiro, imagine eu que tenho que olhar para a sua cara feia todo santo dia!”
 
O Jamal e eu rimos de puro prazer.
 

terça-feira, 7 de agosto de 2012

A Eleição Presidencial

Relato enviado pelo voluntário Marcos (Palhaço Tadeu)





As eleições sempre causam uma ansiedade monstro!! Quem vai ganhar?? Quem será o novo presidente?? Ou seria a nova presidenta!!
 
Um dia desses, no Darcy Vargas, conhecemos um excelente eleitor!
 
G. estava na cama com o seu laptop no colo digitando com uma cara de sério que nem executivo.
Janja entrou no quarto e perguntou se foi ele quem tinha mandado uma mensagem para nós. O Garoto olhou com cara de desconfiado e simplesmente balançou a cabeça negando tal questionamento. 
 
Tadeu disse que recebeu uma mensagem sim e que estava convocado para uma eleição. Janja confirmou o que disse Tadeu, e disse mais, que tínhamos sidos selecionados a sermos os candidatos a presidente daquele quarto e que o G. seria o único eleitor. 
 
Então Tadeu começou com suas propostas: ”Eu, caso seja eleito, vou colocar televisores e videogames em todas as paredes do quarto e o colchão será de algodão macio como as nuvens.”
 
Batatinha disse: “Eu, caso seja eleito presidente desse quarto, vou nomear o G. a ser meu vice-presidente e darei todos os poderes a ele!”
 
Janja discursou: “Eu, caso seja eleita, vou colocar chocolate e sorvete em todos os almoços.”
 
Tadeu, Janja e Batatinha, ansiosos começaram a perguntar quase ao mesmo tempo: “Então, G., quem é o presidente do seu quarto? Quem? Quem? QUEM??” – G. pensou um pouquinho e disse: “A minha mãe...”
 
Depois de um silêncio curto e olhares admirados perguntamos: “Por que ela é a presidente e o que ela fez para ganhar a eleição?”
Então G. disse: “Ela cuida de mim...”
 
Saímos murmurando um para o outro, tristes por termos perdido a eleição, mas concordando com o resultado...
Realmente ela fez o que todo político deveria fazer pelo o seu povo... simplesmente cuidar dele..."
 

quinta-feira, 2 de agosto de 2012

Palhaços X Televisão – A Batalha!

Relato enviado pela voluntária Paloma (Palhaça Lorena)


Vários estudos comprovam o poder hipnotizador e até escravizador da TV!! A gente começa achando bonitinho, vendo uma coisa aqui, outra ali e quando percebemos estamos parados, sem piscar, com a boca aberta, a língua pra fora e uma baita cara de tchongo olhando pra TV!!
 
Isso é bom?? Claro que não!! Ficar com cara de tchongo não é bom em nenhuma situação!! É por isso que nós, palhaços, estamos lutando contra esse aparelho embasbacador!!!
 
Nossa batalha começou há alguns dias atrás na UTI do GRAACC.
Chegamos ao leito de um menino que estava assistindo TV. Nos posicionamos em frente à cama e começamos a fazer movimentos sincronizados (pelo menos tentamos), mas o garoto não estava dando a mínima atenção para a gente. Alguém perguntou para o menino o que estava mais legal, a TV ou os palhaços, e ele respondeu que era a TV.
Ai que ódio!!
 
Porém não íamos desistir tão facilmente. Começamos a fazer uma dança meio maluca, tentando fazer os mesmos passos ao mesmo tempo (sem conseguir, é claro), o que ficava bastante engraçado. O menino já estava dirigindo seu olhar para a gente, mas continuava dizendo que a TV estava mais legal.
Humpf!!
 
