Palhaço também conta histórias!
Neste blog você pode saber um pouco mais das nossas histórias vividas nos hospitais.

quarta-feira, 6 de junho de 2012

O Alienado


Relato enviado pelo voluntário Cristiano (Palhaço Lourival)




Nesse dia descobri que tem gente ficando maluca! No Hospital Menino Jesus encontrei Quincasss, redondamente engraçado e fanfarrônico; entra, sai, sobe e desce, muitas crianças, adultos e adolescentes, campanha para lavar direito as mãos, higiene recomendadíssima para pais e filhos e lá vamos nós fazer amigos: P. motoqueiro, B. sorriso e M. rabo de cavalo nos ajudarem a explicar como lavar as mãos gesticulando e dançando enquanto cantávamos ao som de Arnaldo Antunes, tudo lindo, engraçado e limpo!
Em determinado andar estava A. sentado e lendo, palhaço é curioso né? Vê celular tocando, quer atender, vê gente digitando, quer ver, vê uma porta aberta, quer entrar... vi o A. lendo, quis ler também!
-O que é isso?
-Alienista, Machado de Assis!
-Você está louco? Você sabe quando isso foi escrito? Tem mais de cem anos!
-É, eu sei, tá escrito aqui na primeira página ó...
-E você vai ficar lendo isso? Você sabia que isso ainda hoje é atual? Que se você continuar a ler isso vai acabar lendo outras coisas parecidas e no final vão achar que você é o alienado, que você tem que ser internado?! Sabia A.?
- É capaz mesmo...
-Vai ler caras, veja ou outras coisas, meu, você vai ficar maluco!
- Não, prefiro ser alienado!
Rindo de minha alienação, me despedi de A., que rindo, continuou lendo, mesmo alertado para o risco que corria de ficar culto e ser taxado de alienado... tadinho do A., tão inteligente...

 

terça-feira, 5 de junho de 2012

Palhaços "Adivinhos"


Relato enviado pela voluntária Paloma (Palhaça Lorena)


A recepção não tem QUASE ninguém.  Mas QUASE ninguém não é a mesma coisa que ninguém. Perto da porta de entrada do GRAACC está uma funcionária muito simpática. Em um dos sofás, avistamos uma mãe brincando com a filha, uma menina de uns sete anos de idade, vestida de rosa dos pés até a cabeça. Nos aproximamos, disfarçando a nossa presença, como se não quiséssemos ser vistos pela garota, que estava de costas para a gente naquele momento. E então o jogo começa...

Eu e Ricota damos passinhos lentos na direção da menina, cantando um “Larará”. Quando a garota olha para a gente, viramos rapidamente para o outro lado, assustados e disfarçando. A menina volta a ficar de costas para agente, brincando com a mãe. Eu e Ricota nos aproximamos mais, com o mesmo fundo musical “Larará”. A menina espera um pouquinho e se vira de novo para a gente, bem rápido, tentando nos flagrar olhando para ela. Eu e Ricota levamos um susto e tentamos disfarçar. A cena se repete algumas vezes e o sorriso já começa a aparecer nos lábios da garota.

Conseguimos chegar bem perto da menina e sentamos no sofá. Eu e Ricota começamos a nos perguntar como seria o nome dela. A mãe nos dá uma mãozinha e, através de leitura labial, conseguimos descobrir o nome: CAM...

O jogo do “canto, disfarce, flagra e susto” continua.

“Ricota, como será o nome dela?”

“Ah, Lorena, acho que começa com a letra C.”

A menina faz cara de espanto e olha depressa para a gente. Continuamos disfarçando.

“Cíntia, Cibele, Cecília.”, diz Ricota.

“Não, Ricota, o nome dela começa com CA!”

A carinha de espanto da menina aumenta.

“Carolina, Cacilda, Carmela.”, eu chuto.

“Não, Lô, acho que o nome dela começa com CAM...”

A carinha de espanto da menina agora se mistura com um sorriso de felicidade. Ela olha depressa para nós e voltamos a cantar “Larará”, disfarçando.

“Ricota, só pode ser...”

Juntos, eu e Ricota falamos “CA-M...” (nome completo!). A menina fixa o olhar de surpresa e alegria nos nossos olhos e nós não disfarçamos mais. Nos cumprimentamos sorrindo. Agora nos conhecemos.

E você, adivinhou o nome?? Há!! É pra poucos!!

