Palhaço também conta histórias!
Neste blog você pode saber um pouco mais das nossas histórias vividas nos hospitais.

terça-feira, 13 de março de 2012

As flores de plástico do Malavazzi

Relato enviado pelo voluntário Mauro - Palhaço Malavazzi
Hospital: GRAACC


O legal de frequentar o mesmo hospital durante um ano inteirinho é a possibilidade de conhecer e reconhecer um monte de gente constante por lá. Médicos, pacientes, enfermeiras, seguranças e afins. Essa história é sobre uma recepcionista do GRAACC.
No começo de 2011, fui ao GRAACC pela primeira vez, acompanhado pela palhaça Brigiti, que já havia visitado esse hospital no ano de 2009. Ela, claro, já tinha alguns conhecidos que eu não tinha. Uma dessas era uma recepcionista, de seus 50 e tantos anos. Quando a encontramos pela primeira vez, a Brigiti disse: "Ah, ela eu já conheço, ela é velha aqui". A funcionária, muito espirituosa, entrou no jogo.
- Velha? Você está me chamando de velha?
- Não, não, veja bem...
- Que absurdo! Acabou de chegar e já maltrata todo mundo?
- Não, veja, o que eu quis dizer....
A partir daí, a recepcionista "odiava" (de brincadeira) tudo que a Brigiti fazia ou dizia. Eu, em contrapartida, fui super atencioso, elogiei a juventude da senhora e ganhei sua simpatia.
Por várias visitas seguintes, era sempre a mesma história. A Brigiti tentava agradar, mas não conseguia. Eu fazia qualquer tontice, e era prontamente aplaudido. Eram momentos muito divertidos das nossas visitas.
Mas lá pelo mês de Maio, chegamos ao GRAACC e a recepcionista não estava mais lá. "Ela teve um infarto", disse um rapaz que a estava substituindo. Ficamos honestamente embasbacados. Uau. No fim da visita, já sem nossos figurinos, perguntamos ao rapaz sobre mais detalhes e ele nos disse que ela estava internada e que não sabia quando, nem se, ela voltaria a trabalhar.
O ano seguiu e continuamos a visitar o GRAACC. Eu sempre levava uma flor de plástico, para dar à recepcionista quando ela voltasse ao batente, mas isso nunca aconteceu.
Eis que em Fevereiro de 2012, voltamos ao GRAACC e ela estava de volta!
A recepcionista! Toda bronzeada, bem humorada e fazendo piada sobre a sua situação. "Foi ótimo! Tive um infarto e tirei umas férias. Uma delícia!".
Na visita seguinte, levei minha flor novamente e pude finalmente entregá-la! Antes, recitei um poema, enquanto minha parceira Múrcia tocava uma romântica música do Kenny G com um saxofone imaginário.

“Não sei o que é fazer um parto
Muito menos ter um infarto
Imagino que haja um pouco de dor
Por isso, receba agora essa pequena flor.”

Primeira volta do Lourival/Sandoval com a Danusa/Vanusa...




Ansiedade era meu nome, mas combati tentando deixar tudo separado, nariz,
maquiagem, roupa e etc, já na véspera, agora era só combinar com minha parceira
VANUSA (Juliana) e pronto, deixar rolar a brincadeira.

Pergunta daqui e dali e finalmente veio a resposta, nos encontraremos às 8:30
na Rua Dr. Luis Barreto, uma segunda entrada, mais fácil, segundo minha
parceira...maravilha, até amanhã então!

Saio 8:00 hs e em dez minutos, com todos os faróis entendendo minha angustia para
não atrasar chego no hospital, porém, como era cedo, tive tempo de estacionar e
procurar pelo ponto de encontro, momento em que descubro que não existe entrada
pela Rua Dr. Luis Barreto, o Hospital Menino Jesus, também conhecido por Jesus Boy,
tem entrada ou pela Ingleses ou Franceses...fantástico, comecei bem, perdido...achei
a VANUSA! De fato, nem ela foi pra rua errada...pegadinha do malandro?