Depois de muitos movimentos doidos e risinhos no canto da boca do garoto, que insistia em nos desafiar, saímos de cena, prometendo voltar com algo fantástico. O que fazer?
Aí veio a ideia maluca do Estafúrcio: “Lorena, você consegue se equilibrar nos meus ombros?”. Imediatamente, pensei “Estafúrcio, VOCÊ consegue me equilibrar nos SEUS ombros?”, mas aceitei a proposta e toda confiante respondi: “É claro!”.
 
Sentei nos ombros do Estafúrcio, com a ajuda do Charles, e entramos em cena assim: um palhaço magrelo, vermelho de tanto fazer força, carregando nos ombros uma palhaça maluca se mexendo sem parar, enquanto outro palhaço olhava com cara de medo misturado com espanto e tentava continuar a dança muito doida.
 
O menino passou a rir bastante, mas manteve o “jogo do não”, dizendo que a TV ainda era mais legal.
Aaaaahhhhh!!!
 
O efeito visual foi tão impactante que continuamos percorrendo a UTI daquela forma.
Todos olhavam e riam para a gente!! Gargalhadas pela UTI inteira!! As enfermeiras corriam para tirar fotos!
 
Estafúrcio ficava cada vez mais vermelho, mas continuava demonstrando toda a força que estava escondida naquele corpo magrelo.
Eu perguntava: “Está tudo bem aí embaixo, Estafúrcio?”.
Em determinado momento, percebi que meu crachá estava atrapalhando a visão do Estafúrcio e isso se transformou em mais um motivo de risadas.
 
Paramos em frente de um leito e a cara de espanto do garoto que estava no isolamento, puxando a roupa da mãe, chamando-a insistentemente para ver aquela cena, foi sensacional.
 
E vocês vão me dizer que a TV estava mais legal??? Nem a pau!!!
 
Essa foi só a primeira batalha, TV!! Nos aguarde!!! Já vou matricular o Estafúrcio na musculação!!!

 

quarta-feira, 1 de agosto de 2012

A Grande Família

Relato enviado pelo voluntário Alan (Palhaço Jamal)
 

Família é um negócio complicado! Muito complicado de entender!!
Um dia desses atrás no Menino Jesus, enquanto Malavazzi e eu descíamos as escadas, encontramos uma mãe que nos disse:
- Vocês estão descendo? Então vão lá visitar meu filho Fulana.
- Ah, então você tem um filhO que se chama FulanA, é isso mesmo? – retruquei.
Provavelmente a mãe nem se ligou e desceu as escadas sorrindo.

Continuamos com a nossa visita e, algumas horas depois finalmente chegamos ao quarto onde estava a mãe dO tal FulanA.
 
- Ah-ha! Aqui está você! Mas calmae: você tem um filho ou uma filha?! – perguntei para a mãe, e logo na sequência perguntei para a Fulana: - Você sabia que a sua mãe falou que você era filhO dela?
- Não! Eu quem sou a mãe dela. Respondeu Fulana.
- Ahhhhhhh... calma! Você é mãe da sua mãe? Sua mãe é sua filha então?! – questionou Malavazzi.
- Sim. Respondeu, Fulana.
- Nossa! Então precisamos entender isso melhor.
 
Malavazzi pegou uma folha, cadeira, mesa, lápis de cor da Fulana e começou a mapear a árvore genealógica, que ficou mais ou menos assim:
Explicação:
 
A Fulana é mãe da mãe dela. Ou seja, a mãe dela é a filha dela. Que por sua vez, tem a boneca como filha e que é prima do Jamal e do Malavazzi, que são irmãos. A avó da filha é irmã da Fulana que também faz o papel de pai. Deste modo, Jamal e Malavazzi (além de serem irmãos), também são sobrinhos e netos da Fulana, que por sua vez é tia-avó deles e da boneca.
 
Se não fosse a Fulana, viu?! Jamal e Malavazzi com certeza ainda estariam tentando entender!
 
Obrigado, Tia-Avó!!!
 

terça-feira, 31 de julho de 2012

Ué... Cadê meu cabelo??