 

domingo, 3 de junho de 2012

A Mágica do Mixirico


Relato enviado pelo voluntário Paulo (Palhaço Charles)
 


Nós aprontamos e... caraca, cadê todo mundo? O GRAACC estava vazio!!!!  Vendo aquele vazio, aquele silêncio, pressenti o pior para a dupla, e confesso que me deu um frio na espinha temendo pelo nosso dia... Nossa, que dramático!!

Começava nossa busca por crianças...

Encontramos R. em seu quarto e Mixirico foi logo perguntando, antes que ele também fosse embora, se ele gostava de mágica. Ele disse que sim. Então Mixirico disse que ele presenciaria a melhor mágica da vida dele!!! Charles o "fitou" com os olhos como se dissesse: que melhor magica é essa? Mixirico chamou Charles, seu assistente e perguntou se ele queria ver tudo desaparecer: criança, cama, quarto... tudo!!!! Ele disse que sim, todo empolgado. Então Mixirico pediu para que ele fechasse os olhos e começou a rodar Charles, e sem que ele percebesse, foi tirando ele do quarto. Voltou para o quarto e disse q Charles poderia abrir os olhos. Ao abri-los, o espanto: ”Caraca cadê vocês? Aonde eu tô? Mixirico, não me deixa sozinho!”. Como todo bom mágico, Mixirico pediu para que ele fechasse os olhos novamente e, rodando, o trouxe de volta. Pode abrir... “Nossa, vocês estão aqui?”

Charles era só alegria, porque disse que não gostava de ficar só! E Charles perguntou para onde nós fomos. O garoto respondeu que eles estavam ali o tempo todo e Mixirico o corrigiu, dizendo que eles estavam na praia. Na praia? Perguntou Charles. E o garoto respondeu: Sim!

Mixirico perguntou se ele estava vendo o sol, Charles disse não. Perguntou se ele estava vendo a areia, ele disse que sim (muito louco, vai entender... rs). Quando Mixirico perguntou se ele estava vendo a onda... ops... Mixirico jogou um copo com água na cara dele... Pra delírio do garoto!

Para um hospital vazio, até que não foi nada mal aproveitar para tomar um banho de mar!!!!!!!

E nossa busca foi proveitosa, encontramos: crianças, areia, alegria, água... encontramos prazer em sermos palhaços!!!!

 

segunda-feira, 28 de maio de 2012

Pé de uva


Relato enviado pelo voluntário Rodrigo (Palhaço Mixirico)




Logo que me viro, me deparo com uma figura nova: Prazer, Lourival!!!!

Ah... como é simpático esse cara... e é esse cara que vai encarar, comigo, o Menino Jesus!!!!

A caminho do Hospital Dia (8º andar) nos deparamos com a "segurança" Negativa - toda resposta dela era não!! aff!!! Tem horas? Não! Tem criança nesse corredor? Não! Quer casar comigo? Sou bonito?  Quer me dar um beijo? NÃOOOOO!!!!!!!!!!!!!!!!

OK, continuemos nosso percurso, mesmo porque o melhor ainda está por vir! Chegando ao Hospital Dia, uma sala enorme com macas e crianças, cadeiras e enfermeiras, palhaços e choros, fomos recebidos pelo presidente dos EUA Mr. Barack Obama (que estava disfarçado de enfermeiro). Dentro do quarto fui indagado, por uma menina, sobre meu sapato, mas não deixei barato e falei que o sapato de uvas dela era muito pior que o meu, pois o dela dava pra comer.
Lourival me corrigiu dizendo que uva não se come, se chupa. Preferi ficar calado, pois se ele chupa, é problema dele!

Essa menina, aliás, foi o que nos sustentou dentro do quarto. Ela jogou muito com a gente, entendia nosso jogo.
Quando estávamos falando sobre os sapatos e as uvas, entrou no ambiente uma enfermeira, que, exagerando, media 1,40m. Percebi a presença dela e comecei a perguntar para as mães se elas estavam acompanhando aquela criança. Todos negaram e a menina do pé de uva, disse que ela não era criança e sim adulta.
Expliquei a ela que adultos eram grandes. Aí veio a melhor explicação sobre adultos/idosos.
Ela disse: Ai, você não sabe que quando crescemos ficamos adultos e grandes, daí quando a gente envelhece, ficamos idosos e o idoso fica mais baixo, porque ele começa a diminuir de tamanho.
Eu disse que queria ficar idoso porque idoso era do tamanho de uma criança e isso fazia do idoso uma criança!!