Nos preparamos na sala dos voluntários, junto com o pessoal da assistência social e
senti muita empatia e segurança na parceira, afinal, ela tinha a senha do cadeado...ela
e quem mais olhasse na XXX do armário, pois esta escrito a lápis um “XXX” e,
prontos para a brincadeira, saímos da sala.

Ouvidoria, Recursos Humanos e chegamos no corredor do 6º andar, muitas crianças,
mãe e alguns pais, muitas risadas, passagens de senhas e abraços nas funcionárias
de limpeza (to gostando deste negócio de passar senha...senha: abraço, começa com “abra” e termina com “ço”) não falha uma vez...todas funcionarias no fundo tem a senha e a dizem...obviamente que não negamos nenhum pedido e abraçamos todas.

Roubamos uma cadeira do “senhor 2 cadeiras”, infelizmente entalei nela, cadeiras
pequenas demais pra minha banda...Danusa fez força pra sentar...embora não assuma isso e conseguimos sair sem levar as cadeiras para ir diretamente para o cativeiro, também
conhecido por Hospital Dia.

Ninguém confirmou, mas acho que a noite não funciona, muito embora seja 24horas,
contudo, ninguém soube explicar como poderia chamar de hospital do dia, enfim,
entrar foi fácil, enfermeiras e auxiliares receptivas, aliás, bem bacana mesmo e as
crianças desenhando e conversando conosco, muitas brincadeiras com todas as
crianças – umas 15? Mães, médicos (Dra. Grandona), enfermeiras, etc...15 ou 20
minutos, e pra sair?

Rapto? Sequestro? Prisão? As crianças não deixavam sair...alguns minutos depois e,
mediante o pedido das mãe para que as crianças acompanhassem uma enfermeira,
porque estavam mudando de leito e eis que chegou a salvação...quase inauguramos
uma facção da Operação Arco-Íris especial para o Hospital do dia, na próxima incursão
no setor, é bom ter um plano emergencial para saída rápida (#ficadica).

Finalmente fomos para o térreo da rua dos Franceses, sim, é lá que existe outra
entrada, uma nos Ingleses, outra nos Franceses, Luis Barreto não, beleza? Lá fica a
recepção, muitos pais, mães e crianças, muitos e muitos, muitas e muitas, de forma
que a brincadeira lá precisaria ser bem ampla e demorada para interagir com todos,
mas o tempo já não ajudava; roubamos senhas, trocamos outras, algumas bolhas de
sabão e conseguimos muitas risadas, algumas contidas, outras escandalosas, não sem antes a Danusa ter sentado no colo de uma menina que não conseguia ficar sem
rir, contagiante mesmo!

Enquanto isso, do lado de fora, um menino pulava a cada dois segundos para nos ver
por uma janela; ele estava do lado de fora do hospital, pulando sem parar e...não teve
jeito, tivemos que sair da recepção para ir conferir o acontecido e pronto, lá estava
o senhor documentos voadores, pulando, rindo e se escondendo entre as pernas da
mãe com nossa presença, com seu zíper aberto e rindo sem parar...aliás, o senhor
documentos voadores gostou tanto da brincadeira que nos seguiu até o sexto andar e
só nos abandonou quando finalmente entramos na sala dos voluntários para encerrar
nossa brincadeira, uma pena, cabia mais um caminhão de risadas e tropeços (Val de
Carvalho, tks pelas gagues! Funfa memo!!)

Passada a ansiedade da primeira volta, pude notar como o clima se transforma com
nossa presença, por mais ou menos que se faça, a presença de qualquer coisa
diferente já tem o poder de transformar o meio ambiente, pode ser uma televisão,
um desenho pintado na parede, detalhes de brinquedos, enfim, o ambiente pode ser
alterado com algum detalhe, contudo, a presença do palhaço, longe de ser um detalhe
ou uma televisão, transforma profundamente o ambiente e arranca das pessoas,
adultos ou crianças, doentes, acompanhantes ou funcionários, de alguma forma, um
sentimento bom e deixar o “ar” mais leve, só vendo para sentir e só sentindo que se
vê!