Relato enviado pelo voluntário Bruno (Palhaço Ricota)



 
    
Entrar num quarto nunca é uma tarefa fácil... Podemos ser aceitos ou não!
Então propus à minha parceira Zélia que batesse na porta, enfiasse a cara dizendo que era o quarto errado para, na sequência, fechar a porta.
Em seguida, eu fiz o mesmo: “Desculpe! Quarto errado!”
 
Dentro do quarto ouvíamos: “Não é nãoooooooooooooooo!! É aqui mesmo!!”
Muito bom! Jogo estabelecido.
 
A voz que vinha lá de dentro era doce e divertida! Era a A. L., uma bela menina com cabelos encaracolados e cheios de brilho!!
 
Perguntei: “Mas o que você usa para manter esses cabelos tão lindos e cacheados?”
Ela disse o nome do produto e eu pensei em usar, afinal meus cabelos também eram lindos!
Disse a ela que os meus cabelos eram iguais e tirei meu chapéu!
Ela me disse: “Você não tem cabelo!!!”
Eu: “Como assim???”
E, num ato de desespero, corri para o banheiro para ver o espelho e, chorando, em voz alta, constatei que não tinha!!
 
Posso não ter cabelo, mas agora eu tenho lindas gargalhadas da A. L. e de todos os presentes naquele quarto!

 

quinta-feira, 26 de julho de 2012

Ben 10

Relato enviado pelos voluntários Paloma e Rodrigo (Palhaços Lorena e Mixirico)

 

O dom do palhaço em transformar o ambiente é algo que nos surpreende sempre!
 
Na quimioteca havia um garoto bem debilitado e que não falava com ninguém. Mas, como para o palhaço só existe um tipo de criança, a própria criança, fomos falar com ele.
 
Tentamos um tipo de contato com ele, mas ele não falava nada, não se manifestava e mal olhava pra gente. 
 
Íamos desistir? Respeitar a vontade dele? E palhaço desiste? Palhaço perde sim, mas perde com honra... Mas acabamos respeitando a vontade dele, vontade esta que estava nítida em seus olhos e nos dizia: Fiquem comigo!
 
Mixirico, observando que o menino tinha um chinelo do Ben 10, comentou sobre o chinelo e o Estafúrcio disse que não o conhecia. Lorena, profunda conhecedora do Ben 10, contou que ele tinha um relógio com poderes especiais de transformação. Mixirico viu que o garoto tinha uma pulseira e surpreso disse ao Estafúrcio que ele era o próprio Ben 10!!
 
Estafúrcio disse que não, porque se o garoto fosse o Ben 10 ele usaria o relógio para transformar o Mixirico em algo...
Num gesto tímido e sutil o menino apertou a sua pulseira-relógio e Mixirico virou um gorila!
 
Foi mágico porque o menino realmente não olhava para nós, mas esse pequeno gesto foi o SIM para a nossa presença, que nos deu a sensação de “Que bom! Ele não desistiu de nós!”.
 
Estafúrcio e Lorena ficaram admirados por estarem tão perto do Ben 10 e começaram a sacanear o Mixirico, pedindo para que o garoto o transformasse em um automóvel e em um pernilongo. Nessa altura, o Ben 10 já estava todo confiante e sorridente, até ajeitou sua postura na cama, como dizendo: Eu sou o Ben 10!!!
Ben 10 apertava sua pulseira com gosto, só pra ver o Mixirico se lascar!
 
Estafúrcio resolveu fazer o último pedido ao Ben 10: “Transforme o Mixirico em tudo junto, gorila, automóvel e pernilongo, porque eu quero que ele vá embora assim!”.
Ben 10, olhando em nossos olhos, apertou sua pulseira com tanta vontade e disposição, que fez Mixirico se contorcer para tentar achar uma posição tripla!!!
 
O Ben 10 começou a rir da transformação de Mixirico, que foi embora todo contorcido.
 