Complexo, não?

Mas é assim mesmo!! Porque eu quero continuar nessa vida hospitalar até ficar bem, mas beeeeeem pequenininho!!! 
 

sexta-feira, 25 de maio de 2012

Jacaré na área



Relato enviado pelo voluntário Alan (Palhaço Jamal)




Dona Saradona! Corre, cuidado, calma, pára, anda!!! Fuja! Tem um jacaré querendo pegar a T.! Temos que ajudá-la!! Ai caramba!!!

Foi neste clima de vai-e-volta e envolvendo muita confusão que o Jamal começou o dia no Hospital Menino Jesus, na companhia da Dona Saradona. Uma meninha morena, toda de rosa, morrendo de sono, prestava atenção nos dois palhaços que lá estavam. Mas cadê o sorriso, cadê a risada?

Para responder esta pergunta, bastava olhar para a avó, a tia e a amiga da T. Como riam! Riso frouxo nível 5! Já a T. Só olhava mesmo. Era impressionante! Jamal se esfregava na parede, Dona Saradona chamava a atenção do Jacaré (que estava na blusa da tia), quando de repente: PPPPÁÁÁÁÁ!!!!

Jamal pegou a bolsa da tia e bateu na cabeça da mesma, matando assim o jacaré e salvando a vida da T. Que continuava só olhando.

Assim basicamente foi o dia deles dois. Muita confusão e diversão. Até de Mazzaropi Jamal foi chamado. Será que parece? Lembra pelo menos?

Não sabemos a resposta. Só sabemos que palhaço melhora sim o ambiente hospitalar. E aguarde o próximo dia, T.. Nós ainda te faremos rir!!

quarta-feira, 23 de maio de 2012

Momento poético by Paloma




Na não tão distante capacitação de 2011, após acompanhar uma visita no hospital, a então candidata Paloma escreveu um poema!
Hoje ela é a nossa querida palhaça Lorena e o seu poema sempre nos servirá de inspiração!!


“Que coisa maluca essa de querer ser palhaço.
 Que coisa estranha essa de não saber como ser palhaço, mas querer se tornar um deles.
 Que coisa assustadora essa de despir-se de tudo para adotar a cobertura mínima do nariz.
 Onde foi que eu me meti?
 Que tarefa bonita essa de visitar crianças.
 Que tarefa difícil essa de alegrar crianças no grande prédio das pessoas de branco.
 Que tarefa desafiadora essa de manter os olhinhos delas vidrados no ponto vermelho e manter os olhos meus livres de lágrimas.
 Onde foi que eu me meti?
 Que transformação enorme essa pela qual passarei para encontrar o meu palhaço e convidá-lo a visitar crianças comigo.
 Que transformação contagiosa será essa de driblar as pessoas de jaleco, de roupa azul e de terno preto, depois conquistá-las e encontrar a chave vermelha da porta de entrada.
 Que transformação instantânea que parece já acontecer dentro de mim. Que transformação demorada para saber o que fazer com essa vontade crescente.
 Onde fui parar?
 Fui parar onde minha vontade me levou, onde os narizes ensinam e as crianças sorriem.
 Caminho encantador e assustador. Onde a vontade manda e o nariz obedece. Onde o nariz decide e a vontade cede.”

 

quarta-feira, 9 de maio de 2012

Ondasss



Relato enviado pelo voluntário Dantas (Palhaço Quincasss)





 
Estávamos lá no 4º andar, muitas crianças, muita gente, muitos pais, muitas mães, médicos, enfermeiros, o Lourival e eu! Foi uma manhã de muita diversão.

A brincadeira começava com um "OI" para uma pessoa e reverberava para mais um monte de outras.

Uma hora surgiu uma mãe com uma criança de colo, um garoto loirinho de cabelos enrolados de uns 10 ou 12 meses acho. Ele viu os palhaços e sorriu. Eu vi esta criança, mas muitas outras crianças estavam por ali e a brincadeira continuava.