Para mim foi muito bom, me diverti, dei risada, mexi com muita gente e fui mexido
também...mas sai de lá com a certeza de minha escolha, com a certeza de ter
visto um ano atrás o vídeo institucional da OAI e ter acertado na inscrição para o
voluntariado, além de me fazer muito bem, consigo dividir esse sentimento bom
com outras pessoas, que acham que precisam mais do que eu disso...e no final da
certo...é praticamente um coco de cachorro...quanto mais mexe, mais fede e, quanto
mais gosto, mais legal fica...quero então deixar esse registro não só para a Juliana
(Danusa) que, embora não queria muito a minha companhia, me passando o endereço
errado, me ajudou muito a dar estes primeiros passos... sua linda!
Agradeço também a todos os amigos que fiz, que compartilham deste sentimento e com certeza estão se divertindo muito por aí e de certa forma, estavam comigo nesta manhã, pois em cada
passo sentia e lembrava de nossos exercícios, vibrações e brincadeiras, agradecido
também pelos capacitadores, vocês foram tão fantásticos na preparação que dá a
impressão que treinaram aquela galera toda que estava no hospital também, foi bom
e vocês fizeram parte disso e finalmente agradeço ao grupo todo, porque é muito
bom saber que existe um lugar cheio de pessoas assim, com narizes vermelhos e
contagiantes e poder ser mais um a se divertir e fazer parte.

Estou pronto para a próxima!

Bjo do LOUriVAL ( ou seria SANDOVAL ? )

OBS: O nome clown da Juliana é DANUSA.

sábado, 3 de março de 2012

Um hotel açougue para enviar cartas...



Relato enviado pelo voluntário Alexandre - Palhaço Pino
Evento: Encontro Geral de Voluntários / Formatura dos Novos Voluntários
Data: 25/02/2012
Local: Proximidades do Parque da Água Branca
Dupla: Pino e Bom Bom (Alexandre e Ana Lúcia)



Sem querer usar frases feitas mas já usando, a gente sempre acha que jáviu, ouviu e viveu de tudo nesta vida... mas isso não é verdade, e o exercício de clown na rua da minha formatura foi uma desses momentos. Estávamos eu e a Bom Bom tentando entregar nossa bexiga a quem bem merecesse e, de repente, nos deparamos com um simples e decadente hotel na Avenida Francisco Matarazzo.
O hotel,talvez da década de 50 ou 60 mantem as mesmas características da época onde se usava muita fórmica e, no caso desse hotel, era amarelo ovo. Entramos daquele jeito, como todo palhaço tem que entrar: de sopetão.



O dono, um português com sotaque ainda um pouco carregado nos recebeu junto com um pseudo gerente sorrindo, e a Bom Bom logo mandou de cara: - Senhor, isso aqui é uma agência dos Correios???
E eu emendei logo em seguida: - Porque eu preciso mandar uma carta bem urgente, pode ser aqui?
O portuga retrucou: - Não, ora poix, isso não é uma agência dos Correios, mas sim um açougue, vocês não estão a veire?
E eu: - É evidente que sim, e como é um açougue deve ter um monte de boi forte, não é verdade?
Portuga: - Tem sim, e tem touro forte também. Mas você, se comer um bom tanto todo dia pode ser tornar um belo touro, não acha?
Bom Bom: - Mas o Pino é tão magrinho, será que não vai demorar para ele virar um touro?
Portuga: - É só ele comer um monte de carne aqui no açougue todo dia.
Eu: - E a minha carta? Como é que faço para enviar se isso é um açougue? Posso deixar a carta aqui que o senhor despacha no lombo de um boi?
Portuga: - Ora pois, se não despacho, deixa que a carta vai rapidinho.

Pensa que acabou???

Nesse cenário surreal apareceu um entregador de flores, amarelas e baratas, mas que enfeitam o balcão do hotel/correio/açougue todos os dias. O entregador, já entrelaçado nos braços do álcool se revelou um talentoso cantor,e entoou o grande hino de Nilton César chamado “A namorada que sonhei”: receba as flores que lhe dou...em cada flor um beijo meu...e segue.