Nós palhaços ficamos extremamente felizes quando ganhamos um sorriso! Nesse dia ganhamos um olhar... E que olhar!!!

 

quarta-feira, 25 de julho de 2012

NI HAO

Relato enviado pelo voluntário Cristiano (Palhaço Lourival)




O mundo anda mesmo muito globalizado, sem fronteiras, sem língua oficial, sem moeda nacional... pelo menos é o que deveria ser, tudo uma coisa só, um só sorriso.
 
No Hospital Municipal Menino Jesus, Lourival e Dona Saradona nem iriam entrar naquele quarto do sétimo andar; da porta, sob um sinal de joia (que Lourival fez só para estabelecer um primeiro contato) a mãe aparecia ao lado de uma cama fazendo o sinal de “negativo” com o dedo, a seu lado, na cama, seu filho de uns dez anos.
 
Pela porta mesma mandamos um abraço, um beijo, para que ela se sentisse mais acolhida e ela acabou nos chamando para entrar, brincamos, sorrimos e tiramos um sorriso de seu filho, que nada dizia.
 
A seu lado, uma oriental deitada com seu pequenino filhinho de onze dias!!!
Pequeno mesmo, e a mãe nada falava. O pouco que perguntávamos, ela se comunicava com a outra mãe com sinais, que por sua vez nos dizia: ela é chinesa, não sabe falar quase nada!!!
 
Outro dia aprendi com um lindo palhaço, o Ascarez, que a palavra “NI HAO” em chinês, era “oi, tudo bem?!” e mandei um NI HAO para a mamãe chinesa!
Pronto, era o que ela precisava, ela e o resto do quarto todo! A chinesa sorria e respondia, NI HAO, a mãe do outro lado do quarto e seu filho se divertiam com a nossa comunicação! Falamos umas duas ou oito vezes NI HAO, para deleite de todos! Foi NI HAO como pergunta e resposta, sem parar... uma metralhadora de NI HAO!
 
Saímos do quarto e uma enfermeira, sem entender nossas risadas, fez cara de curiosa e sugerimos a ela para entrar no quarto e falar: “NI HAO”!!
E não é que ela deu um pulo pra dentro do quarto e, abrindo os braços em direção à mamãe chinesa falou bem alto: NI HAO!!!  Depois saiu do quarto feliz, sorrindo e agradecendo.
 
Lá dentro, a mamãe chinesa sorria aquele sorriso de quem é acolhido... NI HAO pra vocês também, era o que seu olhar dizia.

 

terça-feira, 24 de julho de 2012

O Jogo de Damas

Relato enviado pelo voluntário Tomás (Palhaço Estafúrcio)



Um dia desses atrás na recepção do GRAACC havia um homem sozinho que estava quase nos chamando pela sua fisionomia. Ricota e eu nos aproximamos pouco a pouco e acabamos jogando uma partida de damas com ele.
 
No mais profundo silêncio, arrastei uma mesa que tem um tabuleiro até ele, sentei frente a frente com ele e usei papel amaçado como peças.
 
Ele dizia não saber jogar aquele jogo e, mesmo sem usar uma palavra, conseguimos explicar e o jogo aconteceu. Ele ganhou e foi divertidíssimo! O Ricota o ajudou a ganhar dando uns palpites, quase como um consultor de damas!
  
Decidimos jogar mais uma partida, mas, desta vez, o tabuleiro seria formado pelos quadrados do chão. Os jogadores desta vez seriam Ricota e eu. Posicionamos tudo e, enquanto ele aguardava que eu iniciasse o jogo, eu chutei uma das bolas de papel e gritei: GOOOOOOOOOOLLLLLL!!
  
E assim terminou a cena! Com a cara de UÉ do Ricota e o som do riso ao fundo do homem solitário!
 

quinta-feira, 19 de julho de 2012

O Correio Elegante

Relato enviado pela voluntária Kenia (Palhaça Zélia)





 
Algumas pessoas acham que a gente vai ao hospital só pra ver crianças! Mas isso não é verdade! Também vemos os acompanhantes e os funcionários... ah os funcionários!!
 