De repente, em outro momento, aquela mesma mãe com o garoto loirinho de cabelos enrolados, passou novamente perto de mim. Aí eu não resisti e fui até lá! Um olhar de curiosidade estava nos olhos de R. (depois descobri o nome dele), ele estendeu uma pequenina mão em direção ao meu nariz, apertou com delicadeza e sorriu, um sorriso de extrema felicidade, eu também sorri, abri os braços e abracei aquele pequeno ser, junto com sua mãe. Quando me afastei do abraço, novamente surgiu aquele sorriso de felicidade no rosto de R. e de sua mãe, e aquela mãozinha vindo em direção ao meu nariz novamente, mais um aperto, mais um sorriso, mais um abraço.

Por algumas vezes este enredo se repetiu, e esta felicidade era passada em ondas para as pessoas que estavam ao redor como quando você atira uma pedra no rio e as ondas vão se espalhando para o espaço.

Aquele pequenino ser, num gesto de extrema delicadeza e curiosidade, jogou uma pedrinha no rio que com certeza gerou muitas ondas de alegria naquele corredor.

No Quincasss gerou muita alegria e emoção. Agradeço ao Universo por este momento único na minha existência.

 

terça-feira, 8 de maio de 2012

Apenas mais um dia normal de visita no Hospital




Relato enviado pela voluntária Priscila (Palhaça Salamandra)






Sábado, dia 28 de Abril de 2012, 8h30.
TRIM!TRIM!
Dênis: - Boss? Aqui é o Dênis. Seguinte: tô indo para o Emílio Ribas, mas esqueci as coisas em casa. Será que alguém me arruma nariz, maquiagem…? Porque se eu voltar pra buscar vou me atrasar muito.
Pri: - Tranquilo. Vai pro hospital que a gente dá um jeito.
Sábado, dia 28 de Abril de 2012, 9h15.
Dênis: - Fala aí, galera! Beleza? Então, eu esqueci a mochila em casa, vou precisar de tudo emprestado?
Pri: - Caramba! Tudo? Não era só nariz e maquiagem?
Dênis: - Não. Falei que tinha esquecido as coisas. Isso significa todas as coisas.
Pri: - Mas tu é uma anta mesmo, hein?
Carla: - Opa! Nariz eu tenho um de reserva.
Dênis: - SHOW!
Alê: - Maquiagem tá na, mão.
Dênis: - Boa!
Pri: - Eu tenho um vestido roxo.
Dênis: - Tem mesmo? Pega aí que eu boto. Será que vai ficar muito gay?
Edu: - Fica frio, eu tenho uma gravata borboleta.

Moral da história1:
Palhaço não tem sexo, não tem cor, não tem raça, não tem religião, não tem time, não tem não.
Tem apenas uma vontade louca de ser o que ele é.

Moral da história 2:
Um vestido roxo e uma gravata borboleta é tão másculo quanto o bigode do Fred Mercury.

quinta-feira, 3 de maio de 2012

Um veterinário, URGENTE!



Relato enviado pela voluntária Priscila (Palhaça Salamandra)

                               




Precisávamos de socorro e sabíamos que só uma pessoa poderia nos ajudar.

- Por favor, um veterinário. É urgente!



Cinco palhaços desesperados, no Hospital Emílio Ribas, frente à sabedoria de uma profissional, que mostrava, em seus cerca de 12 anos, conhecer não apenas de animais como também de genética uma vez que cuidava e também produzia inúmeros cachorros coloridos feitos de bexiga.



O caso era grave: dois caminhoneiros haviam atropelado o cachorro da Salamandra que, naquele exato momento, mostrava-se deformado por conta do acidente.

Doralina e Sula buscavam inutilmente descobrir se o cão havia perdido o rabo, a perna ou a cabeça.

Salamandra, enfurecida, acusava Durval e Giba, também conhecidos como Pedro e Bino.



O caos estava instalado, a veterinária fez o possível, mas ele se foi. Apesar dos esforços, o cão laranja esvaiu-se em ar.



É…, a vida, às vezes, reserva tristezas.



Tomada pelo desespero, Salamandra rende-se ao pranto digno de uma novela mexicana, enquanto os companheiros tentam, em vão, consolá-la. Mas a solução não poderia vir de outra pessoa. Quando tudo eram lágrimas, a veterinária entrega à palhaça, um lindo filhote de cachorro cor de laranja. Idêntico ao primeiro antes do atropelamento.



Viva!

Quanta alegria!

Quanta festa!

Quanto entusiasmo!



BUM!



É…, a vida, às vezes reserva tristezas...