É evidente que o trio, capitaneado pelo portuga açougueiro recebeu o nosso prêmio. Pena que a bexiga era vermelha, e não amarela... ia combinar tanto com a fórmica, com as flores.

sábado, 4 de fevereiro de 2012

Cantoria para o Mixirico

Relato enviado pelo voluntário Rodrigo (Palhaço Mixirico)


Numa visita ao GRAACC, eu (Mixirico), Lola e Pepa estávamos no andar da Quimio, quando fomos "abordados" por abraços deliciosos, vindo de duas princesas. 
 
Elas estavam indo embora, quando nos avistaram e foram até nós. Logo depois do abraço, eu informei as outras crianças que as duas meninas eram nossas acompanhantes e sabiam fazer um montão de coisas.
 
As duas riram e disseram que só sabiam cantar e na sequência começaram a cantar a música "Como Zaqueu", uma canção evangélica.
 
Quando elas começaram a cantar, eu "achei" que a música era pra mim, e o que se deu a seguir foi:
   
"Como Zaqueu quero subir, (Mixirico perguntou: pra que você quer subir?)
 O mais alto que eu puder (Mixirico: ai meu Deus isso deve ser muito alto)
 Só pra te ver, olhar para Ti. (Mixirico: nossa, tudo isso só pra me ver? uau)
 E chamar sua atenção para mim (Mixirico: nem precisava ir tão alto pra chamar minha atenção)
 Eu preciso de Ti Senhor (Mixirico: Não precisa me chamar de senhor...)
 Eu preciso de Ti o Pai (Mixirico: FILHAAAA???????!!!!!!!)
 Sou pequeno de mais (Mixirico: eu num sou cego)
 Me dá a sua paz (Mixirico: emprestar eu empresto, mas tem que me devolver depois)
 Largo tudo pra te servir (Mixirico: Noooosssaaaa: poxa se é assim, me trás uma Jaca)
 Entra na minha casa, (Mixirico: já que você tá convidando)
 Entra na minha vida. (Mixirico: decida-se, é na tua casa ou na tua vida?)
 Mexe com minha estrutura, (Mixirico chacoalhou a menina e perguntou: tá bom ou quer mais?)
 Sara todas as feridas. ( Mixirico: você nem tá ralada...)
 Me ensina a ter Santidade (Mixirico: posso te ensinar outras coisas, porque eu num sei o que é "Sanidade")
 Quero amar somente a Ti (Mixirico: eu também sou fiel)
 O senhor é meu bem maior, (Mixirico: já disse, pode me chamar de você)
 Faz um milagre em mim. (Mixirico: se eu soubesse fazer milagre, eu faria a Pepa e a Lola sumirem...)
 
Mal elas acabaram de cantar, em meio às gargalhadas, elas me explicaram que a música não era pra mim!!!
 
Hein? como assim? Que decepção... Fui embora "arrasado", com todos rindo de mim!!!!
 
Ô criançada boa que me permite fazer o que faço: ser quem sou!!!!!!
 

segunda-feira, 16 de janeiro de 2012

Choro, bexigas e desenhos

Relato enviado pela voluntária Ana Carolina (Palhaça Lola)



Foi no GRAACC que Lola, Pela e Mixirico conheceram o menino E.
Foi o máximo!

No corredor, fomos abordados pela enfermeira, que nos pediu para irmos ao último quarto, pois havia um menino que não parava de chorar.

Missão dada é missão cumprida (como diria a sábia Pepa). Entramos no quarto e o garoto se escondeu atrás da bexiga do Ben 10 e continuou a chorar, ele olhava pra gente e chorava mais ainda... foi uma loucura!

Foi aí que o Mixirico também começou a chorar!
Toda vez que a Lola ou a Pepa olhavam para ele, ele chorava escandalosamente. Foi um chororô só... o Ben 10 chorava, o Ben 11 (Mixirico) chorava e o Ben 12 (E.) chorava... foi aí que surgiu outra bexiga, a Barbie que a Pepa deu pro Mixirico, que logo parou de chorar, pois atrás da Bexiga ninguém o via!!
E não é que o E. também parou de chorar e começou a esboçar o seu primeiro sorriso!!! Ufaaaa!!!