Estamos em meses de quermesses!! E, para aquele que se lembram, em quermesse temos Correio Elegante!! Ainda existe? Sim, claro que existe!
 
Neste espírito quermessístico Charles e eu entregamos um correio elegante para o D. com a assinatura da C.! Ele estava trabalhando no escritório da radiologia enquanto ela estava na própria radiologia!
 
Ela comentou que aquela manhã estava muito tranquila, porque não havia pacientes para fazer exames. As meninas da recepção confirmaram o marasmo da manhã... Opa!! Então nada melhor para darmos uma esquentada no ambiente!!
 
Foi aí que decidimos entregar o correio elegante, com a seguinte mensagem:
D.,
Estou te esperando para fazer uma ressonância no seu coração.
Assinado: C.
(Um beijinho vermelho no cartãozinho para esquentar aquela manhã!)
 
D. estava ao telefone quando o Charles entregou o cartãozinho com aquele beijo vermelho. Ele olhou surpreso, sorriu e fez um sinal com a cabeça do tipo “quem é???”.
 
Saímos correndo!!
 
Quem sabe a semente plantada não dá alguns frutos???
 



quarta-feira, 18 de julho de 2012

Xiiiiiuuuuu

Relato enviado pelo voluntário Alan (Palhaço Jamal)





Que manhã divertida no Hospital Menino Jesus!!
O encontro de um grande trio: Ascarez, Lourival e Jamal!!
Os três muito amigos, muito juntos, muito cumplices e muito quietos! Muito quietos?? Sim!!
 
Ascarez é um palhaço que trabalha mais o silêncio, não conversa muito com as pessoas e isso é interessantíssimo. Interessante ver como as pessoas reagem a isso e como provocam o silêncio do palhaço.
 
Em um dos jogos, onde tinha bastante gente, Ascarez comandou o “Xiiiiiuuuuu”. Se alguém falasse alguma coisa, ele simplesmente colocava o dedo na boca e fazia Xxxxxiiiiiiiuuuuuu!!! Pedindo silêncio de todos.
 
Lourival e Jamal sacaram isso e entraram no ritmo. Qualquer barulhinho, por mais baixo que fosse, lá estavam em três fazendo Xxxxiiiiiiiuuuuuuu!!!
 
Foi aí que alguém comentou do cabelo do Lourival (pobre Lourival!!), que deste momento em diante viu o Ascarez e o Jamal bagunçarem ainda mais seu cabelo. Jamal, além de bagunçar o cabelo, fingia que estava lambendo as mãos e passava na cabeça do Lourival.
 
Mas fingir não é fazer, correto? E então Ascarez, com toda sua destreza, lambeu as mãos todinhas e passava no cabelo do Lourival com gosto!! O público foi ao delírio. Uns faziam Arrrggghhhh!!! Outros riam, outros olhavam com espanto, com alegria... E tudo isso sem falar absolutamente nada!
 
Pra que falar alguma coisa?? O importante é fazer!! E fazer juntos, com bons parceiros!!

 

terça-feira, 17 de julho de 2012

Chapéu Sob Medida

Relato enviado pelo voluntário Rodrigo (Palhaço Mixirico)







Dizem que um homem não é ninguém sem o seu chapéu! Eu concordo plenamente com isso!! Tanto que tenho um lindo chapéu branco, uma espécie de boina, que ostento com muito orgulho por onde ando!
  
Meu chapéu é tão lindo que eu sempre achei que meus companheiros tinham um pouco de inveja dele! Num certo sábado no GRAACC eu pude perceber que eu sempre tive razão! Lorena, Estafúrcio e eu estávamos trocando uma ideia com o R. na Quimioteca, quando disfarçadamente Estafúrcio roubou o meu chapéu! Eu levei um tempo pra notar, estava até batendo um papo com o B. e a E. quando percebi que meu chapéu não estava mais na minha cabeça! Fiquei apavorado!!
  