Principalmente para os cachorros feitos de bexiga. Mas o que é um cachorro vazio perante um quarto cheio de gargalhadas?


sexta-feira, 27 de abril de 2012

Batatinha em Destaque

Vitor, nosso querido Batatinha, saiu do forno, ops, quero dizer, no informativo da empresa!





 

quinta-feira, 26 de abril de 2012

Aahhhhh tá!

Relato enviado pelo voluntário Mauro (Palhaço Malavazzi)





Entramos eu e Amâncio em um quarto em que havia um menino na cama, acompanhado por sua mãe.

Em um canto do quarto, havia sobre um móvel um brinquedo que era uma cidade, com carros, prédios, árvores e tudo mais. Concluímos que o menino era o prefeito da cidade.

Montamos uma saudação especial ao prefeito, toda pomposa, tiramos dúvida com a secretária do prefeito (a mãe), conversamos com o prefeito, era um dia muito especial. Era prefeito pra cá, prefeito pra lá, prefeito isso, prefeito aquilo.

Certa hora, o menino, que estava se divertindo até então, fechou a cara de repente e disse:

- Eu não sou prefeito.

Chocados com a revelação, questionamos: - Não?

- Não. Eu sou ser humano.

- Aahhhhh tá.

Com essa novidade, percebemos que tínhamos confundido tudo até àquela hora. Ele não era prefeito, era ser humano. A mãe não era secretária, era ser humano. Íamos nos despedindo após essa interação de muito aprendizado:

- Já estamos indo então. Vou levar o meu colega Amâncio, que é um ser humano.

- Ele não é ser humano - respondeu o menino.

Chocados novamente, respondemos: - Não?

- Não, ele é palhaço.

- Aahhhhhhh tá.

 

quarta-feira, 25 de abril de 2012

Casório

Relato enviado pelo voluntário Eduardo (Palhaço Giba)




- Podemos entrar?
- Claro, fiquem a vontade.

Quase um convite para tomar um café em sua casa. Casa da dor que acaba dando lugar à piada.
Parece que transformar sofrimento em riso é mais simples e mais profundo do que eu imaginava.
Bastou que estivéssemos lá para tudo acontecer.

- Eu sou modelo.
- É sim, modelo. Modelo da Ultragaz!

A ponte estava construída. A conexão não do gás, mas de quem antes do "Claro, fique a vontade" não tinha e nem sabia de que ali dentro, havia força para tirar um sarro.

- Múrcia, casa comigo?
- Não, ela vai casar comigo.
- Não, ela vai casar comigo.
(duelo espartano entre Baltazar e Giba)

De repente, aquela que estava quieta, deitada, bastante debilitada, sugere:

- Case com os 2! Ai, vira a Dona Flor e seus 2 maridos.

E quem diria que essa sugestão veio de quem já teve 2 maridos? Um que a abandonou com o filho e outro que a passou o HIV e morreu. Uma história que só não é mais triste por que não houve espaço para o Padre, ou a "Padra", ficar se remoendo. Sim, ela foi o "Padre", que fez o sinal da cruz, abençoou, disse " Podem beijar a noiva" e depois jogou até arroz imaginário. E o imaginário foi mesmo real naquela hora, tão real, que a juíza, paciente da cama ao lado, falou pra gente passar a "Lua de Mel" em Itanhaém.
Nessa hora, Itanhaém passou a ser, para nós, a mais bela das praias porque devia ter um significado enorme pra ela.

Eis que a briga do noivo bonito e do feio deu lugar para a do tonto e do besta numa cerimônia maluca onde, primeira vez, o juiz e o padre emocionaram mais do que a noiva que, diga-se de passagem, estava linda de boina vermelha.

 

terça-feira, 24 de abril de 2012

Presença de Palhaço


Relato enviado pelo voluntário Tomás (Palhaço Estafúrcio)


O palhaço não precisa ser visto para estar presente!
Sempre ouvimos que o palhaço transforma o ambiente em que está presente. Ou será que é quem está no ambiente que transforma o palhaço? Ou será o conjunto de tudo que transforma todos?
Há alguns sábados atrás havia um menino cego que estava na Quimioteca do GRAACC brincando com um quebra-gelo.
Iniciamos uma brincadeira muito simples, apenas pegávamos os cubos e tentávamos encaixá-los no quebra-gelo. O menino se divertia e a nossa simples brincadeira passou a ser interessante.
Mas interessante mesmo foi, que quando ele soube que éramos palhaços, ele colocou um dos cubos no seu próprio nariz, como se ele também fosse um palhaço!
Não posso dizer que essa foi exatamente uma super ação palhacística, mas me tocou.
E porque não dizer que nos transformou?

segunda-feira, 23 de abril de 2012

O lance pode estar no relance


Relato enviado pela voluntária Adriana (Palhaça Múrcia)

Numa visita no Hospital Darcy Vargas, há algumas semanas, quando Bordô, Sula e eu passávamos pelo corredor de um dos andares, eu olhei levemente de relance pela porta de um dos quartos que estava aberta.