Nesse instante, como E. já não chorando mais, com sua bexiga de Ben 10, ele tentava nos assustar. Mas Barbie era corajosa, não se assustava com nada. Pena que num descuido, roubaram a bexiga Barbie do Mixirico e ele teve que fugir de medo do Ben 10...

E viva os desenhos... viva as bexigas e um grande Viva para Pepa, Mixirico e Lola.




quinta-feira, 15 de dezembro de 2011

Viver é...







Viver é...Viver é uma peripécia. Um dever, um afazer, um prazer, um susto, uma cambalhota. Entre o ânimo e o desânimo, um entusiasmo ora doce, ora dinâmico e agressivo.
Viver não é cumprir nenhum destino, não é ser empurrado ou rasteirado pela sorte. Ou pelo azar. Ou por Deus, que também tem a sua vida.
Viver é ter fome. Fome de tudo. De aventura e de amor, de sucesso e de comemoração de cada um dos dias que se podem partilhar com os outros. Viver é não estar quieto, nem conformado, nem ficar ansiosamente à espera.
Viver é romper, rasgar, repetir com criatividade. A vida não é fácil, nem justa, e não dá para a comparar a nossa com a de ninguém. De um dia para o outro ela muda, muda-nos, faz-nos ver e sentir o que não víamos nem sentíamos antes e, possivelmente, o que não veremos nem sentiremos mais tarde.

Viver é observar, fixar, transformar. Experimentar mudanças. E ensinar, acompanhar, aprendendo sempre. A vida é uma sala de aula onde todos somos professores, onde todos somos alunos.
Viver é sempre uma ocasião especial. Uma dádiva de nós para nós mesmos. Os milagres que nos acontecem têm sempre uma impressão digital. A vida é um espaço e um tempo maravilhosos mas não se contenta com a contemplação. Ela exige reflexão. E exige soluções.
A vida é exigente porque é generosa. É dura porque é terna. É amarga porque é doce. É ela que nos coloca as perguntas, cabendo-nos a nós encontrar as respostas. Mas nada disso é um jogo. A vida é a mais séria das coisas divertidas.

Joaquim Pessoa, in 'Ano Comum'

quinta-feira, 10 de novembro de 2011

Tem um palhaço no meu banheiro.

Relato enviado pelo voluntário Tomás (Palhaço Estafúrcio)



A
o entrar num quarto nunca sabemos qual jogo acontecerá nem qual será a proposta. Às vezes elas surgem rapidamente, outras vezes deixamos que a relação se estabeleça para que surja alguma proposta.

Há 3 semanas estive no hospital com o Romão, companheiro antigo de ONG. Estávamos no quarto de um menino de 8 anos que topou trocar boas risadas por “um Romão preso no banheiro”. Sim, sob um argumento qualquer Romão entrou no banheiro e eu o tranquei por lá dizendo que a porta tinha travado. Ficamos um bom tempo conversando e eu prometendo que iria atrás de um chaveiro para resolver a situação. Em determinado momento destranquei a porta e o Adê, percebendo isso, saía de vez em quando e conversava com o menino dizendo: “Ele vai demorar muito para vir me soltar do banheiro? Será que vou ficar muito tempo aqui dentro?”, voltando pra dentro do banheiro na sequência. Terminamos quando numa destas saídas o Romão percebeu que eu estava por lá e saiu brigando comigo por eu ter trancado a porta de propósito.

No nosso dia a dia vivemos situações como esta, que ficam estanques no tempo e que deixam também algumas memórias em nós.