Na tentativa de me ajudar, a Lorena pegou o gorrinho da E. emprestado e colocou na minha cabeça. Eu não fiquei satisfeito, afinal aquele não era o meu chapéu!! Sem contar que, pra completar, todos começaram a caçoar de mim dizendo que eu era uma menininha porque o gorrinho era rosa!! Fiquei tão abalado que até saí um pouco dali para me recompor!
  
Enquanto isso Estafúrcio e Lorena tentavam esconder o chapéu num dos bonecos que ficam pendurados no teto da Quimioteca. Eu percebi que o Estafúrcio estava tentando pegar o boneco, mas não entendi o porquê, então voltei para ajudar o meu amigo. Levantei o Estafúrcio enquanto ele fazia o que queria, mas antes que eu pudesse perguntar o que ele tinha feito nas alturas, já começaram a rir de mim com o meu gorrinho rosa novamente! Saí mais uma vez enfezado!
 
Mas aquilo não era justo!! Logo voltei querendo o meu chapéu de volta!! Afinal meu chapéu é meu, poxa!! Depois de procurar um pouco e receber algumas dicas daqui e dali, eu olhei para o alto e vi o meu chapéu!! Lá estava ele lindo e branco na cabeça do boneco!!
 
Como estava muito alto, eu não conseguia alcançar! Dei um pulo sem sucesso! Mais um pulo e nada! Mas, quando dei o terceiro pulo, consegui tocá-lo e o chapéu caiu, para espanto de todos, encaixado na minha cabeça!!! Definitivamente o chapéu é do seu dono, como o seu dono é do seu chapéu!
 
Eu disse "Tchau" e fui embora sem falar com ninguém, todo orgulhoso do meu feito!! E ao fundo eu escutava gargalhadas deliciosas.
 

quinta-feira, 12 de julho de 2012

O Beijo


Relato enviado pela voluntária Ana Carolina (Palhaça Lola)




Foi numa visita à UTI do Hospital Menino Jesus que conhecemos o J.L., um garotinho lindo, lindo, lindo... todo especial!
 
Devagar fomos entrando e a enfermeira logo avisou: “Não cheguem muito perto, pois ele adora palhaços, mas não pode se agitar”!
  
A avó estava fora do quarto e quando chegou ficou toda feliz porque estávamos lá! Ela disse: “O J.L. ama palhaços!!!! Vem, vem cá, vem na frente dele!”
  
Ficamos muito inseguras, afinal a enfermeira tinha nos dito para não chegar perto, mas a avó era insistente e sutilmente Ornela se aproximou da cama, olhou pra Lola e olhou pra enfermeira. A avó estava mega-hiper-super-blaster empolgada e dizia: “Olha J.L., olha a palhaça, manda beijo pra ela.”
  
Nessa hora a Lola muito devagar também se aproximou e viu o momento em que ele, com os olhinhos semiabertos e muito esforço (pois estava cheio de aparelhos), foi lentamente fazendo um biquinho e jogou um beijo!!!!
  
Foi um momento mágico para Lola e Ornela!!!
  
A avó não se aguentava de felicidade e só agradecia!
  
Olhamos o monitor que ficava em cima da cama do pequenino e os batimentos estavam 96, 97, 98... A enfermeira, que acompanhava tudo com atenção, disse que estávamos fazendo bem a ele.
  
Já tínhamos feito a nossa parte! Na verdade não tínhamos feito nada!! Apenas estivemos lá! Quem fez algo lindo foi o J.L.
  
Enquanto saíamos de lá a enfermeira falou: “Guardem isso no coração de vocês!”
 
Não precisava de aviso... Ele já estava no nosso coração!! E aquele pequeno biquinho estará na nossa memória pra sempre!!