Nesse olhar curioso, eu vi um menino deitado na cama, sozinho, quietinho e cobertinho com o lençol, no quarto que estava com a luz apagada. Opa!! Naquele quarto tinha um lance! E simplesmente não dava pra continuar andando por aquele corredor!

Numa abordagem bem tímida, eu pedi que meus companheiros parassem no corredor e da porta falei pro menino: “Oi, bom dia! Desculpa te atrapalhar, mas é que eu estava passando aqui no corredor, quando eu olhei de relance e vi você bem aí!” A fisionomia do menino se transformou de imediato, ele abriu um sorrisão e olhava pra minha cara com uma cumplicidade deliciosa!

Na mesma hora Bordô se interessou e resolveu fazer novamente a passagem pela porta para ver o menino de relance! Ele também constatou que ela havia um lance e pediu a Sula que fizesse o mesmo. Sula prontamente atendeu e também achou o máximo ter aquela vista de relance!

Estávamos os três tão extasiados com a nossa descoberta de relance que não cabíamos em nós!! Começamos a fazer alarde no corredor e pedimos a moça da limpeza que fizesse a nossa experiência! Ela prontamente nos atendeu e de uma maneira muito simpática, passou pela porta, viu o menino de relance e também achou o máximo! Na sequência, uma mãe com uma menininha no colo passava pelo corredor e também resolveu participar da nossa experiência!

Todos estavam felizes em olhar para o menino de relance!! E ele ria chacoalhando todo o corpo e até passando a mão pelo rosto!

Ele olhou pra gente e disse: “Podem entrar aqui!”
Nós entramos! E começamos a ter outras visões dele de relance! Olhávamos de relance passando na frente da sua cama, olhávamos de relance saltando na frente da cama, olhávamos pra ele de relance até fazendo uma simulação tripla de um elevador que subia e descia passando pela cama que estava vazia do outro lado do quarto!
Em todas as nossas passagens ele ria muito com a nossa surpresa em cada olhar, em cada relance, em cada contato que cada um de nós três fazia com ele!

E foi nessa descoberta de relance que a Sula, com seu imenso talento musical, começou a cantar o “Rap do Relance”, composto naquele mesmo momento, que prontamente foi acompanhado pelo Bordô e por mim! E foi com essa trilha sonora que saímos do quarto dando nosso último olhar de relance pra aquele menino que ria pra nós com uma alegria contagiante!

quarta-feira, 18 de abril de 2012

O Nome do Riso


Relato enviado pelo voluntário Dantas (Palhaço Quincasss)


Tem muita gente que acha o meu nome engraçado (Quincasss), mas esses dias atrás eu conheci uma mulher que achava o seu próprio nome engraçado!!! E isso foi ainda mais engraçado!
Dona Borboleta, Ornela e eu estávamos no Hospital Dia, do Hospital Menino Jesus, onde conhecemos o M., um menino muito esperto que tinha uma particularidade – não queria dividir sua mãe com ninguém!
Logo imaginamos que a mãe dele era uma mãe muito especial, para ele querer ela inteirinha só pra ele! Isso despertou a nossa curiosidade e logo quisemos descobrir mais sobre aquela senhora.
Para uma boa investigação, precisávamos começar pelo nome dela! E assim perguntamos o seu nome. Ela prontamente respondeu “S. D.” (nome e sobrenome) e riu!! “Riu”... na verdade gargalhou!
Isso foi tão interessante que quando falávamos o nome dela (S. D.) gargalhávamos também!! E sempre assim! Logo que um falava o nome S. D. todos gargalhavam! Todos nós e todos que estavam ali, inclusive a própria S. D. e seu filho M.
E foi no meio de tantas gargalhadas que eu entendi o porquê o M. não queria dividir sua mãe! Afinal de contas, não é toda mãe que nos faz gargalhar só de falar o próprio nome!
S. D.!! huahuahuahuahuahuahua