Semana passada estive novamente no hospital, desta vez com o Malavazzi. Visitamos uns 15 quartos neste dia e num deles a proposta de jogo surgiu num piscar de olhos. Um garoto muito receptivo tentava se comunicar comigo enquanto fazia inalação. Em poucos segundos percebi que ele queria que eu prendesse o Malavazzi no banheiro. Sim, era o mesmo garoto do outro dia. Ele ainda lembrava da cena e estava muito animado para revivê-la. Malavazzi não sabia de nada mas logo o conduzi ao banheiro para seguir novamente na cena já conhecida. Cada um tem uma maneira de lidar com as situações. No caso do Malavazzi, enquanto preso ele gritava desesperado querendo sair o mais rápido possível por estar muito fedido lá dentro. Risadas ainda melhores surgiram e o garoto parecia não enjoar de tudo aquilo. Porta travada, Estafúrcio tentando abrir, até que consegue. Desta vez não há evidências de que eu tivesse trancado de propósito então Malavazzi tenta fazer com que o menino me entregue assumindo que eu havia causado tudo aquilo. Ao ser questionado o menino garantiu que a porta tinha travado sozinha e que eu nada tinha com isso. Malavazzi insistiu 2 ou 3 vezes mas o garoto ficou firme e não entregou o Estafúrcio...

É assim que as coisas são, amigo é amigo! Como é que ele ia entregar um amigo assim pra um palhaço qualquer?? Lógico que eu saí de lá bem contente, não é todo dia que a gente pode contar com amigos tão fiéis assim.

terça-feira, 8 de novembro de 2011

Aula de canto muito, mas muito especial!!!


Relato enviado pela voluntária Adriana (Palhaça Múrcia)




Que lindo sábado! Que lindo dia de trabalho no GRAACC!
Além de muitos jogos bons entre Romão e Múrcia, ainda tivemos um acontecimento fantástico!!

Quando estávamos na porta do quarto do F., o enfermeiro nos disse que ele estava bem mal. Mesmo assim entramos. A mãe nos recebeu muito sorridente, mas disse que o filho não estava bem... tinha tido muitas convulsões naquela manhã.

F. estava deitado imóvel e com uma aparência muito cansada.
Ele estava com alguns aparelhos e ainda tinha uma lágrima que tinha ficado parada no ladinho do seu olho direito. Provavelmente a última crise tinha sido muito recente.

Neste momento eu não sabia o que fazer... pensei em propor cantar uma música com o meu parceiro, mas tudo parecia meio vazio e distante... foi quando ouvimos um som vindo da TV. Alguém cantava lalalalalalala, como se fosse uma aula de canto.

Romão nos contou que já tinha feito aulas de canto e começou a fazer lalalalalalala! Eu achei lindo e acompanhei: lalalalalalala!

Aí pedimos pra mãe entrar no nosso curso e cantar lalalalalalala. A mãe ficou tímida e envolvemos o F. dizendo que ele deveria ensinar a mãe.
Enquanto discutíamos um pouco, F. começou a soltar um som... era um som que vinha lá do fundo, meio rouco, não era exatamente um lalalalalalala, mas o ritmo era o mesmo! Elogiamos a performance musical dele!! E ele repetiu!! Percebemos que ele estava cansado e explicamos pra mãe que aula de canto cansava mesmo... mas que era pra ela começar a fazer!! E assim, um pouco cansados de tanto lalalalalalala, também saímos do quarto.

Estávamos os dois emocionados, mas o jogo continuou...
No fim da nossa visita, quando pegamos o elevador para o térreo, encontramos a mãe do F.!
Perguntamos se ela tinha feito aula de canto e ela nos contou que depois que saíamos do quarto ele ainda continuou cantando!

Definitivamente o nosso encontro com o F. será um caso que vou levar pra sempre no meu baú, uma história que vou contar pra muitas pessoas e que provavelmente sempre vai me emocionar. Tenho certeza que pro Romão também!

Pensando em tudo o que aconteceu, percebo que Romão e Múrcia não fizeram nada sensacional, nenhum jogo fantástico, nenhuma proposta maravilhosa, mas a simples presença deles lá permitiu que o F. fosse sensacional!! E como ele foi!!

segunda-feira, 31 de outubro de 2011

Palestra no Emílio Ribas

A OAI realizou no último dia 29 de outubro uma palestra de apresentação de seu trabalho no Hospital Emílio Ribas, em São Paulo.
O objetivo foi aproximar ainda mais as duas entidades, potencializando os resultados futuros a partir da atuação dos palhaços da ONG junto à comunidade hospitalar.
Adriana Mingroni, da Operação Arco-Íris apresenta o trabalho da ONG no auditório princial do Hospital Emílio Ribas. 


Presença marcante dos novos voluntários que participam do processo de capacitação 2011 da OAI.
 


Novos voluntários da OAI, Voluntarios do Emílio Ribas e médicos do hospital participaram da palestra.
 


Adriana Mingroni explica a importância das relações estabelecidas a partir da arte do palhaço.
 


Palhaços Janja e Mixirico também marcaram presença no evento.
 


Adê Teixeira, presidente da OAI, conclui os trabalhos da manhã.

sexta-feira, 30 de setembro de 2011

Programa de quinta




Na terça a Pri teve uma cirurgia plástica...Então para cumprir a missão da semana fizemos uma plástica na escala e trocamos a terça pela quinta e deu tudo certo!

Já começou com a piadinha do palhaço e do dono do circo. Como nenhuma de nós duas quer ser dona de circo fomos trabalhar. O Gandhi do bigode disse que foi cortar cabelo. Mas veja bem, com aquela carequinha o que ele cortou? Dissemos até que a franja estava torta...rsrs
Ainda no segundo subsolo, o chefe do departamento Facebook estava estreando. Todo mundo megasério...
No setor de abrição e fechação de caixinhas dava até sono...Uma velocidade de lesma na primeira marcha!
Subimos para o 7º (tão bom andar de elevador...a gente sobe na vida!). O Miguelzinho é um bebê Don Juan, todas as mulheres babando por ele. E pisca, e manda beijinhos, dá risadinha com a mãozinha na boca e atira chupetas prá todo lado! Encantador...
Como tinha muitas plaquinhas de Não Entre, ficamos pouco nesse andar. E tinha reunião das médicas, por isso não dava para brincar muito.
Na brinquedoteca vimos muitas voluntárias que não conhecíamos. Tinha oficina de jóias e bijuterias. Com brilho e glamour ou de plástico sem glamour.
Descemos para a Quimioteca, que estava lotada. A recepcionista ia para o Rock in Rio e buscava o caminho no Google Maps. Todo mundo na praia...Ipanema...sol, mar...Encontramos o Richard, estrangeiro. Com ele hablamos mucho. Ele ensinou mágica para a Edith. Mas ela não conseguiu arrancar o polegar porque tem o dedo muito curto. E ela é dedo duro...
O JeanLuca não enxergava a gente, mas nos ouvia muito bem. E dava golpes de karatê na Dona Borboleta, era ninja. Ele se encantou com as bolhas de sabão, ele quis sentir nas mãos e depois pediu para fazer. Tanto gostou que ele quis pegar e não devolveu mais. Momento Desapego Edith...
No 1º subsolo descobrimos que o João Grandão é o João do Colo. E a bebezinha que estava chorando de fome por conta do jejum para fazer o exame encontrou um super colo aconchegante naquele canto do hospital. Lindo de se ver...

E foi assim o nosso super dia, com tropeços no 5º andar onde não achamos a Ana nem o segredo da Ana, na quimioteca com as broncas da moça do Google Maps e a viagem do Rock in Rio, com a notícia que a menininha do macaquinho de fuxico virou estrelinha e com o reencontro da Dona Borboleta com o menino que a chamava de Privada Musical.

Valeu o dia Dona Borboleta + Edith Charlote.

segunda-feira, 19 de setembro de 2011

Fotos da Capacitação 2011 - 1ª fase





Um novo time de voluntários começou o processo de Capacitação.
Sejam bem vindos!
Espero que aguentem o tranco, pois aqui não tem Capitão Nascimento mas tem Araci e Janja de auxiliar...ou seja...



terça-feira, 30 de agosto de 2011

Ultimate Fighting Clowns






A palhaçada toda já começou nas trocas de e-mails. A caixa postal virou uma arena de lutas. UFC - Ultimate Fighting Clowns. De uma dupla acabou virando trio...E trio já sabe...Não ia dar muito certo, mesmo NUNCA dando mesmo!
E aos trancos e barrancos lá foram os 3 patetas para o Jesus Boy... Boa sorte!


Prá variar...a Djapa comeu bola. O tal do bat-café não era o café em frente ao bat-hospital. E a Djapa foi andando guiada por uma loira GPS, logicamente para a direção oposta...
Djuliano chegou e já enchia a cara com suco de laranja...depois disse que bebida ele aguenta bem, que é só não misturar destilado com daquelelado...Daí ele resolveu tomar água de coco. Xiiii, suco de laranja com água de coco...Pirou de vez!

Fomos recepcionados no hospital pelo Ricardão, o super mega blaster segurança de 2 metros e meio de altura. Tapete vermelho e coisa e tals...

Subimos para o andar do Pinguim onde fica o camarim. Isso mesmo, rimando assim...

Camarim foi pintado, tinta fresca, clareou a sala e apagou a senha do armário. Mas a Djapa sabe a senha de cabeça e abrir o super armário das identidades secretas não foi problema.

Djuliano ficou fazendo uma cirurgia no nariz que perdeu a sustentação. Quase chamamos o Pitanguy...No final deu tudo certo e ele deu até uma lustrada na Ferrari vermelha (seu nariz).

Antes de sairmos na missão, surge uma espiã russa. É, uma russa brava prá caramba! Depois descobrimos que ela esqueceu de tomar o remédio pornô, aquele das tarjas pretas...Ela fica ouvindo vozes direto. Disse que trabalha com psicologia infantil...Doida de pedra! E russa!

(Astolfo e a espiã russa, compactada fazendo cara de espiã! Ãhn?)

Saindo pelos corredores, Matilda, Dona Borboleta e Astolfo logo começaram o combate. A porta fechada foi nocaute no primeiro round. Matilda e sua clone de calçola de bolinhas só na torcida.

Dona Borboleta fantasiada de árvore de Natal da 25 de março só faltava ligar na tomada para acender o pisca pisca. Uma vitrine ambulante. Astolfo se mordia de inveja e foi descoberto: a chupeta que estava jogada no chão era dele! Tinha foto comprovando!!!

A terapeuta ocupacional deu uma tarefa para o Astolfo se OCUPAR. Um joguinho com o sapato da Matilda, que também serve para lavar o arroz. Sapatinho multi uso!

Hoje fomos até fotografados para um jornal mural coisa e tal. No corredor da famosa sala 600 rolou o combate da Dona Borboleta com o Astolfo. Graças ao senhor Miyagi, a Dona Borboleta venceu!




Teve Clown Fashion Week no 5º andar, com direito a novo figurino da Matilda. Mude a cara de sua roupa em dois minutos!

(New look da Matilda)

O Astolfo implorou para Santo Antonio ajudar a desencalhar, ele e a Matilda. Daí surgiram muitas, mas muitas candidatas! Loucura!

(Astolfo rezando para Santo Antonio)

Na brinquedoteca o Astolfo mostrou o cofrinho sem fundos...Vexame total! O Natal estava lá e concordou com tudo!!! Falando em Natal, tinha uma pacientezinha que nasceu no Natal e outra na Páscoa...olha que econômico... Nem precisa comprar dois presentes.

(A pretendente, uma tal de dona "Wikipidia")

Mas no final das contas, a carne de Astolfo Pipo foi fraca, fraquíssima, e a belíssima mulher do elevador conquistou e nocauteou seu coração.





E assim foi mais uma manhã alegre no hospital. Djuliano menos 9 quilos, Aline GPS desnorteada e Djapa papa-grão-de-bico cumpriram a missão do dia!!!




Observação: na sala de observação a reunião das médicas com a enfermeira Xuxa foi muito estranha...muuuuito estranha...E a rave dos piolhos então...kkkkkkk